Rafael Rosset: “O Atlas da Violência, ou Quando a Ideologia Mata”

No dia 5 deste mês o IPEA divulgou o Atlas da Violência 2017. O IPEA, pra quem não sabe, é aquele instituto de pesquisas que um dia foi sério, mas nos últimos 10 anos virou um think tank a reboque da agenda progressista.

A constatação não poderia ser mais triste: no período que se estende de 2005 a 2015, o número de homicídios aumentou 22,7% no país, indo de 48.136 a 59.080 casos. Como sempre, o IPEA tenta vender a causa do problema como sua solução, e ressalta a necessidade de se insistir no desarmamento civil como solução para o problema da epidemia de mortes violentas no Brasil.

Evidentemente, a tática não é original: em 1 de outubro de 2015, quando um atirador assassinou 10 pessoas e feriu outras 7 numa escola em Roseburg, no Oregon, Obama usou a tragédia pra vender sua campanha desarmamentista naquele país.

“Precisamos fazer algo sobre isso, mas precisaremos mudar a legislação. É justo dizer que qualquer pessoa que comete este tipo de ataque tem uma mente doente, independentemente de qual seja a sua motivação. Mas nós não somos o único país na Terra que tem pessoas com estas doenças mentais ou que querem fazer mal para outras pessoas. Somos o único país no planeta que vê esse tipo de massacre todos os meses”

Naquele fatídico ano de 2015, houve um recorde de 372 “mass shootings” nos EUA, matando um total de 475 pessoas. Esse é o número de mortos no Brasil A CADA TRÊS DIAS. Talvez Obama quisesse passar uns meses em Fortaleza, em Maceió ou em Natal, pra ver como é viver todos os dias no país que tem uma das legislações mais restritivas do mundo para aquisição e porte de armas, mas estranhamente tem 19 entre as 50 cidades mais violentas DO PLANETA.

Mas Obama não visitou o Brasil. Em vez disso, o que ele acabou fazendo foi um by-pass no Congresso americano ao decretar, com lágrimas nos olhos, restrições para aquisições de armas pelos cidadãos de lá. NENHUM presidente norte americano antes dele, em tempos de paz, havia passado por cima do Congresso.

Ele fez exatamente o que o governo brasileiro fez após o referendo de 2005 no Brasil, em que a maioria do povo decidiu pela NÃO proibição da venda de armas de fogo e munição em todo o território nacional: mesmo com o “não” do povo, o governo decretou tantas restrições e regulamentações para a aquisição de armas por particulares, que você hoje, na prática, dificilmente consegue adquirir legalmente uma arma para defesa pessoal. Conseguir o porte, então, é virtualmente impossível.

Os EUA são hoje o país número um do mundo em posse de armamento de fogo per capita, com 90 armas por grupo de 100 residentes. Já em número de homicídios dolosos por arma de fogo, o país número 1 do mundo é Honduras, que tem uma das leis mais restritivas do planeta em matéria de posse de armas de fogo, liderada pela esquerda do Manuel Zelaya (antes de ele ser chutado de lá). O segundo lugar pertence, com honras, à Venezuela, em que os cidadãos foram desarmados durante o governo Chávez. O Brasil, com o seu Estatuto do Desarmamento, é o 18º. Os EUA, em que os cidadãos são armados até o pescoço, com seus 4,7 homicídios dolosos por 100 mil habitantes (no Brasil, 29 por 100 mil) aparece apenas em 111 numa lista com 218 países.

Só que lá cada estado tem autonomia pra regular a posse de armas. Em Detroit, capital de Michigan, governado há anos por Democratas e com as leis mais restritas do país para compra e posse de armas, a taxa de homicídios é de 54,6 por 100 mil habitantes. Se Detroit fosse um país, sua taxa de homicídios seria maior que a da Venezuela. Plano, no Texas, estado com a maior taxa de armas por habitante, tem uma taxa de homicídios de 0,4 por 100 mil habitantes. Se Plano fosse um país, sua taxa de homicídios seria menor que a da Suíça.

Nos EUA, a posse de armas é garantida pela 2ª Emenda, mas o Obama achou que a Constituição deles valia menos que suas boas intenções. Aqui, a maioria do povo disse NÃO à proibição da venda de armas e munições, mas a esquerda iluminada e “democrática”, QUANDO INTERESSA, despreza a vontade do povo pra fazer apenas O QUE LHE CONVÉM.

