Tarso Genro defende censura e diz que 80% do conteúdo de rádio e TV deveria sair do ar

Tarso-Genro

Matéria da Folha de S. Paulo:

DE SÃO PAULO – O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), defendeu a regulação da mídia e disse que “mais de 80%” da programação de rádio e TV teria que sair do ar se a Constituição fosse respeitada.

“Se esses artigos fossem aplicados de maneira séria, provavelmente mais de 80% dos programas que estão nas rádios e principalmente nas televisões teriam de sair do ar”, disse anteontem o governador, em referência a itens do artigo 221 da Constituição Federal, que trata da programação das emissoras de rádio e televisão.

“São programas que ou transformam a mercadoria em notícia ideologizada ou promovem a violência, o sexismo e a discriminação”, disse durante evento organizado por sindicatos e movimentos sociais em Porto Alegre.

O governador defendeu uma reforma constitucional para regular os meios de comunicação e impedir que “meia dúzia de famílias” tenha o controle do setor.

Em meio a articulações internas no PT para disputar a presidência da sigla, Genro defendeu o governo na cobertura de casos de corrupção.

“A culpa é sempre do Estado. É um processo que não tem sujeito. Quem leva para dentro do Estado o vírus da corrupção é a iniciativa privada.”

Presidente petista durante o auge da crise do mensalão, em 2005, Genro também disse que o STF (Supremo Tribunal Federal) foi influenciado pela imprensa ao julgar o caso.

“Eles [os réus] já foram condenados por antecipação. Foram condenados pela mídia e o Supremo adotou a posição.”

(grifos nossos)

Vídeo: Irmão de Genoino diz que PT regulará “mídia” à força

Em entrevista gravada para o site do PT, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), irmão do réu do mensalão José Genoino, disse que após as eleições o partido iniciará o processo de “regulamentação das comunicações”, “quer queiram, quer não queiram”. A declaração pode ser vista no vídeo que publicamos acima.

De acordo com o parlamentar, o partido foi vítima de uma “ação orquestrada pela mídia”. A crítica referia-se à reportagem publicada pela revista Veja que associou Lula ao crime do mensalão. Guimarães disse ainda que a situação “foi além do limite”, e que, por causa disso, o PT teria que enfrentar a questão.

Pra quem não se lembra, Guimarães ficou conhecido nacionalmente em 2005, quando seu então assessor foi detido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, carregando R$ 200 mil em uma mala e US$ 100 mil na cueca.

O deputado também é alvo de uma ação deflagrada pela Polícia federal que investiga desvios de mais de R$ 100 milhões do Banco do Nordeste.

Como vocês podem perceber, “regulamentar a mídia” é, acima de tudo, uma questão de sobrevivência para os ilustres petistas.

Protógenes Queiroz quer proibir filme do ursinho Ted

Protógenes Queiroz, deputado federal (PCdoB-SP) e delegado da Polícia Federal, foi assistir com seu filho, o pequeno Juan, de 11 anos, o filme Ted, comédia em que um adolescente passa as diabruras típicas da idade (sexo, drogas e vagabundagem, já que rock tá fora de moda) ao lado do seu ursinho protagonista. A classificação indicativa do filme é de 16 anos.

Protógenes não gostou do que viu. Ao invés de perceber que cometeu uma contravenção penal, Protógenes ainda se sentiu no direito de achar que poderia usar a lei a seu favor. Postou em seu Twitter o bravateiro gracejo:

O delegado da PF, famoso pela operação Satiagraha, acredita que, após levar o próprio filho, o pequeno Juan, para a sessão de constrangimento que é assistir um filme com tema adulto, ainda pode exigir explicações do Ministério da Justiça, como se o Ministério não tivesse mais o que fazer do que explicar para um deputado federal e delegado licenciado da Polícia Federal que um filme com classificação indicativa de 16 anos é, $#@&*%, pra ser assistido por pessoas a partir dos 16 anos, e quem deve algumas explicações para a contravenção cometida é a Sua Excelência, sr. deputado Protógenes. Ou poderia eu dizer que fui assistir DEUSAS DO ANAL 6 com meu filhinho pequeno de 8 anos, e por ver cenas de sexo explícito com nítida apologia à masturbação, dizer depois que o Ministério da Justiça me deve explicações?!

