Abuso de autoridade: Renan foi derrotado, mesmo com o PT ao lado dele até o final da batalha

14/05/2015- Brasília- DF, Brasil – Presidente do senado Renan Calheiros (PMDB-AL) recebe o ex presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva na residência oficial do presidente do senado. Participam: senador Delcídio Amaral (PT-MS); senador Edison Lobão (PMDB-MA); ex presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva; presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

No último 14 de dezembro, Renan Calheiros tentou mais uma vez caminhar com seu projeto que supostamente combate o abuso de autoridade, mas é visto pelo próprio Sérgio Moro como uma grave tentativa de melar a Lava Jato. E mais uma vez o peemedebista tentou atropelar o regimento da casa que ainda presidia, tentando aprovar uma urgência na tramitação do projeto.

Contudo, percebeu que não teria votos para vencer e acatou proposta apresentada pelo senador José Agripino, que sugeriu ao presidente do Senado levar o “Abuso de Autoridade” à Comissão de Constituição e Justiça, e ser votado pelo plenário após pelo menos três sessões na CCJ. Com isso, a tentativa de barrar a Lava Jato foi empurrada para 2017, quando o presidente do Senado será outro.

Antes de desistir da manobra, Renan Calheiros contou com dois senadores discursando em seu favor. Primeiramente, Roberto Requião, do próprio PMDB. Na sequência, Humberto Costa, do PT.

Sim, o PT esteve com Renan Calheiros até nos minutos finais. E petistas ainda têm a cara de pau de dizer que o impeachment de Dilma teria sido um processo tocado para melar a Lava Jato, quando resta evidente que isso interessa ainda mais ao próprio petismo.

Mas a guerra não acabou. Renan vai deixar a Presidência do Senado, mas não deixará de presidir. Pois batalhará a Presidência justo da CCJ. E dará muito trabalho.

A opinião pública precisa continuar em cima.

Vídeo: Renan Calheiros aprova em 28 segundos urgência para o PL que enfraquece a Lava Jato

17.07.2015 - Presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) concede entrevista. Foto: Jane de Araújo.

Não dá para descrever o que acontece no vídeo mais abaixo com termos mais leves: é nojento. Mas, para sentir o mesmo asco, é preciso entender o contexto.

Renan Calheiros é o autor do Projeto de Lei 280, mais conhecido como Lei de Abuso de Autoridade. Trata-se do mesmo PL que Sérgio Moro em pessoa disse no mesmo Senado que enfraqueceria a operação Lava Jato.É também o mesmo PL que, numa enquete no próprio site do Senado, enfrenta 99% de rejeição.

No dia 23 de novembro, o presidente do Senado aprovou o regime de urgência para a pauta, o que permite ao projeto enfrentar uma discussão bastante corrida e uma burocracia consideravelmente inferior. Para tanto, o presidente do Senado evitou até mesmo pronunciar o nome do PL, limitando-se a chamá-lo de “uma matéria do calendário que foi aprovado pelos líderes“. Na sequência, com o plenário vazio, colocou em votação simbólica e, um segundo depois, declarou-o como aprovado.

É um absurdo!

Relator do projeto que fragiliza a Lava Jato sugeriu “alfafa” aos manifestantes

Roberto Requião é o senador destacado por Renan Calheiros para relatar o projeto de Lei de Abuso de Autoridade, o mesmo que Sérgio Moro, peitando o próprio Calheiros, disse que foi forjado para fragilizar a Lava Jato. Neste domingo, a imprensa deixou bem claro que os milhares de manifestantes que tomaram as principais avenidas do país queriam proteger a operação. E como reagiu o senador? Com insinuações de que aqueles cidadãos são burros.

