Lula teria reclamado de petistas que batem em Doria e esquecem Alckmin: seria a nova tática?

15/03/2017- São Paulo- SP, Brasil- Ex-Presidente Lula durante ato contra a Reforma da Previdência.

Nesta segunda-feira, a Folha de SP noticiou que Lula havia reclamado dos petistas que apenas atacam João Doria e não se empenham na oposição a Geraldo Alckmin. O fato passou sem grande destaque ou debate, mas pode haver algo aí fundamental.

Por partes.

Lula é inteligente e todos que o menosprezaram quanto à estratégia política, bem sabemos, não se deram bem. Todos os seus atos desse tipo, portanto, precisam ser analisados de forma meticulosa, calculando ou supondo movimentos muito mais interessantes do que aqueles mais imediatamente aparentes.

E este pode ser um caso do tipo.

Isso porque, estrategicamente falando, faz todo sentido. João Doria está na crista da onda, com baixa rejeição e vem fazendo um governo elogiado. Alckmin, por sua vez, guarda o desgaste de muitos anos de governo e pode ser um alvo mais fácil. Para além disso, o destaque dado ao governador do estado tiraria um pouco o prefeito das manchetes.

Lula sabe que, antes e acima de tudo, política envolve visibilidade. Também sabe que TODO ataque ou menção negativa a Doria recebe resposta imediata em suas redes, gerando mais e mais notícias. Por isso tudo, há chance do conselho não ser apenas um comentário sem maior importância.

Análise: na prática, ao menos por enquanto, prisão de Geddel não interfere no Governo Temer

Perguntado hoje mais cedo sobre a prisão de Geddel Vieira Lima, Romero Jucá (PMDB/RO) afirmou que lamentava pelo lado pessoal, mas que o governo seguiria sem abalo. É uma desculpa tradicional nesse tipo de ocasião, mas desta vez ela está bem correta.

Sim, o governo continua normalmente. Se sofrer algum abalo, não será por isso.

E a razão é simples: Geddel foi preso em investigação que trata de fatos referentes a 2011/2013, quando era Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. Sim, no governo de Dilma Rousseff.

Eventuais ‘revelações’ referentes a isso, portanto, espirrarão no PT, não em Michel Temer – em que pese tratar-se de um aliado e também ex-Ministro.

– Ah, mas ele pode falar algo mais recente? – pergunta alguém. Resposta: improvável. Falar o quê? Saiu do governo logo nos primeiros dias.

Desse modo, claro que o episódio pode – e vai – ser usado para atuar no desgaste, mas na prática não afetará o governo que, como dissemos, já entrou em modo “primeiro o pragmatismo, depois a opinião pública”.

Análise: fracasso retumbante da “Greve Geral” é outra boa notícia para Michel Temer

Antes de tudo, é bom deixar claro: não é que a “Greve Geral” deu apenas um pouco errado, não é que as manifestações foram um leve fracasso… O patamar é outro! Em Brasília, por exemplo, vendedores ambulantes reclamaram da falta de gente (não é piada).

Com isso, o óbvio: Michel Temer comemora. Já seria matematicamente complicadíssimo tirá-lo pela via do impeachment, e agora com protestos esvaziados tudo fica tecnicamente impossível.

Nossa análise, já expressada noutras ocasiões, é no sentido de que a baixa adesão não decorra apenas de uma apatia coletiva. Nada disso. O problema é que os movimentos anti-Temer mais organizados acabam se mostrando favoráveis ao pessoal de vermelho – e aí o povo não adere.

Por fim, também fica mais e mais aparente a ideia de que mesmo alguns adversários preferem que ele não caia. Melhor assim, para todos eles – os políticos.

Análise: entenda por que a nova pesquisa nacional deixa o PT em mais uma sinuca de bico

Como falamos mais cedo, o Ipsos divulgou hoje o “Pulso Brasil”, levantamento periódico, de abrangência nacional, com diversas questões sobre governo, política etc. E, para os petistas, um dado é “precioso”: Michel Temer é rejeitado por mais de 90% das pessoas.

Porém, fica difícil divulgarem essa pesquisa, a menos que escondam os outros dados.

Isso porque o mesmo levantamento aponta que, entre os presidenciáveis, Lula é o mais rejeitado, com 68%, e, para 67% da população, o PT é o partido mais enrolado na Lava Jato – operação esta que, por fim, é apoiada também por mais de 90% das pessoas.

E agora? A pesquisa vale ou não vale? Pois é.

Reviravolta no caso do atropelamento de skatistas reforça necessidade de cautela na acusação

Dias atrás, surgiu um vídeo – curiosamente narrado por alguém falando em italiano – no qual um motorista avançava sobre skatistas, que estavam numa espécie de “passeata” (ou o equivalente a isso no mundo do skate). Evidentemente, imagem chocante, e logo entrou em ação o Tribunal da Internet.

