O isolamento político de Dilma Rousseff nos dias de Congresso do PT em Brasília

O poder atrai toda sorte (e má-sorte) de “amigos”, “aliados” e demais puxadores de saco. Tão logo se perde o poder, tais asseclas também desaparecem. É uma característica humana, global… idêntica em qualquer país, estado, cidade, bairro, rua ou condomínio.

Não seria diferente, portanto, com Dilma Rousseff.

Segundo relata a Coluna do Estadão, a ex-Presidente da República chegou a passar um dia inteiro sem receber visita alguma, de qualquer político. Nem mesmo os de seu partido fizeram algum tipo de comitiva para tentar reforçar a narrativa do “golpe”.

Tal isolamento, aliás, pode também decorrer do fato de que agora as atenções se voltam a outro nome, que precisa ser enaltecido e defendido por conta de demandas mais urgentes. Mais uma vez, nada de novo aí.

Análise: entenda por que a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE seria uma desgraça para o PT

É um grande – e até ingênuo – engano supor que, para a cúpula do PT, a cassação da chapa Dilma-Temer seria um bom negócio. Trata-se do oposto, em que pesem as manifestações de parte da militância também por ingenuidade (note que os mais pragmáticos nem tocam no assunto).

Mas por quê? Três razões bem óbvias explicam isso.

1 – Demoliria a Narrativa do Golpe

A principal e mais forte narrativa do petismo é dizer que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe. Tudo se baseia nisso, tudo deriva disso, tudo DEPENDE disso. Desde os ataques à Lava Jato até explicações sobre detalhes quase inócuos em circunstâncias paralelas.

Se o TSE cassar a chapa pelo TSE, será um atestado judicial definitivo de que a eleição ocorreu em circunstâncias ilegais. Ou seja: foi uma eleição inválida, ilícita. Ou seja, novamente: o afastamento da presidente jamais seria golpe, mesmo com os argumentos toscos daqueles hoje defendem isso. Uma chapa eleita de forma ilegal não tem legitimidade alguma e, desta feita, a saída do poder jamais seria golpismo, ainda que ocorresse com um trator, pé de cabra, alavanca ou serenata com sambas e pagodes da pesada.

2 – Na prática, não ajudaria em nada

Não haverá eleição direta (pauta de parte do PT) e, com a escolha indireta, o partido pode ser atropelado nas duas Casas. A menos que tope participar de eventual acordo, no qual teria de fazer forte concessões. Assim, em qualquer cenário, a queda de Temer não implicaria na subida da atual oposição ao poder, mas sim à condução de alguém indicado pelos que hoje já estão no comando.

Tudo isso, repita-se, com o estrago moral de uma decisão que atestaria como ilegal e ilegítima a vitória de Dilma em 2014.

3 – Permitiria reação

Este ponto é menos óbvio, mas não menos provável. Em artigo recente, Igor Gielow escreveu na Folha de SP que um dirigente petista era contra aprovar as reformas simplesmente porque, com elas, o Governo Temer correria o risco de “dar certo”. O ponto é esse.

A saída de Temer criaria “ambiente de urgência” para que um “pacto” fosse firmado em prol das reformas. Os parlamentares sofreriam menos pressão individual da opinião pública e talvez tudo seria aprovado com ainda mais rapidez. O governo tampão, portanto, teria ainda mais chance de “dar certo”, pavimentando candidaturas a ele atreladas e inviabilizando aquelas a que ele se opuseram.

Portanto

Torcer pela derrota da chapa Dilma-Temer no TSE é coisa de militante ingênuo. Sim, ainda há alguns.

Herança dos governos de Lula e Dilma Rousseff: maior perda de PIB dos últimos 120 anos

Sem citar nominalmente os dois presidentes petistas, Lula e Dilma Rousseff, o economista Samuel Pessoa tratou da recente perda do PIB per capita no país (o índice só veio a recuperar-se no primeiro trimestre de 2017). E os números apresentados pelo estudioso impressionam: trata-se da maior perda dos últimos 120 anos, segundo informa a Veja.

Sobre a redução total de 10%, comparado ao PIB de 2013, ele diz mais:

“Tudo indica que se tivéssemos dados, poderíamos retroagir para o período da Regência, que foi extremamente difícil. Ao final de 217, vai ser 10% menor do que em 2013. É o número de um país que passou por uma guerra”

No fim, foi taxativo:

“O governo do PT, a partir da saída do [Antonio] Palocci e da entrada do [Guido] Mantega [no Ministério da Fazenda] trouxe essa política intervencionista, que gerou atraso para o país. A questão não é só de corrupção, mas também de diagnóstico, de ideologia”

As colocações de Pessoa, economista da IBRE/FGV, ocorreram no fórum “A Revolução do Novo – A Transformação do Mundo”, realizado pelas revistas Veja e Exame.

Em tempo, as coisas no mundo eram diferentes há 120 anos. E 1897 não foi um desastre completo, pois, segundo informa a Wikipedia, foi quando nasceu Pixinguinha, William Faulkner, Brahms e Di Cavalcanti – entre outros.

Complicou: banco suíço denuncia contas da JBS/Friboi atribuídas a Lula e Dilma Rousseff

Enquanto os petistas ainda comemoravam as delações dos executivos da JBS, que complicavam a situação de adversários, Joesley Batista falava sobre uma conta, mantida na Suíça para benefício de Lula e Dilma Rousseff, com valor de US$ 150 milhões em 2014 (valor total em reais no câmbio de hoje: cerca R$ 492 milhões).