O Brasil, desarmado e “da paz”, registra hoje 60.000 homicídios por ano. Veremos os EUA em 20 anos.

As mistificações em torno do tema não se esgotam por aí. Embora deva se reconhecer que o relatório do IPEA mencione “arma de fogo como instrumento para perpetrar homicídios”, o UOL, na cobertura que deu ao relatório, afirmou que “armas de fogo foram responsáveis por 71,9% dos homicídios no país”. É quase possível imaginar uma 9mm no banco dos réus. O que não dá pra imaginar é que uma pessoa razoavelmente bem formada pudesse empregar tão mal um termo sem propósito algum. Quando se fala de responsabilidade moral, se faz referência ao nexo de causalidade entre uma ou mais ações e suas consequências. Responsabilidade moral individual é a base da vida em sociedade. Sem esse conceito é impossível, por exemplo, culpar um assassino pelo homicídio que cometeu, já que ele foi “atraído” ao crime pela pobreza, a marginalização, a falta de serviços estatais, etc. Mas é justamente o que fazem as esquerdas, ao diluírem o conceito e culparem entes abstratos como a “sociedade”, a “desigualdade social” ou “as armas” pela existência de crimes violentos.

Dois corpos com massa se atraem. É a gravidade. Um pedaço de metal ferroso é atraído por um ímã. É o magnetismo. Não há elemento moral nas leis da natureza, mas há na conduta das pessoas. A lua não escolhe ser atraída para a Terra, da mesma forma que o metal não opta ser atraído pelo ímã. Já pessoas não são objetos inertes, elas são seres morais. Pessoas não são atraídas para o mundo das drogas, como não são atraídas para o mundo dos homicídios ou dos estupros. Pessoas SEMPRE tem opção. É precisamente o elemento volitivo (a vontade) o que as torna livres. Admitir que a responsabilidade – e a culpa – por nossas escolhas possa ser terceirizada (à “sociedade”, ao “sistema”, ao “estado”) é admitir que somos todos escravos.

Os defensores do Estatuto do Desarmamento costumam argumentar que sua entrada em vigor provocou uma imediata redução no número de homicídios no país. De fato, entre 2003 e 2004, o número de homicídios no Brasil caiu de 51.043 para 48.374, verificando-se nova redução no ano seguinte, para 47.578. Mas creditar isso ao Estatuto é abusar da credulidade alheia: diminuições pontuais ano a ano já haviam sido constatadas em diversas oportunidades muito antes da entrada em vigor do estatuto: entre 1984 e 1985, entre 1990 e 1991, e novamente entre 1991 e 1992, apenas tomando-se como base os dados de 1980 para cá. Além disso, o número de homicídios voltou a aumentar quase que continuamente a partir de 2006, o que torna temerária qualquer assertiva de que o número de armas legais em circulação tenha qualquer relação com a criminalidade violenta. Mais do que isso, Fabrício Rebelo demonstrou que, após a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento, o número de homicídios cometidos mediante emprego de arma de fogo AUMENTOU em proporção ao total de homicídios no país. Isso porque, como é óbvio para qualquer criança de 8 anos, a lei é ineficaz para tirar de circulação as armas ILEGAIS, que são majoritariamente utilizadas para a prática delituosa.

Isso também se prova pela disparidade dos indicadores entre Estados brasileiros. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, tiveram grande êxito na redução de seus indicadores de homicídios no período, superior a 30% nos dois casos. Já no Rio Grande do Norte a taxa saltou 280%, e Sergipe, Tocantins e Maranhão registraram aumentos superiores a 160% cada. O próprio IPEA se livra rapidamente desse dado embaraçoso noutro estudo assinado pelos mesmos autores do Atlas da Violência, afirmando que a “criminalidade é um fenômeno complexo e multidimensional e não pode ser relacionado de forma simplória a uma única variável explicativa” e “ainda que a Lei do ED seja de âmbito nacional, o controle das armas de fogo não necessariamente ocorre de maneira uniforme entre as unidades federativas, uma vez que a potência da Lei depende em parte da atuação e das políticas de coerção implementadas pelos governos e polícias estaduais.”