Pai, preciso ter aquela conversa contigo

Como bem lembrado por Jerônimo Teixeira, o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que é crime “submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento”. A pena é detenção de seis meses a dois anos. Tá nas regras. Cartão vermelho. Protógenes virou motivo de piada no Twitter. Quer dizer, virou motivo para alguém lembrar dele – ensejo para chacota é alguém do PCdoB ser lembrado, em qualquer dia do ano.

Mas Protógenes, um dos ídolos da blogosfera progressista, não se deu por satisfeito. A piada poderia apenas ter valido ao pequeno Juan seu dia de Nissim Ourfali. Protógenes, fiel à sua linha comunista KGB de ser, resolveu que quer proibir o filme do ursinho viciado, acionando o Ministério da Justiça e o Ministério da Cultura (essa entidade que tanto fez por nosso arcabouço cultural). É de se perguntar se Protógenes Queiroz, que foi reprovado no exame psicotécnico para delegado da PF, tem mesmo uma enorme destreza para evitar drogas entrando no país pelas fronteiras, enquanto vocifera tão raivosamente contra o filme de um ursinho.

Ora, é da tradição liberal que cada um faça o que quiser, desde que não agrida ninguém. Se eu quero ver o filme Ted e tenho mais de 16 anos (e não sou mongo o bastante para levar meus filhos recém-saídos das primeiras aulas sobre célula da cebola para ver escatologia trash comigo), eu tenho esse direito. Se eu agredir alguém, mormente uma criança, obrigando-a a uma sessão vexame que deixa traumas profundos na personalidade (não graças ao filme, mas por perceber a capacidade intelectual apoucada do próprio pai), o poder público deve ser acionado para proteger o elo mais fraco da relação (em tamanho, não em QI), não dar explicações justamente pra quem fez a caquinha.

Já na tradição comunista coletivista do sr. Protógenes, não há indivíduos, apenas números. Alguns números são parte do poder, outros servem de joelhos a este poder. E quando alguma contravenção passível de pena é cometida, a parte que faz parte do poder pode usar do seu próprio mando (o que os romanos chamavam de potestas) para, sem identificar indivíduos, usar o poder físico do Estado (potentia) com base em seu poder político (autoritas), que seria anterior e estaria acima das leis, para sair por aí, prejudicando quem não tem nada a ver com a contravenção cometida. O algoz se torna vítima e vice-versa. O que importa, afinal, é quem dá as cartas (ou, como dizia Mao Zedong, o poder vem da boca do revólver).

Filme com classificação indicativa 16 anos: “infanto-juvenil”

Assim, se sou um delegado num coletivismo brutal, a cada vez que tiro uma nota baixa, posso afirmar que o MJ me deve explicações. E posso ainda sair proibindo o que não gosto, através do meu poder político, pois todas as outras pessoas não são indivíduos com vontades e individualidades distintas das minhas e que devem ser respeitadas – são apenas números que devem ser submetidos ao que o burocrata agente do poder político manda.

Classificação indicativa: Pequeno Juan

Todavia, há algo ainda mais estapafúrdio no comportamento do delegado comunista. Pela visão de mundo de Protógenes (perdoa-se lá a hipérbole), um filme conter uma cena de consumo de drogas é “apologia as drogas” (sic). Tanta coisa pra proibir (como abolir a transitividade indireta do verbo assistir, destruída de cunho próprio neste arrazoado), e o sr. deputado quer proibir um filme em que um ursinho fuma crack.

Se uma cena de consumo de drogas é “apologia as drogas” (eterno sic), acaso as cenas em que Jesus é açoitado e torturado em A Paixão de Cristo são apologia do espancamento? A horrenda cena de estupro de Irreversível é uma apologia à violência sexual? (cena que foi elogiada por feministas por demonstrar visualmente o absurdo que é a crença machista de que mulheres, na verdade, têm fantasias sexuais com o estupro) Independence Day é alguma apologia da invasão alienígena? (desconte-se lá a explosão da Casa Branca, para tirar o sorrisinho safado das fauces dos millitantes do PCdoB) O sr. deputado não poderia explicar para o filho que o ursinho está envolvido com drogas devido à luta de classes, sendo uma vítima da sociedade? Acaso há apologia ao consumo de drogas em Eu, Christiane F, 13 anos, drogada e prostituída, ou o próprio título demonstra o choque por si? Há alguma coisa favorável ao consumo de drogas em Trainsporting, Réquiem para um Sonho, Diário de um Adolescente ou Tropa de Elite?