Acusaram o motorista de tudo, aproveitando também para inserir o discurso ideológico contrário à “carrocracia”.

E então aparecem novos vídeos, que mudam completamente a narrativa. Nas novas imagens, um skatista corre atrás do carro e joga o skate sobre o veículo, que passa a ser atacado por muitos outros e, então, acaba avançando – ele alegou que tentava escapar de um linchamento, fora que estaria com a mãe idosa, de 80 anos.

Para completar, a ‘passeata’ ganhou as ruas ANTES da autorização expressa da CET, embora estivesse programada para mais cedo (independentemente da programação, é necessário que esse tipo de evento aguarde – mesmo em atraso – até que os órgão de tráfego autorizem o início).

Uma tragédia, portanto. Claro que, ainda com tudo isso, o motorista tem sua parcela de responsabilidade, mas a narrativa já é toda outra. Novo episódio a reforçar a necessidade de cautela nas condenações online.

Por fim, segundo informou a Bandnews, a prefeitura vai processar os organizadores.

Análise: é cedo para petistas comemorarem a decisão do TRF que reformou sentença de Moro

Como falamos há alguns dias, o TRF da 4ª Região, segunda instância da Lava Jato, absolveu o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, num um dos processos (ainda há outros quatro). Os petistas, é claro, comemoraram – sobretudo com a ideia de usar tal fato para a narrativa de vocês-sabem-quem.

Mas é preciso cautela.

Isso porque o histórico do Tribunal, até agora, é de manter ou mesmo ampliar as decisões de Sergio Moro. Não dá para tirar qualquer conclusão antes do julgamento dos outros quatro processos também em segunda instância. Recentemente, aliás, uma pena imputada por Moro foi ampliada em 15 anos pelo Tribunal.

Ironicamente, a comemoração antecipada pode ser um tiro no pé. Afinal, ao aplaudir uma decisão, foi reconhecida sua legitimidade. Agora, caso algum outro recurso seja julgado contra a vontade da militância, não vai dar para atacar a isenção do tribunal (como fazem, de forma a um só tempo agressiva e injusta, com Moro).

Análise: situação é drástica, mas Michel Temer só sai do poder se ele próprio quiser

Michel Temer passa por um dos momentos mais drásticos jamais enfrentados por um Presidente da República. Os comparativos mais próximos seriam Fernando Collor e Dilma Rousseff, dois casos que sabemos como acabaram. Mas Temer resiste e, ao contrário dos outros dois, tem maioria no Congresso.

Algo parecido com José Sarney durante seu mandato, em que pese a certa dose de “rebeldia” de parte da base.

Em resumo: Temer só cai se ele próprio quiser. Caso resolva continuar batendo o pé, o que segue sendo a estratégia adotada, ele não cairá. Tem margem de votos no Congresso para segurar qualquer impeachment e, como o processo no TSE foi arquivado, não há como tirá-lo de outra forma dentro do que rege a Constituição.

Para piorar – ou, para ele, ‘melhorar’ – os movimentos de rua seguem esvaziados, muito provavelmente porque as pessoas normais, embora não queiram o atual Presidente, querem menos ainda a opção avermelhada apregoada por tais eventos.

Enquanto isso, o país sofre. Tristes tempos.

Hipocrisia: esquerdistas que riam de Aécio Neves agora não toleram piadas com Fábio Assunção

Em primeiro lugar, a ressalva necessária (e até fundamental, nos dias de hoje): não se faz aqui qualquer juízo de valor, tanto menos acusações, acerca da vida privada de quem quer que seja. Ao contrário, a análise é sobre o comportamento DA MILITÂNCIA que, a depender do caso, varia bastante.

Sigamos, pois.

Como é sabido por praticamente todos com acesso regular à internet, circularam vídeos do ator Fabio Assunção, neste final de semana, em situação delicada. Como ocorre sempre, e com tudo, muitos fizeram piada – e aqui também não se entra no mérito da validade ou não dos chistes. Mas a surpresa foi que boa parte da rapaziada esquerdista se levantou contra isso de maneira contundente.

Na verdade, sem grandes surpresas, já que a hipocrisia é traço forte do esquerdismo. E essa demagogia discursiva agora deu às caras também no campo da dependência química.

O argumento usado pela rapaziada canhota era de que não seria cabível fazer troça com alguém em tal situação, pois seria uma pessoa doente e, como tal, precisaria de tratamento (independentemente do princípio ativo empregado, embora valha ressaltar que o ator afirmou não ter usado cocaína). A esquerda está certa? Está errada?

