Análise: ao salvar um governo, TSE acabará enterrando anda mais toda uma instituição

Análise: ao salvar um governo, TSE acabará enterrando anda mais toda uma instituição

As crises brasileiras sempre foram institucionais. Sempre. Os desvios, por exemplo, embora fossem e sejam perpetrados por picaretas, no geral aconteciam/acontecem porque as instituições eram fracas e/ou subvertidas. Tanto que a maior e mais irrefutável vitória da Lava Jato está no resgate institucional. Em resumo: os cidadãos voltaram a acreditar nas instituições responsáveis por investigação e julgamento.

Parece algo óbvio, mas aqui no Brasil a confiança institucional está longe de ser regra.

E ontem, muito infelizmente, o Tribunal Superior Eleitoral deu alguns passos para trás nesse sentido. O malabarismo jurídico de não admitir as delações como prova terá, de imediato, efeito positivo a um governo; mas, em longo prazo, servirá para que a instituição da Justiça Eleitoral caia em descrença. Governos vêm e vão, instituições permanecem – ou deveriam permanecer.

Uma coisa é entender como pior opção econômica a saída deste governo. Isso é admissível. Outra, bem diferente e completamente inaceitável, é fazer um teatro, com leve sotaque jurídico, a fim de evitar um “mal maior”. Instituições também deveriam estar acima disso.

O provável, portanto, é que Temer fica. Quem “sai” é a credibilidade da Justiça Eleitoral. Para salvar uma circunstância, enterra-se algo que deveria ser perene.

Vamos mal.