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Especialista em segurança de dados fala de “rascunhos de emails” que seriam usados por Dilma

Em sua delação, a marqueteira Monica Moura, mulher de João Santana, afirmou que ela e Dilma Rousseff mantinham um sistema de comunicação baseado em “rascunhos de emails”. Desse modo, as mensagens não eram enviadas, mas apenas escritas, lidas e apagadas, pois as duas tinham a senha do email “fictício”.

Assim, o especialista Gilberto Soares Filho elaborou um artigo sobre o tema, aqui para o Implicante, e sua leitura é evidentemente obrigatória para todos.

Aí está:

* * *

‘RASCUNHOS DE EMAILS’ (DEAD-DROP EMAILS): ESTRATÉGIA RÚSTICA E INEFICAZ

Acredito que vocês têm acompanhado as notícias sobre a estratégia ‘sofisticada’, segundo a grande imprensa, supostamente utilizada pela ex-presidente Dilma para se comunicar com o casal Santana: ‘dead-drop email’.

Quem já sabe do que se trata, pode pular o parágrafo seguinte, para quem não sabe, fica a explicação.

No ‘dead-drop email’, duas ou mais pessoas compartilham usuário/senha de uma conta de webmail, e vão deixando mensagens um para o outro na forma de rascunho, mas sem enviar (geralmente apagam a mensagem recebida antes de deixar uma nova).

Só a um problema: o Grande Irmão está olhando.

O uso de ‘dead-drop email’ foi noticiado com destaque pela primeira vez durante o julgamento, em 2006, de um dos envolvidos no atentado a bomba de Madri, ocorrido em março de 2004.

E já àquela época, os órgãos de inteligência internacionais conheciam a estratégia.

A violação crescente da privacidade nos anos pós atentados de 2001, somado ao conhecimento prévio dos órgãos de inteligência, e ao baixo volume de dados que a armazenagem de textos gera, me fazem crer fortemente* que tal atividade é arquivada pelos serviços e webmail.

Bem, entendo que crer é fácil. Mas um dos maiores vexames já ocorridos na comunidade de inteligência, reforça** este entendimento.

Em 2012 o Diretor da CIA, General David Paetreous***, foi pego (quase literalmente) de calças na mão correspondendo-se com sua biógrafa via rascunhos de Gmail (‘dead-drop email’), e uma vez identificada a conta, o FBI foi capaz de recuperar todas as comunicações, revelando inclusive que biografado e biógrafa estavam envolvidos romanticamente.

Agora restar saber, se, sendo verdadeiras as informações de Mônica Moura, a então presidente utilizou computadores do Palácio do Planalto para acessar à caixa de e-mails, porque, se ela o tiver feito sem utilizar um proxy seguro, até mesmo a origem da mensagem pode ser rastreada com facilidade.

Nesta barafunda toda, só uma das medidas de contra inteligência adotadas poderia ter alguma eficiência. Segundo a delatora, a Presidente se comunicaria com o casal utilizando metáforas. Lembrando dos discursos nos anos em que a delatada foi presidente, fico me perguntando como o casal Santana conseguia entender as mensagens…

PS: quer segurança de comunicação, só há UMA FORMA, uso de criptografia assimétrica, com chave forte, o resto é lenda.

* – Existem mandados de segurança, julgados por cortes secretas que podem obrigar empresas que operem nos EUA a divulgar informações, sem que o usuário saiba.
** – Não foi explicitada a forma como os emails foram obtidos.
*** – O mais assustador, é que o General Paetreous foi um militar importantíssimo, com postos de liderança tanto no Iraque pós-guerra, quanto no Afeganistão.

Gilberto Soares Filho, 45 anos. Já foi consultor de conteúdo e colunista no Yahoo!Brasil, e no Jornal Diário do Nordeste, atualmente atua como programador e consultor de segurança de dados.

A previdência social não é deficitária apenas por causa de seus devedores

Os inimigos da reforma previdenciária que se avizinha lançaram mão de um argumento requentado, o qual já havia sido utilizado contra a PEC do teto de gastos públicos federais: se todos os devedores da Previdência Social quitassem seus débitos junto ao fundo, não seria necessário proceder à modificação alguma no sistema. Da mesma forma que consideravam, portanto, que a efetiva cobrança dos mais de R$1,8 trilhão de estoque de dívida de empresas e particulares com a União poderia ter tornado desnecessária a imposição de limites orçamentários rígidos para o governo federal, alegam agora, adotando a mesma lógica, que se os devedores do INSS saldassem tudo o que devem, esta discussão sobre a revisão das regras para aposentadoria nem estaria tomando nosso precioso tempo.

Quem dera tudo fosse tão simples assim. Senta que lá vem história.

1) O déficit nominal estimado da Previdência social para 2017 é da ordem de R$ 181 bilhões. Vale dizer: a mera comparação entre receitas e despesas previstas para este ano já supera o rombo efetivamente registrado de 2016 em R$ 32 bilhões. Ou seja, ainda que todos os contribuintes (compulsórios e facultativos) do INSS efetuem todos os repasses devidos ao Seguro Social, o caixa da Previdência não escapará de sofrer o referido desfalque. Se, todavia, empregadores e pessoas físicas deixarem de honrar seus compromissos (como acontece com frequência, conforme se pode constatar da tabela acima), a situação, claro, só piora. Mas o que é possível concluir, de pronto, é que o déficit previdenciário não é gerado por faturas em aberto, mas tão somente agravado por elas. No mesmo sentido, não há como esperar que o problema desapareça apenas eliminando a inadimplência. No máximo, por esta via, é possível amenizar o saldo negativo total.

