Gilmar Mendes intimidou a imprensa após virar alvo de protestos

Em dado momento da entrevista concedida à Folha de S.Paulo, Gilmar Mendes explicou que, se o governo Temer “fosse um governo normal, forte, que não tivesse passado por tantos percalços“, ninguém ousaria assinar a liminar que impediu a posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho. Em outras palavras, o membro do STF reconheceu que as instâncias superiores reagem a pressões políticas.

Isso não só é verdade, como o brasileiro já percebeu a forma como o jogo é jogado. E entende que, sem a devida pressão, o STF não trabalhará em alinhamento com os interesses da sociedade. Por isso tantos estão publicamente desferindo contra seus membros, e em especial o próprio Gilmar, alguns gritos de protesto.

Como Mendes reage a isso? Interferindo no trabalho da imprensa e vindo a público confessar a intimidação:

“Sei que a responsabilidade é menos dessas pessoas e mais de certa mídia. A mídia foi responsável por esse processo de fascismo que se desenvolveu.

E eu já avisei a certos diretores de redação que, se algo grave acontecer comigo, sei quem são os responsáveis.”

Não há outra forma de entender tais termos senão como uma ameaça. Mas espanta ainda mais o pouco barulho feito após declaração tão infeliz.

Coincidentemente ou não, os últimos dias de Mendes como presidente do TSE foram dedicados a promessas de que o tribunal combaterá fortemente o que chama de “fake news”. E não à toa tantos temem que tudo não passe de mais um eufemismo para censura.

A receita para censurar usando o “discurso de ódio” como desculpa

Melissa Chen é uma cientista de Singapura que faz pesquisas com genoma humano. Não é famosa. Está sendo citada aqui apenas por que, no Twitter, conseguiu sintetizar a lógica que vem tolhendo a liberdade de expressão no mundo – sempre com a desculpa de que é encampada uma luta contra um suposto “discurso de ódio”.

A receita, de acordo com Chen, possui apenas três etapas:

  1. Diga que apoia a liberdade de expressão desde que não haja “discurso de ódio”;
  2. Defina tudo o que se opõe ao que você diz como “discurso de ódio”;
  3. Previna-se da dissonância cognitiva;

Dissonância cognitiva é o que ocorre quando há incoerência entre o que se defende ser certo e o que de se faz.

Não à toa, o Escola Sem Partido lutou e conseguiu evitar que os “diretos humanos” fossem usados como filtro para zerar provas do ENEM. Em jogo está uma luta para que certos temas não sejam nem sequer discutidos.

E “carimbar” de “discurso de ódio” é apenas uma forma mais fácil de rotular a campanha. Afinal, quem seria a favor de “discurso de ódio”?

Não há outro nome: Danilo Gentili é vítima de CENSURA, algo inadmissível numa democracia

A Câmara dos Deputados, um órgão integrante do Estado, Poder Legislativo, promove a mais pura e inadmissível CENSURA contra o humorista Danilo Gentili. Esse é o nome, não há outra denominação. Ponto.

Resumo: o humorista fez uma piada com a deputada Maria do Rosário (PT/RS), ela enviou notificação extrajudicial e ele rasgou o documento e friccionou os pedaços em suas partes íntimas. O ato extremado, propositalmente escalafobético, teve como objetivo óbvio e nítido chamar atenção a um absurdo maior: não é admissível que políticos “notifiquem” humoristas por causa de piada.

E agora, tudo piora, pois a própria Câmara enviou “noticia crime” à Polícia Federal, para que Danilo seja investigado. Um absurdo completo, algo totalmente inadmissível, mas que parte da turma recebe com aplausos por não gostar do humorista.

Trata-se de um pensamento essencialmente tacanho e estrategicamente suicida. Afinal, aberto tal precedente, TODOS OS DEMAIS poderão ser perseguidos por piadas – independentemente de quem sejam os autores do chiste ou os alvos da anedota.

Antes e acima de tudo, é preciso entender que tal precedente coloca nossa própria Democracia, pois tal sistema necessariamente abarca a liberdade de expressão SOBRETUDO quando se trata de críticas e piadas com políticos. Sem isso, somos qualquer outra coisa, menos um regime de fato democrático.

E a ação contra Danilo Gentili tem nome: CENSURA. Chamemos pelo que é.

Onde estavam os “fact-checkers” quando trocentas “fake news” ajudaram a reeleger Dilma?

Ao anunciar que montou uma equipe para combater o que vem chamando de “fake news”, O Globo citou como exemplo de eventos afetados por elas: a eleição de Donald Trump, o resultado do Brexit.

