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MinC aprova projeto de R$ 4,1 milhões para turnê de Luan Santana

MinC aprova projeto de R$ 4,1 milhões para turnê de Luan Santana

luan santana

Do portal G1;

Um projeto de R$ 4,1 milhões para shows de Luan Santana foi aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) para captar recursos pela Lei Rouanet. O aval foi dado pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), em reunião na quarta-feira (6), e publicado no site do ministério. 

A turnê divulga o DVD “Nosso tempo é hoje”, lançado no final de 2013 por Luan Santana. Entre os objetivos do projeto proposto ao MinC pela empresa LS Music Produções, que gerencia a carreira de Luan, estão “difundir as raízes sertanejas enquanto manifestação cultural e artística a partir da música romântica, além de sua história e influência na formação da sociedade contemporânea”, e “promover acesso a entretenimento musical de qualidade”, diz o texto da proposta.

A Lei Rouanet tem objetivo de incentivar ações culturais. A aprovação não garante que o projeto será patrocinado. É apenas o aval para que o artista busque o valor junto a empresas, que têm em troca abatimento de impostos correspondente ao valor investido. A comissão de avaliação reúne representantes de artistas, empresários e sociedade civil.

A lei incentiva projetos de diversas áreas culturais e contempla desde artistas independentes até famosos. Entre cantores populares incentivados entre 2013 e este ano estão Milton Nascimento (R$ 957 mil), Jeito Moleque (R$ 2,4 milhões)Parangolé (R$ 300 mil)Claudia Leitte (R$ 5,8 milhões) Rita Lee (R$ 1,8 milhão) e Detonautas (R$ 1 milhão).

O projeto de Luan incentivado pelo MinC é de 15 shows. Eles estão planejados para Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Recife, Rio Branco, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Uberlândia (MG), Macaé (RJ), Londrina (PR) e Ribeirão Preto (SP).

O valor proposto pela LS Music foi de R$ 4.650.625. O MinC aprovou a captação de R$ 4.143.325. Uma parte dos ingressos será distribuida gratuitamente a associações assistenciais, como forma de democratizar o projeto, conforme exigência da Lei Rouanet. Mas também haverá venda de entradas. A produtora pediu R$ 21,6 mil apenas para a confecção dos ingressos.

Em recente hangout com Adolfo Sachsida e Alexandre Borges, fui perguntado por que artistas brasileiros gostam tanto de ditadura. A resposta é até simples: artista é o “burguês” por definição, aquele que vive de compra e venda. Se ninguém paga para o artista tocar um instrumento, dançar, pintar um quadro, ele terá de sobreviver por outros meios.

Isto, é claro, não tem nenhuma relação com o valor artístico de sua obra: Van Gogh morreu na miséria, enquanto Luan Santana fatura milhões em pouco tempo.

Como muitos artistas têm valor artístico nulo, e ainda não conseguem empreender para transformar sua arte (seja boa ou ruim) ao menos em um negócio, tendo dificuldade em convencer pessoas a lhe pagarem para seu sustento através de seu trabalho, nada mais comum do que artistas frustrados, querendo ser milionários, usarem o poder do Estado, a única entidade com poder de obrigar alguém a algo em determinado território, a lhes darem dinheiro mesmo que não gostem de sua “arte”.

Isto é chamado, em eufemismos para amantes de jargões ocos, de “incentivo à cultura”. Ou, na típica linguagem floreada, que quanto mais se edulcora menos faz sentido, dos intelectuais de esquerda, “difundir as raízes sertanejas enquanto manifestação cultural e artística a partir da música romântica, além de sua história e influência na formação da sociedade contemporânea”Ou seja, caro leitor: te obrigar a pagar o cachê do Luan Santana, mesmo que você deteste a sua (dele) música.

Afinal, tudo fica dissolvido no “social”, no “Ministério da Cultura incentivando a arte”, na “difusão das raízes sertanejas enquanto manifestação cultural a partir da música romântica”. Pouco crível supor que alguém do MinC telefonou para o caro leitor para verificar se ele queria pagar o cachê dos shows de Luan Santana antes mesmo de ir a um.

