A esquerda prega a cultura da “não reação” e depois reclama quando ninguém reage a um crime

Ninguém esquece o crime horrível havido numa estação de metrô, em que dois marginais espancaram até a morte um vendedor ambulante. Episódio vergonhoso, covardia extrema. Em meio às reações de repúdio, houve aquilo de sempre: militâncias diversas tentando trazer a desgraça para sua pauta. Lamentável, mas acontece.

Porém, chamou atenção a quantidade gigante de pessoas perguntando algo óbvio: POR QUE NINGUÉM REAGIU?

Boa parte das indagações decorriam de pessoas genuinamente em dúvida, é verdade, mas houve muito – muito! – esquerdista “anti reação” que aproveitou o embalo para mostrar-se indignado com isso. A eles, a única resposta cabível: vocês são contra reagir, então é esse tipo de sociedade que acabam criando. Simples (e trágico) assim.

A “não reação” a crimes é um pilar do esquerdismo, no fim das contas fundamental para a grande tese de que o povo não pode carregar armas. Em suma, para a esquerda, SOMENTE O ESTADO tem condições de atuar na defesa do cidadão; nem mesmo ele próprio estaria apto a isso.

Desse modo, ao tratar dos crimes (sobretudo os mais violentos), o seguinte disparate é repetido como mantra: não reajam! não reajam! não reajam!

Mas quando ninguém reage a determinado ato criminoso violento, esses mesmos esquerdistas fingem indignação, sem qualquer medo ou vergonha da hipocrisia patente. Queriam o quê? É isso que vocês pregam, ora!

Repisada e difundida por simplesmente TODOS os grandes veículos, essa ideia tem como resultado um povo cada vez mais acuado, medroso e apático. Um povo capaz de assistir a um espancamento sem reagir.

E a prova cabal e inequívoca de que essa turma estava falsamente indignada diante da inação das testemunhas é que em momento algum, depois do crime vergonhoso, a pauta da REAÇÃO foi posta em debate. Como sempre, sumiram com ela. E segue-se defendendo que as pessoas não podem reagir a crimes.

Porém, assim como na política, também não há “vácuo” no mundo da ideologia. Se os espaços são ocupados no mundo partidário, as vontades populares invariavelmente encontram guarida no campo ideológico. E a segurança pública (no geral), bem como o direito de reagir (em especial), são sim demandas reprimidas.

Quem tiver coragem de enfrentar a grande mídia levantando essa pauta em 2018, muito provavelmente receberá apoio das pessoas que vivem fora da microbolha dos “formadores de opinião” que tão-somente atendem ao esquerdismo. E que estes não finjam surpresa nem mostrem revolta quando isso tudo entrar em debate daqui a um ano.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

As cinco semelhanças entre o petismo e uma seita fanática

Importante: este artigo, por óbvio, coloca na analogia proposta as seitas fanáticas como aquelas da década de 1970, em que os membros acreditavam em todo tipo de maluquice e rituais; sob a chance de qualquer leitura contrária, fica o aviso. Não há referência alguma a qualquer religião de fato.

Minha primeira participação nesta nova fase de colunas do Implicante foi para tratar de tema parecido. Na ocasião, expliquei as razões pelas quais a esquerda, ao contrário do que se presume, tem muito mais “fé” do que a direita. Em suma: enquanto os direitistas guardam isso para sua intimidade espiritual, os esquerdistas aplicam a crença pura-e-simples na vida prática.

Agora, uma mirada mais específica: o petismo é muito similar a um culto religioso fanático. E há cinco pontos em que a crença no PT se torna idêntica a qualquer outro agrupamento em que impera o fanatismo mais extremos.

Vamos a eles:

1 – A fé cega dos fiéis

O ideário do PT – socialismo – é tão factível quanto o daqueles cultos que acreditam no fim do mundo amanhã-sem-falta. Uma sensível diferença é que os regimes socialistas, na prática, costumam matar um pouco mais de gente do que os profetas do fim do mundo. Outro ponto em comum nessa parte da fé diz respeito à resistência absurda por parte dos fiéis em aceitar os fatos; especialmente quando os líderes são flagrados em situações deploráveis.