2) As contribuições patronais devidas por pessoas jurídicas não são, tecnicamente falando, impostos, mas a eles assemelham-se dentro da contabilidade das empresas, uma vez que representam pagamentos a serem efetuados ao erário sem receber qualquer contrapartida imediata e correlata – e, afora exceções previstas em lei, independem do faturamento e do lucro destas. Diante desta constatação, é natural que a receita previdenciária se comporte tal qual impostos dentro da Curva de Laffer, a qual demonstra a relação entre a carga tributária e o total arrecadado pelo governo: com uma alíquota de 0%, o governo arrecada zero; com uma taxa de 100% também, já que ninguém terá incentivo para empreender.

Há, portanto, um ponto em que a arrecadação atinge seu limite e, a partir de então, ela começa a cair, já que fica mais atrativo sonegar ou parar de produzir. Ou seja, como as empresas no Brasil são extorquidas de todo lado pelos fiscos das três esferas de Poder, elas acabam, cedo ou tarde, caso queiram continuar operando, precisando “escolher” algum compromisso fiscal para ser ignorado, e, normalmente, acabam por deixar de lado justamente o FGTS e o INSS, visto que são fundos que o trabalhador não tem acesso imediato. Não por acaso, muitos trabalhadores os quais poderiam sacar seu fundo de garantia a partir deste mês de março deram com os burros n’água ao chegarem no banco e descobrirem que seus antigos empregadores não haviam efetuado o respectivo recolhimento.

3) Não há como recuperar parcela considerável da dívida previdenciária (algo em torno de 58%). Apesar da maior parte das empresas devedoras estarem na ativa, no topo da lista há grandes companhias falidas há tempos, como as aéreas Varig e Vasp, e outras ainda em processo de falência, bem como empresas que revelaram-se, em verdade, apenas “laranjas”, dentre diversos outros casos em que o dinheiro devido dificilmente chegará aos cofres da seguridade social. Apenas R$ 10,3 bilhões (4% do montante da dívida atual) têm alta probabilidade de recuperação, segundo estudo da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Do classificado à época, referente à R$ 375 bilhões de dívidas, constatou-se que 38% têm média chance de recuperação; 28% tem baixa chance e 30% tem chances remotas.

A prova disso é que o percentual de recuperação é baixo: em 2016, a procuradoria recuperou apenas R$ 4,15 bilhões dos créditos previdenciários, o equivalente a 0,9% da dívida previdenciária total – não por falta de vontade, é bom que se deixe claro para alguns mais apressados em dizer que “ninguém tem interesse em cobrar estes ricos safados”. Há uma força-tarefa de procuradores voltada exclusivamente para grandes devedores do INSS, mas a morosidade da Justiça somada à complexidade da legislação tributária brasileira complica o trabalho. Uma ação de cobrança da Fazenda Nacional demora cerca de nove anos no Brasil, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) realizado em 2012. Como ainda tramitam (lentamente) questionamentos judiciais referentes às contribuições previdenciárias relativos a aproximadamente 82% deste passivo (ou seja, débitos não reconhecidos pelos devedores, e aí incluem-se até mesmo empresas públicas e entes administrativos), não há como esperar que seja essa a resposta para esta complexa questão.

4) Mas e se, por obra de um milagre (ou de um Decreto autoritário qualquer), o Estado conseguisse obter acesso direto à conta corrente dos devedores do seguro social – considerando que nelas haveria saldo suficiente – e recuperasse, destarte, tudo que lhe é de direito (R$ 426 bilhões): o que aconteceria? Bom, em primeiro lugar, como explicitado no item 01, pouca coisa no cenário deficitário atual seria alterada, pois o importe total devido ao fundo previdenciário seria suficiente para cobrir o rombo acumulado por pouco mais de dois anos com os parâmetros ora utilizados para aposentadoria. Ademais, esse montante de recursos hipoteticamente retirado dos agentes produtivos de uma hora para outra (e que não seria repassado aos segurados de imediato, servindo apenas para aliviar o caixa do INSS) causaria a imediata interrupção das atividades de vários deles, ocasionando demissões em massa. Será mesmo que valeria à pena comprometer a liquidez destas empresas apenas para que “os ricos paguem o que devem”?

Face ao exposto, fica claro que não há solução mágica para o conflito em epígrafe – muito embora o brasileiro médio adore pensar que é mais fácil tentar achar um bilhete premiado no chão (tal como a falácia do Nióbio subfaturado¹, ou ainda a “auditoria cidadã da dívida pública” – calote em quem comprou títulos do governo, em português claro) para evitar encarar a realidade. Se assim fosse, qualquer empresa privada insolvente, mas que, por outro lado, fosse credora de um determinado valor, poderia respirar aliviada; mas não pode: ela vai precisar reestruturar-se, cortar custos e procurar ser mais eficiente, ou vai seguir amargando prejuízos – ainda que logre ser ressarcida por seus devedores.

