Retrato do Brasil: até prostíbulos são citados no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE

Um diálogo hoje, no Tribunal Superior Eleitoral, soaria estapafúrdio a qualquer pessoa do mundo, menos a nós brasileiros. Segue transcrição, já voltamos:

(Herman Benjamin) – Esqueceu de mencionar os donos de inferninhos, para usar a expressão de uma das testemunhas, aliás testemunha ouvida a pedido das partes, os donos de cabaré…
(Gilmar Mendes) – Vossa Excelência não precisou fazer inspeção não, né?
(Herman Benjamin) – Não fiz a inspeção nem foi pedido. E não usei de meus poderes de produção de prova extraofício para tanto.

De fato, Hilberto Mascarenhas, da Odebrecht, revelou que houve entrega de dinheiros até em “cabaré” – o termo, assim como “inferninho”, é usado para designar aquele tipo de estabelecimento em que se negocia prestação de serviço físico de natureza lasciva a curtíssimo prazo.

Este é o nível do Brasil. E o pior: seria ótimo se fosse apenas isso, mas a lascívia particular não é problema. Complicado é mesmo o estado da política.

Brasil, país da suruba: delator da Odebrecht diz que entregavam dinheiro até em “cabaré”

O Brasil é um país curioso. Recentemente, Romero Jucá falou sobre o foro privilegiado de forma não exatamente republicana. Numa espécie de ameaça ao judiciário, disse que ou serviria para todos, ou para ninguém, encaixando no raciocínio a palavra “suruba”.

Sim, o que incomodou a todos, para além da ameaça, foi a palavra.

E agora algo parecido se repete, no depoimento de um executivo da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, ao TSE. Pelas tantas, em suma, ele diz que lugares variados serviam para entrega de dinheiro, até mesmo um “cabaré”.

Sim, sabemos todos o que é um cabaré. Provavelmente, ainda há vergonha quanto a dizer o nome real do tipo de estabelecimento, ainda que se tenha decidido confessar o verdadeiro delito.

Até porque, para finalizar, ir a um “cabaré” não deveria ser crime – mas é isso que causa atração/estranheza no depoimento.