Ou seja, nos Estados em que há redução de homicídios o sucesso é creditado quase que exclusivamente ao Estatuto do Desarmamento, mas naqueles em que houve aumento “a criminalidade é um fenômeno complexo” que “não pode ser relacionado de forma simplória a uma única variável explicativa”. Isso é a própria definição de sofisma.

Jesse Hugues, líder do Eagles of the Death Metal, aquela banda que se apresentava no Bataclan quando terroristas muçulmanos abriram fogo contra o público indefeso, matando 100 pessoas, disse:

“O controle de armas francês impediu que alguém morresse no Bataclan? Se alguém puder responder que sim, eu gostaria de ouvi-lo, porque eu não acho que não impediu. Eu acho que a única coisa que impediu foi alguns dos mais valentes homens que eu já vi na minha vida encarando a morte com suas armas de fogo. Até que ninguém mais tenha armas, todo o mundo deve ter”.

Essa declaração foi qualificada pela Folha de São Paulo como “polêmica”.

O que exatamente é polêmico ao defender a legítima defesa? O nosso Código Penal, ao assegurar o direito à legítima defesa, fala no emprego dos “meios necessários” (art. 25). As 60 mil pessoas que caem assassinadas todo ano por pistolas semiautomáticas e fuzis no Brasil deveriam se defender com o que, escovas de dentes?

Passou da hora da maioria silenciosa no Brasil fazer um pacto pela vida (no caso, a própria) e pelos fatos. Morrer pelos próprios ideais é nobre, mas morrer pelos ideais alheios é uma tremenda de uma burrice.

Rafael Rosset é advogado há 15 anos, especialista em Direito Ambiental, palestrante e articulista; perfil no Twitter; e no Facebook. Escreve no Implicante às quartas-feiras.

Narrativas implodem: com Lei do Desarmamento e queda na desigualdade, homicídios disparam

Falamos ontem do alto número de homicídios havidos no Brasil em 2015, segundo apurado pelo Atlas da Violência do Ipea. São quase 60 mil vítimas por ano, um número inacreditavelmente assustador. Mas, para além disso, é preciso analisar o fenômeno pela ótica da ideologia e seus equívocos crassos.

Estatuto do Desarmamento

Foi aprovado no final de 2003, com o famigerado referendo em 2005 no qual os desarmamentistas sofreram uma das mais acachapantes derrotas desde o advento do voto direto (ainda assim, sem que fossem alterados os dispositivos vigentes). Então, presume-se que o número de homicídios diminuiu de lá para cá, correto? Vejamos o seguinte gráfico, com os dados do Atlas da Violência:

De duas, uma: ou o Estatuto é uma lei inócua que os criminosos não cumprem (afinal, se a pessoa está disposta a matar outra, ela não está assim tão preocupada em ferir uma regra menos grave), ou o ele PREJUDICOU o quadro, já que criminosos agora têm um pouco mais de certeza de que a vítima provavelmente estará desarmada.

Mas o esquerdista, como bom fanático, dirá que poderia ser pior SEM o desarmamento. O que nos leva ao próximo item.

A Desigualdade Caiu

Segundo o esquerdismo, a criminalidade alta é motivada pelo fato de que há pessoas ricas e outras pobres, sendo que estas últimas seriam levadas a cometer delitos pela força das circunstâncias. A tese, idiota em essência, é equivocada também matematicamente: nem 0,0001% dos pobres são bandidos, o que afasta a condição “pobreza” como fator preponderante para o banditismo.

Porém, é ainda pior. A desigualdade DIMINUIU ao longo dos anos. Vejam os números a seguir, divulgados pelo governo federal ainda sob Dilma Rousseff:

Diante disso, e considerando a eficientíssima lei do desarmamento, então os crimes violentos diminuíram? Não. Aumentaram. Por quê? Porque nada disso é fator determinante, é tudo balela ideológica desmentida pelos fatos.

E agora?

A esquerda insistirá nas teorias, porque a narrativa canhota não se importa com detalhes como fatos, nem mesmo o número altíssimo de homicídios. Resta à sociedade RECHAÇAR candidatos que endossem essas teses, indagando expressamente a todos em 2018, seja para o legislativo ou executivo.

Só assim algumas mudanças acontecerão. O resto é balela ideológica, com o custo de quase 60 mil homicídios por ano.

