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Fernando Gouveia: Os velhos esquerdistas agora são alvo do radicalismo que sempre apoiaram

No início de junho, o professor norte-americano Bret Weinstein (foto), que leciona biologia no Evergreen State College, foi alvo da fúria dos alunos esquerdistas, e por um motivo no mínimo inusitado: ele, que é também de esquerda, defendeu a MANUTENÇÃO de um boicote histórico, o “Dia da Ausência”, promovido há décadas por alunos e professores negros, que ‘faltam’ nessa data para simbolizar quão fundamentais são à referida instituição de ensino.

Mas os alunos esquerdistas propuseram uma mudança: em vez de os estudantes e professores negros faltarem, os brancos é que seriam proibidos de entrar no Evergreen. Em suma: em vez de um boicote (ação voluntária) pregaram a proibição (ação de repressão). O profesor Weinstein foi contra, mostrando que seria até mesmo uma deturpação da natureza desse dia histórico, e obviamente foi agredido. A ‘velha esquerda’ americana apoiou a posição do professor e chamou atenção para o autoritarismo dos estudantes, mas talvez já seja tarde demais..

O Evegreen State College, fundado em 1967 (auge da contracultura) e com notável esquerdismo por parte do corpo discente, poderia ser comparado (guardadas as óbvias proporções) à nossa FFLCH, da USP (notória pela forte presença de esquerdistas). Desse modo, o professor Weinstein não pensa em dar as caras por lá tão cedo. O tema, apesar de ter sido pouco comentado na nossa imprensa, foi objeto de bom artigo de Helio Gurovitz.

O Começo do Fim?

Por mais que se considere o radicalismo fascista desses alunos – e é isso mesmo que são -, é preciso observar que isso é decorrência natural de tudo que o esquerdismo pregou, seja pela forma ou conteúdo. Desde considerar estudantes como verdadeiras divindades, que tudo podem e em tudo tem razão, até em legitimar durante décadas todo tipo de protesto violento. Deu no que deu.

E não se trata de fato isolado. No mundo todo, a “nova geração” do esquerdismo leva ao limite tudo aquilo que sempre foi pregado como positivo/permitido/válido. Serve de exemplo cabal o havido em Hamburgo, sobretudo considerando a ironia reveladora daquela “selfie” durante a destruição total. Um retrato fiel dessa nova turma.

Por aqui, há legiões de ‘velhos’ esquerdistas legitimando os atos mais extremados, dando sustentação teórico-ideológica até para a tática blackbloc, mesmo depois da morte do cinegrafista Santiago Andrade – aliás, chega a ser assustador que tal tática siga sendo defendida também por boa parte dos esquerdistas que trabalham na imprensa e, portanto, seriam colegas do jornalista morto. Ao fim e ao cabo, isso ajuda a diagnosticar a coisa.

Agora, os que se dizem mais moderados, não conseguem mais conter o ‘monstro’ que eles próprios ajudaram a criar e, para além disso, essa ‘criatura’ só conseguirá uma única coisa: afastar mais e mais as pessoas normais do esquerdismo. Depois de tantos e tantos anos da estratégia de ocupar espaços de comunicação e refazer narrativas, o esquerdismo não consegue mais esconder a própria essência porque, ora!, os esquerdistas mais novos acham que aquilo não apenas é certo como seria também eficiente.

Não por acaso, os mais jovens hoje se inclinam mais à direita. E muito por conta dessa minoria a um só tempo violenta e intelectualmente estúpida (porquanto dogmática). Contribui para isso, também, o excesso de regras tolhedoras que fazem parte da nova doutrina do esquerdismo, e isso abarca anedotas, propagandas, relacionamentos amorosos, livros/filmes etc. Quarenta anos atrás, a esquerda pregava o “pode tudo” e a assim chamada direita defendia proibições. O jogo virou e a grande maioria dos jovens, por óbvio, preferem o lado mais permissivo.

Por fim, para dar aquela força, a minoria que não atrai mais ninguém resolve ainda por cima quebrar tudo, deixando seus “mentores” não apenas em situação constrangedora, mas também os atacando por não endossarem o radicalismo. Pois é. No interior, chamam isso de “criar jacaré debaixo da cama” e no geral emendam com o “durma com um barulho desse”.

Pois é. Boa sorte.

Despedida

Queridos leitores, por conta de uma nova etapa da minha vida acadêmica e compromissos profissionais que passaram a tomar todo o meu tempo, esta é minha última coluna no Implicante, site que ajudei a criar há mais de seis anos. Agradeço a todos pela audiência, pelo carinho e até pelas críticas, pois sem elas ninguém aprende nada nem nunca melhora. O site prosseguirá com o restante da equipe, cujo talento e “implicância” vocês já conhecem há tempos. Um abraço a todos vocês.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante. Advogado e pós-graduado em Direito Empresarial, atua em comunicação online há 17 anos. Além de músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Guia prático: como a esquerda “sequestra” pautas, causas e bandeiras

Na semana passada, falei sobre a perda de terreno, pela esquerda, entre ‘minorias’ que ela fingia defender. Em suma: o pessoal acordou e viu que estava fazendo um mau negócio, algo contraproducente sobretudo para as causas a eles mais sensíveis.

Mas é preciso compreender como isso acontece, qual procedimento adotado para que a coisa funcione – e, até hoje, tem funcionado de forma eficiente. Vale explicar alguns passos:

Subversão

Para entender como a coisa funciona, é preciso voltar à época em que tudo começou, lá pela metade do século passado. A disputa entre os blocos capitalista e socialista estava no auge e todo tipo de tática era empregada para desestabilizar o lado contrário. Sim, a dominação de causas e bandeiras foi parte disso. A coisa nasce aí.

Há um vídeo famoso do jornalista Tomas David Schuman, outrora Yuri Alexandrovich Bezmenov e ex-informante da KGB (o serviço secreto da União Soviética), em que ele explica o funcionamento da estratégia de subversão, bem como suas etapas e o quanto isso funciona na desestabilização de um sistema. É bem longo, e de 1983; com alguns exageros, mas sobretudo vários acertos (a quem quiser ver inteiro, está aqui).

