Piada pronta: relator da reforma, deputado do PT defende o fim do cargo de vice-presidente

Na República Federativa do Brasil, o “vice” tem uma função muito simples: trazer alguma estabilidade política aos momentos mais críticos. Se o titular se ausenta, morre ou é cassado, o vice, que foi escolhido pelos mesmos eleitores, assume o posto e dá continuidade aos trabalhos.

E isso vinha sendo respeito na era do voto direto até que o PT achou por bem usar o vice como uma forma de acalmar seus mais ferrenhos críticos. Com isso, em 2002 e 2006, fez uso de José Alencar, um representante do mercado na chapa do Partidos dos Trabalhadores. Em 2010 e 2014, Dilma Rousseff fez ainda pior: colocou no post não só alguém próximo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, como o deputado mais articulado do maior partido do país, o que lhe garantiria uma boa base para governar.

Pois bem… Hoje, Michel Temer preside o Brasil após a queda de Dilma Rousseff. E o Congresso planeja uma reforma política. O relatório caiu no colo de Vicente Cândido, do PT. E uma das coisas que ele defende é o fim da figura do vice.

“Por que manter um indivíduo na expectativa, assessor, segurança, carro, gasolina? E o vice tem tendência para conspirar. Isso é indefensável. O país deve ter em torno de uns 15 mil cargos em torno dos vices.”

Se a proposta do petista passar, qualquer “falta” presidencial cairia no colo do Presidente da Câmara, que teria 90 dias para convocar eleições diretas.

Apesar de a piada soar ótima, não chega a ser uma ideia ruim. Afinal, neste modelo, o petismo perderá mais uma ferramenta para comprar tempo de TV e apoio político. Ou ainda enganar os próprios críticos jogando no cargo alguém próximo do setor adversário.

De quebra, ainda rolará uma certa economia com a manutenção do Palácio do Jaburu.

É mole? Só a reforma do Teatro Nacional de Brasília está orçada em R$ 210 milhões

O Teatro Nacional de Brasília está fechado desde 2013. Mas o governo do Distrito Federal apresentou uma proposta de reforma ao Ministério da Cultura. O custo: R$ 210 milhões.

O Implicante vai escrever por extenso para que não restem dúvidas: duzentos e dez milhões de reais.

Sim, é muita grana. Há alguns anos, o Jornal de Fato calculou em R$ 62 milhões o investimento para levantar um hospital e mantê-lo em funcionamento por um ano atendendo 600 pacientes por dia.

Em outras palavras, apenas a reforma do teatro daria para levantar três estruturas hospitalares complexas, mantê-las em funcionamento por um ano e ainda sobrar R$ 24 milhões no caixa.

Projeto do PP quer autonomia para partidos gastarem quase um bilhão do fundo partidário

Cédulas de reais. Foto: Pixabay.

Ciro Nogueira é senador pelo Piauí. Benedito de Lira é senador por Alagoas. Ambos pertencem ao PP, o partido proporcionalmente mais atingido pela Lava Jato. No momento da redação deste texto, quase metade de seus parlamentares (21 de 45) está sob investigação.

Nada disso impede Ciro de ser o autor de um projeto de lei cuja relatoria caiu no colo de Bendito. E o que quer esse PL? Prepare-se: dar plena autonomia aos partidos para distribuírem privadamente os R$ 819 milhões do Fundo Partidário.

Em outras palavras, querem gastar quase um bilhão de reais dos brasileiros sem serem importunados pela população que banca essa farra com o dinheiro público.

A opinião pública precisa ficar em cima para evitar mais esse engodo.

Queima de fogos da Olimpíada findou num prejuízo de R$ 20 milhões para o Maracanã

E a Rio 2016 não para de render prejuízos ao Rio de Janeiro. Nem as queimas de fogos da abertura e encerramento do evento deram trégua. A cobertura do Maracanã havia sido preparada para resistir 35 anos. Mas o maquinário instalado para o show pirotécnico findou danificando a estrutura, reduzindo sua vida útil em 25 anos.

Com isso, uma reforma precisará ser feita para corrigir o problema. Custo? Prepara: R$ 20 milhões.

Segundo o Globo, a conta será paga pela empresa que assumir a gestão do estádio. Mas as leis de mercado dizem que, na verdade, esse custo será inteiramente repassado a quem frequentar o espaço.

Ou seja, o carioca.

Um único deputado do PT possui 100 servidores na assembleia legislativa de São Paulo

Desde 2003, a Assembleia Legislativa de São Paulo tem um benefício bizarro: o ex-presidente, ex-1º secretário e o ex-2º secretário da Mesa Diretora podem manter gabinetes extras ativos por até dois anos após a conclusão do mandato. Isso, claro, findaria em anomalias, todas custeadas com dinheiro do contribuinte.

A principal atinge Enio Tatto, do PT. Ele é ex-primeiro secretário. Mas continua no cargo, o que faz dele o atual. A bizarrice é tamanha que o deputado soma ambos os benefícios aos servidores que já possui. E chega ao absurdo número de 100 assessores.

