Análise: fracasso retumbante da “Greve Geral” é outra boa notícia para Michel Temer

Antes de tudo, é bom deixar claro: não é que a “Greve Geral” deu apenas um pouco errado, não é que as manifestações foram um leve fracasso… O patamar é outro! Em Brasília, por exemplo, vendedores ambulantes reclamaram da falta de gente (não é piada).

Com isso, o óbvio: Michel Temer comemora. Já seria matematicamente complicadíssimo tirá-lo pela via do impeachment, e agora com protestos esvaziados tudo fica tecnicamente impossível.

Nossa análise, já expressada noutras ocasiões, é no sentido de que a baixa adesão não decorra apenas de uma apatia coletiva. Nada disso. O problema é que os movimentos anti-Temer mais organizados acabam se mostrando favoráveis ao pessoal de vermelho – e aí o povo não adere.

Por fim, também fica mais e mais aparente a ideia de que mesmo alguns adversários preferem que ele não caia. Melhor assim, para todos eles – os políticos.

Datafolha: o povo estaria apoiando mais as ideias “esquerdistas”? Não é bem assim…

Segundo se comenta sobre o levantamento do Datafolha divulgado hoje, a esquerda teria recuperado forças junto à opinião pública, mas é claro que as coisas não são bem assim. A própria manchete, aliás, é construída de maneira curiosa:

“Cresce apoio a ideias próximas à esquerda, aponta Datafolha”

Ideias próximas? Como assim? E quais seriam? É aí que tudo vai pro campo da pura e simples subjetividade. Vejamos.

Aponta-se como “de direita” a ideia de que a pobreza deriva da vagabundagem, cravando-se aí uma caricatura, no melhor estilo “espantalho”. Não, a “direita” não pensa assim; por mais que algumas pessoas, de diversas correntes, possam pensar dessa forma.

O mesmo vale para a homossexualidade. Assim, genericamente, não faz o menor sentido. Há setores da direita, é fato, contrários à distribuição de kits em escolas – e a pergunta, se fosse específica quanto a isso, traria mais luz sobre o tema. De mais a mais, basta apontar as regiões/países/grupos que de fato massacram os homossexuais e constatar se é a “direita” que os endossa e/ou relativiza.

Também há exagero ao falar da pena de morte. Um resultado menos genérico viria da escolha entre aumento de pena ou artesanato. E poderiam pormenorizar citando a diminuição da maioridade penal. Nesses dois pontos, esquerda e direita divergem de maneira bem objetiva.

E assim vão algumas outras questões, com ausência sentida para o aborto, embora se fale em religião – e tal item siga fortíssimo junto ao povo.

Enfim

Considerando os temas usados como base pela pesquisa, não é possível constatar que a esquerda tenha ganhado terreno. Por outro lado, a Fundação Perseu Abramo, do PT, fez levantamento bem específico e detalhado na periferia de São Paulo e chegou a resultados muito diferentes. Sim, o povo é conservador e, mesmo na economia, tem guinado à direita.

Terror socialista: num único dia, 4 manifestantes são assassinados na ditadura da Venezuela

Quando a situação na Venezuela ficou impossível de ser escondida por narrativas, parte da esquerda brasileira resolveu “tirar o apoio”, no que pode ser visto mais como “tirar o corpo fora” da enrascada então evidente. E foi “parte” porque, bem sabemos, muitos continuam apoiando.

O problema é que isso não adianta nada. O que ocorre por lá não é algo que começou agora, mas sim decorrência direta dos anos e anos de ditadura, uma ditadura APOIADA pela nossa esquerda de forma integral.

Agora, por exemplo, a atrocidade chega ao cúmulo. Num único dia, segundo relata a Procuradoria da Venezuela, quatro manifestantes foram mortos. Sim, eles se manifestavam contra a ditadura.

Um absurdo sem fim.

URGENTE: PF prende Geddel Vieira Lima, outro aliado próximo de Michel Temer

Segundo noticia a Folha de SP, Geddel Vieira Lima foi preso preventivamente na Bahia, pela Polícia Federal. Assim como Rocha Loures, que foi preso e depois libertado, trata-se também de um grande aliado de Michel Temer.

No início do novo governo, Geddel pediu demissão ao ser denunciado por Marcelo Calero, então Ministro da Cultura.

Apesar da ligação com Temer, ele foi preso por investigações da Operação Cui Bono, que diz respeito a fatos do período em que esteve na Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, durante o governo de Dilma Rousseff.