2 – Pregação da Palavra

Todo grupo de forte crença tem a prática de pregar sua fé. Uns abordam estranhos nas ruas, outros batem nas portas de manhã cedinho, e há os que gritam em praça pública. No petismo, a coisa acontece de váris formas: colunas de jornais e revistas, salas de aula, programas de televisão, redes sociais etc. O fiel, neste caso, aproveita cada espaço ocupado para pregar; de revista científica a site de games.

3 – O Dízimo

Justiça seja feita, os cultos fanáticos no geral não determinam a obrigatoriedade do dízimo, pois (ao menos em tese) paga quem quer. No PT, porém, ele é obrigatório. Segundo o estatuto (Art. 183, §1º e 2º), os filiados têm a obrigação de contribuir. E isso é tratado ainda de forma mais rígida quanto aos que ocupam cargos eletivos ou comissionados (Art. 184 e parágrafos).

4 – O Líder Carismático

Como todo culto, o PT também tem o seu. Ele é venerado, tratado como uma divindade e os fiéis não admitem que outras pessoas o considerem alguém “normal”. Porque ele está muito acima dos demais humanos. É predestinado, tem uma jornada existencial heroica, é infalível. Por mais que tenha bens caríssimos e usufrua de padrão altíssimo, ainda assim é tratado como o mais humilde entre os humildes. E nem foi preciso citar nomes.

5 – Falando em Línguas

Não são todas que fazem isso, é verdade, mas ainda assim é algo bem comum. Trata-se daquele momento em que as orações, louvores ou cânticos saem em um idioma incompreensível para quem está de fora, mas milagrosamente inteligível aos que participam da mesma fé. Isso também acontece no PT. Basta ver o que acontece em qualquer discurso da Dilma Rousseff: cachorro atrás, meta dobrada, louvação da mandioca (e do milho), quem ganha e quem perde nem ganha nem perde etc.

Pois é. No mais, há que respeitar-se a liberdade de culto, mas sem perder a de expressão jamais.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Eleições diretas antecipadas serviriam para afundar a esquerda e o PT de uma vez por todas

Quando o impeachment já se tornara fava contada, a esquerda passou a exigir a realização de eleições diretas para a Presidência da República. Posts nas redes sociais, gente famosa postando e até mesmo cartazes naquelas manifestações deles com meia dúzia. Mas semanas depois, diante do sarrafo eleitoral histórico nas votações municipais, imediatamente deixaram o assunto um pouco de lado.

A bolha canhota, contudo, parece algo ainda mais forte e isolante do que se imaginava, pois agora voltaram a fazer tal reivindicação, no embalo dos 60% favoráveis a novas eleições à Presidência, segundo o Datafolha. Ora, a única certeza que podemos ter sobre antecipação do pleito antecipado é a de que a esquerda perderá. Não só por conta de seus candidatos e partidos, mas também pelas teses e bandeiras.

Em primeiro lugar, com as delações da Odebrecht pululando e complicando a vida de todos os grandes partidos, o sentimento contrário à política tradicional (e aos políticos tradicionais) só aumenta. Se já estava em curso um movimento relativamente forte em favor de “outsiders”, candidatos alheios ao mundo dos partidos, agora isso se acentua e acentuará de forma exponencial. O contexto guarda algum paralelo com aquele de 1989, mas somente quanto à descrença generalizada na “velha política”. As coisas hoje são diferentes e, em alguns aspectos, um tanto mais complexas.

Diferentes porque foi-se o tempo em que a grande imprensa tinha uma gigantesca influência; atualmente, como vimos, a força não é a mesma, para desespero de emissoras, revistas e jornais. E a maior complexidade vem do fato de que algumas pautas, outrora boicotadas do debate eleitoral por pressão de veículos e (então) formadores de opinião, agora passaram a ser discutidas de forma ampla. E assim o serão nas próximas eleições; ocorram em 2018 ou daqui a meses. Isso inclui aborto, pena de morte, redução da maioridade penal, porte de armas, legalização das drogas etc.

Entre os diversos fatores a influenciar a retomada dessas pautas, vale mencionar o fortalecimento da defesa de ideias conservadoras em meios nos quais apenas um lado era hegemônico, como colunas de jornais e revistas, comentários em telejornais, mercado editorial e assim por diante. O segundo fator é mais simples: como atravessamos uma crise ética, acaba-se acentuando a importância dos temas de ordem moral, não apenas a ética na gestão pública.

