Pra escapar da CCJ, Michel Temer tem encontro fora da agenda com mensaleiro condenado

02/08/2017 - Brasília - DF, Brasil - O presidente Michel Temer faz pronunciamento após a aprovação do relatório que desautoriza o STF a investigá-lo

Definitivamente, Michel Temer não está muito preocupado com a opinião pública, menos ainda com as notícias que saem pela grande mídia. Ou, ainda que esteja, a preocupação maior é salvar-se na Câmara, cuja CCJ votará em breve o pedido de seu impeachment.

Assim, algumas ações impopulares acabam sendo necessárias.

Foi o caso da reunião fora da agenda que teve com Waldemar da Costa Neto, condenado no mensalão do PT, mas que ainda exerce grande poder de comando sobre o PR. Para piorar, segundo informa a repórter Andréia Sadi, da Globonews, o encontro não estava na agenda.

Caso Sadi: por que a imprensa não tratou o PT de São Paulo como tratara o cantor Biel?

Biel é um jovem cantar que basicamente só contava com a simpatia de um público mais adolescente. Quem acompanha a GloboNews, sabe que Andréia Sadi é uma das jornalistas que melhor atuam no Brasil, com um trabalho para lá de elogiável.

Em maio, Biel foi acusado de assédio por Giulia Pereira, quando, numa entrevista, xingou a jornalista e disse: “se te pego, te quebro no meio”.

Durante a apuração do primeiro turno agora em 2016 pela GloboNews, Andréia Sadi foi xingada de golpista no comitê municipal do PT em São Paulo. Na sequência, os apresentadores noticiaram que a repórter fora expulsa do local e a coletiva de Fernando Haddad não seria acompanhada por falta de segurança.

Ambos os casos envolvem agressão a mulheres. No segundo, soma-se a agressão à liberdade de imprensa. Independente de qual seria mais importante, há a nítida sensação de que foram graves e mereciam o devido repúdio.

Com Biel, a imprensa foi incansável, ao ponto de o artista chegar a anunciar a própria aposentadoria, não sem antes pedir desculpas públicas.

Com Sadi, no entanto, a resposta soou mera formalidade. Uma nota aqui, um comentário ali, e menos de 48 horas depois o episódio parecia superado. Haddad se desculpou por nota, e, para tanto, usou a comunicação da própria prefeitura, como se a agressão tivesse partido da cidade de São Paulo, e não do PT.

A diferença de tratamento incomoda. E mais uma vez fortalece a sensação de que a imprensa tem uma predileção descarada pelo partido que quebrou a economia brasileira.