Um roteiro de filme não é apologia de nada, a não ser para pessoas ainda com pouco discernimento (por isso a porcaria da classificação indicativa) ou para completos debilóides. Ninguém, em filme algum, nem mesmo o narrador falando ao espectador, está ensinando nada, por ser um produto cultural. O mesmo se dá com livros. Madame Bovary não é um apologia ao adultério, como não há casos conhecidos de alguém que tenha assistido Hamlet e tenha saído por aí assassinando o tio (apesar da maior homenagem da década passada ao ato shakespeariano).

Quando vejo algo de que não gosto, minha atitude é trocar de canal, sair do cinema, jogar o livro longe ou xingar muito no Twitter. Não é acionar o poder público (e vocês sabem quem financia tudo isso). É a diferença entre o liberalismo e o coletivismo comunista: no regime das liberdades individuais, se você é um idiota, simplesmente não gosto de você, não vou lá no seu barco e você não vem na minha lancha. No comunismo, meus cupinchas têm o poder completo, e, se não vamos com a sua cara, te mandamos para o exílio, Gulag, cadeia ou paredón. Se o Protógenes privatizou a educação do seu filho pequeno Juan, não temos nada a ver com isso. Continuamos conseguindo assistir Borat sem lavarmos a cara na privada, por mais que os filmes sejam os professores que nos ensinam tudo o que nossos pais não têm tempo de nos dizer. Não há órgãos de censura num sistema liberal, porque a vantagem que é dar liberdade às pessoas (inclusive para criticar o governo) se sustenta. Já a confusão entre Estado e sociedade da planificação centralizadora é opressora, e só se sustenta descendo o chicote no lombo de quem reclama.

O avanço liberal é a tolerância.com os idiotas (as primeiras vítimas do socialismo). Já a centralização do poder estatal só possui tolerância com assassinos, ladrões e outros pilhadores se eles podem destruir a velha ordem (o que Marcuse chamava de “tolerância revolucionária”). Se fosse sair por aí proibindo todos os idiotas que tornariam o mundo melhor sem suas obras, começaria em A de Almodovar e terminaria em Z de Žižek. Mas, ao contrário do modelo protogenesiano de democracia da foice, eu não proibo nada, apenas tento convencer as pessoas de que existem coisas melhores a se ver (espectro que vai de P. J. O’Rourke a Exterminador do Futuro 2).

Despiciendo dizer que, tal como Romênia e Polônia, países que já passaram pelo pesadelo comunista, proibiria de todas as formas que um partido se chamasse “Partido Comunista”, já que não é permitido tampouco um Partido Fascista ou Nazista, totalitarismos horrendos que conseguiram a façanha de matar menos do que o bolchevismo no último século. Ainda mais se esse Partido Comunista reunisse personalidades do porte de Protógenes Queiroz, Aldo Rebelo e Netinho de Paula, tudo no mesmo estado (já sobre a Manoela D’ávila, conversamos em privado).

Contudo, parece ser uma constante na carreira de Protógenes Queiroz esse modelo heterodoxo de liberdade democrática. Protógenes não conseguiu convencer a população de São Paulo de que deveria ser deputado – foi alçado ao cargo embalado nos votos do fenômeno Tiririca, que aparentemente não foi o único palhaço eleito. Mas ainda insiste em falar por um coletivo:

Quem “não aceitamos”, cara pálida? “Não aceitamos” sequer sua nomeação como deputado – Vossa Excelência só entrou lá por uma tramóia do sistema eleitoral. O pequeno Juan quando nasceu foi programado a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados dos U.S.A., de nove as seis. Desde pequeno come lixo comercial e industrial, mas agora chegou sua vez (ele vai cuspir de volta o lixo em cima de vocês), E como diz o restante da canção:

“Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis”

Ao menos a comédia já está feita, até para quem não foi ao cinema. Porém, resta ainda entender algo não esclarecido nessa patacoada de enlatados culturais americanos no Brasil: sr. Protógenes, por que Vossa Excelência manda tweets via Twitter for iPad?!