O aborto, aliás, foi trazido à baila dias atrás pelo STF, numa decisão que, no fim das contas, fará recrudescer a legislação contrária à legalização, valendo lembrar que 80% da população é contra. Considerando a atual presença massiva de anti-esquerdistas nos mais variados meios de comunicação, especialmente na internet, claro que será lembrado e remartelado o fato de que o Presidente da República indica ministros do Supremo, e a escolha de um candidato conservador ajudaria a evitar decisões assim; debates assim, aliás, são comum nos EUA, mas aqui também sempre foram boicotados por vocês-sabe-qual-turma.

A derrota da esquerda, portanto, não será meramente partidária. Suas teses até então (bizarramente) intocáveis em eleições serão debatidas e remoídas como nunca e, como já mencionei em coluna recente, tal circunstância fará com que seja eleito um candidato efetivamente comprometido com as pautas da direita; afinal, da maioria expressiva da população, especialmente a fatia mais pobre.

Se numa projeção para 2018 esse é o chute, presumindo o caos político/econômico um tanto diminuído, claro que a coisa seria ainda pior com a antecipação do pleito. Se houvesse mesmo eleição direta agora (algo que, sejamos francos, não acontecerá), dá para apostar numa derrota ainda mais avassaladora da esquerda. E, claro, considerando o repúdio aos políticos e partidos tradicionais, o PT – maior alvo das atuais investigações e processos, com seu líder máximo sendo réu em quatro processos (por enquanto) – será o grande derrotado.

Considerando tudo isso, certamente a direita de verdade (não políticos/partidos que os canhotos alegam ser “direita”) apoiaria com entusiasmo a hipótese de eleição antecipada. Aliás, os mais de 60% do Datafolha já deveriam dar boa pista disso a todos. Alguns esquerdistas sabem muito bem que é esse o quadro e então apostam na hipótese de desgaste do atual governo ao longo dos anos para, em 2018, fazer de conta que não foram eles a entregar o país completamente devastado (tática arriscada e sem chances de êxito, mas menos desastrosa do que colocar todo mundo para votar novamente hoje).

A grande maioria da militância, porém, simplesmente saiu ainda da bolha ideológica e agora volta a pedir eleições. Chega a ser poética a ingenuidade, mas no fim é apenas risível.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Esquerda tentou emplacar “Fora, Temer” no protesto e ficou brava porque o truque falhou

Quando se diz que os esquerdistas vivem numa bolha, não é exagero, mas fato. E esse verdadeiro “campo de força” reapareceu mais uma vez, agora por conta das manifestações de 04/12.

O movimento foi organizado após um fato específico, a manobra da Câmara dos Deputados para mudar por completo as “10 Medidas Contra a Corrupção”, nos termos endossados por 2 milhões de brasileiros. Tal votação, ocorrida de madrugada, gerou a indignação de todos.

Em suma, protestariam – como de fato o fizeram – contra os parlamentares, com foco na decisão absurda dos deputados e mirando o Senado; que é a Casa agora responsável por dar seguimento  (ou não) ao projeto. Para “ajudar”, o senhor Renan Calheiros tentou uma manobra para apressar a votação que não apenas foi frustrada como ainda por cima o colocou no centro da indignação coletiva.

Nascia ali o “Fora, Renan”, ouvido em praticamente todas as cidades.

Mas então como surgiu a história de que seria “Fora, Temer”? Aquilo de sempre: a esquerda tentou fazer de conta que era isso, falando entre si que de fato seria essa a demanda. Provavelmente, veio de algum comando central, na base do “duvido eles negarem”, mas a nova realidade atrapalhou a estratégia. Primeiro porque esquerdistas falam apenas entre si, e esse contingente é irrisório quando comparado ao mundo de verdade.

Mas a razão principal é o fato de que a molecada dos movimentos é um muito mais inteligente do que a esquerda supõe; de novo, suposição criada por, para e entre si, sem buscar saber os fatos. E aí o truque falhou miseravelmente. Ninguém pediu “Fora, Temer”, é claro.

E o que faz a esquerda? Rabo entre as pernas? Reconhecem que deu ruim a tática? Nada disso! Insiste na narrativa loroteira. Surgem aqueles posts indignados do tipo “Ué, não era para tirar o Temer?” – e nessa hora cabe indagar se perguntam por genuína ignorância ou se é má-fé indisfarçável. Dúvida eterna.

Enfim, como ficou comprovado, a manifestação massiva, maior do que muitos supúnhamos, tinha pauta clara: defender a Lava Jato dos parlamentares, contra a manobra da Câmara e, depois, contra Renan Calheiros – por pura barbeiragem deste.

