Lula teria reclamado de petistas que batem em Doria e esquecem Alckmin: seria a nova tática?

15/03/2017- São Paulo- SP, Brasil- Ex-Presidente Lula durante ato contra a Reforma da Previdência.

Nesta segunda-feira, a Folha de SP noticiou que Lula havia reclamado dos petistas que apenas atacam João Doria e não se empenham na oposição a Geraldo Alckmin. O fato passou sem grande destaque ou debate, mas pode haver algo aí fundamental.

Por partes.

Lula é inteligente e todos que o menosprezaram quanto à estratégia política, bem sabemos, não se deram bem. Todos os seus atos desse tipo, portanto, precisam ser analisados de forma meticulosa, calculando ou supondo movimentos muito mais interessantes do que aqueles mais imediatamente aparentes.

E este pode ser um caso do tipo.

Isso porque, estrategicamente falando, faz todo sentido. João Doria está na crista da onda, com baixa rejeição e vem fazendo um governo elogiado. Alckmin, por sua vez, guarda o desgaste de muitos anos de governo e pode ser um alvo mais fácil. Para além disso, o destaque dado ao governador do estado tiraria um pouco o prefeito das manchetes.

Lula sabe que, antes e acima de tudo, política envolve visibilidade. Também sabe que TODO ataque ou menção negativa a Doria recebe resposta imediata em suas redes, gerando mais e mais notícias. Por isso tudo, há chance do conselho não ser apenas um comentário sem maior importância.

Jogo sujo: nota oficial do PT mente sobre o reajuste de funcionários de SP

pinocchio

Se alguém busca explicações concretas para o fato de que o PT acumula derrotas vergonhosas em São Paulo, talvez este caso sirva muito bem para exemplificar. Confiram trecho de reportagem do Estadão:

Para tentar desgastar politicamente o governador tucano, a bancada do PT na Assembleia Legislativa soltou uma nota oficial afirmando que Alckmin vai deixar servidores sem reajuste salarial em 2015. “Os servidores nem sequer terão direito à reposição da inflação do período, entre 6% e 7%”, diz o texto da oposição. Mais tarde, assessores da legenda reconheceram o erro.” (grifos nossos)

É o tipo de expediente que diz muito sobre os escrúpulos de um partido e, de certa forma, vale para explicar os motivos de ser tão rechaçado. Claro que a tática da mentira não ganhou manchete, apenas merecendo uma notinha discreta no meio de um texto. E, também claro, alguns outros veículos nem repercutiram. E depois dizem que a imprensa é “tucana”…

Na posse, Alckmin faz discurso político forte

geraldo_alckmin

Enquanto as apostas para 2018 permanecem abertas, é importante destacar o discurso de posse de Geraldo Alckmin como um gesto significativo. Há muito até lá, é verdade, especialmente pleitos municipais no meio do caminho, mas a fala do governador paulista reeleito é de quem certamente coloca o próprio nome na disputa.

Há quem considere Aécio Neves o “candidato natural”, em função do resultado apertado da eleição passada, além da consolidação de seu nome como líder nacional tucano; porém, serão quatro longos anos e, por óbvio, muita coisa acontecerá até lá. O PSDB conta com governadores bem avaliados e reeleitos para gerir estados grandes e estratégicos, como Marconi Perillo (GO), Beto Richa (PR) e Alckmin (SP). Aécio terá a segunda metade do mandato de senador, vez que seu grupo político não conseguiu a reeleição em MG. O jogo está bem aberto, portanto. Sem contar outras grandes lideranças do PSDB no legislativo, como José Serra, Aloysio Nunes, Tasso Jereissati e tantos outros bons nomes.

Nesse sentido, vale observar o teor do discurso de Geraldo Alckmin (íntegra aqui). Selecionamos alguns trechos:

“O falso dilema do paternalismo que sufoca, em oposição ao liberalismo extremo insensível – dois enganos distantes da dura vida real dos varredores de rua, dos balconistas, das empregadas domésticas, dos operários da construção civil, dos empreendedores, dos profissionais liberais, das mulheres e dos homens do campo e de todos os cidadãos que progridem com trabalho, dignidade, humildade e honestidade (…) O Brasil não precisa nem de mais nem de menos confronto com o Estado. Precisa é livrar-se da máquina corrupta que insiste em sequestrá-lo.”

“Ser paulista, amigos, é fugir do falso dilema de uma política bruta em oposição a uma política omissa. É compreender que o direito à livre expressão pode e deve conviver com a integridade física e com o direito de ir e vir dos cidadãos (…) Ser paulista é saber ouvir críticas, justas ou injustas. Aceitá-las, debatê-las e discordar, se necessário. Sempre compreendendo a relevância civilizatória de uma imprensa livre – sem a nefasta tentação de cooptá-la ou de sufocá-la. A democracia brasileira tem seus fundamentos consolidados na Constituição de 1988. Querer atropelá-los a pretexto de fazer justiça social implica em praticar novas injustiças. Ao mesmo tempo, a defesa da ordem não deve servir de pretexto para perenizar as brutais desigualdades do Brasil, transformando-as em nossa segunda natureza. Não!