Esquerda: “calor do momento” não serve para leis antiterrorismo, só para banir armas de fogo

O esquerdismo possui uma vantagem retórica invejável, pois não precisa fazer sentido. Desse modo, sem detalhes como lógica ou fatos para atrapalhar, a turma canhota pode simplesmente dizer uma coisa num momento, algo diferente noutra situação, sem maiores constrangimentos.

É exatamente o que acontece quando se trata de mudar alguma lei com base no “calor do momento”.

Quando há um tiroteio, por exemplo, os “especialistas” da esquerda, no geral o povo das ONGs e acadêmicos de humanas, formam fila em redações e que tais, dizendo que é preciso aproveitar o caso para mudar a lei nos EUA – e isso invariavelmente quando os tiros acontecem justamente numa área em que armas de fogo são proibidas.

Pois é.

Daí, acontece um atentado terrorista. Outro. Mais outro, sem parar… E eles dizem que não é razoável aproveitar determinada onda para rever leis sobre imigração nem qualquer tipo de restrição quanto às manifestações religiosas mais extremas. Nesse caso, é preciso ter calma, paciência e sangue frio.

Patético, portanto.

Dizem isso única e exclusivamente porque não estão nem aí com as vidas de ninguém, mas sim apenas preocupados com a ideologia e a agenda do esquerdismo. Nada além disso.

Desprezo da imprensa: chama de “bancada da bala” os deputados focados na segurança pública

A Constituição brasileira é calculada de tal forma que permite ao Congresso ter um viés mais ideológico do que pragmático. Com isso, é comum discursos específicos formarem bancadas apartidárias. Há as que trabalham pelo agronegócio, há as que se pautam por preceitos religiosos, por causa feministas, direitos humanos ou mesmo LGBT.

Uma das mais importantes é a que dedica os próprios esforços à segurança pública. Mas é notável o desprezo da imprensa por esta. Do contrário, não a chamaria de “bancada da bala” – convenhamos, uma expressão reducionista que pouco agrega valor ao grupo.

Contudo, trata-se de um setor que não se ofende por pouco. E tenta à sua maneira transformar em arma as pedras que nele são jogadas. Portanto, não é raro encontrar deputados que assumam o termo como um símbolo da causa, em movimento semelhante observado recentemente em xingamentos como “coxinha” ou “reaça”.

Mas nada disso melhora a situação da imprensa. A violência vitima 60 mil brasileiros por ano. Deveria ser encarada com o mínimo de seriedade que tantas mortes exigem.

Vídeo: Lorenzoni observa que o desarmamento começou logo quando o PT chegou ao poder

Há uma semana, Onyx Lorenzoni usou a tribuna da Câmara para falar sobre o desarmamento promovido pelo PT enquanto esteve no poder. Em sua fala, o deputado federal observa que toda a movimentação começou logo no primeiro ano do mandato de Lula. E nem a derrota no referendo de 2005 faria o petismo desistir da missão de desarmar a população.

Os melhores momentos do pronunciamento do deputado podem ser conferidos neste vídeo:

https://twitter.com/GABRIELPlNHEIRO/status/831660300382388225

Corre na Câmara um projeto para revogar o Estatuto do Desarmamento. O Implicante já escreveu sobre ele aqui.

Olavo de Carvalho prova em 2 linhas: desarmamento defendido pela esquerda só beneficia ricos

Com o caos havido no Espírito Santo por conta da greve da Polícia Militar, o debate sobre posse de armas de fogo por cidadãos voltou à baila. Afinal, todos ali estavam à mercê dos criminosos. Aliás, ainda estão. Porque a polícia, por mais que seja competente e empenhada, tem suas limitações.

Mas ainda é vedado o direito irrestrito de proteger a própria família e a própria casa com uma arma. E é a esquerda que luta por essa bandeira.

Desse modo, cabe a síntese perfeita do professor Olavo de Carvalho:

“Se o cidadão não pode ter armas para se proteger mas, se tiver dinheiro, pode contratar seguranças armados para protegê-lo, a conseqüência mais óbvia e inevitável é que SÓ OS RICOS TÊM DIREITO À PROTEÇÃO ARMADA.

Desarmamento civil é isso e nada mais.”