E o Temer? As manifestações não foram e jamais seriam EM FAVOR do Presidente da República. O foco direto foi este explicado no parágrafo anterior, mas também é bom que ele não sancione qualquer medida que limite o poder dos investigadores, pois aí sim provavelmente terá uma passeata para chamar de sua.

Será que aparece alguém de esquerda numa dessa? Muito difícil, considerando que eles são os que mais atacam procuradores, Sergio Moro e Lava Jato. E sobretudo porque o PT foi o partido que mais deu votos na Câmara dos Deputados CONTRA o projeto inicial das “10 Medidas”. Daí também não ter colado a ladainha de que tal votação seria um “golpe no golpe”.

Em síntese: a bolha não apenas isola as pessoas, mas também as faz passar um bocado de vergonha nos debates com quem vive no mundo real.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Morte do ditador genocida Fidel Castro escancara o amor da esquerda por regimes assassinos

Fidel Castro foi um ditador genocida, um assassino, e não há como edulcorar um perfil desse tipo. Não há como pesar “prós e contras” quando se trata do responsável por tantas mortes. Meramente aventar esse tipo de relativização já é , por si, uma atrocidade; e fazê-la de fato é um acinte completo.

Não há controvérsia sobre ele ser responsável por milhares de assassinatos; o debate apensa se restringe à quantidade. Há quem diga 5 mil, há quem fale em 20 mil, outros sugerem 100 mil e até a cifra de MEIO MILHÃO de cadáveres é sugerida. Para um comparativo: atribui-se ao regime militar brasileiro 434 pessoas mortas e/ou desaparecidas; dado é da “comissão da verdade” dos governos petistas.

A esquerda é a primeira a refutar qualquer argumento do tipo “ah, mas os militares no Brasil foram positivos nisso e naquilo”, alegando que as 434 pessoas, bem como a supressão de direitos políticos, não justificariam qualquer relativização. Ok, é por aí mesmo. Mas, quando se trata de Cuba, as MILHARES de mortes são ignoradas para que se elogie “a saúde e a educação” da ilha. Patético, desonesto e até mesmo sujo. O esquerdismo em sua essência, portanto.

E cabem duas observações: a população brasileira é imensamente maior que a de Cuba, de modo que, proporcionalmente, a matança comunista dos Castro se torna ainda mais absurda. Outro detalhe fica a cargo desse negócio de saúde ou educação serem uma maravilha, já que é IMPOSSÍVEL realizar qualquer pesquisa independente na ditadura fechada. O que temos são os relatos do governo e de seus simpatizantes (aquele pessoal que passa dez dias no Hilton de Havana e diz que Cuba é um lugar ótimo).

Mas voltemos ao amor dos esquerdistas por ditaduras. A coisa pode ser resumida da seguinte forma: o esquerdismo simplesmente não se aplica, na prática, sem o suporte de um regime autoritário. As ideias socialistas EXIGEM um controle estatal que suprima liberdades democráticas. Em alguns casos, “somente” proibindo atividades políticas; noutros, eliminando fisicamente os opositores. Simples assim.

E a morte de Fidel Castro fez com que a esquerda rasgasse a fantasia. Porque é um desses casos extremos, como um “imperativo categórico” geral; não é admissível que se relativize um genocida. Mas a esquerda, que em grande parte faz isso mesmo com Stálin (chega-se a atribuir até 60 milhões de cadáveres a ele), não vê problema algum em edulcorar quem matou “tão pouca gente” como o barbudo recém-finado.

Portanto, é exatamente isso: quem defende o regime cubano também defende o genocídio; quem relativiza os milhares de mortos pelo regime de Fidel Castro está ignorando todas essas execuções, considerando-as um “problema menor”, superado por eventuais (e no geral inexistentes) virtudes. Ao fim e ao cabo, esse tipo de pessoa apoia expressa e claramente uma ditadura assassina. Não há outra leitura possível.

