Análise: entenda por que a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE seria uma desgraça para o PT

Análise: entenda por que a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE seria uma desgraça para o PT

É um grande – e até ingênuo – engano supor que, para a cúpula do PT, a cassação da chapa Dilma-Temer seria um bom negócio. Trata-se do oposto, em que pesem as manifestações de parte da militância também por ingenuidade (note que os mais pragmáticos nem tocam no assunto).

Mas por quê? Três razões bem óbvias explicam isso.

1 – Demoliria a Narrativa do Golpe

A principal e mais forte narrativa do petismo é dizer que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe. Tudo se baseia nisso, tudo deriva disso, tudo DEPENDE disso. Desde os ataques à Lava Jato até explicações sobre detalhes quase inócuos em circunstâncias paralelas.

Se o TSE cassar a chapa pelo TSE, será um atestado judicial definitivo de que a eleição ocorreu em circunstâncias ilegais. Ou seja: foi uma eleição inválida, ilícita. Ou seja, novamente: o afastamento da presidente jamais seria golpe, mesmo com os argumentos toscos daqueles hoje defendem isso. Uma chapa eleita de forma ilegal não tem legitimidade alguma e, desta feita, a saída do poder jamais seria golpismo, ainda que ocorresse com um trator, pé de cabra, alavanca ou serenata com sambas e pagodes da pesada.

2 – Na prática, não ajudaria em nada

Não haverá eleição direta (pauta de parte do PT) e, com a escolha indireta, o partido pode ser atropelado nas duas Casas. A menos que tope participar de eventual acordo, no qual teria de fazer forte concessões. Assim, em qualquer cenário, a queda de Temer não implicaria na subida da atual oposição ao poder, mas sim à condução de alguém indicado pelos que hoje já estão no comando.

Tudo isso, repita-se, com o estrago moral de uma decisão que atestaria como ilegal e ilegítima a vitória de Dilma em 2014.

3 – Permitiria reação

Este ponto é menos óbvio, mas não menos provável. Em artigo recente, Igor Gielow escreveu na Folha de SP que um dirigente petista era contra aprovar as reformas simplesmente porque, com elas, o Governo Temer correria o risco de “dar certo”. O ponto é esse.

A saída de Temer criaria “ambiente de urgência” para que um “pacto” fosse firmado em prol das reformas. Os parlamentares sofreriam menos pressão individual da opinião pública e talvez tudo seria aprovado com ainda mais rapidez. O governo tampão, portanto, teria ainda mais chance de “dar certo”, pavimentando candidaturas a ele atreladas e inviabilizando aquelas a que ele se opuseram.

Portanto

Torcer pela derrota da chapa Dilma-Temer no TSE é coisa de militante ingênuo. Sim, ainda há alguns.