“A nossa missão está nas urnas. Os brasileiros de São Paulo repudiam o aparelhamento da máquina pública; consideram repugnante a prática política que transforma o Estado num clube. O povo paulista — que é, reitero, expressão fiel do povo brasileiro – amadureceu; quer a mudança que sabe ser segura; quer a segurança sem a qual a mudança degenera em desordem; quer construir, como vem construindo, uma nova ordem social que assista os desvalidos, mas aponte um caminho que os faz senhores do próprio destino. Para nós, as políticas que servem para combater a pobreza extrema devem servir para libertar os homens, não para fazer deles objetos de uma nova servidão.”

Todos nós conhecemos os duros prognósticos para a economia nos próximos anos. O país poderá viver dias difíceis. Mas o discurso fácil do pessimismo só é mais fácil que o discurso do otimismo irresponsável, que também já nos custou muito caro. Ou todos, incluindo governo e oposição, convergem para recuperar a economia e aprovar reformas essenciais, ou 2015 será outro ano perdido.” (todos os grifos são nossos)

Além de mirar nos temas nacionais, Alckmin também elogiou José Serra, senador eleito em 2014, na concorridíssima vaga de Suplicy, que era considerado “imbatível”. Tais gestos, portanto, configuram a ação de quem coloca o nome em uma disputa que ainda está aberta. Espera-se, porém, que o PSDB não se enfie em lutas internas e agressões fratricidas (com o perdão da elasticidade semântica do vocábulo latino “Frater”).

Há que se destacar o trecho em que o governador reeleito ressalta a importância da união entre governo e oposição quanto aos temas de interesse nacional, especialmente as “reformas essenciais” à recuperação da economia.

É fundamental que a oposição (ou “oposições”, como alguns preferem) saiba somar as forças que a compõem, permitindo a cada líder fazer seu melhor no cargo em que ocupa, até que, ao chegar a hora certa, tenha-se em mãos ótimas e valorosas opções – como é próprio dos partidos democráticos, ao contrário da famigerada legenda que não premia a competência, mas sim os “ungidos” pelo Grande Líder de ares messiânicos.

2018 parece estar aí, mas é claro que tem muito chão até lá, muita água para passar debaixo da ponte, entre outras metáforas e analogias. Dilma não terá mais como disfarçar a crise com propaganda ou aportes em estatais, será preciso dar nome aos bois e vacas com crises de tosse a partir de 2015. Desse modo, a oposição não pode ter o luxo de brigar internamente. Que todos os bons nomes – e são vários – sejam postos, avaliados e considerados capazes. É algo que só tem a ajudar na realização de gestões e mandatos tucanos.

Assim, as falas de Geraldo Alckmin são evidentemente sinais aos próximos anos. São dizeres de candidato, mas também de quem estará mais uma vez à frente de um estado grande e complexo, após vitória no primeiro turno. Agora, mais do que nunca, os que se opõem ao governo petista precisam construir e estabelecer pontes e alianças políticas entre si, não derrubá-las ou destruí-las. Somar forças, e não as anular.

E os discursos do governador paulista reeleito foram certeiros nesse sentido.

A verdade sobre a falta de chuvas e de água em SP

100 bilhões de litros
100 bilhões de litros

Deu no Jornal Nacional de hoje: está ERRADA a previsão de que o Sistema Cantareira poderia secar totalmente em 100 dias. Quem diz isso é o próprio autor do laudo, pois o estudo foi baseado numa primeira reserva, SEM CONSIDERAR OUTRA PARTE, DE CEM BILHÕES DE LITROS DE ÁGUA.

Foi o primeiro laudo, agora comprovada e assumidamente errado, que motivou a infinidade de reportagens ultra alarmistas e até mesmo a ação do MPF. E mais: o cientista acrescenta que fez a pesquisa de maneira INFORMAL e A PEDIDO DE JORNALISTAS – e nunca realizou estudo específico para o Ministério Público.

É EVIDENTE que uma grave seca assola o estado de São Paulo, nada menos que A MAIOR DOS ÚLTIMOS 84 ANOS. E também é um tanto evidente que a falta de chuva faz com que os reservatórios diminuam – por mais que aquela mesma turma de sempre tente dizer que se trata de problema “de gestão”. Não, não é.