Antes de mais nada, isso em si já seria “fake news”: até o momento, não há qualquer estudo sério que aponte a disseminação de notícias falsas como fator preponderante para os resultados atingidos. Os poucos que se debruçaram sobre o tema descartaram a hipótese.

Mas é curioso que a imprensa use como exemplo dois eventos que deram vitória ao eleitor conservador, e esqueça um tão mais próximo que foi tão ou mais afetado por mentiras espalhadas pela militância partidária. Ou o jornalismo brasileiro já esqueceu o que aconteceu em 2014?

Naquela eleição, as redes sociais espalharam todo tipo de absurdo sobre os principais adversários de Dilma Rousseff: Marina Silva e Aécio Neves. Eram episódios envolvendo violência física, consumo de droga, abuso de poder e até mesmo casos de corrupção que teriam chegado à casa do trilhão de reais.

Onde estavam os “fact-checkers” em 2014? Por que a imprensa não se preocupou em desmentir aquela quantidade inaceitável de boatos? Por que a imprensa reverberava tudo o que o governo dizia sem se preocupar em desmentir a parte que não fazia sentido?

Mais: por que a imprensa esquece que aquela foi uma eleição tomada por mentiras?

Fato é que Dilma Rousseff se reelegeu. E o tempo se encarregaria de desmentir praticamente tudo o que foi cantado pelo governismo em 2014.

Jornalismo brasileiro promete lutar contra a disseminação de notícias falsas. Agora?!

Mais um jornal brasileiro anunciou em tom de festa que iniciará uma guerra contra o que a imprensa vem chamando de “fake news”. Ele promete “checar de discursos e anúncios de autoridades a boatos disseminados nas redes sociais“. E que agora a, digamos, “força-tarefa” vai “orientar todos os jornalistas da Redação a fazer checagens“.

Calma lá. Agora?!

Talvez a principal função do jornalista seja checar informações antes de ampliarem-na a um grande público. Ao tomar tal atitude, a imprensa não percebe a confissão feita à opinião pública: reverberava todo tipo de mentira vinda de autoridades, ou mesmo boatos, sem a devida checagem.

O leitor do Implicante conhece isso muito bem pois, há tempos, publica-se aqui desmentidos sobre notícias fajutas altamente reverberadas não por sites minúsculos e desconhecidos, mas por grandes veículos de comunicação em atividade há décadas.

As “fake news” nada mais são do que aquilo que a esquerda costumava chamar de “factóide”, uma desconfiança que não se justificava por nenhuma evidência real, mas apenas por um desejo de ter o que atacar.

Essa imprensa segue perdida. E, quanto mais fala, mais percebe-se o seu jogo.

Mais uma rede social estaria censurando conteúdo conservador: o Reddit

Não é tão fácil para o brasileiro entender a gravidade do assunto porque se trata de uma rede pouco popular no país. O Reddit permite que usuários publiquem conteúdo para a avaliação dos demais integrantes da comunidade. Caso o material receba avaliações positivas, sobe no ranking, do contrário, desce.

Em outras palavras, os próprios usuários funcionam como curadores do que seria o material de melhor qualidade. E o segredo da ferramenta estava nessa dinâmica.

Mas, desde a eleição de Donald Trump, o mecanismo parece estar sendo deturpado. E grande parte do material de apoio ao presidente estaria sendo boicotado. Ao menos é isso o que denuncia o Infowars, que já observou manobra semelhante no Facebook e Twitter.

A liberdade de expressão está em crise no mundo todo. E é triste notar que isso só é possível graças à cegueira de empresas de tecnologia, justo as que cresceram explorando a liberdade de expressão.

Hacker tentou extorquir Marcela Temer na véspera da votação do impeachment de Dilma Rousseff

Aos poucos fica mais clara a tentativa de extorsão sofrida por Marcela Temer. O hacker invadiu-lhe o celular quando Dilma Rousseff ainda enfrentava o impeachment. E aproveitou a véspera da primeira votação, aquela comandada por Eduardo Cunha, para atacar a atual primeira-dama.

Os detalhes estão em matéria da Veja que, no momento da redação deste texto, não mais se encontra no ar, sendo acessível apenas via cache. Por ordem da Justiça? Fato é que o texto de fato detalha o conteúdo das informações roubadas pelo hacker, algo que é proibido pela lei Carolina Dieckmann.