Desse modo, além de livrar a terra de um peso indesejável, a morte do facínora foi positiva também nisso: revelou aqueles que fingem ser democratas, mas gostam mesmo é de uma “boa” ditadura, com direito a milhares de mortes, opositores presos/exilados e muita miséria e sofrimento do povo por ela vitimado.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Para a imprensa cultural esquerdista, o “lacre” vale mais que a qualidade artística

Os esquerdistas brasileiros, que já são majoritários nas redações dos grandes veículos, formam verdadeira hegemonia nos cadernos culturais. Não que isso seja uma grande novidade, mas nos dias de hoje o que era mero atributo passou a ser um câncer. Isso porque, para essa turma, já pouco importa a qualidade de algo; vale, antes e acima de tudo, a mensagem política.

E o resumo é este: se for de esquerda, a obra é “boa” e será divulgada; se não for, pouco ligamos e a tendência é ignorá-la; se for anti-esquerda, é automaticamente “ruim”, e ainda por cima usaremos nossa força para atacar os autores. Todo mundo que acompanha minimamente o mundo do jornalismo cultural sabe que a coisa chegou a este triste ponto.

Claro, é mais do que óbvio que arte e política sempre caminharam e caminharão juntas. Todo artista acaba invariavelmente influenciado por suas convicções ideológicas e isso, em maior ou menor escala, aparece em suas obras. Não há nada de errado nesse tipo de coisa, evidentemente.

O problema começa quando a política se torna não mera influência, mas sim TODO o conteúdo de uma produção.

Hoje – e todos sabemos disso – basta algum artista produzir alguma coisa assumidamente esquerdista, ou tomar posturas ideológicas canhotas, para ganhar manchetes, elogios, aplausos e receber destaque imediato em tudo que é lugar. Pouco importa se toca ou canta bem, pouco importa se a qualidade textual é boa ou se tem alguma noção daquilo que faz. Isso passou a ser secundário ou mesmo terciário: vale o engajamento. Ou o “lacre”, como eles dizem.

Como todos a esta altura já devem ter notado, falta combinar com o povo. Seja porque de fato quase ninguém acompanha os cadernos culturais, ou seja porque as pessoas já se habituaram a ignorar as opiniões dos críticos e “especialistas”, fato é que as matérias enaltecedoras não tem impactado o grande público; bem como, aliás, os textos negativos, com ataques aos “reacionários”, não os tem impedido de liderar audiências e lotar shows.

O único resultado prático desse expediente mocorongo é o fortalecimento da bolha. O esquerdista engajadinho chega a ficar OFENDIDO se alguém não gosta de um filme que carrega mensagem X ou cantor/cantora que assumiu postura Y. Afinal, para eles, a qualidade pouco importa, o que vale é o “lacre”. Mas as pessoas normais – que respondem por 99,99% da população, segundo levantamento recente do DataEu -, estão defecando e caminhando para isso de “lacrada”. Elas ouvem uma música para curtir a música e vêem um filme para curtir o filme. Simples assim.

Muito artista obscuro ou em momento de queda já percebeu essa parada e, claro, resolve dar aquela “lacrada salvadora” – mais ou menos como acontecia nas décadas de 1980/90, quando uma figura esquecida ressurgia dizendo-se convertida a determinada crença. Era uma forma de buscar público e no geral funcionava. Hoje, nem isso. A “declaração de lacre” garante manchetes positivas e artigos favoráveis, é verdade, mas falta combinar com o público. No máximo, e quando muito, tal artista consegue algum show em espaço descolado – para, vá lá, 40 pessoas. E só.

E a bolha em que se fecha a esquerda segue cada vez mais inexpugnável. O que, apesar do ridículo gritante, no fim tem efeito positivo a todos nós. Portanto, que continue assim. Mas vale o registro dessa patetice.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

O recado de 2016 a 2018 é claro: vencerá quem defender sem medo as ideias da direita

É sempre temerário apostar em um nome como futuro vitorioso, e a própria imprensa (re) descobriu essa terrível sensação bem recentemente, com seu fiasco diante do baile que Donald Trump deu em vários grandes veículos. Há formadores de opinião que até agora não encontraram o rumo de casa, mantendo o discurso arrogante, como se a repetição de palavras tivesse o poder de alterar a realidade.

A coisa aqui, porém, é outra. Não se trata de pessoa ou partido, mas sim de ideias. Em suma: os resultados eleitorais de 2016 deixam claro que, pra vencer daqui a dois anos, será preciso adotar de verdade, e sem medo, as pautas da direita.

Não apenas pautas econômicas anti-estatizantes, mas sobretudo algumas outras, como a segurança pública e o aborto.

