Em nítido desespero após pesquisa desfavorável, Dilma distorce palavras de Aécio Neves sobre Mais Médicos

Em nítido desespero após pesquisa desfavorável, Dilma distorce palavras de Aécio Neves sobre Mais Médicos

tá feia a coisa
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Que em algum momento a campanha de Dilma sentiria o avanço da oposição e partiria para expedientes questionáveis, poucos tinham dúvidas. Espanta, no entanto, a rapidez com que essa estratégia foi posta em prática. Através da conta oficial da campanha no Facebook e após a divulgação de pesquisa Datafolha que mostra um empate técnico entre ambos no segundo turno, a candidata à reeleição mentiu sobre o posicionando de Aécio Neves, seu principal adversário, dizendo ser ele contra o programa Mais Médicos. Disse a atual presidente em conversa com eleitores:

Para nós, as críticas ao programa feitas pelo senador não significam uma sugestão para a melhoria do programa. Na verdade, essas críticas demonstram simplesmente que o senador é contra o Mais Médicos.

Mas as exatas palavras do candidato do PSDB, ditas em sabatina para a Folha de São Paulo, SBT, UOL e Jovem Pan, desmentem a presidente Dilma:

Nós vamos manter os Mais Médicos, vamos fazer com que eles se qualifiquem e estabelecer novas regras para os médicos. Não vamos aceitar as regras do governo cubano.

As ressalvas à atuação do governo cubano junto ao programa referem-se ao fato de que muitos especialistas considerarem as relações trabalhistas envolvidas com a ditadura dos irmãos Castro um situação análoga ao do trabalho escravo. Segundo o jurista Ives Gandra, os médicos cubanos vivem uma situação inaceitável em uma democracia como a brasileira:

Nós estamos evidentemente com um regime jurídico para todos os médicos estrangeiros e um regime de escravidão para os médicos cubanos.

Quatro em cada cinco médicos que participam do Mais Médicos vieram de Cuba. O próprio Ministério Público do Trabalho investigou irregularidades do programa concernentes à contratação e ao pagamento destes profissionais. O governo brasileiro paga R$ 10.400 aos médicos estrangeiros, mas os cubanos ficavam com apenas 25% desse valor – cerca de R$ 2.350. O total era repassado à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que envia, sem qualquer prestação de contas, o restante para Cuba e retém parte do montante destinado aos médicos, que no fim das contas recebiam apenas R$ 940. O governo chegou a anunciar um aumento do repasse aos cubanos de forma a chegar a 3 mil reais, ou apenas 30% do valor que os profissionais de outros países recebem pelo mesmo serviço.

Da maneira como foi formatado e com a pressa com a qual foi executado, o programa Mais Médicos buscava fortalecer o nome do então Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na corrida pelo governo de São Paulo. De alguma forma, no entanto, o efeito esperado não foi obtido. Na mais recente pesquisa Datafolha, o candidato petista amarga fracos 4% das intenções de voto, contra os 54% do atual governador, Geraldo Alckmin.

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