Censura: Agência Brasil admite pressão do MEC para alterar reportagem

Informação da coluna de Lauro Jardim em Veja Online:

Aloizio Mercadante e sua gestão no Ministério da Educação estão no centro de um caso de censura ao trabalho jornalístico da Agência Brasil.

Segundo relata a própria ouvidoria da agência, em 2 de agosto, o portal levou ao ar a reportagem intitulada “MEC diz não ter plano B em caso de continuidade da greve dos professores”, sobre a posição da pasta e as perspectivas para as negociações com os sindicatos dos professores grevistas das universidades e institutos técnicos federais.

Na versão original, o texto citava dois secretários do MEC como fontes da informação de que o governo “não teria plano B”, caso o acordo não fosse aceito pelos grevistas. Misteriosamente, uma hora depois da publicação, o texto foi alterado.

O novo título se transformou em um texto institucional do ministério de Mercadante: “MEC acredita no fim da greve nas universidades e diz que aguarda desdobramentos dos fatos”.

O título sobre o “plano B” sumiu e uma nota foi colocada no final da matéria justificando a mudança em decorrência de “um erro de interpretação”. Quantas interpretações o repórter poderia fazer para a afirmação dos secretários de que “o governo não tinha plano B”?

A interferência flagrante na reportagem fez com que a própria diretoria de jornalismo da agência reconhecesse a pressão do MEC, mas veja só, a diretoria tratou o caso como algo normal:

– O que ocorreu é que foi detectado um erro na matéria e, assim como qualquer cidadão, que pode e deve nos alertar de um erro, a assessoria do Ministério da Educação tomou a iniciativa em relação.

Repórteres da Agência Brasil que presenciaram os desdobramentos do caso dizem que a interferência dos assessores de Mercadante não foi simplesmente “um alerta”. A operação para apagar a sinceridade dos secretários de Mercadante foi resumida pela ouvidoria da agência assim:

– As alterações foram além de meras correções de informações erradas. Portanto, as acusações de censura e interferência deveriam ser levadas a sério.

(grifos nossos)

Governo acusa propaganda da Bombril de racismo

A Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial considerou racista a arte acima, da promoção “Mulheres Que Brilham” da Bombril, e pressionou para que a empresa retirasse a campanha do ar. Informação da coluna de Lauro Jardim em Veja Online:

(…)

O governo pediu a suspensão da campanha Mulheres que Brilham por considera-la racista. Na campanha, a imagem de uma mulher negra é usada – o que levou a secretaria a associar os produtos Bombril à cabelos crespos.

O Conar não aceitou a reclamação do governo, mas o Bombril já alterou a campanha para evitar maiores polêmicas.

Nós visitamos hoje (21) o site da promoção, e pudemos notar que o logotipo passou por um processo de alisamento capilar, além da redução do nariz e lábios. O brinco também foi trocado – talvez o formato redondo tenha sido considerado “afodescendente” demais? Enfim, vejam que belo resultado:

Como vocês podem perceber, também não há imagens de mulheres negras em nenhum lugar do site, num esforço para que ninguém mais possa acusar a empresa de associar cabelos crespos ao produto…

Se dissermos que está faltando louça pra lavar na Secretaria da Igualdade Racial, será que seremos perseguidos pela Secretaria das Mulheres?

PT entrará com ação popular contra “cartilha do mensalão”

O setor jurídico do PT prepara ação popular contra o Procurador-Geral da República pelo site “Turminha do MPF”, voltado ao público infantil, que busca informar sobre as ações do Ministério Público. Os petistas não gostaram da página sobre o mensalão no site. Reportagem da Folha de S. Paulo:

Reunido neste sábado (18) em São Paulo, o setorial jurídico do PT no Estado decidiu entrar com uma ação popular contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pela elaboração de uma cartilha dedicado às crianças que explica o esquema do mensalão.