O sequestro das pautas, causas e bandeiras começou assim. Mas é preciso tratar as outras etapas de maneira pormenorizada.

ONGS e afins

Há algumas semanas, mencionei a importância, para a direita, de dominar setores em que a esquerda é hegemônica, e um deles é o segmento de ONGs, associações, fóruns e afins. E o predomínio esquerdista nesse tipo de coisa é também parte da estratégia. E uma parte fundamental.

Não adianta apenas aparecer o “especialista” para falar de uma causa. É importante também chegar com o “estudo” ou a “pesquisa” (as aspas são mais do que necessárias, todos sabemos). Com esse tipo de documento em mãos, elaborado pelo FÓRUM BRASILEIRO DE (preencha aqui com o nome de uma causa), os veículos de comunicação repercutem a coisa toda, atendendo quase sempre a demandas da agenda da esquerda – e, aí sim, o “especialista” aparece para comentar, endossando.

Essas entidades, quase todas com nomes pomposos e várias menções positivas na imprensa, acabam se revestindo de uma autoridade que, na prática, não tem. Tudo é viés, tudo é narrativa, mas sempre com a roupagem técnica necessária. Sem isso, o sequestro da pauta não daria certo.

Contra o Método = Contra a Causa

Eis a narrativa essencial, uma espécie de sofisma não muito brilhante, mas eficiente (e a função do sofisma não é ganhar pontos de brilhantismo, mas sim lograr êxito). Funciona da seguinte forma: a esquerda, uma vez dominando determinada causa, apresenta uma solução (invariavelmente ideológica) para o problema e, ao mesmo tempo, trata como INIMIGO DA CAUSA quem é contra a solução apresentada.

Sim, o problema existe. Exemplo: racismo. Claro que existe racismo, ninguém seria maluco de negar a existência disso. Ok? Ok, sigamos. O esquerdismo dá como solução, por exemplo, uma lei de cotas. E o truque vem a galope: quem é contra essa lei, bem sabemos, eles dizem que é CONTRA O COMBATE AO RACISMO – ou seria mesmo alguém RACISTA.

É isso que fazem. Quem discorda do método ideológico passa a ser tratado como alguém que ENDOSSA O PROBLEMA. Um truque sujo, verdadeiramente repugnante e até raso, mas que funciona – um pouco também por receber endosso de boa parte da imprensa tradicional e “especialistas” por ela consultados.

Lobby: imprensa e publicidade

Uma vez hegemônica nas ONGs e associações, bem como tendo emplacado a narrativa do tópico anterior, a esquerda passa a pressionar veículos, marcas e quem mais vier pela frente. Em nome da causa, certo? Não, claro que não. Em nome do esquerdismo, mesmo. Sempre haverá o viés ideológico, ou mesmo o partidário, seja na fúria contra determinada marca/pessoa, ou na atenuada quase inexplicável com outras marcas/pessoas.

Mas, quando a coisa chega a este ponto (e é nele em que estamos agora), é quase impossível combater a estratégia de forma eficiente. A luta é árdua e quase sempre ingrata.

Desse modo, vale reiterar a constatação do outro artigo: ou a direita começa a ocupar todos esses espaços, aprendendo a desconstruir narrativas em todos esses processos e etapas, ou nunca vai ganhar de fato coisa alguma. Porque não adianta apenas vencer pequenas batalhas enquanto há toda uma guerra em curso, e sem previsão de trégua.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

A esquerda começa a perder força no Ocidente entre “minorias” que fingia representar

Dias atrás, foi noticiado que homossexuais franceses estariam migrando da esquerda para a direita, mesmo caminho feito pelos jovens daquele país. Claro que, por aqui, as explicações não chegaram perto da superfície do fenômeno, ficando por óbvio ainda mais distantes de seu centro. Há teses variadas, algumas mais objetivas, sobre o que acontece por lá – avanço islâmico (os gays devem ter notado que não são exatamente amados em países sob lei muçulmana), falta de emprego ou simplesmente a perda de credibilidade do discurso esquerdista. Mas é importante considerar que não se trata de fenômeno regional, e sim global.

Embora aparentemente apenas a França tenha feito tal pesquisa, e ela ainda seja de restrita ao quadro eleitoral, nota-se que isso acontece também no Brasil, nos EUA, na Inglaterra e assim por diante, com também vários argumentos tentando compreender esse fato, valendo destacar este aqui.

Mas por que isso acontece? Arrisco um palpite: para além do desgaste natural do tempo, sobretudo considerando uma crença ideológica baseada em dogmas de séculos passados, a esquerda está perdendo de vez as pautas que “sequestrou” há algumas décadas. O truque funcionou por muito tempo, é verdade,  mas chega uma hora em que simplesmente não mais resiste – o que é natural.

Vamos à história recente. O esquerdismo, no auge da Guerra Fria, crescia nos países ocidentais como ideologia agregadora de praticamente todos os movimentos anti-sistema. Todos, mesmo. Qualquer um. Bastava ser contra o “status quo” para que a esquerda se infiltrasse e em pouco tempo tomasse conta da pauta inteira, criando associações, ONGs e afins. Vale para a questões raciais, de gênero, sexuais, ecológicas, religiosas…

A parte que nunca contaram é justamente o quanto tudo isso sempre massacrado nos países socialistas, enaltecidos pelos mesmos que alegavam defender tais bandeiras. Minorias étnicas nunca se deram bem sob o socialismo, como comprovam as experiências da China, do Camboja, da União Soviética etc. Ainda assim, as esquerdas ocidentais pregavam – com espantoso sucesso – a defesa de grupos étnicos vítimas de preconceito.

Homossexuais também não tinham paz sob regimes desse tipo, a ecologia sempre foi atropelada das maneiras mais diversas e as minorias religiosas – ou mesmo religiões de todo tipo – não tinham direitos mínimos quanto a seu exercício. Líderes femininas, com real poder decisório nos governos, só foram foram aparecer… bom, nunca apareceram, ao contrário do que houve, no mesmo período, em países como Inglaterra, Israel e tantos outros usados pela esquerda como exemplos de supressão dos direitos das mulheres.

