É a economia, petistas!

É a economia, petistas!

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Nesse início de campanha, há um interesse governista em pautar as eleições para presidente focando a ética, ou a falta dela. Soa estranho a afirmação quando menos de um ano antes parte dos líderes do próprio partido no poder foi levada à cadeia por desvios de conduta. Mas as eleições de 2006 também ocorreram em clima semelhante, quando Lula partiu do estouro do Mensalão para a reeleição em menos de 10 meses.

Por receio do que poderia ocorrer, aquela foi a primeira e última vez que o PT não quis falar em honestidade numa campanha, mesmo que mudando o ponto de vista nas seguintes. Porque foi exatamente neste ponto que a oposição mais atacou e se deu mal. E confirmou juntamente com os petistas algo que vem sendo regra desde então: porque o brasileiro não confia na classe política independentemente do partido, norteia suas decisões não na conduta limpa, mas na competência de quem se propõe a representá-lo.

Desde então, o PT tenta se aproveitar dessa carta: a oposição não seria uma opção eticamente melhor, portanto, não valeria a pena tirar qualquer petista do poder. Mas a pauta dessa eleição não é a ética, nem a oposição parece disposta a apostar muito nela. É, na verdade, aquela que, queiram os candidatos ou não, pesa mais em qualquer pleito: a economia.

Na história recente do país, sempre que um governo apresentou um bom crescimento econômico, fez seu sucessor. Isso se deu quando Itamar entregou o comando a FHC, quando FHC e Lula conseguiram se reeleger, e quando Lula passou o bastão para Dilma. No entanto, quando o mesmo crescimento econômico deu mostras de cansaço, o então presidente teve que apertar a mão de um opositor. É o exemplo de Sarney passando a faixa para Collor, e de FHC entregando o mandato a Lula.

Dilma se aproxima do encerramento de seu quarto ano com o pior desempenho econômico de um presidente desde Collor, ou o segundo pior crescimento do PIB na história. Quando considera-se que a principal justificativa para a sua eleição era ser ela a pessoa mais preparada para manter o bom momento atingido no segundo mandato de Lula, seu trabalho soa ainda mais frustrante.

Contudo, o problema não se encontra nos mandos e desmandos da atual presidente, mas na lógica torta que herdou do anterior, seu fiador. Quando a crise de 2008 atingiu o mundo e Lula veio a público dizer que faria do “tsunami” uma “marolinha”, defendia ele o estímulo cada vez maior ao consumo como método para se evitar estragos. Seus principais críticos nem negavam que a curto prazo aquilo funcionaria, mas que já a médio causaria sim algum transtorno.

A regra mais básica de economia diz que, ao se elevar a demanda frente à oferta, os valores sobem. Basta ajustar os termos para entendemos que estimular o consumo frente à produção geraria inflação. Mais do que isso, pode-se entender que congelar preços para evitar inflação ocasionaria escassez de produtos e deterioração de serviços.

Nos últimos seis anos, o governo federal segue estimulando o consumo como única cura para todo o mal. Na medida mais famosa, segura até hoje o que o comércio chama de “redução do IPI”, um tributo que afeta principalmente os preços dos automóveis e eletrodomésticos da chamada “linha branca”: fogão, geladeira e máquina de lavar.

Geladeira é o eletrodoméstico que mais consome energia nas residências. Máquina de lavar, o que mais consome água. Carro, combustível. Coincidência ou não, ao final do seu quarto ano, Dilma entrega o país com escassez de água em algumas regiões, sistema energético sobrecarregado (acionando termelétricas para dar conta da demanda) e estatais (Petrobras e Eletrobras) cada vez mais deterioradas graças à política de congelamento de preços. Como se não bastasse, os principais centros batem a cada ano seus próprios recordes de congestionamento no trânsito, além de o comércio seguir em marcha lenta com a população até hoje buscando quitar dívidas adquiridas no período, o que enfraquece a indústria e gera o desemprego que o governo busca mascarar manipulando o método de pesquisa do IBGE.

É coincidência demais para não ter qualquer relação com a postura de quem anda conduzindo inconsequentemente a economia do país nos últimos anos.

Contudo, caso os governistas queiram desviar o assunto principal mais uma vez, talvez a oposição tenha ainda algumas outras pautas para discutir. A começar pela segurança e seus 50 mil assassinatos por ano. Ou os insignificantes avanços na saúde pública. Ou o recuo do país no ranking de IDH. Ou até mesmo a insistência na corrupção. Como diz o ditado, só é aconselhável atirar a primeira pedra quando não se tem teto de vidro.

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