“Apropriação cultural” é um conceito bizarro; e o turbante foi criado por brancos asiáticos

A esquerda agora tem mais essa: adotar elementos de uma cultura é algo como um crime, pelo qual um parte (no geral opressora) toma posse de algo pertencente a outra (oprimida). E o fato a gerar polêmica foi o uso de turbante por uma mulher branca, pois seria adereço africano.

Vamos por partes.

Culturas: comunicação ou segregação?

Ao longo da história da humanidade, e de forma natural, todas as culturas que entram em contato umas com as outras acabam por, em maior ou menor escala, absorvendo elementos de forma recíproca. O convívio faz com que um grupo assimile componentes culturais do outro.

Vale para palavras, artes, religião, culinária, técnicas de guerra etc. Fato óbvio, até.

Já tentaram conter esse tipo de coisa, restringindo determinados povos a guetos ou proibindo demonstrações públicas de seus hábitos. E isso sempre aconteceu dentro de regimes violentos – além de também sempre ter dado errado.

No mais, a comunicação entre culturas é também um traço POSITIVO. A menos que se faça por escárnio, o uso de elemento da cultura alheia é homenagem, não desprezo.

Enfim, claro que tudo isso é óbvio demais, porém, há quem veja um problema aí. A proposta seria cada um ficar com sua cultura, ou seja, a segregação extrema. Chega a ser inacreditável alguém defender isso atualmente.

Turbante: brancos da Ásia ou da Europa/Anatólia?

O referido adereço acabou por tornar-se um símbolo da coisa. Mulheres brancas, ao usar turbantes, estariam se apropriando um item da cultura da África, desrespeitando ou desmerecendo a história.

Chega a ser quase o oposto.

O turbante foi criado na Pérsia (a palavra, aliás, também é de lá). Os persas eram brancos, e o país (atual Irã) ficava (fica) na Ásia. Ou seja: nem negros, nem africanos. E o acessório provavelmente chegou à África por meio da ocupação do continente pelos árabes.

Há uma segunda teoria, que atribui o turbante como criação dos frígios, povo indo-europeu cujo império se fixava na Anatólia (atual Turquia e, sim, também branco). Mas o “chapéu frígio” é bem diferente do turbante, enfraquecendo essa tese.

Curiosidade: todos devem conhecer a história do Rei Midas, que tudo por ele tocado virava ouro, segundo o mito constante da obra Metamorfoses, de Ovídio. Pois bem, ele também era frígio.

Enfim…

As culturas se comunicam, e isso é natural e positivo. O contrário seria a formação de guetos, com segregações já vistas em momentos terríveis da história humana. No mais, por curiosidade, o turbante é uma criação de povo branco (resta saber se da Ásia ou da Europa/Anatólia).

Se usar turbante for “apropriação cultural”, fumar maconha é mais ainda

“Apropriação cultural” é um argumento que a esquerda já vem ensaiando há alguns anos. Daquele jeito que só a esquerda sabe fazer: solta a ideia no ar em veículos pouco confiáveis, gera debates sem sentido, vez em quando pinta com um estudo enviesado de uma ONG obscura corroborando a tese, até que um dia partem para transformar em política pública. O que conseguiriam com isso? Alimentar o orgulho de minorias amarrando votos ao próprio discurso. Não seria a primeira vez. Nem a última.

Mas tinha uma pedra no meio do caminho. Na verdade, uma vítima de câncer, que foi repreendida por usar turbante sob o argumento de que aquilo era apropriação da cultura alheia. Se a história relatada é de discutível veracidade, os comentários recebidos pela autora são indiscutivelmente reais. E não faltou quem alegasse que a dor enfrentada por ela perante tão cruel doença de nada valeria contra o argumento.

O Implicante pergunta: será que esses militantes calculam que o hábito de fumar maconha seria uma apropriação cultural? A erva era consumida originalmente na Ásia. O fumo, contudo, seria um hábito dos povos nativos da América Central. Já o cigarro, como se conhece hoje, é obra da Europa. Enfim… O cigarro de maconha é talvez um dos maiores exemplos de apropriação da cultura alheia.

Possivelmente não calcularam. Ou calcularam e não se importaram com a falta de lógica. Pois não é de hoje que a esquerda é incoerente. E, pelo visto, não deixará de ser tão cedo.