Alguns vão dizer que isso é coisa do passado, de décadas atrás, que a esquerda se renovou. Não é verdade. Ainda hoje, os esquerdistas que lideram/representam vários movimentos apoiam Cuba, Venezuela e até mesmo União Soviética e China. Pois é. Salvo exceções pra lá de excepcionais, não apenas relativizam como também defendem de forma entusiasmada – combatendo com veemência os que ousam falar mal desses verdadeiros paraísos das liberdades individuais.

Por incrível que pareça, isso deu certo por muito tempo, mas parece que agora não conseguem mais como enganar os incautos com a lenga-lenga furada. Tanto menos quando muitos dos movimentos citados abandonam suas bandeiras quando alguém de partido amado pisa na bola, mas logo retoma a veemência quando é um adversário a sapatear na pelota. Fica claro e óbvio que colocam em primeiro lugar o esquerdismo (e o partidarismo) e só depois – bem depois – a causa que alegam representar.

E tudo piora ainda mais quando a esquerda precisa manter a histórica aliança com os mais variados movimentos islâmicos, inclusive alguns radicais e mesmo países em que as leis muçulmanas são aplicadas de forma rígida. Tudo por conta de “inimigos em comum”, como EUA, Israel e todo o ocidente.  Ao perceber o que aconteceria com eles caso vivessem em tais países e/ou sob domínio de tais grupos, muitos integrantes de movimentos dominados pelo esquerdismo começaram enfim a desconfiar da coisa. Como podem pedir compreensão cultural, relativizando casos verdadeiramente drásticos, e ao mesmo tempo atacam com fúria piadinhas de TV ou propagandas comerciais?

Um truque desse tipo, tão descaradamente falso, até que durou muito tempo, mas agora afinal começa a fracassar a olhos vistos.

A única saída para a esquerda seria abrir mão do socialismo e também do apoio a países e grupos que suprimem todos os direitos e perseguem indivíduos que o esquerdismo finge representar no ocidente. Mas jamais farão isso, todos sabemos. O resto é mera consequência natural e até óbvia.

ps – as aspas no título decorrem do uso da palavra em valores semânticos alheios àquele original, passando por relações de hipossuficiência ou coisa do tipo, de modo que em alguns casos – seguindo essa leitura – uma minoria poderia não ser minoritária (melhor deixar as aspas, portanto, se não até isso acaba dando problema).

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

A “pós-verdade” está na moda, mas nem todos sabem realmente do que se trata

Já de início, é importante deixar bem claro: pós-verdade não é a mesma coisa que “fake news”. E não são apenas conceitos distintos, mas circunstâncias/atos/fenômenos extremamente diferentes. Podem ou não estar ligados, mas muitas vezes existem forma autônoma.

Fake News

É a tradução literal, mesmo: notícia falsa. Isso existe desde que o mundo é mundo, há vários episódios da história da humanidade (e também das mais diversas mitologias) em que lorotas foram noticiadas e isso causou impacto relevante.

Mesmo na internet, o fenômeno é antigo. A ponto de alguns sites, também há vários anos, tornarem-se especializados em desmentir boataria digital. O e-farsas, por exemplo, está no ar desde 2002. E, podem apostar, as pessoas já contavam mentiras antes disso.

Pós-Verdade

Não se trata, portanto, da disseminação de notícias falsas. Essa é a confusão mais comum, a ponto de ser corriqueiro alguém dizer que estariam “espalhando pós-verdade”. Sério, não é nada disso.

Em 2016, o dicionário Oxford escolheu “pós-verdade” como a palavra do ano, justificando que, embora seja expressão antiga, seu uso aumentou em 2000% no ano passado. Sim, quem usa/usava eram jornalistas, no geral alinhados à esquerda, e foi entre eles que tal aumento se deu; evidentemente, o povo normal, em suas conversas nos bares ou meios de transporte coletivo, não usava (nem usa) tais termos.

Foi uma escolha política, obviamente, e a complexidade viria na hora da conceituação. Eles explicam que o “pós” não tem um significado meramente temporal (de “após”), mas sim de superação; desse modo, a verdade deixaria de importar, sendo superada pelo desejo de um grupo quanto ao que QUEREM como verdadeiro. Em suma: a realidade dos fatos deu vez à “verdade” que as pessoas desejam como real.

E esse é um ponto crucial do ambiente de pós-verdade: não se trata apenas de ludibriar os outros com notícia falsa, mas de PARTICIPAR DO PROCESSO de superação da verdade, tratando mero desejo como algo concreto. E os integrantes do grupo, como em todas as seitas fanáticas, acreditam piamente no simulacro.

Também de forma expressa, o Oxford atribui o fenômeno à direita, que teria largado de mão o mundo real e passaria a tratar seus desejos como verdades. Mas esse tiro saiu pela culatra: rapidamente, descobriu-se que o ambiente pós-verdadeiro mais dissonante do mundo concreto é justamente a bolha canhota. Os que se arvoraram a estudiosos do problema não perceberam porque – pois é, pois é – estavam eles próprios dentro de uma bolha.

Fanfic e Pós-Verdade

O erro de ligar a pós-verdade às fake news fica ainda mais crasso diante desse outro exemplo: a “fanfic” ideológica. A quem eventualmente desconheça o conceito, segue explicação simples: uma história fictícia é disseminada como se fosse verdade, a ponto de até mesmo jornais e revistas darem destaque. Depois, MESMO QUANDO CONFIRMADA A MENTIRA, muitos dos disseminadores se justificam na base do “mas isso acontece mesmo” ou “então quer dizer que nunca acontece algo assim?”. Com um adendo: não raro, o expediente já nasce com o objetivo de dar relevância à pauta.

Isso é a pós-verdade em estado puríssimo. Já não importa mais se algo DE FATO aconteceu, o importante é usar aquilo – desejando ser verdadeiro – para passar mensagem, bradar tópicos de agenda ideológica, justificar movimento X, Y ou Z e assim por diante. Esse é o exemplo mais próximo do que seria ambiente pós-verdadeiro.