Não tem jeito: enquanto o Estado estiver incumbido de gerir a aposentadoria dos brasileiros de forma compulsória (e eles não puderem optar em virar-se por conta, poupando ou investindo para a própria velhice), esta discussão não verá fim – mas fale em privatizar a previdência perto de um esquerdista para ver a altura do pulo que ele dá. Somente modelos que mesclem fundos individuais com suporte estatal para eventuais necessitados pode fazer frente às mudanças demográficas que nos aguardam em um futuro breve. Como exemplo, propostas como a do Instituto Mises Brasil ou a apresentada pela FIPE e capitaneada pelo Movimento Brasil livre (inspirada em padrões europeus) representam soluções definitivas para o enlace, pondo fim a privilégios de certas “castas” e corrigindo distorções, e não apenas mais um paliativo como o que tramita no Congresso Nacional – uma reforma que apenas irá ganhar tempo até a próxima inevitável alteração legislativa.

O senso prático, todavia, recomenda apoiar a PEC 287/2016, visto ser “o que tem para hoje”. É melhor do que ficar apenas observando o castelo desabar. Para se ter uma ideia, tornar-se-á impossível cumprir as celebradas pelo mercado restrições orçamentárias federais aprovadas em dezembro passado caso tudo seja mantido com está.  Algum dia, porém, teremos que dar início à (longa) transição do modelo público de previdência para o privado ou misto. Infelizmente, ao que tudo indica, não será desta vez.

Convém lembrar ainda que, por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, ela somente será aprovada se contar com amplo apoio parlamentar – e, para tal, será necessário fazer diversas concessões durante sua caminhada pelas casas legislativas, ocasião em que os parâmetros por ela definidos serão, certamente, suavizados. Ou seja, esta reforma ainda será ainda muito menos significativa para as contas públicas do que se espera. Tal conjuntura gera a perceptiva de aumento de impostos ali na frente, medida que já está sendo aventada por Henrique Meirelles, em decorrência do crescente número de funcionários públicos que estão sendo “poupados” da alteração de regime previdenciário – às custas do trabalhador celetista.

“Ah, mas se não fosse a corrupção, nem precisaria nada disso”², alguém deve estar pensando. Só que a corrupção é, em verdade, um sintoma de um problema muito maior: o tamanho do Estado brasileiro – o qual, por sinal, colabora em muito com o déficit da Previdência Social (e com a maioria de nossas mazelas sociais).

Ricardo Bordin é bacharel em Letras-Português/Inglês pela UFPR, formado como controlador de tráfego aéreo pela Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) e atua como auditor-fiscal do trabalho. Texto originalmente publicano no Por Um Brasil Sem Populismo.

¹https://www.institutoliberal.org.br/blog/mitos-sobre-privatizacao-em-que-voce-provavelmente-acredita-vi/

²https://bordinburke.wordpress.com/2016/12/30/ah-mas-se-nao-fosse-pela-corrupcao/ 

Vencendo a doutrinação: a primeira geração livre para escolher

Chamou minha atenção um artigo de David Nammo, publicado pela National Review, onde ele traz à tona dados de uma pesquisa conduzida pelo The American Culture and Faith Institute, os quais revelam a larga aceitação dos americanos pelo socialismo (em torno de 40%) e seu apoio a bandeiras da agenda “progressista”. O articulista, diante dos números, chega a adotar um tom alarmista, afirmando que o experimento bem sucedido implantado pelos pais fundadores da América estaria ameaçado, e que tanto os valores tradicionais quanto a consciência dos benefícios  do livre mercado precisariam ser urgentemente resgatados,  sob pena de o projeto que erigiu aquela nação vir a colapsar.

O autor acusa, em especial, os veículos de jornalismo e as instituições de ensino superior por esta mudança no ideário popular, alcançada por meio do uso de subterfúgios como a distorção da linguagem e a inserção de pautas ideológicas em obras de ficção. E este novo panomara seria, pois, capaz de orientar a adoção de políticas públicas e a elaboração de leis em sintonia com seus dogmas estatizantes e intervencionistas, bem como influenciar o Judiciário a interpretar as normas (e extrapolar de suas funções, desrespeitando o sistema de checks and balances) conforme esta postura mais à esquerda de parcela considerável do povo americano.

O principal aspecto desnudado pelas entrevistas realizadas é que o maior grupo de cidadãos identificado (58% dos consultados) diz-se politically moderate (o nosso conhecido “isentão”), e, no entanto, boa parte de seus preceitos coincidem com aqueles professados pelos “liberals”(ou leftists, traduzindo da novilíngua para inglês), tanto no aspecto econômico quanto no cultural. Ou seja, há um substancial número de esquerdistas involuntários nos Estados Unidos, os quais, sem nem mesmo perceber que viraram idiotas úteis, empurram o outrora lar dos bravos na direção da América Latina – muito por conta da propaganda e da patrulha politicamente correta.