Primeiro, recomendou um “chá de alfafa” à multidão

Quando as críticas começaram a surgir, seguiu fazendo graça

As críticas, claro, se intensificaram. Mas ele seguiu fazendo pouco caso

Mais adiante, literalmente chamou os críticos de “equinos e muares”

Por fim, relembrou um momento bizarro, quando ele próprio comeu semente de mamona ao lado de Lula

Roberto Requião do PMDB. Mas é mais aliado do PT do que muito petista.

Magno Malta, em vídeo: “Quer dizer que prender ladrão agora é abuso de autoridade?”

Na semana passada, Lindbergh Farias tentou encurralar Sérgio Moro, mas findou dando um tiro no próprio pé. Ao focar uma fala de 10 minutos em ataques à Lava Jato, apenas reforçou o ponto defendido pelo juiz federal: a Lei do Abuso de Autoridade defendida por Renan Calheiros tem por objetivo enfraquecer a operação.

Percebendo o erro, o senador pelo PT usou o microfone para alegar que apenas defendia o cumprimento da lei. Mas no mesmo dia receberia um resposta contundente do senador Magno Malta, que questionaria: abuso de autoridade é prender bandido? Ou é bandido usar de sua influência para atacar os juízes que o prenderam?

O Movimento Brasil Livre, sempre com muito bom humor, captou os dois momentos. E os resumiu no vídeo mais acima.

Lindbergh tentou emparedar Moro no Senado, mas findou atirando no próprio pé (e no de Renan)

09.09.2015 - Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza audiência pública interativa para instruir o PLS 402/2015, que altera o Código de Processo Penal, em relação aos recursos. Em pronunciamento, juiz federal, Sérgio Fernando Moro. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Essa foi boa. Ou melhor: foi ótima! Aconteceu há pouco no Senado. Em defesa do projeto que supostamente estaria combatendo abuso de autoridade, mas é visto como uma retaliação à Lava Jato, Renan Calheiros convocou Sérgio Moro para pronunciar-se sobre o texto a ser discutido na casa. Lindbergh Farias foi um dos senadores que usaram o microfone. E aproveitou para repetir todas as baboseiras que a esquerda repete contra a operação: que ela comete abusos, que não deveria ter feito condução coercitiva de Lula, que não deveria ter grampeado o ex-presidente, ou a esposa dele, enfim… Tudo lorota já amplamente desmentida nos últimos meses.

Qual a resposta de Moro? Mostrou que a fala do senador comprovava que a lei contra abuso de autoridade na verdade estava sendo negociada para atacar a Lava Jato:

“Eu fico preocupado com essa afirmação de que a Lei de Abuso de Autoridade não tem nenhuma intenção de frear a operação Lava Jato. Mas fica claro [na fala de Lindbergh] que eu, na condução do caso, cometi abuso de autoridade e devo ser punido. Então me parece claro que subjaz, não digo em relação a todos, mas há uma intenção clara de que o projeto de Lei de Abuso de Autoridade seja utilizado especificamente para criminalizar condutas de autoridade envolvidas na Operação Lava Jato. Para mim ficou evidente.”

Não ficou claro só para ele. Ficou para qualquer um. Lindbergh Farias deu um tiro no pé de Renan Calheiros.

Projeto de Calheiros contra abuso de autoridade recebe 98% de rejeição na enquete do Senado

Renan Calheiros é o autor de PLS 280/2016, um projeto de lei que, em tese, define os crimes de abuso de autoridade cometidos por membros do poder público. Em entrevista ao Estadão, Sérgio Moro já declarou que, da forma como se encontra o texto, ele findará intimidando os agentes à frente de investigações como a Lava Jato.

O próprio Senado, contudo, disponibiliza uma enquete para que a população consiga se pronunciar a respeito da ideia apresentada. No momento da redação deste texto, mais de 26 mil pessoas deram o seu voto, e apenas 550 aprovaram o PLS. Ou seja… A iniciativa vem sendo rejeitada por 98% dos visitantes que participaram da consulta.

Que os demais senadores levem isso em consideração antes tentarem agradar o presidente do Senado.