Em 2010, e quem viveu aquele ano sabe bem como foi, chegou-se a PROIBIR um debate sobre o aborto entre os candidatos. Diziam – claro, era a esquerda quem alegava isso – ser “apelativo”. Sim, isso mesmo: seria APELATIVO tratar de um tema de tal importância na eleição mais relevante do país.

Agora, o jogo virou.

Em primeiro lugar, porque as pautas mais conservadoras enfim ganharam vigor no debate político em geral, mas também porque cabe justamente à Presidência da República nomear ministros do STF, que afinal tratarão de temas como esses.

Quando ainda controlava a maior parte das colunas e tribunas da imprensa, bem como quando tudo isso tinha mais relevância, a esquerda boicotava debates desse tipo. Agora, já sem a mesma influência e com a ascensão da direita também nesses espaços de debate, a tática falhará (como tem falhado todo estratagema semelhante).

E o resto será história: temos um povo majoritariamente conservador que, afinal, poderá comparar candidatos quanto às bandeiras de seu interesse. E, por óbvio, não vencerá quem defender o aborto, não vencerá quem defender penas mais brandas, não vencerá quem defender a legalização das drogas, não vencerá quem atacar a família, a igreja etc.

Nesse sentido, também obviamente, terá a vitória quem fizer o exato oposto, defendendo todas essas pautas que, sim, são parte fundamental de um debate político democrático. E, não, jamais seriam “apelativas”.

Aquele que tiver coragem para isso, enfrentando a fúria de meia dúzia de colunistas já sem relevância, falará direto ao povo e, com isso, será eleito.

ps – isso não é opinião pessoal, até porque discordo de algumas dessas bandeiras, mas seria desonesto dizer que o resto do país também discorda; no fim, falta esse tipo de distanciamento a muitos analistas, que no geral tratam suas convicções ideológicas como vontades do povo, mesmo quando são opostas.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Cinco atitudes de intolerância religiosa que a esquerda pratica frequentemente

Há países em que pessoas vão para a cadeia por conta da religião; em alguns outros, podem mesmo morrer pela mesma razão. O Brasil não é um desses lugares, ainda bem (quase escapa um “Graças a Deus!” aqui). De todo modo, claro que sempre precisamos aprimorar as liberdades individuais (gênero ao qual se enquadra a liberdade religiosa).

A esquerda, porém, utiliza esse conceito de forma desvirtuada. Muitas – mas muitas! – das práticas recorrentes do esquerdismo configuram a mais completa intolerância a algumas crenças. A seguir, uma breve lista com cinco:

– Vandalizar igrejas e vilipendiar imagens sagradas

Também não falam em favor da tolerância esquerdista os inúmeros episódios de igrejas vandalizadas. A coisa chegou a um ponto tão bisonho que alguns militantes correram depredar a Catedral da Sé (católica) após um massacre perpetrado por extremista islâmico na Florida. Compreende-se o receio deles em fazer qualquer coisa mais séria numa mesquita, mas deveriam manter esse mesmo respeito a todos os templos de todas as crenças. Quanto ao vilipêndio de imagens, o mais grave – e bem recente – foi a introdução de santos e crucifixos no ânus, por militantes esquerdistas. Basta ver qual foi – e ainda é – a posição da esquerda sobre o episódio;

– Fazer piadas com a castidade alheia

Isso acontece JUSTAMENTE nos papos entre os mais “pensantes” do esquerdismo. Ao mesmo tempo em que pedem compreensão e respeito a esta ou aquela crença, fazem piadas, tiram sarro e azucrinam a vida de quem opta por uma vida casta. Sim, eles pregam que é preciso respeitar os desejos e decisões sexuais de todos (com razão), mas aí humilham quem opta por não fazer sexo, especialmente quando o fazem por questão de fé. Em suma: além de não haver tolerância à crença, não há também quanto à decisão referente ao sexo;

– Discriminação contra judeus

A postura anti-judaica do esquerdismo é um caso à parte. Por conta da aliança entre EUA e Israel, o país judeu passou a ser um inimigo total do esquerdismo. Eles tentam justificar por questões geopolíticas locais, no geral atropelando a história (até um mapa fajuto já fizeram circular por aí). No fim, esses ataques a Israel e também aos judeus têm grande dose de intolerância religiosa;

– Relativizar extremismos de X / atacar qualquer ato de Y

Enquanto sustentam posições contrárias às religiões cristãs e ao judaísmo, os esquerdistas curiosamente não admitem qualquer ataque ao islamismo, garantindo que os episódios são excepcionais. Eles não conseguem – sem corar – dizer o percentual de países islâmicos em que as mulheres têm direitos plenos, os homossexuais não são presos por serem homossexuais e não há pessoas sendo perseguidas por suas religiões. Mas, se algum padre fala algo mais exagerado, rapidamente tomam as redes para garantir que o cristianismo TODO é o grande mal do mundo. Essa diferença de tratamento, que se vê a toda hora, é prova cabal da intolerância (ou, se preferem, da “tolerância seletiva”).

