Se o Brasil quiser acabar com a violência, precisa construir mais presídios

Se o Brasil quiser acabar com a violência, precisa construir mais presídios

A imprensa vive a insistir que, com mais de 700 mil presos, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo. Não chega a ser mentira, mas a afirmação pode ser encarada como um argumento falacioso, uma vez que explora dados absolutos da quinta nação com mais habitantes no planeta. Por isso, em fevereiro de 2018, o ministro do Desenvolvimento Social destacou que, proporcionalmente, o país está “somente” na 36ª posição.

Contudo, abordando apenas o tema mais drástico, com a taxa de homicídio em 26,74 para cada grupo de 100 mil habitantes, o Brasil ocupa a 14ª posição como nação mais letal. Na América do Sul, perde só para a Venezuela, o terceiro pior índice conhecido. No que se conclui, e ao contrário do que pregam na mídia, que a população carcerária brasileira precisaria ser ainda maior

Nessa batalha, o principal obstáculo é político. Qualquer um que se aventure a resolver o problema precisará enfrentar todo um assassinato de reputação promovido por formadores de opinião, muitos deles direta ou indiretamente financiados pelo mesmo crime organizado responsável por realidade tão sangrenta na América Latina.

É preciso, portanto, neutralizar as armas adversárias. Começando pela superlotação nos presídios. No Rio de Janeiro, por exemplo, mesmo com tantos criminosos ainda nas ruas, o sistema prisional já opera 96% acima da capacidade. Com a intervenção federal promovida pelo governo Temer, este número só tende a piorar. E o desgaste político será enorme ao ponto de colocar em risco medida tão drástica.

Por isso, se a ideia for mesmo focar esforços no combate à violência, é bom que o brasileiro esteja disposto a redirecionar os impostos colhidos à ampliação do sistema carcerário. E o investimento precisa ser pesado, algo semelhante ao que se gastou na construção de estádios para a Copa do Mundo – não à toa, muito se aventa a hipótese de transformar algumas arenas em presídios.

Do contrário, sempre se fingindo de humanitária, a Justiça não se furtará de soltar aquilo que o policial prendeu.