Ao final, o escriba conclama a todos que amam a terra da liberdade a disseminarem os princípios que nortearam a construção de um dos países mais prósperos da história da humanidade. Trata-se de um apelo de inquestionável importância, mas que causa menos alarde, por certo, quando levamos em conta a idade dos indivíduos submetidos ao questionário: dezoito anos ou mais, isto é, nascidos antes de 1999.

O que remete, enfim, ao título deste texto. A chamada geração Z, que engloba os nascidos de 1995 até 2010, já usufruiu do privilégio de contar com a Internet durante todo seu processo educacional, desde a alfabetização até a faculdade. Eles ainda constituem um grupo, todavia, que foi submetido durante a formação de seu caráter ao conteúdo quase monopolista e enviesado ideologicamente da mainstream mídia, bem como exposto ao proselitismo político dos militantes disfarçados de professores – ambos movimentos intensificados após a revolução de costumes dos anos 1960 – sem contar com uma alternativa, com fontes de conhecimento e formadores de opinião que contrapusessem esta lavagem cerebral de moldes gramscianos.

É somente no decorrer da primeira década deste século que começam a despontar na grande rede mundial de computadores, em número relevante e em escala planetária, comunicadores autônomos que desafiam as informações e análises contaminadas pelo esquerdismo transmitidas por TV, rádio, jornais e revistas (e suas versões digitais). É quando o Infowars.com, os vídeos produzidos pela equipe de Dennis Praguer e muitas outras iniciativas similares começam a ganhar adeptos e a concorrer pela audiência outrora cativa da imprensa ordinária (no bom e no mau sentido).

É também neste mesmo cenário que a hegemonia do discurso dos “educadores” em sala de aula começa a ser questionada por meio de alguns poucos cliques no smartphone que direcionem às páginas do Instituto Liberal, do Mises Brasil, do Senso Incomum, dentre outros. Chega ao fim o reinado absoluto dos supostos arautos do saber que mais querem saber é de lobotomizar adolescentes.

O que levanta a questão: por desfrutarem da chance de crescer e desenvolver-se podendo comparar o que afirmou o “analista” da Globonews ou o professor de História vestindo uma boina estilo “Che” com o que tem a dizer, sobre o mesmo tema, pessoas como Alexandre Borges, Flávio Morguenstern ou Rodrigo Constantino, seria esta a geração que dispõe das ferramentas para, finalmente, romper os grilhões do pensamento e não mais deixar que George Soros pense por eles?

Aparentemente, sim. São cada vez mais frequentes os casos de estudantes que não deixam passar barato desonestidades intelectuais dos docentes, graças à fibra ótica. As empresas de jornalismo, vitimadas pela mesma conjuntura, vem perdendo seguidores junto com sua credibilidade para produtores independentes estabelecidos em websites (e que não dependem de verba de anúncios estatais nem de concessões governamentais para seguir operando) como nunca dantes constatado.

Não por acaso, existe um esforço coordenado para convencer os internautas de que notícias obtidas sem o “selo de autenticidade” da mídia tradicional são fakenews características de uma era denominada “pós-verdade” – a qual aprofundou-se com a vitória de Donald Trump combinada com o Brexit. Tentativas de dificultar ou até mesmo impedir o acesso do cidadão comum à banda larga também deixam claro que a conquista de espaços, corações e mentes movida a marxismo sentiu um baque inesperado. Até mesmo perfis humorísticos de redes sociais viraram alvo do “bater de pés” indignado daqueles habituados por tanto tempo a falarem sem sofrerem réplica. A bolha estourou e seu impacto foi sentido em toda parte – até na França.

Recentemente, o irmão de um amigo e uma tia fizeram-me a mesma pergunta: quem seria o governante capaz de melhorar a vida dos brasileiros? Bom, a maioria dos integrantes desta nova geração bem sabe que a resposta é nenhum, pois aprenderam, a partir da invenção de Tim Berners-Lee,  que não se deve esperar nada do Estado senão que ele mantenha-se fora do caminho entre o indivíduo e sua felicidade. A tia e o irmão do amigo? Fazem parte de uma geração “perdida”, que absorveu coletivismo e paternalismo estatal demais, e não há muito o que fazer por estas pessoas em idade já avançada.

Já os membros da geração pós-monopólio da esquerda ainda tem muito o que construir e modificar no mundo. São eles os agraciados, desde a mais tenra idade, desde o início de sua formação intelectual, com os instrumentos para não se deixarem incorporar pela Matrix comuna. Sorte deles – e nossa. Uma hora esse processo teria de ser invertido mesmo, sob o risco de faltar comida e papel higiênico por toda a face da Terra. Se eles vão aproveitar a oportunidade ou não, só o tempo dirá.

Avante, geração “L”, de “Livres para escolher”. Nos livrem dessa, para o seu próprio bem!

Ricardo Bordin é bacharel em Letras-Português/Inglês pela UFPR, formado como controlador de tráfego aéreo pela Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) e atua como auditor-fiscal do trabalho. Texto originalmente publicano no Por Um Brasil Sem Populismo.