– O socialismo, por si, é contra religiões

Tudo isso, mesmo considerando alguns fatos gravíssimos, ainda fica atrás da GRANDE intolerância em que consiste o socialismo. Da mesma forma que não há a possibilidade de oposição partidária, num regime socialista não há religião. Quando a coisa aperta muito e a popularidade despenca a extremos, eles tentam reverter “permitindo” o exercício de alguma fé. Mas, a rigor, não pode nada. E não é por acaso que o esquerdismo tenha adotado como um de seus mantras a clássica e péssima frase “O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre” – atribuída erroneamente a Voltaire, mas de autoria de Jean Meslier (um ateu anti-cristão infiltrado na igreja católica entre os séculos XVII e XVIII).

***

Convenhamos, é uma lista apressada. Há muitos outros exemplos. Mas fica aí a dica ao pessoal da esquerda: não faz sentido fingir defender a tolerância religiosa e, ao mesmo tempo, praticar diuturnamente a mais inequívoca intolerância.

O tema da redação do ENEM – na minha opinião, uma ótima escolha – deveria servir também para suscitar esse debate. Em caso contrário, a suposta defesa de algumas religiões e crenças vira discurso hipócrita. Se bem que esse tipo de coisa é mesmo padrão no esquerdismo.

Nada de novo, portanto.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Vitória de Crivella não é uma derrota só de Freixo e da esquerda, mas também da imprensa

Marcelo Crivella (PRB) foi eleito à Prefeitura do Rio de Janeiro, derrotando Marcelo Freixo (PSOL), representante da esquerda e do “Fora, Temer”. Mas essa não foi uma vitória apenas sobre um candidato e uma corrente político-partidária. A grande imprensa também perde.

A campanha contra Crivella não foi nada delicada e teve direito a capas, manchetes, comentários exagerados e traulitadas em geral o tempo todo. Talvez seja algo inédito em eleição a prefeito numa grande capital, lembrando ainda que já tivemos algumas “unanimidades negativas” em várias outras ocasiões. E é provável que decorra do receio em dar mais poder a Edir Macedo, ele próprio comandante de um grupo de comunicação e concorrente direto dos demais.

Mesmo com isso, ele venceu. Ou seja, a grande mídia perdeu. O episódio demole algumas teorias, segundo as quais a imprensa teria a capacidade de eleger qualquer um, bastando apoiar tal candidato; ou, por outra, seria impossível vencer diante de campanha contrária massiva da grande mídia.

E é claro que torço para ele fazer uma boa gestão no Rio de Janeiro, o povo carioca merece e a cidade já sofre crises terríveis, mas não tenho a menor ilusão de que será um grande prefeito. Aliás, não votaria nele como primeira opção, talvez como penúltima (considerando Freixo como a última delas).

Crivella, além de ser pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, foi também Ministro da Pesca de Dilma Rousseff e desde sempre um grande aliado do PT. Ainda assim, ganhou os votos antipetistas, pois seu adversário caiu na esparrela de falar em “golpe” e, desse modo, passou a ser o candidato identificado com o petismo; com o “brinde” do apoio direto de diversos petistas do Rio e do resto do país.

O resultado revela também a pouca ou quase nenhuma força do “setor artístico” em eleições, tanto menos nas regionais. Até as redes sociais, que não influenciam em praticamente nada, devem ter mais poder do que os artistas. O povo já provou muitas vezes, ao menos desde 1989, que sabe separar as coisas. Ninguém entra ou deixa de entrar porque recebeu ou deixou de receber o apoio da turma da TV, da música etc.

No mais, a grande mídia deveria aproveitar o episódio para fazer uma profunda análise desse tipo de comportamento. Porque não influi no resultado eleitoral e no fim das contas compromete a imagem do veículo. Vale a pena? Claro que não. Farão essa autocrítica, ainda que internamente? É provável que também não.