Trump

Citado na explicação do próprio Oxford, ele foi por muito tempo tratado pela esquerda como o símbolo mor da pós-verdade. Mas, assim como no caso das “fake news”, o feitiço acabou atingindo o feiticeiro (no caso, a velha imprensa). E são hoje os trumpistas que apontam as bolhas pós-verdadeiras do outro lado.

Exemplo recente interessante: o “Dossiê Trump”. Alguns veículos chegaram a divulgar, jornalistas não totalmente imunes a ter alguma tendência falaram em impeachment… e descobriram ser algo falso. Disso, todos sabemos, e morreria por aí apenas como “fake news”.

Mas agora entra a pós-verdade. Mesmo diante do desmentido, MUITOS – sim, muitos – passaram a defender a divulgação, ou relativizar a coisa na base do “mas pode ser sim verdade”, entre outras frases pra lá de curiosas. Em suma, pouco importa o que de fato houve, diante do DESEJO de que determinada coisa tenha havido. O toque final é a transição do ambiente pós-verdadeiro para a pura estratégia política: seguir com a mentira por acreditar num efeito final positivo, mesmo sendo trapaça.

Bolhas

Isso sempre existiu e é um comportamento humano pra lá de natural: não gostamos de passar nervoso. Sim, olha só, odiamos ficar irritados! Que descoberta, não é mesmo? E, nesses casos, preferimos evitar o fato que nos irritou, substituindo-o por algo agradável. E isso inclui pessoas, obviamente.

Na vida real, não é tão fácil assim. Por fatores da vida, muitos deles dificilmente modificáveis, somos obrigados a frequentar estabelecimentos no bairro, fazemos trajetos em que determinadas pessoas estão presentes com frequência, temos pessoas desagradáveis como colegas profissionais e também vizinhança, e quase nunca conseguimos fazer algo para nunca mais encontrá-las – e, ainda que façamos, nada impede que outras apareçam.

Mas na internet a coisa é diferente, especialmente com as redes sociais. É em razão disso que surgem as bolhas, e vale tratar de dois casos da esfera virtual, e um terceiro no mínimo curioso (mas também importante):

Voluntária/Deliberada

Todos nós (sim, todos), aos poucos, vamos eliminando das redes sociais aquelas pessoas mais chatas que, não raramente, são aquelas de quem mais discordamos. A bolha não acontece de uma hora para outra; ela resulta desse processo, que leva tempo. E vale para time de futebol, música e obviamente política. Assim, por nossa ação deliberada, vamos pouco a pouco nos fechando em diversas bolhas temáticas/ideológicas.

Algorítmica

Não bastasse nossa ação voluntária, há também os “algoritmos” das redes, que selecionam o conteúdo de nossas timelines. O objetivo de uma rede é que todos interajam mais e mais, de modo que elas tendem a mostrar o que é de nosso (ou melhor, o que “acreditam” ser de nosso interesse). Assim, aparecem posts das pessoas com quem mais interagimos (sim, são quase sempre as pessoas que nos são mais agradáveis e, eureka!, com quem geralmente concordamos). Desta feita, mesmo não bloqueando ou deixando de seguir de maneira deliberada, aqueles de quem discordamos vão sumindo aos poucos.

Algumas pessoas, diante disso, passam a acreditar que TODO MUNDO pensa da mesma forma, dada a hegemonia em suas redes. Na verdade, por óbvio, é apenas um grupo, devidamente selecionado (por ação direta ou efeito algorítmico). Não por acaso, quando 99% do mundo pensa de forma diferente daquela expressa numa bolha, os integrantes de tal redoma chegam a ficar assustados com a dissonância – o choque do fanático quando percebe que o resto do mundo não partilha de suas crendices (e isso muitas vezes leva à agressividade).

Geográfica

Não é a bolha existente na web, mas sim no mundo físico. E pode ser exemplificada na seguinte imagem:

Este é o mapa do resultado eleitoral dos EUA da revista Time. Os grandes veículos de comunicação, de alcance mundial e dos quais os correspondentes de todo o mundo pegam notícias, estão em grande maioria nos pontinhos azuis.

Tais pontos correspondem às cidades onde Hillary venceu e, por óbvio, aquelas onde Trump não era exatamente amado pela maioria. Todos ali acreditavam que ele iria perder, afinal SAÍAM PARA AS RUAS e viam que não existia apoio popular massivo. Decretaram sua derrota sem medo de cometer equívocos. E deu no que deu.

Soma-se à bolha geográfica o desejo de muitos, especialmente nos meios de comunicação, de que aquilo fosse mesmo o retrato de todo o país. O impacto da realidade foi forte, de modo que a simples negação do mundo real não foi fato isolado. Até hoje, aliás, vários insistem nisso – e aqui vale reiterar a analogia com as seitas fanáticas.

Ah, sim: isso não acontece apenas nos EUA, no âmbito nacional, mas em vários outros lugares do mundo – e o Brexit é outro exemplo interessante.

Solução: individual, não coletiva

Em suma, você pode fazer sua parte, informando-se nas mais variadas bolhas, ponderando tudo e descobrindo o que é narrativa, o que é versão, o que é desejo, o que é torcida e o que é FATO de verdade. Um dos caminhos fundamentais é não ficar empolgado com uma notícia que endosse seu pensamento. Sim, a tendência é alastrá-la na mesma hora, mas é aí que está o erro. Segure esse ímpeto e trate de checar a fonte.

Mais que isso: também a fonte-da-fonte. Citaram uma pesquisa? Veja qual é essa pesquisa, quem foi entrevistado, qual o instituto, se os números correspondem às proporções corretas e assim por diante. Apareceu um “especialista”? Vá atrás da obra, de quem é ele, de qual apito político toca e assim por diante. É chato, mas é o único jeito.

E não adianta ser otimista, isso não se dará no plano coletivo. A tendência humana é sempre buscar esse tipo de conforto, voluntária ou involuntariamente; para piorar, hoje ainda há os algoritmos, e uma rede social que traga coisas desagradáveis nunca fará sucesso, então a tendência mais óbvia é que também isso se acentue.

