Dilma aproveita discurso na ONU para enaltecer temas de sua campanha

Dilma aproveita discurso na ONU para enaltecer temas de sua campanha

Presidente Dilma Roussef durante lançamento do Pacto Nacional pela Saúde -  Mais Hospitais e Unidades de Saúde, Mais Médicos e  Mais Formação

A presidente Dilma Rousseff aproveitou cerca de metade de seu discurso na mais recente Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, para, em vez de falar sobre questões internacionais, fazer propaganda sobre os supostos feitos de seu governo.

Em sua fala – que durou 24 minutos e abriu a reunião da ONU, como é de praxe com o representante do Brasil –, Dilma disse que seu governo “assumiu a responsabilidade” de combater a corrupção no país e destacou avanços sociais dos “últimos 12 anos”.

Além de inadequada, a postura da presidente se mostra desnecessária, uma vez que o TSE já concede à presidente 11 minutos e 48 segundos de TV para a veiculação de sua propaganda eleitoral nesse período de campanha.

Dilma deve ter quase metade do tempo total disponível para campanha na TV, enquanto os outros dez candidatos, juntos, somam 13 minutos e 7 segundos.

Em entrevista coletiva após o seu discurso, Dilma ainda condenou os ataques dos Estados Unidos ao Estado Islâmico, afirmando que os problemas não serão resolvidos assim.

“Vocês acreditam que bombardear o Isis resolve o problema? Porque, se resolvesse, eu acho que estaria resolvido no Iraque, e o que se tem visto no Iraque é a paralisia”, disparou Dilma.

Da última vez que o Itamaraty tentou se meter em graves questões internacionais – ao classificar a violência em Gaza como “inaceitável” –, foi chamado de anão diplomático pelo governo israelense.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, disse que a decisão brasileira “não reflete o nível de relação entre os países e ignora o direito de Israel defender-se”. De acordo com a publicação “The Jerusalem Post”, Palmor afirmou que a medida “era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.

O ISIS vem fazendo fama por decapitar inimigos, expor suas cabeças nas praças das cidades que ocupa e praticar seguidos estupros nas mulheres que mantém refém. Seus soldados são recrutados ainda crianças e não faltam imagens ou vídeos da participação dos garotos nesses terríveis atos. É com este grupo que a presidente do Brasil defende “o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU”. Mesmo após a negativa repercussão de sua fala, seu discurso de abertura na assembleia-geral aproveitou metade do tempo para autopromoção. De fato, a expressão “anão diplomático” se mostra inadequada. Anões não deveriam ser associados a essa conduta lastimável.

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