Fernandinho Beira-Mar diz que vai lançar livro em que fala sobre a morte de Celso Daniel

O narcotraficante condenado a mais de 200 anos de prisão, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira Mar, disse em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini reprisada agora em janeiro, que vai lançar um livro sobre os bastidores de sua vida no crime dentre eles o assalto ao Banco Central em Fortaleza, o relacionamento com as FARC e até mesmo a morte do prefeito Celso Daniel.

A co-relação de um dos nomes mais famosos da facção criminosa Comando Vermelho com a morte do prefeito no início dos anos 2000 é inusitada, mas não deixa de despertar curiosidade.

Até o momento a melhor e mais completa investigação sobre o assassinato do então prefeito da cidade de Santo André, pertence ao jornalista Silvio Navarro que escreveu o impecável “Celso Daniel — Política, Corrupção e Morte no Coração do PT”, lançado em outubro de 2016.

Preso em um presídio federal para detentos de alta periculosidade em Rondônia, Fernandinho diz que seu livro deve sair ainda em 2017 e que o título será “Fernandinho Beira-Mar: somos bandidos?”.

O Implicante já preparou o vídeo no momento certo.

Sombra morreu dias após Valério dizer que temia a morte pelo que sabe sobre Celso Daniel

Em 12 de setembro de 2016, Marcos Valério, o publicitário condenado à maior pena pelo Mensalão, disse à operação Lava Jato que o empresário Ronan Maria Pinto chantageava o presidente Lula ameaçando contar o que sabia sobre a morte de Celso Daniel. Questionado sobre o que consistia essa chantagem, o empresário responderia assim:

“Eu gostaria de não responder essa pergunta porque o que eu fiquei sabendo é muito grave. E o senhor não vai poder garantir a minha vida.”

Exatamente 10 dias após o depoimento, o empresário Sérgio Gomes da Silva foi internado, vindo a falecer 5 dias depois. O Sombra, como ficou conhecido, foi investigado como mentor do homicídio de Celso Daniel, petista que administrou Santo André, a cidade que representa a letra “A” do ABC Paulista, berço do petismo.

O depoimento de Valério pode ser visto em vídeo clicando aqui.

Com a morte de Sombra, o assassinato de Celso Daniel chega ao décimo óbito mal explicado

Após 5 dias internado, morreu, em 27 de setembro de 2016, o empresário Sérgio Gomes da Silva, popularmente conhecido como Sombra. A assessoria do hospital não soube informar a causa da morte. Nem seu advogado, que apenas informou que ele estava doente e veio a falecer. Com isso, o caso Celso Daniel chega à décima morte mal explicada – Sombra foi investigado como mentor do homicídio.

Além do próprio prefeito de Santo André, assassinado em 2002, morreram desde então:

  • Dionísio Aquino Severo
    Ele sequestrou Celso Daniel e morreu apenas 3 meses após o crime. Oficialmente, teria sido vítima de uma “facção rival”.
  • Sergio, o ‘Orelha’
    Teria ajudado a esconder Dionísio. Foi fuzilado ainda em novembro de 2002.
  • Otávio Mercier
    Investigador da Polícia Civil, teve contato com o sequestrador na véspera do crime e foi baleado na própria casa.
  • Antonio Palácio de Oliveira
    O garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime. Foi morto em fevereiro de 2003.
  • Paulo Henrique Brito
    Testemunhou a morte do garçom. Foi assassinado três semanas depois.
  • Iran Moraes Redua
    Agente funerário. Identificou o corpo de Celso Daniel na estrada e chamou a polícia. Foi morto em novembro de 2004.
  • Carlos Delmonte Printes
    Legista. Confirmou as torturas sofridas por Celso Daniel. Surgiu morto no próprio escritório em outubro de 2005.
  • Josimar Ferreira de Oliveira
    Delegado, registrou a morte de Celso Daniel. Foi assassinado em janeiro de 2015.

Sombra havia sido inocentado recentemente, mas o caso se preparava para ser reaberto pela Justiça. Ele foi internado apenas 9 dias após Marcos Valério dar depoimento à Lava Jato sobre o caso.

Lava Jato: depoimento de Valério a Moro é bomba atômica com Celso Daniel e Mensalão

Em abril, coincidentemente no dia da mentira, avisamos que a Lava Jato ganharia contornos terríveis para o PT. A fase deflagrada naquele dia, “Carbono 14”, poderia complicar a vida do PT de formas ainda mais avassaladoras. Afinal, encontraram um fio de meada que viria desde o assassinato de Celso Daniel, passando pelo Mensalão e culminando no Petrolão.

