Fernandinho Beira-Mar diz que vai lançar livro em que fala sobre a morte de Celso Daniel

O narcotraficante condenado a mais de 200 anos de prisão, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira Mar, disse em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini reprisada agora em janeiro, que vai lançar um livro sobre os bastidores de sua vida no crime dentre eles o assalto ao Banco Central em Fortaleza, o relacionamento com as FARC e até mesmo a morte do prefeito Celso Daniel.

A co-relação de um dos nomes mais famosos da facção criminosa Comando Vermelho com a morte do prefeito no início dos anos 2000 é inusitada, mas não deixa de despertar curiosidade.

Até o momento a melhor e mais completa investigação sobre o assassinato do então prefeito da cidade de Santo André, pertence ao jornalista Silvio Navarro que escreveu o impecável “Celso Daniel — Política, Corrupção e Morte no Coração do PT”, lançado em outubro de 2016.

Preso em um presídio federal para detentos de alta periculosidade em Rondônia, Fernandinho diz que seu livro deve sair ainda em 2017 e que o título será “Fernandinho Beira-Mar: somos bandidos?”.

O Implicante já preparou o vídeo no momento certo.

Você já se perguntou por que o Comando Vermelho é “vermelho”?

Quando surgiu, o Comando Vermelho chamava-se Falange Vermelha. Criada por Rogério Lemgruber, a facção criminosa nasceu no presídio da Ilha Grande, na cidade de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Mas o narcotraficante findaria sendo ofuscado por outros líderes mais famosos que levariam o terror a todo o Brasil, tais como Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP e Elias Maluco.

Contudo, você já se perguntou o porquê de o Comando Vermelho ser “vermelho”, e não verde, azul, amarelo ou qualquer outra cor?

O livro “Comando Vermelho, a História do Crime Organizado“, de Carlos Amorim, explicou em 1993. E o jornalista Jorge Pontual o resumiu já no prefácio, cujo trecho segue copiado:

“A reportagem de Carlos Amorim revela o que realmente é o Comando Vermelho: um filhote da ditadura militar. Criado na cadeia onde a repressão jogou, juntos, presos políticos e comuns, cresceu no vazio político e social ao qual o capitalismo selvagem relegou a grande massa, o povo das favelas, da periferia. Filho da perversa distribuição de renda, da falta de canais de participação política para esse povo massacrado, o Comando Vermelho pôde parodiar impunemente as organizações de esquerda da luta armada, seu jargão, suas táticas de guerrilha urbana, sua rígida linha de comando. E o que é pior: com sucesso.”

O Comando Vermelho é vermelho porque copia os vermelhos, a esquerda. Como apontou Pontual, ganhou vida parodiando a luta armada, o jargão, as táticas de guerrilha urbana e até mesmo a linha de comando. E sendo muito bem sucedido na missão.

Hoje, é um mal que o Brasil não consegue conter.

Bandidos controlam o Minha Casa Minha Vida

traficantes morroA edição nas bancas da revista “Isto É” traz uma reportagem que mostra o fracasso do programa “Minha Casa Minha Vida” no Rio de Janeiro. Leiam um trecho:

Diferentemente de outras cidades, no Rio mais da metade dos moradores do Minha Casa Minha Vida chega aos apartamentos por ordem de remoção e não por financiamento. O resultado é o perigoso encontro de grupos oriundos de territórios dominados por facções rivais. No Conjunto Residencial Haroldo de Andrade I, na zona norte, por exemplo, 80 famílias foram expulsas sob ordem de Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, um dos criminosos mais procurados pela polícia carioca. As pessoas expulsas vinham justamente de uma favela comandada por adversários do traficante. Em outubro do ano passado, ele enviou mensagem de voz a seus oponentes informando que os que mudaram de lado e se juntaram aos seus capangas ganharam apartamentos. A realidade é muito parecida no condomínio Valdoriosa, em Queimados, região metropolitana fluminense. Em entrevistas realizadas pelo Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade, 50% dos moradores admitiram ter visto pessoas armadas circulando pelo local.

A Secretaria Estadual de Segurança informa que está realizando investigações sigilosas, mas que prendeu em flagrante três pessoas em dois condomínios diferentes entre os dias 8 e 10 deste mês, todas por tráfico de drogas. Mais operações e prisões estão por vir, anuncia o órgão. No entanto, segundo Sergio Magalhães, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, o problema não é apenas de polícia. “Não se resolve a questão da habitação somente com o fornecimento de moradia. Desse modo se desestrutura as cidades e se impõe uma vida em guetos. Precisamos olhar para as experiências anteriores e reinventar o programa, criando uma política urbana.”

Leiam a reportagem completa na edição impressa da “Isto É”.