Pois é, ele tem razão. A tese desarmamentista apregoada pelos canhotos beneficia apenas aqueles já com muita grana, capazes de contratar escoltas armadas e afins. Os menos abastados, que eles fingem defender e representar, estão largados às próprias sortes (ou, melhor dizendo, infortúnios).

ps – pois é, aqui no layout do site as “duas linhas” viram quatro (ou mais); um equívoco que só percebemos depois e pelo qual pedimos perdão :P

Na prática, Paschoal defendeu que o armamento vire pauta feminista e, sim, faz sentido

Mais uma vez Janaina Paschoal usou o Twitter para posicionar-se sobre assuntos polêmicos. Por ocasião da onda de violência que atingiu o Espírito Santo, a criminalista trouxe ao centro do debate um tema bem complexo: o armamento de mulheres.

Em resumo, Paschoal acredita que, se a liberação de porte de armas é complicada por causa da imprudência masculina, ela deveria ser repensada para as mulheres, donas de um senso de responsabilidade mais apurado. Eis alguns dos tweets da autora do impeachment de Dilma Rousseff:

Sabe o pior? Faz sentido. Na história da humanidade, as armas serviram para que pessoas justas contivessem a sede dos injustos. Basta imaginar que, sem armas para se defenderem, uma nação minúscula como Israel já teria sido vítima do genocídio tão desejado por seus vizinhos.

Hoje, características físicas fazem com que homens possam, mesmo desarmados, serem ameaças às vidas de mulheres inocentes. No noticiário policial, não faltam histórias de mulheres que foram vítimas de estupro ou assassinato da parte de criminosos que tinham por armamento apenas o porte físico.

O mesmo não aconteceria se estas vítimas estivessem armadas e pudessem conter a insanidade dos assassinos e estupradores. E, ainda que você tenha algum problema com pólvora e tema que o uso de uma pistola possa fazer com que o tiro saia pela culatra, saiba que não são as únicas armas em questão: a lei brasileira vem dificultando o acesso até mesmo a armas de incapacitação, como spray de pimenta e armas de choque, como tasers.

Se o feminismo de fato se interessa pela defesa das mulheres, passará a debater com mais calma o assunto. É uma opção a se cogitar e, se for o caso, lutar por ela.

Por que a esquerda adora criminosos e faz questão que você não possa se defender deles?

O estatuto do desarmamento, forçado goela abaixo dos brasileiros que votaram no referendo rechaçando a proposta, vigora há quase 15 anos. Nossa Constituição – usada como subterfúgio exegético para toda sorte de discurso que alivia as consequências da prática criminosa – já vai um pouco mais velha, com quase o dobro da idade. Há um paralelo entre as duas coisas, que trafega pelo fio condutor da tragédia legiferante brasileira. Poderíamos chamar de “boa intenção” a dos constituintes quando criaram um documento pensando nos mínimos detalhes do funcionamento do país – desde a manutenção do Colégio Pedro II na “esfera federal” até os vencimentos e vantagens funcionais da magistratura e do ministério público, passando por uma detalhada lista de “direitos sociais” e declarações principiológicas que viraram verdadeiros coringas na manga dos aplicadores e intérpretes da lei. O texto final da CF, vale lembrar, foi “editado” por ninguém menos que Nelson Jobim – jurista que já foi ministro da defesa e integrou o STF – na calada da noite, depois do texto final aprovado. A história pode ser conferida aqui.

Mas não há apenas a “boa intenção”: havia as expectativas de um país sendo redemocratizado, as pressões de grupos organizados e de partidos recém-inaugurados como o PT, que votou contra o documento por considerá-lo abaixo de suas expectativas (embora seus integrantes o tenham brandido sempre que lhes foi conveniente), e toda sorte de luta intestina. Afinal, era de uma nova constituição que se estava falando – e se o processo político já é o “balcão de negócios” com que estamos habituados para a aprovação de uma simples lei ordinária, o que dizer, então, da lei maior, que vai ditar os rumos do país? Daí que a “constituição cidadã” saiu como saiu: como a fama benigna de cuidar dos seus mas, no fundo, um grande e desajeitado compêndio que, tentando atender a todos, não atende bem a ninguém. A constituição é ruim e envelheceu pior ainda – culpa que não pode ser atribuída apenas aos legisladores constituintes e ao atribulado processo de sua elaboração, mas à falta de tradição constitucional do Brasil. Trocamos de constituição como trocamos o óleo do carro, e é evidente que não há meio disso se tornar uma história de sucesso – exceto quando se trata de literalmente trocar o óleo do motor, claro (consulte o manual do fabricante etc.)