De que vale o poder supremo que o capitalismo deu ao indivíduo, que é ser senhor de seu próprio destino e dono de seu próprio trabalho e de seus frutos, responsável único por suas escolhas e patrão das trocas comerciais, onde o cliente está sempre certo, quando se pode usar o Estado para subverter esta lógica e fazer o indivíduo pagar por algo de que não gosta? O Estado “dá” o que o indivíduo não quer e cobra muito por isso sem informar o preço, retido na fonte.

É aumentar esta bizarrice ética, econômica e existencial que querem os partidários do centralismo burocrático e do dirigismo estatal, como os concentradores de poder do PT e os ideólogos da “justiça social” e outros eufemismos.

Desde a Roma Antiga há a figura do mecenas, financiador de artistas e literatos que, dado o grande valor de suas obras, eram financiados pela classe rica do império para se dedicarem apenas a deixar como herança para toda a humanidade o esplendor de seu gênio.

O mecenato legou ao mundo todas as obras do Renascimento (muitas delas caríssimas, permitindo que artistas com pouco dinheiro pudessem ter os meios de consecução para criar obras como catedrais e tomos de filosofia numa época em que livros não existiam), assim como os reis com apuro artístico permitiram o Romantismo, como Ludwig II da Bavária, que não contente em financiar Richard Wagner (incluindo seus gastos luxuriosos), pintou todo o castelo de Neuschwanstein com afrescos de suas óperas.

Todavia, com o nível cultural do Brasil, o dirigismo centralizador neobolchevique do PT, a valorização por baixo do senso estético, o apreço da mesmice e a planificação econômica da “distribuição de renda” com ódio ao “mercado”, o mecenato, na figura da Lei Rouanet, se inverteu. Não é preciso tentar imaginar Lula ou Dilma Rousseff apreciando Die Meistersinger von Nürnberg ou a Scuola di Atene para imaginar a esquizofrenia.

Como não há uma cultura sendo produzida de fato nas cabeças moldadas pela educação de Paulo Freire e afins, que apenas vêem “pedagogia” como um método para arrebanhar fiéis no culto ao Estado, o dinheiro do “mecenato” não vai mais para artistas que possam mudar a cultura com suas obras, e sim para tirar de todos os brasileiros, pobres incluso, dinheiro para financiar artistas já ricos e consagrados, que podem continuar produzindo “arte” de quinta categoria e ganhando rios de dinheiro por isso, a pretexto de “difundir as raízes sertanejas enquanto manifestação cultural”.

Basta usar uma verborréia ao gosto de intelectuais enquanto tais e você pode pegar o dinheiro do povo sem explicar ao povo por que e fazer o que bem entender.

16 comentários sobre “MinC aprova projeto de R$ 4,1 milhões para turnê de Luan Santana

  1. Nojento do início ao fim. Antes de entrar na questão do uso indevido da verba pública, desde quando esse cantorzinho fabricado (o qual eu já abominava a música antes, agora…) representa a música de raiz? É só mais um a fazer uma música descaracterizada e pasteurizada que nada tem a ver com cultura. Agora 4 milhões pra esse lixo é o fim!

  2. Luan Santanna, assim como muitos outros, é artista fabricado para fazer sucesso. Provavelmente nem gosta do que faz, mas faz com objetivo de lucro.

  3. De certa forma é o governo quem paga, pois as empresas deixam de pagar imposto e essa grana vai pra os ingressos e demais gasto dessa turne, agora os trabalhos socias deixam de receber pra ajudar quem mas precisa…

  4. O problema do Luan Santana captar dinheiro pela lei rouanet é que ele é um cantor que já veio de uma família rica e ganha rios de dinheiro em rodeios brasil afora. O incentivo fiscal teria que incentivar artistas alternativos que não tem tanto apelo comercial, não um cantor que está todo dia em programas de fofoca e de auditório.

    • Só pra se ter uma idéia, se é seu trabalho inicial, você não pode concorrer. Quem capta com a empresa é você, mas é preciso de autorização do ministério.

    • Cada centavo que uma empresa deixe de arrecadar, em troca do “patrocínio”, é um centavo que deixa de ser aplicado em prol da sociedade. Ah, mas é em favor da cultura! E eu pergunto: desde quando Luan Santana, a quadrilha do dendê e outros favoritos do MinC realmente representam a cultura brasileira? Por que não se vê esse incentivo sendo concedido a artistas que divulgam a verdadeira música nordestina ou sulista, por exemplo? É sempre a mesma cambada!

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