Vale citar o exemplo de Guarulhos, município gerido pelo PT e que NÃO USA O SISTEMA DA SABESP, pois tem empresa própria (SAEE). Entrem no site e ouçam o comunicado. Pois é, não é de fato culpa deles, pois NÃO CHOVEU. E esses gênios petistas que alegam ser “problema de gestão” deveriam aplicar a sabedoria de FABRICAR ÁGUA A PARTIR DO NADA lá em Guarulhos.

Há uma ala que EXIGE racionamento, torcendo para colher dividendos eleitorais com isso (pois é…). A explicação para que isso não seja feito é objetiva e direta: cortando a água, mesmo provisoriamente, levaria tempo insuficiente para que fosse restabelecida a contento e, pior ainda, danificaria o sistema – o que se pode fazer, e se faz, é a diminuição da pressão em horários de menor uso (como a madrugada, em algumas regiões).

Por fim, há reservas suficientes para garantir o abastecimento de água na Grande São Paulo até o mês de MARÇO DE 2015. Em suma, as previsões cuidadosamente “terroristas” do pessoal de sempre, como se vê, são totalmente sem base. Mas, se querem continuar batendo o pé, a sugestão é visitar Guarulhos, pois tal previsão não abrange o município (gerido pelo PT e com empresa própria de água).

Mas enquanto a ala “cacique cobra coral” do DCE da Internet não chega até lá para produzir água, já que conhecem a fórmula para sua fabricação artificial, fiquem todos com a belíssima e esclarecedora reportagem do Jornal Nacional. Sério, vejam. São quatro minutos e vinte e um segundos de puro esclarecimento.

É totalmente compreensível que muitos tenham ficado assustados, pois era esse o teor de várias outras reportagens e, não por acaso, também das campanhas de viés alarmista-eleitoreiro. Agora, porém, temos enfim acesso à verdade e ninguém precisa ficar em pânico (o que, vale dizer, não implica de forma alguma e em tempo algum em DESPERDÍCIO, mas sim no uso sempre racional da água).

Cliquem aqui e saibam o que de fato acontece. Já o DCE pode clicar aqui.

Desmentindo boatos de afastamento, o PM do caso Hornet foi na verdade condecorado

No domingo passado, um vídeo não só viralizou na web, como pautou publicações nacionais e internacionais. Trata-se da tentativa de assalto a um proprietário de uma motocicleta Hornet, tentativa essa frustrada graça à ação imediata de um PM que passava pelo local. Até o momento, já são mais de 2 milhões de visitas ao registro feito por uma câmera instalada no capacete da vítima:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=DtH3REotrdk[/youtube]

O problema é que, dias depois, correu um boato na mesma rede de que a secretaria de segurança teria afastado o policial envolvido no caso. A versão equivocada ganhou força quando o vereador Coronel Telhada fez um duro pronunciamento na câmara se indignando com o afastamento. A secretaria não tardou a soltar uma nota desmentido o boato:

A Polícia Militar esclarece que o oficial da corporação envolvido em uma ocorrência de tentativa de assalto ao proprietário de uma motocicleta no sábado (12/10) não foi afastado de suas funções.

Reafirmamos que a ação do policial foi legítima e correta, com a observância das técnicas policiais, não estando relacionada nos casos que determinem avaliação psicológica para inclusão no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM).

(grifos nossos)

A nota está em sintonia com a opinião do próprio governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin:

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), confirmou nesta segunda-feira, 14, a versão divulgada pela Polícia Militar (PM) e afirmou que a ação do policial que foi filmado atirando num criminoso “foi legítima”. “A minha opinião é que a atitude do policial foi legítima e correta”, comentou.

(grifos nossos)

A rádio Bandeirantes conseguiu uma entrevista exclusiva com o oficial, que segue, por motivos óbvios de segurança, preferindo preservar o nome. O áudio pode ser conferido aqui. Abaixo, segue um trecho da de sua fala:

“Observei a chegada das duas motocicletas e percebi que a motocicleta que vinha atrás vinha com dois indivíduos. Um deles apontou a arma e anunciou o roubo. Tinha muita gente ali, muitos veículos passando e eu fiquei aguardando o melhor momento para agir e se houvesse esse melhor momento, né? Eis que, de repente, houve um bom momento para agir, que eu reduzi a possibilidade de resistência do infrator. Me aproximei dele, pedi para ele levantar as mãos, infelizmente ele não obedeceu, tentou tirar a arma da cintura e foi o momento em que a gente infelizmente teve que efetuar os dois disparos, mas que não foram mortais. Então, graças a Deus, deu tudo certo na ocorrência.”

(grifos nossos)

Na continuação da entrevista, o PM ressalta ser esta uma situação rotineira do seu trabalho e que só repercutiu graças à filmagem que veio cair na web. Pelo episódio e por todo o trabalho desempenhado na região onde atua, o oficial foi condecorado na sexta-feira com uma Medalha de Mérito Pessoal em 1º Grau.