Ao final, contudo, é destacada uma informação alheia a todo o crime. E que mostra bem o caráter do criminoso por trás das informações exploradas pela imprensa:

“Esse fantasma poderá assombrar a família Temer mais uma vez. O hacker vai progredir para o semiaberto no mês que vem e já pediu a um dos seus advogados que agende visitas a programas populares de TV, pois seu sonho é ganhar fama e muito dinheiro.”

É por demais absurdo que o jornalismo queira atacar o atual presidente valendo-se de informações roubadas por este criminoso.

A imprensa deu tiro no pé: a falácia das “fake news” foi usada para banir a CNN da Venezuela

Quando Donald Trump surgiu vencedor das eleições americanas, sem qualquer estudo que desse suporte à teoria, a imprensa do mundo todo se deu a repetir que o republicano só logrou êxito em decorrência de notícias falsas, ou as “fake news”. Tudo isso, contudo, era um enorme falácia para forçar as empresas de tecnologia a censurarem sites alternativos que, por não rezarem pela cartilha esquerdista do jornalismo, estavam atraindo mais atenção na internet.

Contudo, o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. E tem se tornado comum o uso do argumento “fake news” para rebater bombas plantadas no noticiário pela mídia mais velha. Ao ponto de a primeira grande vítima ser justamente uma das entusiastas do termo: a CNN, que foi banida pela ditadura venezuelana sob o argumento de estar popularizando notícias falsas no país.

O mais irônico? Agora a CNN em espanhol está precisando se valer de um meio alternativo para manter-se no ar. E vem explorando um canal de YouTube para isso.

Como se diz “karma is a bitch” em espanhol?

Imprensa reclama de censura, mas arquivos hackeados tinham 15 fotos íntimas de Marcela Temer

É preciso ficar bem claro para a opinião pública: a imprensa vem chamando de censura uma decisão da Justiça que evitou divulgar informações que foram obtidas por intermédio de uma extorsão sofrida por Marcela Temer. No passado, invasão semelhante daria em nada, ou quase nada. Hoje, há a lei Carolina Dieckmann para proteger as vítimas, caso da primeira dama.

O Gizmodo, contudo, tentou entender como a esposa do presidente foi enganada. E se debruçou sobre o material já sem sigilo do processo, algo que não infringe a lei. Findou descobrindo que, na véspera da extorsão, o hacker aplicou um golpe no irmão de Marcela. Fazendo-se passar pela primeira-dama, conseguiu que Karlo Augusto Araújo transferisse R$ 15 mil para uma conta bancária – inicialmente tentou tomar um “empréstimo” de R$ 150 mil.

Sim, no material divulgado pela perícia, não há apenas questões financeiras, mas 15 “fotografias pessoais e íntimas” que vinham sendo usadas para constranger a vítima. Mas notem que até mesmo a Justiça teve o cuidado de não detalhá-las no processo – para “preservar a intimidade e privacidade da vítima”.

A imprensa poderia mostrar decência semelhante evitando constranger Marcela para atingir Michel Temer. Afinal, motivo para atacar o atual governo não falta.

Não foi censura: se a lei protege Carolina Dieckmann, protege também Marcela Temer

A invasão de privacidade já abarcava os dados digitais, mas só houve legislação específica no Brasil depois do caso de Carolina Dieckmann, de modo que tal lei passou a ganhar o nome da atriz. Trata-se de algo simples, basilar, óbvio. Um direito que deve ser garantido em toda e qualquer sociedade.

Sim, mesmo quando se trata da Primeira Dama. Pois uma coisa é o interesse nacional, eventual caso grave envolvendo assunto público; e outra, bem diferente, é a privacidade e a intimidade de Marcela Temer.

Vários veículos, hoje, estão alegando “censura” decorrente de processo judicial e, nos termos da ordem judicial, não poderiam divulgar dados privados e íntimos da mulher do Presidente da República.

Relembrando: um criminoso invadiu seus dispositivos de acesso à internet e começou a fazer extorsão, sob a ameaça de divulgar dados privados e íntimos. Ele foi encontrado, preso e o crime foi confirmado. Convenhamos, portanto, que não é mesmo defensável a divulgação justamente desses dadsos.

Por fim, e também tecnicamente, claro que não se trata de censura. O processo judicial é a maneira legítima e legitimada pelo Estado Democrático de Direito, por intermédio do Poder Judiciário, que atende ao que a lei determina e emite sua ordem dentro do devido processo.

Censura é o controle pelo poder executivo, sem devido processo. Não foi o que houve.

Se a lei protege Carolina Dieckmann (e deve proteger), ela também protege Marcela Temer (e também deve proteger). Bem como, por óbvio, também protege e deve proteger a todos nós. Melhor assim.