Antes de prometer emprego a refugiados, Starbucks chegou a impedir mulheres em loja árabe

Com o anúncio de que Donald Trump iria bloquear a entrada de imigrantes de sete nações – coincidentemente ou não – de maioria islâmica, a rede Starbucks emplacou uma pauta em que prometia criar dez mil empregos para refugiados. A reação imediata não foi boa, as ações da companhia passaram o dia seguinte em queda. E uma dúvida ficou no ar: o que teria levado a marca a entrar num jogo político tão arriscado?

Talvez a necessidade de limpar a própria imagem, uma vez que, há um ano, o Starbucks se viu em polêmica que viralizou nas redes sociais. Uma de suas lojas na Arábia Saudita, mais especificamente em Riyadh, passou a estampar um cartaz impedindo a entrada de mulheres no recinto.

https://twitter.com/manarn8/status/694184934441930752?ref_src=twsrc%5Etfw

O cartaz dizia em inglês nada culto:

“PLEASE NO ENTRY FOR LADIES ONLY SEND YOUR DRIVER TO ORDER THANK YOU”

(Algo como: “Por favor, sem acesso de mulheres. Apenas mande o seu motorista fazer o pedido. Obrigado.”)

A explicação não ajudava. Havia na loja um muro para dividir o espaço entre famílias e pessoas solteiras. Contudo, esse muro caiu. A solução encontrada para resolver o impasse teria sido o impedimento de mulheres no ambiente – temporariamente, claro.

A marca defendeu-se com o seguinte pronunciamento:

“No Starbucks, aderimos aos costumes locais da Arábia Saudita oferecendo entradas distintas para famílias e pessoas solteiras. Além do mais, todas as nossas lojas oferecem as mesmas vantagens, serviço, menu e assentos para homens, mulheres e famílias.”

Mas a desculpa não convencia. E seguiu-se uma sequência de anúncios bem documentados pela CNN. Apenas uma semana depois, o problema estava sanado, sempre buscando respeitar as leis locais, que privilegiam homens em detrimento a mulheres.

Qual a solução? Vejam que ironia: a construção de um muro. De um lado, homens solteiros entravam. Do outro, famílias e mulheres.

Durante o governo Dilma, as exportações de armas para a Arábia Saudita cresceram 235 vezes

O Brasil armou e muito a Arábia Saudita – aquele país em que mulheres não podem dirigir – para a guerra civil com o Iêmen durante a gestão presidencial de Dilma Roussef.

De acordo com a Revista Época, nos últimos cinco anos, as vendas de armas leves aumentaram cerca de 235 vezes nos últimos cinco anos, passaram de US$ 462 mil a US$ 109,6 milhões.

A Arábia Saudita está sendo acusada por organizações internacionais de crimes de guerra e esse comércio de armamento é considerado antiético nesse cenário.

A ONG Anistia Internacional, por exemplo, já denunciou o uso de bombas cluster brasileiras por tropas sauditas no país.

A Época aponta ainda que o Brasil passou a vender mais armamento, desde 2010, para outros países do Oriente Médio e Norte da África de maioria islâmica.