Edmir Chedid, do DEM, vive anomalia semelhante, mas referente ao posto de 2º secretário da mesa, totalizando 81 assessores.

É inacreditável que o sistema permita isso.

Enquanto você sofria com a crise, o Congresso torrava R$ 200 milhões com verba indenizatória

O ano de 2016 não foi fácil para ninguém. Com o país em recessão profunda, o brasileiro precisou apertar o cinto. Mas, para alguns privilegiados, a história foi um pouco diferente. Afinal, podiam usar e abusar de recursos públicos como, por exemplo, verba indenizatória.

A CBN foi aos números. E descobriu que os parlamentares brasileiros consumiram R$ 200 milhões só no ano passado. Quase um quarto dessa quantia foi usada apenas com divulgação do próprio mandato.

O recordista foi Wladimir Costa, deputado pelo Solidariedade, que sozinho consumiu R$ 356 mil só no segundo semestre. Mas a farra foi geral, não escapou nem aos líderes das siglas.

O Implicante gostaria, inclusive, de lembrar que foi justo no segundo semestre que ocorreu a última campanha eleitoral. E acha que o TSE tem a obrigação de cruzar as informações para conferir se nada de errado foi feito com tanta grana.

Sindicato dos Médicos do Ceará lançou campanha contra réveillon pago com dinheiro público

Acabou a paciência do Sindicato dos Médicos do Ceará. Com salários atrasados desde outubro, resolveu lançar uma campanha contra as prioridades do poder público, que não tem verba para arcar com as necessidades da saúde da população, mas prepara uma festa de réveillon com artistas de renome nacional, como Cláudia Leitte, Jorge & Mateus e Simone & Simaria.

No comunicado, eles deixam claro que não são contra o trabalho dos artistas em questão, mas defendem que eventos de tal magnitude tivessem os custos bancados pela mesma iniciativa privada que irá se beneficiar dele, no caso, o setor turístico de Fortaleza.

Eles têm um ótimo ponto. Em crise, a prioridade deveria ser dada às necessidades mais básicas da população.

E no RJ? Onde o auxílio-creche foi ampliado para “crianças” com até 24 anos de idade?

Cédulas de reais. Foto: Pixabay.

Essa é daquelas que só no Brasil mesmo. Os procuradores do estado do Rio de Janeiro recebem um “auxílio creche” no valor de R$ 900,00 para cada filho entre 6 meses e 6 anos de idade. Já caberia a discussão sobre o benefício, ainda que o texto limite a três dependentes a graça com o dinheiro público. Mas, três dias antes de se aposentar, a procuradora-geral do Estado ampliou a janela de uso até os 24 anos do dependente.

Isso mesmo. Auxílio creche para “crianças” com 24 anos de idade.

Eles tentam justificar o benefício como um investimento em educação, portanto, poderia ser esticado até a vida adulta dos pimpolhos. Mas, após o barulho causado, o atual procurador-geral do Estado disse que o ajuste será revogado.

Porque viram que não faz sentido um auxílio-creche beneficiar adultos com 24 anos de idade? Não. Por causa da recessão mesmo.

Como dito lá no início, só no Brasil mesmo.

Nas grandes cidades, o voto “mais caro” foi dado a um comunista – que findou derrotado

“Custo de voto” é uma expressão mais utilizada nos bastidores do que no noticiário político. Soa feio, mas não representa (necessariamente) uma ilegalidade. É o resultado da divisão dos gastos de um candidato pela total de votos recebidos por ele. Pela lógica, os melhores resultados são justamente os mais baixos.

Fernando Rodrigues fez as contas a respeito do “custo de voto” dos candidatos nas cidades com mais de 200 mil eleitores. Dentre os vencedores, o melhor resultado foi obtido pelo democrata Gilson de Souza, prefeito de Franca, São Paulo. Ele gastou apenas R$ 0,44 por cada voto recebido.

O pior número pertence a Carlin Moura, candidato a prefeito de Contagem, Minas Gerais, pelo PCdoB. Ele queimou R$ 21,41 por cada voto que recebeu. Tudo isso para não se eleger.

Para completar, está devendo R$ 1,4 milhão. Buscava a reeleição.

Mordomias sem fim: mesmo cassada, Dilma terá servidores que custarão R$ 646 mil/ano ao país

Mesmo cassada pelo processo de impeachment, Dilma Rousseff terá direito a oito servidores DAS (Direção e Assessoramento Superior). E eles não serão baratos. Só em salários, dois destes funcionários custarão R$ 11.235,00 cada um. Outros dois receberão R$ 8.554,00. Os quatro últimos receberão entre R$ 2.227,00 e R$ 2.837,00.

Ao final de um ano, o povo brasileiro gastará R$ 646.178,00 nessa mordomia. Repetindo: só em salários. E em benefício da gestora que arruinou a economia brasileira, devolvendo o país com 12 milhões de desempregados.

Se há algum consolo em meio a isso tudo, pelo menos a lei está sendo seguida, coisa que o Partido dos Trabalhadores não costumava levar a sério quando no poder.

Mas bem que essa lei poderia ser revista.