Essa “boa intenção”, como qualquer observador atento já notou, foi sequestrada e se tornou monopólio discursivo da esquerda: fazer as coisas “pelo bem dos pobres”, “pelos trabalhadores”, “para erradicar a fome” e tantas outras missões virtuosas que, se você ligar a tecla SAP num convescote esquerdista, vai ouvir que “só quem é de esquerda pode fazer o bem”. Nessa semana mesmo, Maria do Rosário disse que só existe democracia quando a esquerda está no poder:

O discurso “bonzinho” da esquerda, é claro, é um artifício feito para enganar incautos – coisa que mais de 100 milhões deles descobriram de maneira definitiva. E é sobre “consequências definitivas” que a esquerda mais gosta de discorrer enquanto fantasia sua retórica sedenta por sangue derramado de virtude e boa intenção – o que tem um impacto especialmente notável quanto aplicado a dois dos campos mais férteis para inoculação revolucionária: o direito penal e a política pública sobre armas de fogo. A infiltração do pensamento revolucionário nesses dois ramos de atuação estatal é tamanha que órgãos normalmente associados ao anti-comunismo, como o Exército, estão servindo a agenda da esquerda com devoção canina – e disfarçada de “legalismo” e da mesma “boa intenção” que dá o tom geral do discurso desarmamentista. O bravo Benedito Gomes Barbosa Jr., fundador do Movimento Viva Brasil e lutador quase solitário pelo direito de autodefesa, habitualmente mapeia e denuncia tais absurdos.

No direito penal a coisa não é diferente: sob a fantasia de proteção aos “direitos humanos”, da “ressocialização” de pessoas capazes de estuprar e matar crianças impúberes e jogar futebol e fazer churrasco com partes de cadáveres recém-mutilados, e de um difuso “legalismo” fundado nas mais amalucadas interpretações da constituição, a agenda esquerdista é zelosamente cumprida por juízes e desembargadores que se filiam às mais exóticas correntes de pensamento jurídico “abolicionistas” e “garantistas”, e se organizam em grupos que quase sempre se intitulam “pela democracia”, “pela liberdade” ou outra buzzword boazinha e benigna. Sobre armas de fogo, vejamos o que propõe um dos espécimes de esquerdista mais “puro sangue” em atividade pública no Brasil:

PROPOSTAS PARA COMBATERMOS O TRÁFICO DE ARMASA quantidade de fuzis apreendidos pela polícia bateu recorde em 2016,…

Posted by Marcelo Freixo on Tuesday, January 24, 2017

É isso mesmo que você leu: para a esquerda, as fronteiras do Brasil “não são o maior problema” – mesmo a polícia, envolvida no combate diário a criminosos armados com fuzis ilegais e contrabandeados afirme o contrário. E o que ela propõe? Que a fiscalização de lojas de armas e de colecionadores seja ainda mais rigorosa do que já é, pois seria deles a culpa pela circulação de armas entre os criminosos. Mas será que Freixo não assiste o noticiário e entende tão pouco sobre armas de fogo que é incapaz de reconhecer os modelos mais seguidamente apreendidos pela polícia? Se ele é tão ignorante assim sobre o assunto, não deveria capitanear uma CPI sobre ele, não é mesmo? Em tempo: o Brasil fabrica apenas os fuzis utilizados pelo Exército, e a esmagadora maioria das armas apreendidas de traficantes e quadrilhas de assalto a bancos e carros fortes é de fuzis americanos e europeus (modelos AR-15 e AK-47 são os mais abundantes).

Mas não, de burro Freixo nada tem – servir a causa socialista é o que lhe move. Aperte a tecla SAP e o discurso dele vai sair em português claro: “não queremos desarmar o que vocês chamam de criminosos porque eles, na verdade, são os revolucionários 2.0. A era do proletariado acabou. O integrante do PCC, da FDN, do CV e até os que atuam independentemente são o novo soldado da revolução. Ele deve continuar armado. Vocês, não”. Eventualmente, um esquerdista “dá defeito” e aperta a tecla SAP sem querer.

