Artigo do leitor: “Lamúria homicida”

As esdrúxulas justificativas para a permissão dos assassinatos de bebês evidenciam o caráter torpe das que militam “em nome da liberdade do útero”, desvalorizando a vida e matando seres indefesos em defesa de uma pútrida ideologia.

Em seu livro “Cartas sobre a tolerância”, o filósofo inglês John Locke define a vida como uma garantia natural de todo o indivíduo, apontando o direito ao seu corpo e a sua própria existência como sendo o “básico do básico” para a existência. Dessa forma, havendo vida e corpo, passamos a ser donos de nós mesmos, uma vez que o nosso direito de existência fora garantido durante toda a gestação.

Locke também traz à tona em seu livro o fato de que os nossos trabalhos são extensões dos nossos corpos, uma vez que através dele nós produzimos os objetos de uso, sejam ferramentas, meios de locomoção, produtos eletrônicos e tutti quanti.

Uma vez que o direito à vida é negado, dali em diante, todos as garantias para aquele ser humano também são abolidas, tendo em vista que se não há vida, consequentemente, não há direitos para o pequeno ser cuja existência lhe foi negada. E se há o aval para abolir o direito de um bebê viver sob as mais estapafúrdias desculpas, a vida em si torna-se a coisa mais banal do universo.

O surgimento de movimentos pró-aborto e suas extensas redes de financiamentos internacionais são as claras evidências da luta pelo assassinato meramente pela ideologia. Não se trata de questão de saúde como tentam impor, e sim, a quem essa pauta pode servir “positivamente”. É evidente que uma agenda como essa faz parte dos ditos movimentos progressistas, que ao banalizar a vida desde a concepção através da não-sensibilidade com a existência de um bebê, buscam normalizar a maldade existente nos discursos odientos em nome de uma suposta “libertação do corpo da mulher”.

Acreditar que há uma forma de haver concomitância no discurso de liberdade com a pregação da morte de bebês é como tentar conciliar tirania e liberdade, como propõe certo partido que prega o socialismo e liberdade, embelezando, assim, a utopia de um país igualitário e livre de desigualdade social.

Apelar ao Estado o poder de permitir a prática do aborto não é um ato discricionário de liberdade, e sim, uma prática vinda de um poder ainda mais concentrado, uma vez que caberá a ele de uma só vez conceder a permissão de tirar uma vida inocente, negar ao morto quaisquer dos seus direitos garantidos desde a concepção, e, por fim, abrir espaço para o cometimento de um homicídio sobre uma vida indefesa em meio a um discurso de liberdade, gravidez acidental e as várias desculpas usadas para a prática do assassinato. Em suma, tirania pura e simples.

Defender a vida desde a sua fecundação é o mínimo que se espera de alguém que possua consciência da importância do direito básico e inalienável de existir. E quem não o faz, revela o traço cruel e imoral da sua própria personalidade.

A lamúria daqueles que buscam defender o aborto, em sua maioria, encontra-se fixada no discurso “mas o pobre não tem condições de criar, então abortar é o melhor caminho…”, entretanto, a realidade aponta que em muitas periferias as várias famílias têm vários filhos e mesmo assim os criam com dignidade, amor, respeito e carinho, mesmo na ausência de bens materiais e dificuldades financeiras.

Os que adotam o discurso torpe de “e se crescer e tornar-se bandido? ”, parecem ser os mais entendidos da área. Num ar de superioridade formidável, na seleção das palavras mais sentimentais do vocabulário, no tórax cheio de ar e pensamento repleto de “defesa da liberdade”, o sujeito afirma: pra que ter o filho em más condições? Pra ele se tornar bandido e vocês desejarem a morte dele?

Para quem defende a morte de fetos, o discurso em defesa dos pobres parece ser o suprassumo da sua militância. Não é de surpreender, by the way, que o palavreado pró-socialismo também aparenta defender os pobres e oprimidos, contudo, a história mostra o resultado da desgraça que foram as experiências do socialismo e comunismo. Se a pessoa é capaz de defender e/ou militar em nome de uma dessas ideologias, apoiar o aborto, torna-se apenas mera extensão da própria perversidade humana.

E assim o sujeito toca a sua vida hipocritamente, mesmo sabendo que sua existência se deve a alguém que no passado foi a favor da vida, e dorme tranquilo com sua consciência ao defender o assassinato de indefesos, ceifando qualquer chance da pessoa nascer e tornar-se um cidadão exemplar apesar de qualquer condição dificultosa que a vida possa lhe impor.

É de extrema importância perceber as atrocidades dessas ideias e buscar impedir que caminhemos a passos largos para a normalização da sociedade dos monstros da própria espécie.

Este artigo foi enviado por Fernando de Castro, 20 anos, estudante de Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e diariamente escreve notas sobre política em seu Facebook.

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