Coordenador do setorial e autor de uma representação a pedido do deputado Cândido Vaccarezza, o advogado Marco Aurélio de Carvalho alega que houve preconceito e pré-julgamento ao descrever como certo um esquema que ainda está em julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal).

Na ação popular, encampada por Vaccarezza, os advogados petistas pedirão que sejam apurados os custos da cartilha, veiculada no site oficial do Ministério Público Federal, e a
conduta de Gurgel.

A intenção de Vaccarezza é que a Procuradoria seja obrigado a ressarcir aos cofres públicos os gastos com a divulgação da cartilha.

(…)

Comentário

Vocês podem ler a página que o PT não quer que seus filhos vejam aqui.

PT quer censurar o uso do termo ‘mensalão’ na imprensa

Depois de tentar proibir a exibição de imagens do julgamento do mensalão durante o programa eleitoral, o PT quer vedar o uso do termo “mensalão” na imprensa. É isso que vocês leram, o partido pretende por rédeas na cobertura do maior escândalo de corrupção da história.

Leiam o que informa Débora Bergamasco, do jornal O Estado de S.Paulo:

SÃO PAULO – Advogados do PT querem proibir a imprensa de usar a palavra “mensalão”. Em reunião nesta sexta-feira, 3, em São Paulo, cerca de 30 advogados decidiram que tomarão “providências jurídicas”, para que seja utilizada a designação “Ação Penal 470″, quando se referir ao suposto pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político ao governo Lula.

O coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio de Carvalho, disse que a palavra “mensalão” exprime juízo de valor pejorativo. Sua principal queixa é contra o uso feito pela TV Globo e pela Globo News, “que muitas vezes escrevem a palavra até em negrito”. E completa: “Uma concessão pública não deveria divulgar teses, apenas informações para o público”.

A preocupação é com a repercussão do julgamento nas eleições. Primeiro tentarão resolver a situação com a mídia. Se não funcionar, entrarão na Justiça.

Link da notícia

Jornalista pede demissão após ser censurado pelo governo da BA

O jornalista Guilherme Vasconcelos publicou matéria sobre os gastos de publicidade do governo Jacques Wagner (PT) no site em que trabalhava. Diante da ordem para retirá-la do ar, o jovem de 22 anos pediu demissão. O episódio, ocorrido há cerca de 3 semanas, foi divulgado primeiro no Blog do Brown e ganhou as redes sociais:

Quem ainda tinha dúvida do surto autoritário que acontece na Bahia teve na tarde desta segunda-feira, 18 de junho, um episódio típico do “grande irmão” tão bem personificado no romance 1984 de George Orwell.

Os detratores das recentes greves no Estado (greves na saúde, na polícia, na educação) procuram de todas as formas desqualificar os movimentos e satanizar seus líderes, a fim de blindar o governo, mais especificamente o governador. Sim, tem a maioria que faz isso para garantir seus cargos, seus postos de trabalho, ainda que pretextando a aludida governabilidade ou o tal “ruim com ele, pior com outro”. E tem aqueles que ainda duvidavam, honestamente, do surto autoritário. Mas a triste realidade é esta: estamos vivendo um momento de autoritarismo que nada deve a governos que envergonhavam a decência democrática.

No episódio de hoje, um jornalista, jovem e brilhante, recém saindo da universidade, escreveum texto sobre a festa publicitária que o governo estadual da Bahia vem fazendo. A reportagem não tem opinião, tem, sim, números e informações, muitas. Uma hora depois de publicada chega a ordem na redação do Bocão News para que fosse tirada do ar. A velha tática: ou me obedece ou fica sem publicidade. E o empresário da comunicação nem pestaneja, não ficar sem seu melhor cliente.

No episódio de hoje, no site Bocão News, ao jornalista restava fechar os olhos para o acontecimento ou tomar um posição em defesa de sua dignidade e postura profissional. Dignamente ele optou por sair da empresa que não oferece nenhum suporte para enfrentar o “grande irmão”.

Leia abaixo a justificativa de Guilherme e mais abaixo a reportagem que irritou o governo.