Enfim

“Fake news” é uma coisa, pós-verdade é outra. E, quanto a esta última, não apenas estamos sujeitos a seus efeitos como quase sempre também somos dela culpados, por ação deliberada ou resultado de nossas interações nas redes sociais. Os ambientes pós-verdadeiros (bolhas) existem em toda e qualquer comunidade ou grupo que concorde sobre um tema e no geral expurgue os discordantes; e a tendência, pelos fatores já expostos, é de tudo piorar cada vez mais.

Há saída individual, não sem esforço demasiado e contínuo, mas seria ingênuo acreditar em solução coletiva. Mais do que nunca, faça sua parte. E desconfie de tudo.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Para vencer o esquerdismo, a direita brasileira precisa ocupar espaços e organizar-se

Mais do que nunca, ao menos nos últimos quarenta anos, os movimentos anti-esquerda ganham força no país. Houve quem chamasse de “onda conservadora”, mas a verdade é que o povo sempre foi – e continua sendo – conservador. As opiniões sobre aborto, pena de morte, liberação de drogas, entre outros temas, continuam as mesmas.

O que mudou foi justamente a ocupação de espaços. Colunas em jornais, eventos em universidades, websites, redes sociais e assim por diante.

Mas ainda é pouco e, se a direita quer mesmo combater o esquerdismo a contento, é preciso que ocupe muito mais. E também é fundamental que saiba organizar-se. Porque foi – e é – o expediente adotado pela esquerda.

A seguir, alguns exemplos:

Política Tradicional

Por mais que grupos de interesse tenham certa influência, e independentemente da força das manifestações de rua, a verdade é uma só: a caneta está com os mandatários. O poder de mudar as coisas, e estabelecer ou encerrar políticas públicas, é de quem foi eleito.

Desse modo, é fundamental e óbvio que a direita ocupe esse espaço, priorizando candidatos que assumam compromissos ou por meio da candidatura de quem já atua fora da política. Muitos torcem o nariz para isso, mas é a forma mais efetiva, e objetiva, de começar qualquer mudança.

Política Acadêmica

Aparentemente, a tal “onda” direitista é mais forte entre os jovens, de modo que já existem diversos grupos e chapas nas mais diversas universidades. E é importante que isso continue, todas elas sejam divulgadas e estimuladas, bem como seja também encorajada a participação dos demais alunos.

Universidades

Para além dos DCEs e Centros Acadêmicos, há a própria academia em si. Não faz sentido que a esquerda seja hegemônica no corpo docente de diversos cursos, principalmente os de humanas. Enquanto não houver um número grande de direitistas em cadeiras como Sociologia e Filosofia, a tal “escola sem partido” continuará sendo apenas utopia.

Muitos que já tem uma carreira podem fazer esses cursos de forma paralela, ou partir direto ao Mestrado, e assim poder dar aulas.

ONGs, Institutos etc.

A esquerda domina quase que por completo esse campo. Muito difícil uma ONG, seja do que for, não ser declaradamente esquerdista e em defesa de pautas da agenda canhota. Seus diretores são sempre consultados como “especialistas” nos temas e os “estudos”, repletos de viés, são vendidos como documentos fiáveis.

Fórum disso, centro daquilo, instituto daquilo outro e assim por diante. A direita precisa criar também suas ONGs, seus Institutos, juntar os que estudam determinado tema para elaborar documentos, enfim, tudo que a esquerda já faz.

Fundos de Financiamento

Há diversos fundos privados que investem pesado em ONGs e iniciativas esquerdistas. Um caminho é xingar, outro é elaborar projetos para disputar com o esquerdismo essas fontes de financiamento. Provavelmente, nem todos serão atendidos, mas é certo que alguns acabarão tendo êxito e isso já é o bastante.

Fora o sabor especial de desfalcar o adversário num território que sempre foi apenas dele.

Sindicatos e Entidades de Classe

Nada mais esquerdista, não é mesmo? Exatamente por isso, é necessário saber ocupar esses espaços. Claro que em alguns casos a coisa é pesada, com grupos violentos arraigados no poder e pouco afáveis a qualquer ideia de alternância de poder. Porém, nos casos em que não haja periclitação da vida e risco à integridade física, é também importante

Imprensa

Mais um caso em que é preferível ocupar, em vez de apenas reclamar. As redes sociais tem sido ótimas para corrigir informações equivocadas e apontar distorções narrativas, mas ficar só nisso é enxugar gelo. Sim, a grande imprensa tradicional está dando vez a outros meios, mas é um processo ainda lento.

Além de prestigiar colunistas anti-esquerda, é preciso que se faça algo como o citado nas universidades: fomentar movimentos e forças de direita também nas faculdades de jornalismo.

Boicotes

A esquerda é eficiente em cobrar marcas e produtos para que atendem às suas demandas ideológicas, muitas vezes por meio de ações de boicote. A direita precisa aprender a fazer isso. Um equilíbrio de forças nesse campo é parcela essencial na luta ideológica.

Enfim…

Todas essas coisas demandam tempo, empenho, dinheiro etc. Mas são necessárias; sem organização e ocupação de espaços, não há como a direita combater o esquerdismo.

E isso tudo também é parte da democracia.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Contrariando o esquerdismo, homicídios disparam no país, mesmo caindo pobreza e desigualdade

O esquerdismo tem como característica fundamental a obediência cega a vários dogmas e, por conta disso, os fatos que contrariam suas crendices ideológicas são solenemente ignorados. Servem de exemplo os diversos regimes socialistas implantados no mundo, pois nem massacres, perseguições, fome e demais desgraças, reais e documentadas, valem para confirmar quão terrível foi (e será, a qualquer tempo) o socialismo.

Desse modo, parece talvez inócuo demonstrar com fatos e números a imbecilidade de um outro dogma. Ainda assim, sigamos.

Para os esquerdistas, a pobreza é um dos principais fatores que levariam uma pessoa a praticar crimes. Por quê? Porque a explicação precisa fazer sentido no universo ideológico, que inclui luta de classes, oposição a ações policiais mais firmes e assim por diante. Claro, estupidez sem tamanho e já refutável por fato simples: se nem 0,01% dos pobres cometem crimes, a pobreza não é fator determinante. Ademais, mas não menos importante, esse tipo de pensamento é ofensivo às pessoas honestas e trabalhadoras em situação de pobreza.