A cúpula do PT teria sido chantageada por conta do homicídio do então prefeito de Santo André, um caso ainda repleto de mistério. Justamente Marcos Valério, figura-chave do Mensalão, participou das negociações para comprar o silêncio de Ronan Maria Pinto. E então os valores envolvidos nesse negócio foram “repostos” por meio do Petrolão, o que leva tudo para a Lava Jato.

O que era uma forte suspeita da fase “Carbono 14” agora se transformou em depoimento registrado. Aliás, Marcos Valério aproveitou para falar do uso, pelo PT, de blogs e jornalistas para massacrar adversários e destruir reputações.

Mas é preciso falar mais dessa verdadeira bomba atômica.

Não é mero acaso ou pura coincidência a reunião dos três piores escândalos petistas num único enredo. Os fatos são todos encadeados não por circunstâncias fortuitas, mas sim pela presença das mesmas figuras realizando as mesmas práticas. Não por acaso, a expressão “ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA” aparece em vários momentos.

Segundo a PF, Pasadena estaria ligada à “Orcrim” da Petrobras. O governador petista Fernando Pimentel, entre outros crimes em seu indiciamento pela PF, também consta o de “Organização Criminosa”. Paulo Bernardo, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff e marido da senadora petista Gleisi Hoffmann (PR), foi denunciado e o juiz, ao aceitou tal denúncia, destacou o trecho em que ele foi apontado como chefe da “Organização Criminosa”.

Todos eles agiam separadamente? Cada uma seria, no caso de haver condenação, uma “Orcrim” autônoma?

Eis que o próprio Lula, bem recentemente, foi ele mesmo denunciado como chefe de uma “Organização Criminosa” com o objetivo de melar a Lava Jato. Justamente a investigação que abarca todos os escândalos.

A coisa está ficando muito mais feia do que o imaginado.

Valério e a chantagem contra Lula no caso Celso Daniel: ”O que fiquei sabendo é muito grave”

Essa é daquelas para se respirar fundo. Antes, contudo, é preciso lembrar o que Marcos Valério denunciou a Sérgio Moro: o empresário Ronan Maria Pinto estava chantageando Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho. Assunto: o assassinato de Celso Daniel. Era ainda 2004 e o depoente foi acionado para levantar uma bolada para comprar o silêncio do chantagista.

Marcos Valério não conseguiu a verba, mas soube que o negócio foi efetuado depois por José Carlos Bumlai por intermédio do Banco Schahin, que emprestou R$ 6 milhões e depois conseguiu reaver o prejuízo com propina de uma sonda da Petrobras.

No que consistia a chantagem a tal chantagem? Marcos Valério sabe. Mas preferiu não contar. E assim respondeu ao questionamento:

“Eu gostaria de não responder essa pergunta porque o que eu fiquei sabendo é muito grave. E o senhor não vai poder garantir a minha vida.”

Para conferir o depoimento do próprio Valério, basta acionar o player acima.

Marcos Valério delatou a Moro o que sabe sobre a relação de Lula com a morte de Celso Daniel

Conforme adiantado aqui mesmo no Implicante, Sérgio Moro finalmente teve a oportunidade de bater um papo com Marcos Valério, o publicitário que cumpre a maior pena dentre os condenados pelos crimes do Mensalão. E os sempre ágeis Antagonistas já conseguiram descobrir o teor da conversa.

Sim, Lula foi o centro da pauta. E a respeito do tema mais espinhoso da história do PT: o assassinato de Celso Daniel. De acordo com o relato trazido pelos jornalistas, Valério entregou a Moro que, a pedido de Silvio Pereira, tentou comprar o silêncio de Ronan Maria Pinto – o empresário estava chantageando o ex-presidente com informações sobre a morte do companheiro de partido.

Valério buscou o deputado federal José Janene, que negou ajuda. Só depois surgiu a ideia de usar o Banco Schahin, onde foi levantado um empréstimo quitado com propina de uma sonda da Petrobras.

O que Ronan Maria Pinto ameaçava contar? Era verdade? Se não era verdade, por que Lula comprou o silêncio?

A Lava Jato caminha para responder todas essas questões. E dessa vez sem nenhum petista na Presidência do país.