Segue o jogo. Em 2018 tem mais.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Para a esquerda, o povo só é politizado quando vota nela; se não, o mesmo povo é “alienado”

Vai parecer fanfic, mas de fato aconteceu: em 2002, quando Lula finalmente ganhou para a Presidência (foram outras três tentativas infrutíferas), fui a um jantar numa pizzaria em Higienópolis com outros tantos petistas (sim, eu também era). Em dado momento, um mais velho disse que, com o resultado, o povo afinal mostrava de forma expressa sua contrariedade ao modelo neoliberal.

Na hora, todos concordamos com muito entusiasmo, mas claro que a constatação foi pra lá de idiota e não tardou para que alguns de lá percebêssemos isso (outros, infelizmente, até hoje não). Esse erro, bem comum, faz parte do tradicional autoengano dos esquerdistas: quando ganham, é porque o povo decidiu com sabedoria ideológica; quando perdem, aí a alienação venceu, triunfou a antipolítica etc.

A grande verdade é que Lula (nas duas vezes, aliás) não ganhou defendendo qualquer plataforma de esquerda. Ao contrário, e com muita esperteza, seus marqueteiros (Duda Mendonça e depois João Santana) proibiram toda e qualquer esquerdice – vale lembrar que, dois anos antes de eleito, Lula condenava veementemente programas como o “Bolsa Família”. A esquerda, assim como a direita liberal, também sempre foi contra todo tipo de assistencialismo; isso só mudou quando o programa Bolsa Escola, de FHC, foi encampado pela gestão petista).

O povo nunca votou – nem vota – apenas com base na ideologia dos candidatos. O que pode acontecer, aliás, é DEIXAR DE VOTAR em quem aparecer com muita esquerdice. Se alguém duvida, que pergunte a qualquer candidato majoritário, em qualquer lugar do país, que tenha defendido em campanha a legalização do aborto, a redução das penas do código penal, restrições a igrejas, entre outros, e mesmo assim ganhou.

Neste ano, como a classe política está toda ela extremamente desgastada, com especial destaque à quase implosão do PT, esse papo do “voto antipolítico” ressurgiu com mais força. Na verdade, NUNCA ninguém gostou de político, e a coisa agora só ficou pior.

Porém, mesmo os candidatos vitoriosos (mais declaradamente desvinculados do universo político-partidário) não venceram APENAS por isso. Nada! Apresentaram, sim, seus projetos; mas como grande parte deles refutava o ideário esquerdista, ressurgiu esse velho truque de dizer tais êxitos eleitorais foram “antipolíticos”.

Serve de exemplo o caso de João Dória, em São Paulo. A esquerda, para iludir-se ou buscar impor “narrativa”, alega que ele ganhou apenas por refutar a política tradicional, valendo-se de um ano em que os filmes estão muito mais queimados. Não é uma mentira completa, mas é preciso também lembrar que ele está num partido situado entre os grandes do contexto nacional, atraindo para sua candidatura os ônus e bônus dessa associação.

E mais: sua propostas não eram “apolíticas”, mas sim bem definidas ideologicamente, situadas de forma clara no campo anti-esquerda. Levou no primeiro turno, mesmo falando abertamente de privatizações.

No fim das contas, nada é tão extremado. Ninguém ganha apenas por defender uma plataforma ideológica X ou Y, mas sim por convencer o eleitorado de seus pontos positivos, sabendo explorar os negativos dos adversários. Simples? Nem tanto. Porque isso somente é possível quando uma campanha tem grande estrutura, com bom tempo na TV, coligação ampla e um candidato sem rejeição acima do razoável.

Então, é até mesmo um tanto ridículo quando, ao ganhar, a esquerda trata o povo como dotado de uma quase infinita sabedoria ideológica, imputando-lhe mesmo alguns conhecimentos avançados de macroeconomia, mas basta perder para que esse mesmo povo seja tratado como facilmente manipulável, alienado, antipolítico etc.

Caso amanhã ou depois nossa ainda “neo” direita faça algo parecido, incorrerá no mesmo equívoco patético. Mas, ao menos por agora, é a esquerda quem tem passado esse vexame. E não seria um mau negócio parar, hein? Porque está mesmo feio. Fica aí a sugestão e espero que a recebam com carinho.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.