Ok, tudo muito óbvio. Mas que tal demolir a tese usando dados do próprio governo, quase todos coletados quando a esquerda estava no poder? Vamos lá.

Nos últimos dez anos, a extrema pobreza caiu drasticamente. Segundo números do Ipea, divulgados em dezembro de 2015, a redução em uma década foi de 63%. Desse modo, seguindo a regra do esquerdismo, os homicídios também caíram, não é mesmo? Ok, talvez não tenham caído tanto, mas deram uma quedinha, certo? Claro que não, e todos sabemos disso.

Os assassinatos só fizeram aumentar. Os dados nacionais mais confiáveis começam em 2012. Vejam o gráfico abaixo, com números oficiais (sim, provavelmente muitos casos não foram relatados a contento):

Os dados de 2012 a 2015 podem ser consultadas aqui; os de 2016 constam do seguinte documento, divulgado nesta reportagem do jornal O Globo. Sempre importante destacar que tal índice é apenas o de homicídios, o que exclui outras ocorrências denominadas “mortes violentas intencionais”, como latrocínio (roubo seguido de morte).

Resumo: à medida que a miséria diminuiu exponencialmente, o número de assassinatos disparou absurdamente. A tese esquerdista, que já não fazia o menor sentido, agora é mais do que comprovadamente uma imbecilidade.

Opa. Eu acho que ouvi alguém falar que é preciso ver os índices de desigualdade, pois isso explicaria. Ouvi sim. Então aí vai: também a desigualdade caiu muito. Confiram a linha temporal do Coeficiente de Gini, que mede justamente a desigualdade:

Despencou. E, de novo, são dados (veja aqui) divulgados pelo governo quando Dilma Rousseff ainda era Presidente.

Portanto, novo resumo: no Brasil, a extrema pobreza quase desapareceu, a desigualdade despencou e ainda assim o o número de homicídios disparou. Essas estatísticas enaltecedoras costumam ter “exageros”, mas DE FATO houve diminuição em ambas (ainda que provavelmente menor), enquanto os assassinatos subiram muito.

E mesmo diante disso tudo, dá para casar R$ 20,00 no chão que a esquerda arrumará uma saída retórica, alguma nova “narrativa”, para dar um jeito de manter a tese. Porque não se trata de postulado com base em fatos ou evidências, mas sim um dogma. E os devotos de seitas fanáticas não costumam deixar que detalhes como a realidade e os fatos atrapalhem suas crendices.

No mais, enquanto a segurança pública do país estiver submetida a esoterismos ideológicos e pajelanças engajadas, o número de homicídios continuará aumentando. Para buscar saídas, é sempre recomendável a seguinte regra: fazer tudo que a esquerda condena (esse método raramente falha, aliás).

Assim, as medidas iniciais seriam construir mais presídios, mexer nas leis penais que permitem esticar processos eternamente, aumentar as penas, investir nas polícias (salários, armas, munições, veículos, treinamento), rediscutir o Estatuto do Desarmamento, estabelecer a sério o debate da redução da maioridade penal etc.

Seria um bom começo.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Condenar as mentiras da imprensa não é ser “pró-Trump”, mas sim defender a verdade

Não foram poucos os episódios de cobertura pra lá de distorcida, e em muitos casos simplesmente mentirosa, durante a campanha eleitoral nos EUA. A “desculpa” quanto à utilização do expediente era algo do tipo “ele é péssimo, seu governo será um inferno, então não é errado fazer de tudo para evitá-lo”. E fizeram quase tudo, mesmo. Porém, deu errado.

Em vez de parar, resolveram intensificar a tática comprovadamente furada – demonstrando a um só tempo a existência das bolhas ideológicas pós-verdadeiras e a idiotice avassaladora dos que nelas habitam.

Serve de exemplo o episódio do “dossiê trump”: segundo o “documento”, ele seria chantageado pela inteligência russa, já que tinham em mãos alguns filmes de estripulias íntimas num hotel russo, inclusive em práticas fetichistas de nível “avançado”. De alguma forma, isso chegou às mãos de políticos americanos e eles encaminharam para seus próprios órgãos de inteligência.

Foi nessa fase que entrou a gloriosa mídia. Um veículo forte na web e uma emissora de alcance internacional deram a história. O primeiro trouxe o tal documento; a outra apenas mencionando, naquelas de “esta história ainda não está confirmada”.

A esta altura, como todos já sabem, era lorota. O “dossiê” foi refutado de forma até meio patética e a coisa ganhou ares de tragicomédia quando um grupo reclamou a autoria e era no fim das contas uma pegadinha. Vexame total.

Mas o que se viu em seguida foi um festival de bizarrices. Bem poucos pediram desculpas, o resto resmungou, houve quem preferisse o silêncio, mas chamou atenção o tamanho da turma ENDOSSANDO a coisa toda, mesmo sendo mentira. Para eles, Trump seria um mal maior, de modo que qualquer expediente se tornaria válido para atacá-lo – até a mentira. Outros buscaram mais discrição na trucagem, partindo para o “bom, mas pode ser verdade, não é mesmo?”.

E quem apontasse (e aponta) esse tipo de traquitana era (e é) chamado de DEFENSOR DO TRUMP. Os diálogos seguem mais ou menos o seguinte esquema:

– Viu que tão chantageando Trump, o negócio dos filmes em que ele e prostitutas aprontam num hotel da Russia?
– Mas isso é mentira.
– Não é.
– É sim, olha aqui (vai o link).
– Bom, mas poderia ser verdade.
– Pois é, mas é mentira.
– Peraí, você tá defendendo o Trump? Então acha que ele é uma boa pessoa? Não acha que ele também já contou mentira?

E então, ao condenar a difusão de lorotas como algo razoável, o interlocutor se torna DEFENSOR DE TRUMP. É mole?

Mas isso não ocorre por acaso. Trata-se de tática velha da esquerda: vincular o adversário (ou potencial adversário, ou ainda opositor em algum debate) a figura repugnante. O propósito é mesquinho, daí o sucesso entre os canhotos: buscam fazer com que a pessoa ganhe todos os defeitos (verdadeiros, exagerados ou inventados) atribuídos à figura maligna. E também isso hoje em dia não tem funcionado.