Cada vez mais cotado para 2018, Doria adota postura crítica a Aécio e fala em privatizações

Embora oficialmente negue ser candidato à Presidência da República em 2018, João Doria tem adotado posturas que iriam em sentido contrário. E duas delas, mais contundentes, aconteceram no espaço de poucos dias. Vejamos.

Aécio

Hoje, o blog a jornalista Andréia Sadi, da Globonews, registrou a seguinte fala do prefeito de São Paulo:

“Eu tenho respeito pelo senador Aécio Neves, mas entendo que neste momento o mais adequado para ele é se afastar da presidência do PSDB para prosseguir na sua defesa com toda a legitimidade. Ele tem o direito de se defender e tenho certeza de que o fará muito bem (…) não pode seguir na interinidade ou em uma circunstância onde o presidente tem que responder pela Lava-Jato e ao mesmo tempo pelo PSDB (…) Eu não considero isso compatível (…) é hora de Aécio Neves afastar-se, fazer a sua defesa e permitir que o PSDB siga a sua rota, o seu caminho”.

O trecho final, de “seguir sua rota” é suficientemente claro.

Privatizações

Na sexta-feira, Doria participou do “E agora, Brasil?”, evento organizado pelo jornal O Globo, e lá disse o seguinte, conforme relata O Antagonista:

“Por que precisa ter a Caixa e o Banco do Brasil? Basta uma instituição. Elas competem entre si, até razoavelmente bem, mas não há necessidade. É um custo enorme para o Estado ter duas instituições financeiras. Faça uma, competente, eficiente”

Bolsa-Família

Mesmo acerca daquele considerado o tema mais delicado de todos, ele cravou – agora, segundo o próprio jornal O Globo:

“Não sou a favor de bolsas. Não podemos acabar com elas, mas não devemos estimulá-las. Você não pode ficar eternamente dando Bolsa Família e alimentando as pessoas dessa forma. Acho que não é o caso de tomar atitudes drásticas e simplesmente acabar, mas migrar essas pessoas para oportunidades do emprego (…) Sou um grande incentivador do capital. O capital gera emprego, oportunidades e atividade empreendedora (…) A vocação dos brasileiros é muito para a atividade empreendedora. Nas periferias é onde está o maior sentimento de empreendedorismo — disse ele, destacando que, atualmente, é possível criar negócios até pelo celular”

Enfim

Ele pode negar, mas são falas e posições de alguém candidatíssimo. E, em que pese a atual hostilidade de todos os lados hoje também na parte mais à direita, são sim ideias para enfrentar o esquerdismo. E posições inimagináveis, em 2014 ou 2010, por parte de algum candidato com chances reais.

Matemática: com 1/3 da Câmara, Temer não cai; justamente 1/3 da Câmara está sob investigação

Foto: Mario Roberto Duran Ortiz

Como já falamos aqui algumas vezes, é praticamente impossível que Michel Temer caia por meio de um impeachment. Isso por conta dos números: atualmente, ele tem maioria e, para cair, precisaria ter menos de um terço.

Agora, o jornal Gazeta do Povo traz outro número lamentável: exatamente um terço da Câmara dos Deputados está sob investigação.

Um retrato do Brasil.

Reunindo Dilma, Lula, Temer e Aécio, a “Frente Anti-Lava Jato” implode todas as narrativas

Muita gente não entendeu uma declaração de Lula, no final da semana passada, tecnicamente em favor de Michel Temer. Apesar da sensatez estratégica, considerando que o argumento valeria para todos, alguns militantes ficaram sem ação.

Agora, segundo informa o Painel da Folha, a coisa tende a ficar um tanto tragicômica. Seguem trechos, voltamos depois:

“Advogados de Temer, Dilma, Lula e Aécio articulam manifesto para questionar o Judiciário e o MP

Nós contra eles 2.0 – Os advogados de Michel Temer (PMDB), Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Aécio Neves (PSDB) articulam o lançamento de um manifesto para questionar a atuação da Justiça e do Ministério Público. Os debates se desenrolam em um grupo de WhatsApp intitulado “Prerrogativas” — e a OAB é alvo frequente de críticas. Nas discussões, tratam da confecção de texto que prega o fim do que chamam de “Estado de exceção” e a “retomada do protagonismo da advocacia”.

Criador… – O “pai” do manifesto dos criminalistas é o ex-presidente Lula. A ideia, que antes se restringia a trocas de mensagens no grupo, ganhou força depois do ato de desagravo aos defensores do petista, em maio, em São Paulo. Os questionamentos à delação da JBS deram o impulso final na articulação.