A margem da oscilação: esquerda contra direita, ou ditadura

Que a política em uma sociedade traz em si a marca da cultura em geral naquele contexto, parece uma verdade segura, clara e até simples. Contudo, pouca atenção é dada às consequências lógicas desta importância fundamental da cultura para a política. Desde esta perspectiva, não existe objetivamente o que se nomeia democracia, estado de direito, constituição ou modelo de governo, em um povo que não compreende o significado e a função prática de conceitos tão básicos, cuja definição é ignorada pela maioria. Ao invés de categorias técnicas, o vocabulário dos debates públicos é convertido em slogans de propaganda, com a finalidade de influenciar a “opinião pública” e seduzir eleitores, mas jamais para descrever e avaliar realidades efetivas. No caso de palavras como esquerda e direita, ocorre a redefinição mais determinante para os rumos da política brasileira. Inicialmente, como produto imediato do trabalho de militância, promoveu-se uma idealização da esquerda e esta absolutamente identificada aos partidos de discurso marxista. Posteriormente, com a noção de esquerda desprestigiada para a população após os anos de governo do PT, e uma direita que surge como reação se auto-definindo pelo combate a tudo que se rotule como “esquerdismo”.

Há certo consenso quanto ao sentido ainda vigente da divisão entre esquerda e direita, de acordo com princípios gerais que guiam a defesa de mais ou de menos funções assumidas pelo estado em uma sociedade. Fatores tradicionais como o abuso que representam impostos pesados para a população já habituada à precariedade dos ineficientes serviços públicos, além dos frequentes escândalos de corrupção, levariam naturalmente a política brasileira a tender ao que se convenciona chamar direita. Porém, deu-se o contrário, graças a uma incansável militância que conseguiu obscurecer a simplicidade do problema, ao mistificar o discurso estatizante e monopolizar a luta que conduz a esta direção.

O êxito marxista foi tamanho que passou despercebido para a grande maioria de cidadãos conservadores que não havia um só partido que atuasse para representá-los. Não se tratava apenas de trapaça para facilitar disputas eleitorais, com o enfraquecimento e até eliminação de seus mais radicais antagonistas. A estratégia tem como ponto de partida a constatação de que ocorre necessariamente uma oscilação entre rumos opostos do estado em função da mudança de partidos que ocupam o governo a cada novo mandato, cada qual com seu viés doutrinário. Sendo assim, tal processo nunca conduz unilateralmente para o destino que um único grupo ideológico ambiciona, mas segue o caminho que resulta dialeticamente da polarização em torno do poder. Só nesse contexto, se compreende a conversão da “social-democracia” em direita, já que uma esquerda moderada está “à direita” dos extremistas revolucionários, ao menos segundo a perspectiva dos próprios marxistas. Nesta direção, os “progressistas” se viram livres para avançar a agenda do Foro de SP, sem qualquer margem para “retrocessos”.

Devastados pela perturbadora estratégia descrita, a maioria dos brasileiros assume, sem qualquer crítica, o monopólio marxista do conceito de esquerda, passando à crença de que a defesa das ideias liberais e conservadoras seriam o antídoto para reverter uma formação cultural e política que nos conduziu a uma utopia socialista tão nociva e perigosa. Não se deram conta que o marxismo não representa um programa de governo alternativo, muito menos um modelo estatizante para administrar a sociedade e tentar oferecer soluções para seus problemas. Isto seria o caso de partidos de uma esquerda verdadeiramente democrática, cujas teses são legítimas num debate político, ainda quando julgadas deficientes e obsoletas, pois não são uma ameaça ao estado de direito.

Ora, se há partidos cuja meta é destruir as instituições do país, para substituí-las por um regime ditatorial, participar de discussões públicas e eleições para combatê-los não é propriamente um exercício democrático. Pelo contrário, consiste em legitimar com o status de adversários políticos àqueles que, sabida e declaradamente, atuam como inimigos da pátria.

Bruno Bertolossi de Carvalho, 34 anos, antropólogo pela Unicamp, atualmente fazendo mestrado em filosofia na Colômbia, Universidade Caldas, pesquisa em cultura política brasileira, influenciada pelas idéias de Antonio Gramsci, além de manter um blog com textos sobre o Brasil, Formação, Filosofia e Teologia. Escreveu para o Implicante na condição de autor convidado. Se você gostaria de publicar algum texto seu aqui nesta seção, clique aqui e siga as instruções.

Michel Temer herda problemas criados pelo próprio PMDB

24.02.2016 - Vice-presidente Michel Temer prestigia o II Congresso da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). Foto: Anderson Riedel

No Brasil, existem algumas máximas que parecem nos assombrar. A do momento é que nada não é ruim o suficiente que não possa piorar. A situação atual é algo como a tempestade perfeita, ou a conjunção de planetas para abrir um portal dos infernos direto no território brasileiro. É claro que, se compararmos a nossa situação com a de países como Venezuela e Síria, ela é melhor, mas muito longe de ser boa.

Desemprego recorde, déficit público alarmante, corrupção alastrada e um cenário político caótico minam as esperanças de milhões de brasileiros. Foram necessários vários anos de uma ação persistente e completamente equivocada para se chegar a esse cenário. Ele não foi criado da noite para o dia. Por anos, o Brasil viveu uma ilusão e se estruturou em cima de um castelo de areia. Não há solução instantânea para nosso inferno astral, mas vários esperam que isso venha a acontecer imediatamente.