O sonho molhado da esquerda é ver a sociedade inteiramente à mercê dos novos soldados revolucionários – o que ele não quer é que o criminoso tenha que pensar duas vezes ou temer o cidadão. Para toda a corriola desarmamentista, esse é o caminho mais rápido para nossa servidão: o trabalhador que sai de casa sem saber se volta tende a se preocupar menos com o governo e seus desmandos e mais com prestar atenção para entrar e sair de casa, desembarcar do carro, ir ao banco e não morrer nas mãos de alguém mais ávido por fazer uma “expropriação” de seu dinheiro. O bandido, de outro lado, se passar a ter o que temer – a possibilidade de um cidadão armado e treinado para reagir e se defender, por exemplo – perde seu valor revolucionário. Com que você acha que Freixo e o resto da esquerda estão preocupados? Releia a postagem do político carioca. Procure saber o que pensa o juiz amazonense que negociou o fim da rebelião prisional (dica: ele defende, em livro, que a pena de prisão é inconstitucional) e saiba que, longe de ser uma exceção, ele representa um pensamento dos mais comuns e recorrentes nas faculdades de direito e, pior, na própria magistratura – onde a autoridade produz resultados desastrosos e imediatos quando posto a serviço da ideologia.

Não é preciso ser Bidu para perceber que a preocupação dessa gente não é proteger quem trabalha e cumpre as leis de seus predadores – mas de proteger o predador como se ele fosse uma rara espécie em extinção, e nós, o seu alimento.

Se defenda, se puder.

Thiago Pacheco é advogado, pós graduado em Processo Civil e formado em jornalismo. Escreve no Implicante às quintas-feiras.

A Uber puniu o PM que em legítima defesa matou os bandidos que tentaram assaltá-lo

A crise chegou para todos e o brasileiro vai se virando como pode. Aqui no Implicante, toda forma honesta de renda extra é estimulada, e o serviço oferecida pela Uber foi um dos mais defendidos como uma boa alternativa. No entanto, a postura assumida pela empresa recentemente é extremamente questionável.

Porque um policial militar achou por bem aproveitar suas horas vagas para completar a renda oferecendo carona pelo Uber. Ao cumprir uma rota solicitada na Zona Leste de São Paulo, foi surpreendido com uma arma na nuca. Sim, os três passageiros tentavam assaltá-lo. Contudo, o PM reagiu e, em legítima defesa, matou os três assaltantes.

O que fez a Uber? Puniu o motorista excluindo-o do serviço. Na nota publicada na imprensa, saiu o seguinte destaque:

“Durante uma viagem solicitada por meio do aplicativo, a Uber proíbe o porte de armas de fogo de qualquer natureza a bordo do veículo, tanto para motoristas parceiros quanto para usuários. Qualquer pessoa que viole esta proibição perderá o acesso à plataforma da Uber.”

O Implicante torce para que a marca também lembre de punir os passageiros que solicitaram a viagem e puseram uma arma na nuca do motorista.

Após atentando em Orlando, a militância LGBT passou a se armar nos EUA

Um dos maiores malefícios legados pela esquerda às minorias que jura defender é a anexação de causas a problema que já seriam suficientemente graves sozinhos. Por que, por exemplo, grupos que sofrem todo tipo de preconceito iriam preferir andar desarmados e se submeterem à violência daqueles que discordam até mesmo de suas existências?

Após o atentado de Orlando, a coisa começou a mudar nos Estados Unidos. O Pink Pistols é um – para usar o termo que a esquerda curte – coletivo voltado à defesa armada da causa LGBT. Desde aquele trágico 12 de junho, ou seja, em menos de um mês, a quantidade de membros da entidade cresceu 166%, saltando de 1.500 para 4 mil.

“É muito triste que algo deste tamanho tenha que ter acontecido para que eles percebessem essa necessidade para nossa comunidade”, disse Matt Schlentz, presidente da organização, ao Salt Lake Tribune. Mas a própria origem do Pink Pistols remete a uma série de atos violentos cometidos contra homossexuais, em especial, Matthew Shepard, morto no Wyoming.

Scott Mogilefsky, presidente do Stonewall Shooting Sports of Utah, tem uma opinião ainda mais forte:

“Os seguranças deveriam ser armados em todas as boates gays e todos os empregados deveriam fazer um curso defensivo de tiro uma vez por ano. Se você pensa em grupos supremacistas, um bar gay é um alvo fácil. E o atirador sabe disso. É muito fácil.”

Se a esquerda se nega a ir à guerra por eles, eles estão dispostos a irem para a guerra com a direita. E ninguém pode condená-los por isso.