Já as mentiras e distorções narrativas para atacar adversários ideológicos, vale dizer, deram certo durante muitos anos, pois um bom truque pode ser eficiente mesmo ao longo das décadas. O problema é quando se descobre como o mágico faz aquilo. Diante de uma plateia informada do procedimento, toda tentativa de repetição se transforma em episódio patético.

É esse o desespero deles, hoje. A meninada, com tempo de sobra na web e talento considerável, acha as fontes apontadas em questão de segundos e imediatamente as matérias, textos, posts e afins recebem contestações  e questionamentos os mais variados, num tipo de reação impensável poucos anos atrás.

Fazem isso por que amam Trump? Claro que não. Na grande maioria das vezes, a reação decorre do ódio à mentira. E são esses leitores, ou potenciais leitores, que a grande imprensa acaba perdendo a cada vez que repete tal prática.

Seria simples evitar isso, mas parece ser difícil abrir mão de velhos truques, mesmo quando descobertos. Uma pena.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

A imbecilidade esquerdista de marcar posição contra João Dória em ações aprovadas pelo povo

Na semana passada, e de forma satírica, tratei de alguns comportamentos da esquerda que revelam sua pouca inteligência estratégica e também o tamanho da distância entre tal ideologia e aquilo que de fato agrada ao povo. E o que esse pessoal vem fazendo em São Paulo, no caso das pichações apagadas, é prova cabal desse fenômeno.

João Dória, entre outras medidas, decidiu enfrentar os pichadores. O que fazem os esquerdistas? Apoiam, dizendo que é uma boa medida, já que aplaudida pela grande maioria da população? Nada disso! Por picuinha partidária – e por ainda não ter caído a ficha da “bolha” -, resolvem ir contra. Usam seus espaços de influência, especialmente na imprensa, para cair matando. Como falam apenas entre si, seguem acreditando que essa postura representa a maioria.

Claro que não.

Há poucos temas que unem tanto as pessoas quanto os pichadores, e é claro que elas estão unidas CONTRA a pichação. Ninguém gosta de ter a própria parede pichada, nem (obviamente) os próprios pichadores. Essa lenga-lenga de “cidade cinza” faz sucesso entre estudantes de humanas, nas redações e em agências de publicidade, mas o povo de verdade obviamente prefere uma parede lisa a uma repleta de frases/nomes e afins.

Ah, mas o “grafite é diferente”. Sim, é. E aí entram fatores múltiplos. Em primeiro lugar, quase todos que hoje se dizem escandalizados não disseram NADA quando o prefeito querido pela esquerda os apagava. Além disso, foram/serão apagados grafites já danificados, em que pese o eventual uso de trucagem fotográfica na hora de falar sobre o assunto. Para comprovar de vez o quanto a ação da militância é mais sobre partido político do que sobre a “arte”, vale lembrar que vandalizaram um grafite para “defender” os grafites (não, não é piada).

Enfim, voltando à burrice estratégica, a esquerda aderir à “causa” dos pichadores beira o inacreditável. E, se continuar assim, tomando a posição contrária em todas as outras ações obviamente positivas e aprovadíssimas, como os itens de limpeza doados à população de rua ou os hospitais particulares cedidos de madrugada, será fácil para João Dória conseguir a reeleição ou mesmo alçar voos maiores.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

10 conselhos infalíveis para a esquerda emplacar de vez com o povão

Atenção: este é um artigo satírico. O aviso pode soar meio óbvio e faz a coisa perder um pouco da graça, mas é infelizmente necessário nos dias de hoje.

Como sabemos, o esquerdismo tem encontrado algumas dificuldades para atingir o povão, restringindo-se a faculdades de humanas e outros grupos pra lá de minoritários.

Enfim, é hora de acabar com isso. Chegou o momento de difundir a esquerda para o povo de verdade, fazendo com que deixe de ser coisa de menino de classe média que faz cara feia em jantar de família. Aí vão, portanto, dez conselhos:

1 – SEJA MAIS

Sabemos que Lula e Dilma se elegeram escondendo o esquerdismo, fazendo campanha com padres, pastores, não citando aborto nem falando nada de drogas ou criminalidade. Mas fizeram isso por HUMILDADE. Sabiam que, se enaltecessem o esquerdismo, ganhariam de lavada, então preferiram esconder. Porém, agora, a recomendação é que isso seja evidenciado em todas as demais campanhas. Sucesso garantido!

2 – POBREZA E CRIMINALIDADE

Os 99,999999999% de pobres honestos e trabalhadores sempre ficam muito felizes quando alguém diz que a criminalidade é resultado da pobreza. Eles amam ouvir isso! Então, não perca uma chance de passar essa ideia quase central da esquerda. Não se acanhe.

3 – CRIMES E PUNIÇÕES

Outra coisa que o povão ama é bandido NÃO ser punido. O povo mais humilde e trabalhador acredita piamente que, em vez de cadeia, a saída é dar aos bandidos oficinas de artesanato em garrafa pet. Mostre a eles, portanto, que é justamente isso o pregado pelo canhotismo.

4 – ABORTO

Este tema é quase unânime: ao falar que é pró-aborto, um político já ganha a simpatia do povão e em muitos casos leva logo no primeiro turno. É importante bater nessa tecla (também central) de seu ideário. Isso fará com que muitos resolvam aderir à esquerda.

5 – RELIGIÃO

É notório que o povo odeia religião e, por conseguinte, adora quem desce a lenha nos religiosos, especialmente cristãos (exatamente como faz o esquerdismo). Um dos segredos de fazer sucesso com as pessoas mais simples é descer a lenha em católicos e evangélicos.

6 – DROGAS

Desnecessário dizer, já que é fato sabido por todos, mas não custa reiterar: sempre ganha pontos com o povo aquele que defende a legalização das drogas. Aproveite essa tendência inequívoca.