Os partidários de Dilma Rousseff e toda a sua inépcia infinita chamam Michel Temer de golpista e traíra. Golpe é a narrativa da esquerda para se esconder as atrocidades cometidas pela ex-presidente com a economia da nação. Traição pode até ser, mas se realmente Dilma e o PT confiaram em Temer, o que não acredito, isso foi de uma ingenuidade ímpar. Nunca percebi o PMDB como aliado, mas sim um caronista momentâneo. O PMDB é o partido de “onde há governo, sou a favor”, mas há mais de 20 anos não se interessa em assumir esse poder, apenas orbitá-lo. Os partidários de Temer não são de esquerda ou de direita, são a favor do poder e de poderem parasitá-lo. Não existe ideologia em figuras como Renan Calheiros, apenas interesses conflitantes com os dos demais brasileiros. Isso não quer dizer que o PMDB compactue das ideologias absurdas de Dilma, muito pelo contrário, mas esses “detalhes” podem ser relevados mediante acordos.

Quando um partido aceita compor a vice-presidência da chapa de outro partido, ou faz isso por coincidência de ideias e ideais, ou por interesses momentâneos mutuamente benéficos. Conforme dito, não acredito na primeira opção. Sobra a segunda. O que eram estes interesses do PMDB em se aliar ao PT geram diversas teorias, todas inquietantes. Portanto, Temer não é o mentor das atrocidades de Dilma, mas foi no mínimo conivente com elas, por um preço alto.

A situação que Temer herdou é uma das piores possíveis. Os fundamentos da economia brasileira sofreram processo de corrosão intenso, e é necessário um esforço e um sacrifício enorme para repará-los. A equipe econômica escolhida por Temer é boa. Aliás, qualquer uma sem Guido Mantega, Alessandro Tombini, Nelson Barbosa ou de simpatizantes destes seria já melhor. Esta nova equipe está com a visão analítica correta dos atuais problemas e propôs alguns remédios amargos, mas necessários, para a reparação necessária. Limitar gastos, repensar a previdência e as leis trabalhistas são atitudes que à primeira vista parecem contra a população, mas são a favor. O brasileiro se ilude que a farra promovida não era financiada com nosso dinheiro e, pior, com a capacidade do país gerar novos negócios e empregos. Mas sempre existirão as tentações populistas de soluções fáceis para se resolver os problemas estruturais, com consequências graves, é claro.

E eis que surgem os problemas do PMDB. O primeiro é que, apesar de o partido não compactuar com as crenças políticas do PT, até certo ponto diga-se de passagem, ele não fez nada para evitar essa nefasta política econômica. Pior, deu apoio para que elas fossem mantidas via aliança política nas eleições de 2010 e 2014.

O segundo é que o PMDB é um partido de órbita do poder, desacostumado a lidar com as cobranças diretas da população, não sabe fazer oposição e na situação não sabe transmitir à população a gravidade da herança econômica maldita e a necessidade de se tomar medidas austeras. Falta alguém como João Santana ao lado de Temer para explicar a todos nós os rumos que o país tem que tomar. É claro que esse alguém não precisa jogar sujo como Santana, apenas saber comunicar como ele.

O terceiro problema do PMDB é a própria essência do partido, ou melhor dizendo, a falta de uma essência. O partido é um amontoado de políticos profissionais, alguns da pior espécie, sem ideais em comuns, a não ser o de se agarrarem ao poder e de lucrarem com ele. A Lava Jato avança de maneira devastadora no establishment político de Brasília e as últimas delações apontam para o alto escalão do PMDB.

O Brasil, portanto, se encontra em uma situação onde o atual partido que ocupa o Poder Executivo – eleito popularmente diga-se de passagem – não sabe se comunicar. Quando se comunica, faz isso de maneira atabalhoada, tem membros de reputação horrível e por inferência participou do esquema de corrupção dos governantes anteriores…

A turbulência atual é grave e cria um ambiente perfeito para que apareçam aventureiros de plantão. Nomes de políticos em ascensão variando do espectro de Marina Silva a Jair Bolsonaro preocupam e muito. Não vejo nenhum deles com propostas lúcidas ou sérias para colocar o país no trilhos. Aliás, o discurso destes é similar àqueles proferidos lá em 1989! A oposição ao PT foi inepta ao deixar que o monopólio das virtudes fosse tomado, quase que por usucapião, por este partido, e agora se mostra inepta ao se organizar para dar um rumo ao país. E, para piorar, as denúncias da Lava Jato também avançam rumo à oposição.

O PT volta à sua origem, que é do partido que atirava pedras nos telhados alheios. Numa audácia quase que inacreditável, culpa a atual situação do país no PMDB. Até o impeachment de Dilma, a crise não existia, agora ela não só existe como é culpa das atuais PECs. O pior é que esse modus operandi do PT é bem feito, ou seja, o partido devastado pela inépcia de Dilma e o mar de corrupção exposto passa a lucrar à medida que a percepção da população é de que a crise foi criada por Temer – problema crônico de memória curta do brasileiro – e de que todos os corruptos estão no PMDB.

