Estado de Direito: líder da “Lava Jato italiana” faz leitura distinta da gritada no Brasil

Antonio Di Pietro a Savona giovedì 5 maggio 2011

Os “Direitos Humanos” estão para criminosos pobres como o “Estado Democrático de Direito” está para os criminosos ricos: por mais que tenham significados bem distintos, são sacados pelos defensores como um obstáculo ao trabalho dos investigadores. Com a Lava Jato a todo vapor, o segundo praticamente virou bordão na boca dos políticos mais corruptos, e dos jornalistas mais coniventes. Mas, em entrevista à BBC, Antonio Di Pietro apresentou um uso bem distinto do conceito.

Famoso por liderar a Mãos Limpas, equivalente italiana da barulhenta operação brasileira, entende que o Estado Democrático de Direito deve principalmente servir para encarcerar as autoridades mais graúdas:

Se você partir do princípio de que figuras poderosas não devem ser investigadas ou possivelmente condenadas porque mais tarde essas condenações podem ser derrubadas, isso significa que não estaremos mais em um Estado de Direito, em um país democrático e em uma sociedade civilizada.”

O ex-promotor ainda observou que a Lava Jato sofre o mesmo ataque que enfraqueceu a Mãos Limpas, uma ofensiva que colocou em dúvida a reputação dos investigadores. Para desenhar o que está em jogo, Di Pietro se permitiu uma analogia, e um recado à opinião pública brasileira:

Existe uma tentativa deliberada de fazer a opinião pública acreditar que a culpa pelo que aconteceu não é de quem usou sua função pública para conseguir benefícios pessoais ilegalmente, mas de quem descobriu as ilegalidades cometidas.

Seria como dizer que, se o médico descobre que o paciente tem câncer, ele é culpado, enquanto a culpa deveria recair sobre o tumor que afeta a saúde do paciente – neste caso, o paciente é o país e seus cidadãos. (…)

Tenho um recado para o povo brasileiro: continuem apoiando a Lava Jato e não se distraiam com as inúmeras tentativas de desacreditar a operação.”

Recado dado.

A Suíça encontrou mais de mil operações suspeitas de brasileiros investigados pela Lava Jato

09/08/2016 – Brasília – DF, Brasil Audiência Pública sobre o PL 4850/16, que estabelece medidas contra a corrupção. Procurador da República, Dr. Deltan Dallagnol.

Ao Estadão, Deltan Dallagnol deu uma entrevista ao mesmo tempo assustadora e tranquilizante. Se, por um lado, reconheceu que a Polícia Federal vem sendo sufoca por forças políticas, por outro, garantiu que a Lava Jato segue a pleno vapor, com mais trabalho do que nunca.

Como exemplo de que há ainda muito o que caminhar, comentou um detalhe crucial para o sucesso da operação: a cooperação do Ministério Público da Suíça. A ajuda começou a chegar no início de 2015 quando as autoridades europeias levantaram mais de mil operação suspeitas por parte dos investigados no Brasil. E, mesmo com tudo já conquistado até o momento, menos da metade desse material chegou a ser utilizado:

A equipe suíça está em pleno vapor e investiga mais de mil contas e menos de metade desse material foi encaminhado ao Brasil. O crescimento dos pedidos de cooperação internacional da Lava Jato de 183, em março, para 279, hoje, mostra a intensificação do intercâmbio para a produção de provas.”

O Governo Federal não verbaliza a intenção, mas deixa a entender que basta sufocar a operação para encontrar um desejado fim dela. Pelo tom de Dallagnol, o sufoco apenas prolongará a agonia da classe política. O que seria péssimo para esta.