GUILHERME VASCONCELOS

Hoje, pedi demissão do site Bocão News, onde trabalhei nos últimos três meses. Escrevi, com base em dados oficiais, uma matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner. Para minha surpresa, cerca de uma hora após a matéria ter sido postada, ordens da chefia chegaram até a redação para que a reportagem fosse retirada do ar. De maneira truculenta e desrespeitosa, fui comunicado da decisão por terceiros através de mensagens de texto via celular. Também me foi dito que, por interesses econômicos e por pressão do “democrático” governo petista, a ordem era irrevogável. Diante disso, não poderia agir de outra forma. Não se trata de querer bancar o herói, mas a demissão era a única saída honrosa. A coerência, a dignidade e a liberdade são valores inegociáveis para mim. Na Bahia, estado que lidera a vanguarda do atraso, só verdades convenientes podem ser reveladas. Nosso jornalismo, salvo algumas honrosas exceções, é submisso e se aproxima do amadorismo. A verdade é que aqui, terra dos superlativos– 69 dias de greve dos professores, 12 anos de metrô, pior prefeito de capitas – , praticamente não há jornalismo investigativo. Dizem que estamos na era da transparência. Na Bahia, a censura ainda é regra.

Agradeço a Daniel Pinto, Marivaldo Filho e Luiz Fernando Lima, que muito me ensinaram durante esses três meses e, certamente, continuarão me ensinando.

Para os que leram e gostaram, para os que leram e não gostaram, e para os que não tiveram a oportunidade de ler, transcrevo abaixo a matéria que motivou meu pedido de demissão:

Governo Wagner eleva em 162% gastos com publicidade

Entre 2007, primeiro ano da administração petista, e 2011, o governo Jaques Wagner elevou em 162,5% os gastos com propaganda, promoção e divulgação das ações do Estado. Nesse período, as despesas com publicidade saltaram de R$ 46 milhões para R$ 122 milhões. Os dados estão no relatório de contas de 2011 do governo do estado elaborado pela conselheira do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE), Ridalva Figueiredo.

Em comparação com 2010, quando foram gastos R$ 109 milhões, houve um aumento de 12%. A Secretaria de Comunicação Social e a Casa Civil foram as instâncias do governo estadual que registraram maiores despesas na área, com R$ 29,2 milhões e R$ 13,9 milhões, respectivamente.

Entre as estatais, os gastos com publicidade foram liderados pela Empresa Baiana de Turismo (Bahiatursa), com R$ 11,4 milhões, seguida pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), com R$ 7,3 milhões, e a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), com R$ 3,3 milhões.

Seca

Se o orçamento para a divulgação dos projetos do governo não para de aumentar, os recursos destinados a ações de combate à seca, problema que fez mais da metade dos municípios baianos declarar situação de emergência neste ano, foram considerados insuficientes pelo conselheiro Pedro Lino, que votou pela desaprovação das contas do governo durante julgamento realizado na semana passada.

“Através de pesquisa realizada por minha assessoria nos sistemas corporativos do Estado, verificou-se que foram aplicados recursos no montante de R$ 37.599.143,88 através da execução de apenas dois projetos e duas atividades visando a assistência às famílias e municípios e implantação de soluções hídricas. Entretanto, nenhuma destas ações foi estabelecida como meta prioritária”, critica o conselheiro no parecer sobre as contas do poder executivo, destacando que a quantia empregada para reduzir os efeitos da seca foi mais de três vezes menor do que os recursos destinados a promover as ações do governo.

Revista que ataca PT por caso Celso Daniel é apreendida em SP

Do portal Terra:

A publicação desta semana da revista Free,que traz em sua matéria de capa uma reportagem sobre um suposto esquema de corrupção comandado pelo PT, que teria relação com o assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002, teve vários exemplares apreendidos nesta quinta-feira, em Mauá.

Devido ao fato, os diretores da publicação registraram um boletim de ocorrência – divulgado no Facebook da publicação – no 1o. distrito de Mauá pelos diretores da Revista Free SP após a constatação de abuso de poder por parte do secretário Carlos Tomaz na apreensão de revistas e de um carro da distribuição.

De acordo com a matéria apresentada na revista – distribuída gratuitamente no metrô de São Paulo e nas regiões próximas às estações -, cuja chamada de capa tem como título “Muito além da morte”, a organização do esquema criminoso, que atualmente seria comandado pelo prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, teria como objetivo manter o PT no poder.