 

Sérgio Moro finalmente conversará sobre Celso Daniel com o principal condenado no Mensalão

Será dia 12 de setembro. De uma lado, Sérgio Moro, que já dispensa apresentações. Do outro, Marcos Valério, condenado a quase 40 anos de cadeia pelo que fez no Mensalão. O publicitário quer muito contar o que sabe para tentar reduzir a longa pena que cumpre. E o que ele sabe envolve o PT, envolve Lula e envolve a morte de Celso Daniel.

Segundo a Lava Jato, parte dos R$ 12 milhões que José Carlos Bumlai, amigo íntimo de Lula, levantou junto ao Banco Schahin foi usado para calar a boca de Ronan Maria Pinto. Até então, Pinto, que usou essa grana para comprar o Diário do Grande ABC, extorquia o PT ameaçando contar o que sabia sobre a morte de Celso Daniel. E Marcos Valério sabe detalhes de toda a transação.

Hoje, dos citados no parágrafo anterior, só Lula está solto. Mas por quanto tempo?

Um dos nomes mais citados no caso Celso Daniel vira assessor de Lindbergh Farias

De acordo com a Coluna Esplanada, Gilberto Carvalho virou “assessor parlamentar da Minoria do Governo no Senado“. E o que diabos é “Minoria do Governo no Senado”? O próprio Senado responde: “corresponde ao maior bloco ou partido de oposição“.

Certo. E quem é o líder dessa minoria? Desde 28 de junho, é o senador Lindbergh Farias, do PT.

Ok. Agora só falta lembrar quem é Gilberto Carvalho. A própria Coluna Esplanada deu uma pista: “ex-poderoso ministro dos oito anos do Governo Lula“. Mas a história é bem mais complexa. Na CPI do BNDES, Mara Gabrilli o listou como um dos sete nomes que ligavam Lula à morte de Celso Daniel:

“O Gilberto Carvalho é conhecido na cidade de Santo André como o ‘Homem do Carro Preto’. O ‘Homem do Carro Preto’ coletava o dinheiro extorquindo empresários (crime de concussão).”

Pronto. Este é o mais novo assessor parlamentar da Minoria do Governo no Senado.

STF autoriza investigação de Zé Dirceu sobre o caso Celso Daniel

Zé Dirceu - Celso Daniel - Foto Rodolfo Buhrer - Reuters

Sempre houve muito mistério acerca do assassinato de Celso Daniel (PT/SP), então prefeito da cidade do ABC Paulista,  berço do petismo. Teorias não faltam, nem mesmo circunstâncias pra lá de inquietantes. Até mesmo a expressão “gripe de Santo André” para quando alguém sofre consequências por “saber demais” ou algo assim (até mesmo o juiz Sergio Moro já associou tal crime à prática de corrupção).

E um novo capítulo se soma a essa obra: o Supremo Tribunal Federal, por meio de decisão do ministro Luiz Fux, autorizou a promotoria de São Paulo a retomar a investigação de José Dirceu quanto às denúncias de corrupção na referida prefeitura, de 1997 a 2001.

Uma das linhas investigativas é no sentido de que havia um grande esquema, que também irrigava campanhas eleitorais, e a morte do então prefeito estaria associada à tentativa de revelá-lo.

Aguardemos os próximos capítulos.

Por que o Instituto Lula é contra o caso Celso Daniel ficar sob Moro?

A 27ª fase da Lava Jato, batizada de “Carbono 14”, teve como foco alguns dos envolvidos no caso Celso Daniel. Além deles, também alguns que marcaram presença no Mensalão voltaram à tona. O motivo: delatores da Lava Jato informaram que grana mensaleira foi usada para pagar figuras ligadas ao estarrecedor episódio de Santo André.

Onde entra o Instituto Lula nisso? E por que diabos esse mesmo Instituto resolveu pedir no STF que o caso não fique sob a jurisdição de Sergio Moro, pedindo até mesmo sua ANULAÇÃO?

Sim, eles alegam X e Y, algumas tecnicidades, mas nada que faça sentido lógico. Fatos conexos? Ora, TUDO é conexo, já que se trata da VIGÉSIMA SÉTIMA fase de uma operação. Por lógica simples, tudo tem conexão com uma mesma base, e aí quem tiver foro privilegiado vai pro STF.

Não é o caso dos investigados da Carbono 14, sejam eles envolvidos no Mensalão ou no caso Celso Daniel. Convenhamos, é de causar estranheza esse movimento do Instituto Lula.

Lula - Instituto Lula - Lava Jato

Ou não, enfim.