Desmoronam as mentiras contadas por Dilma na campanha

Desmoronam as mentiras contadas por Dilma na campanha

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Durante a campanha que resultou em sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff publicou um tweet no qual afirmava que os dados sobre o desmatamento indicavam uma queda.

Menos de um mês após o fim da disputa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujas análises estavam prontas desde 14 de outubro (quase uma semana antes da fala da presidente), divulgou os números aos quais Dilma se referiu, mas eles, na verdade, apontam um aumento no desmatamento que chega a 208% em agosto em relação ao mesmo mês de 2013.

Em agosto, foram desmatados 890,2 km², um salto de 208% sobre os 288,6 km² do mesmo mês de 2013. Em setembro foram 736 km², 66% mais que no ano passado.

Assim, nesse que é o primeiro bimestre do “ano fiscal” do desmatamento amazônico, a taxa de aumento combinada foi de 122% –tradicionalmente, os dados de desmatamento são medidos de agosto a julho.

Essa é só uma das inverdades que Dilma contou durante a campanha. Em pouco tempo, várias outras já caíram por terra. Os combustíveis, cujo preço ainda não havia sido alterado a fim de segurar a inflação, já foram reajustados. No entanto, para que o IPCA não estoure o teto da meta, o aumento é internamente chamado de “simbólico”, já que ainda não é suficiente para recompor o caixa da Petrobras.

O aumento vinha sendo defendido por especialistas do setor havia vários meses e chegou a ser tema de campanha – até recentemente, a Petrobras vendia no mercado interno combustível por preço menor que o pago pelo produto importado.

A alta, no entanto, não deve ser suficiente para a Petrobras recuperar o prejuízo dos últimos anos com a defasagem dos preços – estimado em R$ 60 bilhões, segundo a corretora Gradual.

Durante a campanha, Dilma também tentou assustar os eleitores afirmando que as medidas do PSDB em relação aos bancos públicos afetariam programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Após a reeleição, no entanto, uma das primeiras providências do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi anunciar cortes de subsídios a bancos públicos — o BNDES está entre eles — a fim de promover uma redução das despesas.

Falando a jornalistas depois de fazer uma apresentação em evento em São Paulo, Mantega citou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social como um exemplo de onde poderia ocorrer essa redução. O BNDES tem uma série de programas de financiamento com juros abaixo da taxa básica Selic, incluindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e recebido injeções de recursos do Tesouro Nacional.

Outras medidas impopulares também já estão sendo estudadas, como o “corte seletivo” de luz, o popular “apagão”. O Operador Nacional do Sistema (ONS) já alertou que, a fim de conseguir atender à população durante os meses de janeiro e fevereiro, quando o consumo de energia aumenta, talvez seja necessário cortá-la durante a madrugada, o que atingiria alguns centros urbanos do Sudeste, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

A medida pode ser necessária se as chuvas não forem suficientes para elevar os reservatórios ao nível de 30% em janeiro. Atualmente eles estão em 18,27%. No ano passado, neste período, estavam com 41,62% da capacidade.

Enquanto isso, os juros já sofreram aumento. Embora Dilma tenha acusado o PSDB de “plantar a inflação para colher juros” a fim de amedrontar a população, o Banco Central elevou a sua taxa básica apenas três dias após a reeleição da presidente — de 11% para 11,25%.

Nas palavras do BC, expressas no comunicado que se seguiu à decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) considerou “oportuno” ajustar as condições monetárias para garantir, a um custo menor, um cenário mais “benigno” para a inflação em 2015 e 2016.

No entanto, em vez de se esforçar para reverter os péssimos números que seu governo acumula, a gestão Dilma promete tornar cada vez mais obscura a divulgação destes resultados. O Ibama prometeu, por exemplo, diminuir a divulgação dos dados sobre o desmatamento. Antes, o Planalto já tinha desautorizado informações sobre meta fiscal e cortes no orçamento, vetado prestação de contas das centrais sindicais, mantido em sigilo gastos com cartões corporativos e tornado sigilosos gastos de Dilma no exterior. A prática padrão é a de varrer a sujeira para baixo do tapete, onde poucos conseguem notá-la. Menos de um mês após a reeleição, a preocupação maior parece já ser a autopreservação para a eleição seguinte.

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