Afinal, são praticamente os mesmos esquerdistas que sempre fizeram piada com Aécio Neves, aludindo a eventual vício químico de maneira jocosa, agressiva, acusatória etc. Para além da discussão sobre a validade da piada, portanto, é preciso alguma coerência. Mas eles não se preocupam com isso, nem nunca se preocuparam.

Como em tantos outros casos, não existe uma “regra moral”, mas sim puro casuísmo. E assim, mais e mais a esquerda mostra o que ela é. O outro lado agradece pela atuação sincericida, que sempre evidencia a natureza hipócrita do esquerdismo, sobretudo o fingimento mal ensaiado de que haveria alguma preocupação com outrem.

Eleições 2018: na esquerda, estas seriam as três prováveis caras do pós-PT e do pós-Lula

Sempre batemos nessa tecla de pós-PT/pós-Lula porque é um dado da realidade, não mais uma hipótese. Cedo ou tarde, diante de todos os fatos, o partido seria superado dentro da própria esquerda e, por óbvio, tal processo não seria automático nem com um único rumo.

Há três grupos de maior relevância que podem ocupar esse posto no esquerdismo brasileiro. E analisaremos caso a caso.

Rede, Marina Silva, Joaquim Barbosa

O nome de Marina está sempre posto e tem grande recall, mas foi a entrada de Joaquim Barbosa no cenário, pela primeira vez não negando peremptoriamente a chance de ser candidato e, mais que isso, participando de reunião com artistas e integrantes da legenda. Uma das apostas de bastidor seria a chapa Joaquim e Marina. Claro, Alessandro Molon também pode ser indicado, mas embora tenha boa exposição na mídia, vale lembrar que ficou na oitava colocação para prefeito do Rio.

Petistas, PSOL e MTST

Em novembro do ano ano passado, falamos da hipótese de integrantes do PT juntarem forças com o PSOL e o MTST, todos num novo partido. Pois a especulação ressurgiu nesta semana, e um dos “líderes” do movimento junto ao partido é Lindbergh Farias, preterido por Lula na disputa interna da legenda.

Ciro e partidos tradicionais

Ciro Gomes, assim como Marina Silva, é um nome sempre posto – embora tenha concorrido à Presidência apenas em 2002. Desta vez, porém, conta com um partido maior que o próprio PT – sim, o PDT hoje é ainda maior. Será difícil para ele competir num cenário em que a ‘política tradicional’ esteja complicada, mas uma boa aliança pode garantir espaço razoável na campanha, e não seria exatamente impossível reverter as resistências.

E no PT?

O nome sempre aventado para substituição de Lula em 2018, caso o ex-presidente não concorra, é Fernando Haddad. Resta saber, claro, se o partido concordaria em peso com tal indicação, especialmente levando em conta essas outras três frentes.

Façam suas apostas.

Enquanto a “alta MPB” segue na esquerda, músicos realmente populares fecham com Bolsonaro

No segundo turno, em 1989, Lula teve ao seu lado a maior conjunção artística de toda a história da democracia brasileira. Praticamente todos os grandes nomes da MPB apoiavam o petista contra Fernando Collor de Mello, que era apoiado por alguns cantores sertanejos, algo ridicularizado pelo jornalismo cultural (e político) da época.

Todos sabem quem ganhou a eleição.

O próprio Lula, que não é bobo, se elegeu em 2002 apoiado também por sertanejos, músicos efetivamente populares, independentemente do apoio sistemático-orgânico da “alta roda” da MPB. Tudo bem que teve um preço, mas valeu a pena. Ele foi eleito.

Para 2018, o cenário é o de sempre. Nenhuma força esquerdista consegue atrair as expressões artísticas DE FATO populares, mantendo-se bajulada apenas pela tal elite da MPB. Isso, como sempre, garante espaços considerados em colunas e artigos, mas não chega ao povo real.

Jair Bolsonaro, por sua vez, recebe apoio espontâneo de músicos que dialogam diretamente com as pessoas reas, do mundo real. São, claro, artistas no geral desprezados pelo esquerdismo – que, invariavelmente, só tolera músicas mais “do povão” quando são tratadas de modo quase folclórico, verdadeira alegoria com a devida distância mesmo física do povo real.

Até agora, quatro artistas efetivamente do povo declaram apoio ao deputado do PSC. São eles: Amado Batista, Buchecha, Eduardo Costa e Juliana Caetano (Bonde do Forró).

Não é difícil ver reações do tipo “quem é esse?” ou análises na base do “fulano causa polêmica ao apoiar Bolsonaro”, sem contar alguma nota de repúdio de esquerdista (como já aconteceu no esporte). Eles são e seguirão sendo assim.

Enquanto isso, apenas um dos lados fala diretamente ao povo e a seus anseios. A adesão de músicos populares é reflexo disso, e o apoio expresso tende a ampliar o alcance da coisa.