Reflexão sobre os motivos que levam a um aborto

Reflexão sobre os motivos que levam a um aborto

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Uma das grandes justificativas para o aborto é: “vai atrapalhar minha vida”. A Thais Azevedo da página “Moça, não sou obrigada a ser feminista” – que está sendo processada por um grupo de feministas, inclusive – postou uma frase aterrorizante dita por uma pessoa que pode ter tudo, menos alma. “Antes dos três meses o aborto é como extrair um dente”.

Vamos aqui fazer uma reflexão. Se você quiser estatísticas convido que vá ao site do IBGE – esquerdista tem muito disso “você tem um estudo que comprove o que diz?”. Não tenho nenhum estudo para o que escrevo hoje fora minha própria experiência de vida.

Engravidei com 18 anos: era totalmente inconsequente, não gostava de estudar, ainda não havia sequer terminado o ensino médio. Quando engravidei, milhões de coisas passaram pela minha cabeça, mas nunca a ideia de um aborto. Cresci em uma família liberal e não seria nenhum problema se eu optasse por interromper a gravidez. Mas não quis e foi a melhor decisão que tomei na vida. Só sendo mãe, pude entender o que é dignidade, responsabilidade e amor por mim e pela minha filha. Sendo mãe, pude entender que a vida é muito mais que uns drinks e aquela febre de sair à noite. Se hoje sou uma mulher melhor é porque encarei ser mãe. A maternidade é sempre se sentir culpada, uma culpa que ao mesmo tempo é um propulsor para a busca de ser melhor. Em todos os aspectos: porque sim, você é um exemplo para seu filho, porque você é provedora para seu filho e porque você é tomada de um amor absurdo pelo seu filho.

Ao colocar o avatar no Facebook para se posicionar a favor do aborto será que as pessoas refletem sobre algo que não seja a própria vaidade? “Sou a favor do aborto”. Por quê? Porque você está no primeiro ano da federal de História? Você já fez um aborto? Você engravidou? Você teve responsabilidade por outra pessoa? Você acha realmente que abortar não é nada? É como extrair um dente? A atual discussão feminista brasileira sobre o aborto é rasa, superficial e claramente um desprezo à vida. Você não precisa ser religioso para respeitar a formação biológica de um bebê, para tratar a vida com dignidade e respeito.

Há anos nós mulheres estamos buscando melhores empregos, melhores condições e autonomia para não depender de ninguém. E o erro é achar que uma criança em nossa vida traz menos dignidade ou impede que atinjamos nossos objetivos. A justificativa “vai atrapalhar minha vida” é covarde e desonesta nesse sentido e confere, tanto às mulheres quanto aos homens que repetem essa ladainha, uma indolência com a vida e um vazio da alma.

Volto a dizer, estamos tão atrasados nas questões humanas que enquanto ficamos feito papagaios propagando algo tão sério em avatar de Facebook, as feministas da escola americana já repensam a questão do aborto, olhando com simpatia para as pessoas que defendem a vida. Em abril, Camille Paglia disse na Salon ter um admiração pelos defensores da vida, afirmando que eles “têm moral elevada”. E, na década de 90, Naomi Wolf escreveu o artigo “Our bodies, our souls” (nossos corpos, nossas almas) em que faz uma reflexão sobre a forma indiferente com que o feminismo convencional vem tratando as questões relativas ao aborto.

Se você compara a vida a uma extração dentária, você já está liquidado ou liquidada, apenas praticando a vaidade no Facebook, se dizendo amigo da humanidade, mas na verdade fazendo parte de uma massa amorfa. Por isso a sua alma não existe, ainda que você seja ateu. Mais do que a contemplação religiosa, a alma é o repeito que você cultua para as coisas morais. O seu respeito pelo amor, por exemplo, te confere uma alma. O aborto não salva a vida de ninguém de ser “atrapalhada”. As implicações no decorrer da vida surgem das causas internas, dos medos, da depressão e do vazio existencial. Fica o meu convite para que você reflita sobre as questões do aborto, ele não é garantia de felicidade e a relativização pode te levar a comparar a extinção da vida com a extração de um dente.

Camilla Lopes é jornalista, trabalha há mais de 7 anos com conteúdo online. Também é orgulhosamente mãe e dona de casa. Gosta de escrever sobre a mulher na sociedade. Mantém com Sarah Bergamasco e Karina Audi a página Margaretes. Escreve no Implicante às terças-feiras.