Tirar Dilma do poder era necessário para se evitar o cataclisma, basta ver o que é Cuba na realidade. Mas daí a achar que os problemas acabaram é ingenuidade. O que não faltam ao Brasil neste momento são problemas, de toda a sorte e magnitude. O que me preocupa são os rumos que o Brasil pode tomar diante dessa situação. Os ímpios não só não têm paz como são constantemente tentados pelo populismo barato.

Ricardo F F Pontes é professor universitário, 44 anos, autor do Novo Blog do Ricardo. Escreveu para o Implicante na condição de autor convidado. Se você gostaria de publicar algum texto seu aqui nesta seção, clique aqui e siga as instruções.

Artigo do leitor: “Lamúria homicida”

As esdrúxulas justificativas para a permissão dos assassinatos de bebês evidenciam o caráter torpe das que militam “em nome da liberdade do útero”, desvalorizando a vida e matando seres indefesos em defesa de uma pútrida ideologia.

Em seu livro “Cartas sobre a tolerância”, o filósofo inglês John Locke define a vida como uma garantia natural de todo o indivíduo, apontando o direito ao seu corpo e a sua própria existência como sendo o “básico do básico” para a existência. Dessa forma, havendo vida e corpo, passamos a ser donos de nós mesmos, uma vez que o nosso direito de existência fora garantido durante toda a gestação.

Locke também traz à tona em seu livro o fato de que os nossos trabalhos são extensões dos nossos corpos, uma vez que através dele nós produzimos os objetos de uso, sejam ferramentas, meios de locomoção, produtos eletrônicos e tutti quanti.

Uma vez que o direito à vida é negado, dali em diante, todos as garantias para aquele ser humano também são abolidas, tendo em vista que se não há vida, consequentemente, não há direitos para o pequeno ser cuja existência lhe foi negada. E se há o aval para abolir o direito de um bebê viver sob as mais estapafúrdias desculpas, a vida em si torna-se a coisa mais banal do universo.

O surgimento de movimentos pró-aborto e suas extensas redes de financiamentos internacionais são as claras evidências da luta pelo assassinato meramente pela ideologia. Não se trata de questão de saúde como tentam impor, e sim, a quem essa pauta pode servir “positivamente”. É evidente que uma agenda como essa faz parte dos ditos movimentos progressistas, que ao banalizar a vida desde a concepção através da não-sensibilidade com a existência de um bebê, buscam normalizar a maldade existente nos discursos odientos em nome de uma suposta “libertação do corpo da mulher”.

Acreditar que há uma forma de haver concomitância no discurso de liberdade com a pregação da morte de bebês é como tentar conciliar tirania e liberdade, como propõe certo partido que prega o socialismo e liberdade, embelezando, assim, a utopia de um país igualitário e livre de desigualdade social.

Apelar ao Estado o poder de permitir a prática do aborto não é um ato discricionário de liberdade, e sim, uma prática vinda de um poder ainda mais concentrado, uma vez que caberá a ele de uma só vez conceder a permissão de tirar uma vida inocente, negar ao morto quaisquer dos seus direitos garantidos desde a concepção, e, por fim, abrir espaço para o cometimento de um homicídio sobre uma vida indefesa em meio a um discurso de liberdade, gravidez acidental e as várias desculpas usadas para a prática do assassinato. Em suma, tirania pura e simples.

Defender a vida desde a sua fecundação é o mínimo que se espera de alguém que possua consciência da importância do direito básico e inalienável de existir. E quem não o faz, revela o traço cruel e imoral da sua própria personalidade.

A lamúria daqueles que buscam defender o aborto, em sua maioria, encontra-se fixada no discurso “mas o pobre não tem condições de criar, então abortar é o melhor caminho…”, entretanto, a realidade aponta que em muitas periferias as várias famílias têm vários filhos e mesmo assim os criam com dignidade, amor, respeito e carinho, mesmo na ausência de bens materiais e dificuldades financeiras.

Os que adotam o discurso torpe de “e se crescer e tornar-se bandido? ”, parecem ser os mais entendidos da área. Num ar de superioridade formidável, na seleção das palavras mais sentimentais do vocabulário, no tórax cheio de ar e pensamento repleto de “defesa da liberdade”, o sujeito afirma: pra que ter o filho em más condições? Pra ele se tornar bandido e vocês desejarem a morte dele?

Para quem defende a morte de fetos, o discurso em defesa dos pobres parece ser o suprassumo da sua militância. Não é de surpreender, by the way, que o palavreado pró-socialismo também aparenta defender os pobres e oprimidos, contudo, a história mostra o resultado da desgraça que foram as experiências do socialismo e comunismo. Se a pessoa é capaz de defender e/ou militar em nome de uma dessas ideologias, apoiar o aborto, torna-se apenas mera extensão da própria perversidade humana.

E assim o sujeito toca a sua vida hipocritamente, mesmo sabendo que sua existência se deve a alguém que no passado foi a favor da vida, e dorme tranquilo com sua consciência ao defender o assassinato de indefesos, ceifando qualquer chance da pessoa nascer e tornar-se um cidadão exemplar apesar de qualquer condição dificultosa que a vida possa lhe impor.