7 – MANIFESTAÇÕES EM DIA ÚTIL

Os que mais aplaudem manifestações realizadas em dias de semana, pode ver, são justamente os trabalhadores pobres. E o aplauso é ainda mais entusiasmado quando os manifestantes bloqueiam sua volta para casa. Não parem com isso, portanto!

8 – QUEBRADEIRA

Além do bloqueio de vias em dia útil, a quebradeira generalizada também é vista com bons olhos pelos mais humildes. É incrível como todos chegam a ficar emocionados a cada vez que um menino de faculdade arrebenta vidraça, detona telefone público ou apronta algo do tipo.

9 – ENCHA O SACO DE TODOS (E OFENDA)

Pode parecer que não, mas na verdade todo mundo adora alguém enchendo o saco. É assim que se consegue aliados, bem sabemos. Alguém disse algo a contrariar determinada tese esquerdista? Nada de bater papo de forma amigável: o segredo para conquistar o interlocutor é xingá-lo, tirar sarro ou chamá-lo de burro. Desse modo, não perca uma oportunidade de ser bem chatão nem de atacar quem discorda de você.

10 – FECHE-SE NA BOLHA

Soa contraintuitivo, né? Bobagem. A bolha ideológica, que vem dando certo já tem uns dez anos, é garantia de sucesso infinito. Cada vez mais fechados, os esquerdistas acabam atraindo a curiosidade dos outros 98,72% da população. E isso tende a dar mais certo ainda quando aplicado o conselho de número 9.

Enfim, basta seguir à risca tudo isso e não há como dar errado.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Com as notícias falsas, a grande imprensa apenas fortalece Trump e queima o próprio filme

Antes de entrar no mérito desse tema, é preciso tratar do contexto em que tudo acontece. Em primeiro lugar, o esquerdista parece ter como missão divulgar o esquerdismo onde quer que trabalhe. Pode ser numa sala de aula, pode ser no departamento de marketing de multinacional e, claro, também num grande veículo de comunicação. Desse modo, como acontece em qualquer seita congênere, ele aproveitará cada momento de mínimo destaque para passar a “palavra” adiante.

Além disso, e este parece um traço ainda mais deplorável, essa turma não vê problemas em trapacear para o bem da causa. Ao contrário, considera positiva a mentira que “lance luz” sobre alguma bandeira da agenda esquerdista. Como quando torcem fatos para que uma notícia pareça fundamental a certa causa, as coisas depois se comprovam diferentes, e mandam algo do tipo “ah, mas isso acontece muito, valeu chamar atenção”.

E assim chegamos a Trump.

Para dizer o mínimo, a cobertura eleitoral foi vergonhosa, nos EUA e no resto do mundo. Por mais que Donald Trump seja alguém repleto de defeitos, as matérias descaradamente sujas, sobretudo de veículos grandes, acabaram fazendo com que os defeitos patentes do então candidato ficassem, pouco a pouco, num segundo plano. Afinal, por mais que ele fosse uma pessoa terrível, era mais do que evidente a distorção de fatos e notícias para prejudicá-lo.

Resultado prático dessa brilhante tática de comunicação: o vilão virou vítima (acontece muito, aliás). E, acima de tudo, é preciso ser muito incompetente para conseguir que o dito cujo, com toda sua postura sempre agressiva, fique também na posição de “alvo de ataques”. A vida na “bolha” canhota e a empáfia gigante por parte desses jornalistas propiciaram essa verdadeira façanha.

Mesmo assim, ou até por causa disso, ele se elege, e muito “especialista” que cantava a vitória de Hillary passa vergonha mundial. Alguns poderiam supor que, até mesmo pelo fiasco (não tanto por arrependimento ético), a grande mídia pararia com a distorção absurda, não é? Mudariam a estratégia, certo? Errado. A toada segue idêntica.

Dias atrás, por exemplo, divulgaram um “dossiê” que comprovaria pesadíssimo escândalo sexual, com direito a práticas fetichistas e tudo mais. A acusação central seria de que a Rússia mantinha Trump como refém de chantagem, pois teria em mãos os vídeos dessas farras. O roteiro, por si, seria digno de muita desconfiança; mesmo assim, muitos divulgaram como verídico um documento fajuto. A farsa foi rapidamente comprovada e, para piorar, parece ser pegadinha de um fórum online.

Pararam? Não pararam. Numa mistura de arrogância de quem não reconhece o erro e a persistência tática que tem fracassado o tempo todo, esses mesmos veículos adotaram posturas do tipo “nada foi comprovado ainda” ou “o melhor foi mesmo divulgar”. Patético. Mas o pior (sim, a coisa piora) veio depois: MUITOS colunistas e formadores de opinião acham que foi “importante” e/ou “positivo” levantar a história, mesmo falsa. Sim, é exatamente a tal pós-verdade que tanto criticam, e aplicada a um caso concretíssimo de “fake news”.

Tudo que conseguiram foi mostrar que jogam sujo, colocando de novo Donald Trump como vítima dos grupos de mídia, ainda por cima oferecendo ao republicano uma “narrativa” agora imbatível. Na hipótese de surgir algum “dossiê verídico”, ou qualquer relato descrevendo fatos parecidos, ele ganhou a inapelável saída de dizer que estão requentando uma “mentira comprovada”, relembrando o documento falso divulgado como verdadeiro. E ganhará a batalha com relativa facilidade.

Esse expediente, portanto, é a um só tempo sujo e burro. Sujo porque atropela a verdade e burro porque dá errado. A ideia é prejudicar Trump, mas o uso da trapaça faz com que as pessoas não fiquem contra ele, mas sim contra a imprensa – que, no frigir dos ovos, perde mais e mais a credibilidade já bem discutível. E a insistência no jogo sujo parece ainda mais suicida quando se constata que a influência eleitoral já foi para o saco.

Por fim, vale lembrar que isso não se restringe a Trump ou aos EUA; fazem a mesma coisa por aqui e o resultado é similar. Nestes novos tempos, com as redes sociais cada vez mais fortes, as notícias falsas/distorcidas não chegam a vingar e, além de queimar o próprio filme, os veículos acabam ajudando quem queriam prejudicar. Provavelmente, só acordarão para isso tarde demais.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.