Em nota, o diretório estadual do PT em São Paulo rebateu o conteúdo da revista, classificando-o como leviano. O partido criticou a exploração do caso Celso Daniel, cujo assassinato já foi esclarecido pela polícia sem remeter a questões político partidárias, segundo a direção petista.

“Quanto ao festival de calúnias e difamações, o PT paulista está tomando todas as providências legais cabíveis e os responsáveis responderão pelos seus atos”, termina a carta.

A ação teria caráter político uma vez que a prefeitura da cidade é comanda pelo PT.

Comentário

Na página da Free SP no Facebook é possível ler a reportagem que o PT tenta censurar (clique aqui para abrir a edição online da revista). Eles também divulgaram o auto de apreensão do material e o boletim de ocorrência.

Governo quer tirar do ar comercial de Gisele Bündchen depois de ouvir a reclamação de 6 pessoas

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República é bastante seletiva em suas reivindicações. Há poucos dias, uma menor de 14 anos foi estuprada por detentos no interior do Pará, após ser encarcerada em uma cela junto com outros homens. Em 2007, outro episódio semelhante ocorreu, também no Pará. Uma adolescente de 15 anos foi violentada após ser jogada em uma cela com outros 20 detentos.

Em nenhuma das ocasiões ouviu-se manifestações de repúdio por parte da Secretaria de Mulheres. Muito menos a solicitação de providências. Diligência? Nem pensar. O que parece chocar a Secretaria são comerciais de TV. Leiam o que informa o portal G1. Voltamos logo abaixo:

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República enviou nesta terça-feira (27) um ofício ao Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (Conar) pedindo a suspensão de uma campanha da fabricante de roupas íntimas Hope, estrelada pela modelo Gisele Bündchen.
Os vídeos da campanha, chamada “Hope Ensina”, mostram a modelo contando ao marido que bateu seu carro e estourou o limite do cartão de crédito. Primeiro, Gisele revela os problemas vestida com roupa e, na sequência, apenas de lingerie. A propaganda diz que a primeira maneira é errada e, a segunda, a correta. E incentiva as brasileiras a usar seu charme.

“‘Hope ensina’ é a campanha da empresa que ‘ensina’ como a sensualidade pode deixar qualquer homem ‘derretido’. Nela, a modelo Gisele Bundchen estimula as mulheres brasileiras a fazerem uso de seu ‘charme’ (exposição do corpo e insinuações) para amenizar possíveis reações de seus companheiros frente a incidentes do cotidiano”, diz nota divulgada pela SPM.

A secretaria afirma que sua ouvidoria recebeu seis reclamações de pessoas “indignadas” com a propaganda desde o dia 20, quando ela foi ao ar. Além do ofício ao Conar, a SPM também enviou documento ao diretor da Hope Lingerie, Sylvio Korytowski, “manifestando repúdio à campanha.”
“A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas. Também apresenta conteúdo discriminatório contra a mulher, infringindo os artigos 1° e 5° da Constituição Federal”, completa a nota da SPM.
A Hope ainda não se pronunciou sobre o assunto. O Conar, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que poderá dar uma resposta sobre o ofício da SPM somente no início da tarde.

Link da notícia aqui.

Abaixo o vídeo que “chocou” a Secretaria de Política para Mulheres

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=ysw5-49nNGg[/youtube]

Comentário:

No dia 21 deste mês publicamos este post onde relatamos o escabroso caso de Nartagman, dirigente do PT de Minas que foi preso sob a acusação de estupro.

Mesmo foragido, Nartagnan ajudou a organizar um encontro de blogueiros progressistas, chegando até a mediar o debate sobre “exercício da liberdade na rede”. O post do Implicante gerou discussões acaloradas nas redes sociais, resultando em uma tardia nota de repúdio da Secretaria de Mulheres, desta vez não da Presidência, mas do PT. Detalhe, Nartagman foi condenado em abril deste ano e ficou foragido até ser preso no início de setembro.

Como vocês podem perceber, a grita de 6 pessoas contra um comercial de TV é capaz de tirar o sono dos integrantes da SPM. Para casos graves, só com um “empurrãozinho”.