É de extrema importância perceber as atrocidades dessas ideias e buscar impedir que caminhemos a passos largos para a normalização da sociedade dos monstros da própria espécie.

Este artigo foi enviado por Fernando de Castro, 20 anos, estudante de Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e diariamente escreve notas sobre política em seu Facebook.

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Algo que tem sido ignorado no debate sobre a reforma previdenciária: a taxa de natalidade

Nestes últimos dias, tem-se muito discutido a reforma da previdência. A previdência, por sua etimologia, se fez “pré-vidente”, antevendo um possível e provável rombo nas suas contas, e soou o alarme para uma reforma emergencial antes que a situação degringole. Sem entrar nos méritos ou deméritos sobre os planos de reforma, pois trata-se de uma matéria econômica e política, gostaria apenas de sublinhar um aspecto bastante simples, mas amplamente ignorado sobre o assunto.

Entre as causas aventadas para a necessidade da tal reforma, destacam-se apenas: “a diminuição da contribuição” e o “envelhecimento da população brasileira”.

Em geral, a mídia de todo tipo tem dado especial atenção a estes dois aspectos.

Obviamente eles têm uma relevância para entender de um modo objetivo a questão. Então, o que há de errado, se uma vez somados os dois aspectos já aparece lógica a conclusão de um furo na previdência? O dado fundamental e seguramente o mais relevante não é mencionado e diz respeito à queda na taxa de natalidade.

O quê? Mas me disseram que isso era um fator de desenvolvimento para o país? Pois é, não é bem assim.

Vamos entender alguns números simples. Segundo uma estimativa internacional, para que uma população se mantenha é necessária uma média de 2,1 filhos por mulher. Este número engloba já a taxa de mortalidade infantil e juvenil, considerando a possibilidade de a seguinte geração chegar à idade fértil para que se dê a reposição populacional. Portanto, abaixo deste número a população começará a diminuir, e acima dele, a aumentar.

No Brasil, em 2015, a taxa de fecundidade foi de 1,72 filhos por mulher. O país ocupava a posição de número 158 entre os países com maior – ou menor, como se queira ler – taxa de fecundidade.

A projeção do IBGE é que em 2016 a taxa de fecundidade brasileira seja de 1,69 filhos por mulher.

Caso essa projeção se confirme, o Brasil passaria a ocupar a posição número 173 entre os países com “maior-menor” taxa de fecundidade. Talvez o único motivo ainda justificável para não se falar em uma queda demográfica é que este processo se dá em uma curva geracional, ou seja, o efeito não é sentido de modo imediato, mas ao passar de uma geração com uma desaceleração gradual.

Uma última estimativa – já defasada – de 2012, dava como taxa de natalidade 1,81 filhos por mulher. Pois bem, em 1990 a taxa era de 2,81 filhos por mulher. Ou seja, em pouco mais de uma década, o número de filhos caiu em 1 (um), o que representa uma queda de 35,59%. Talvez não pareça, mas é uma queda vertiginosa. Números como este podem ser comparados apenas com situações atípicas como em guerras ou semelhantes.

Também outros fatores contribuem para o aumento do problema, como o aumento na expectativa de vida (por ex.: da média de 70,26 anos em 2000 para 73,62 anos em 2012). Mas, isto colocado lado a lado com a taxa de natalidade, é pouco significativo. Por um motivo simples: populações não envelhecem. Elas deixam de repor a sua população ativa, aquela que contribui. Menos nascimentos, menos jovens. Menos jovens, menos contribuintes.

Na verdade o problema não é novo. Está se dando em grande parte da Europa e em muitos países desenvolvidos, chegando a situações bastante críticas (porém, quase nunca noticiadas aqui). Contudo, quando se trata de dinheiro, as coisas são bastante objetivas e os técnicos da previdência entendem perfeitamente esta projeção.

A pergunta essencial é: por que um fato tão simples e evidente é amplamente omitido? Vejo muitas matérias a respeito, boa parte delas parecem encomendadas. Em sua maioria, fazem crer que o brasileiro se tornou surpreendentemente longevo e ou que exista uma espécie de inadimplência previdenciária, o que na verdade é pura propaganda governamental. Os indicadores da arrecadação de certo modo acompanham o destino da própria economia nacional e principalmente a taxa de desemprego é que influi diretamente no número. (cf.: link 1link 2)

O fato é que, por décadas, difundiu-se a todo custo, também aqui, uma mentalidade “antinatalista”, e nem minimamente quer se reconhecer as consequências lógicas de tal pensamento. O dinheiro não mente, e sabe que a projeção é a queda populacional no Brasil. Enquanto isso, li a bobagem em um grande portal de notícias sobre os prováveis benefícios de um envelhecimento da população, dizia, “padrão de vida europeu”. Pura besteira! O mais provável é que tenhamos os problemas demográficos “padrão europeu” antes mesmo que tenhamos conseguido solucionar os nossos problemas de terceiro mundo.

Felipe Cardoso, 29 anos, de Brasília, é Diácono e Bacharel em Teologia. Escreveu para o Implicante na condição de autor convidado. Se você gostaria de publicar algum texto seu aqui nesta seção, clique aqui e siga as instruções.