…e criatura – Alberto Toron, advogado de Aécio Neves e Dilma Rousseff, Cristiano Zanin, defensor de Lula, e Antonio Mariz de Oliveira, de Temer, estão na linha de frente da formulação do manifesto. Todos os políticos estão na Lava Jato e foram fortemente implicados na delação de Joesley e Wesley Batista.

Teoria e prática – Outros criminalistas fazem parte do grupo que prepara o texto. Eles discutem criar um curso para debater o que seria ‘Estado de exceção'” (grifamos)

Pois é

A primeira narrativa a sofrer com isso é a do “golpe”. Se já estava morta e enterrada, agora não sobrou nem o pó. Além dessa, também perde a sustentação a tese mais recente, e não menos estapafúrdia, de que defender a Lava Jato seria ajudar Lula para 2018 (chega a ser esquisito acreditar que alguém a sério defenda isso).

E o fato acaba complicando a situação dos que vêem (ou viam, porque agora não há como manter o ponto-de-vista) em Michel Temer uma figura antagônica a Lula. O mesmo valendo para Aécio.

No fim, o “nós contra eles” usado pelo Painel da Folha de SP é a impressão deixada pelo tal manifesto. Depois, não dá para reclamar do declínio da classe política e suas velhas figuras.

Não é piada: ambulantes protestam contra a falta de protestos em Brasília – tiveram prejuízo

Que a “Greve Geral” foi um fracasso, isso todos sabemos, mas parece que a coisa foi ainda pior. Segundo informa o Estadão, os vendedores ambulantes de Brasília tiveram vendas irrisórias, ironicamente salvas pelos 3 mil policiais destacados para fazer a segurança.

Ainda de acordo com a reportagem, o ambulante Reginaldo Souza (foto), que trabalha em Brasília, desabafou:

“Cadê as pessoas? O povo não está indignado? Nas manifestações de abril, fiz mais de R$ 2 mil num só dia. Hoje só consegui vender R$ 150 de água (…) Se não fossem os policiais, hoje a gente estava perdido (…) São os únicos que estão aqui hoje, comprando alguma coisa”

Pois é.

Galeria de fotos: cenas de violência e terror na fracassada “Greve Geral”

Diante do fiasco, nem todos sabem que na sexta-feira houve uma “Greve Geral”. Pois é, teve. E alguns descobriram de forma um tanto complicada: por meio do vandalismo e da violência.

Para NÃO variar, um ato de esquerda apela para a violência, para a queima de pneus chegando a ponto de até mesmo impedir um médico de entrar no hospital.

Desse modo, reunimos algumas das fotografias divulgadas pela mídia. Vejam a seguir:

Alagoas – Foto: Heliana Gonçalves / TV Gazeta
Paraná
Pernambuco – Foto: Anderson Melo / TV Asa Branca
Rio de Janeiro – Foto: Wilton Junior / Estadao Conteudo
Porto Alegre – Foto: Reprodução/RBS
Santa Catarina – Foto: PRF/Divulgacao
Sao Paulo – Foto: Nacho Doce / Reuters
Sergipe – Foto: Lanne Pacheco

É exatamente por causa do vandalismo, além do enaltecimento de alguns partidos e políticos enroscados, que o povo jamais adere a esse tipo de coisa.

ps – fotos originalmente publicadas aqui e aqui.

Manifesto anti-Lava Jato traz à baila aquele trecho pouco divulgado do “áudio do Jucá”

Na construção da “narrativa do golpe”, um elemento sempre presente é o “áudio do Jucá”, a gravação telefônica em que o então Ministro do Planejamento de Michel Temer, Romero Jucá, e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro nos governos de Lula e Dilma Rousseff.

Porém, para tal narrativa dar certo, a seguinte fala de Machado costumava ficar para segundo plano:

“Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais…” (aqui na íntegra)

Pois é. Se houve ou não, o tal “grande acordo”, é preciso contar a história inteira. A tese, para fazer sentido, tem de incluir tudo que foi falado e, segundo o diálogo, nada seria contra APENAS um partido. A fala dos nobres sugere aliança mesmo entre adversários. Desse modo, quem acredita nessa tese precisa aceitá-la por completo.

E agora, com o manifesto que estaria em processo de elaboração por advogados de Dilma, Lula, Aécio e Temer, contra o MP e o Judiciário, tal trecho volta à baila.