Os ex-presidentes negaram. Ok.

Mas agora, segundo informa o Estadão, o tal banco suíço denunciou as contas para autoridades por suspeitas de crimes financeiros, considerando os valores movimentados. E quem conta isso é o próprio Joesley.

Agora, a PGR espera que as informações sejam enviadas ao Brasil. Pois é.

Memória: Dilma Rousseff defendeu-se usando a AGU, Temer contrata advogado particular

No processo de impeachment que afinal levou-lhe o mandato, Dilma Rousseff defendeu-se usando a AGU (Advocacia Geral da União), cujo titular era José Eduardo Cardozo (foto). Na época, isso causou polêmica e, mesmo depois de sua saída, o procedimento foi questionado.

Michel Temer, por sua vez, contratou advogado particular para defender-se no STF.

Evidentemente, numa democracia – como a nossa -, todos têm direito à mais ampla defesa. Mas é importante registrar essa diferença.

Sócio da JBS/Friboi diz que Dilma Rousseff pediu R$ 30 milhões para campanha de Pimentel

Como falamos há pouco, foi precipitado que petistas comemorassem a delação dos sócios da JBS/Friboi. Afinal, além de o episódio acabar com a narrativa da perseguição, o próprio PT também é citado. E há menção direta a Dilma Rousseff.

Segundo delação dos donos da companhia, a ex-presidente pediu R$ 30 milhões para a campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais.

O jeito é aguardar qual malabarismo será adotado para dizer que só uma parte seria verdade.

Jair Bolsonaro pede ao STM acesso aos processos de Dilma Rousseff da época de guerrilha

Nesta semana, uma história antiga sobre Jair Bolsonaro foi novamente trazida à baila. Ele teria praticado atos de indisciplina, ou algo assim. É coisa de 34 anos atrás e ele próprio não deu muita bola.

Agora, porém, ele pediu ao Superior Tribunal Militar acesso a todos os processos envolvendo Dilma Rousseff, que participou do grupo guerrilheiro VPR – coincidentemente, falamos disso hoje mais cedo. A informação é de O Antagonista, que também divulgou a imagem abaixo:

Pois é, aguardemos. Mas, pela lei, o STM deve liberar o acesso.

Amigos de Dilma Rousseff acreditam que ela possa ter usado email para falar com marqueteira

Segundo informa a colunista Monica Bergamo, da Folha de SP, amigos de Dilma Rousseff acreditam que ela possa mesmo ter usado um email ‘secreto’ para falar com a marqueteira Mônica Moura. Mas não apostam na possibilidade de que a ex-presidente tenha avisado sobre prisão.

Isso dá uma pista de que tese pode ser adotada.

Como o sistema registra todos os acessos, vai ficar impossível negar se houver uma perícia confirmando a alegação de Mônica. A saída, portanto, seria essa: dizer que usava o email, mas que não cometeu crime algum.

Resta saber se dará certo.

Complicou para Dilma Rousseff: marqueteiros registraram as mensagens de email em cartório

Uma narrativa falaciosa que vem sendo mantida há tempos é a ideia de que denúncias e acusações seriam todas desprovidas de provas. Claro que não é bem assim, obviamente ninguém instruiria ações gigantescas sem um bom conjunto probatório. E mais: delatar sem provar, ou falando mentira, é mil vezes pior.

João Santana e Monica Moura, porém, vão além nesse pormenor. Não é que juntaram evidências, mas sim REGISTRARAM EM CARTÓRIO. Isso mesmo.

Como se sabe, eles disseram que se comunicavam com Dilma Rousseff por um email “secreto”, e as mensagens não eram enviadas. Ficavam no rascunho, liam, apagavam e assim por diante. Então, o quer fizeram? Segundo o jornal O Globo, registraram o histórico de acessos e também as “mensagens”.

Vejam trecho da reportagem:

“ADVOGADOS REGISTRARAM EXISTÊNCIA DO E-MAIL EM CARTÓRIO – Para dar veracidade às acusações, advogados do casal fizeram um registro em cartório em maio de 2016 sobre a existência do e-mail e da mensagem que teria sido enviada por Dilma ao casal. Nessa data, os dois ainda estavam presos em Curitiba (PR). Mônica anexou ainda anotações em sua agenda sobre o e-mail e também um histórico de acesso ao e-mail que contém como locais de acesso ‘Alvorada’ e ‘Presidência'”

Se isso for mesmo verdade, a situação de Dilma está muito complicada, pois os delatores afirmam que foram avisados da própria prisão, o que leva as coisas a patamar ainda mais grave.

Atualização: perfil do jornal Estadão publicou o seguinte

Lava Jato: em delação, marqueteira disse que Dilma Rousseff era “um poste pra eleger”

Sempre que uma delação premiada deixa de ser sigilosa, os vídeos vêm à tona e passamos a conhecer vários detalhes até então obscuros. Isso vale para as coisas sérias, mas também para aquelas meramente folclóricas. Este é um dos momentos pertencentes ao segundo caso.

Aí vai o trecho:

“Numa campanha, por exemplo, como a da Dilma, de 2010, dificílima, todo mundo apostava que ia perder. Era impossÍvel, era um poste pra eleger. O João nãoo aceitava que, por exemplo, ficassem 10, 12 pessoas do PT dando opinião no programa [eleitoral]. A nossa parte era o marketing. TV, rádio, música, jingle. O João não permitia, colocava no início, como cláusula: ‘eu não aceito que fique aqui um conglomerado de gente do PT, todo mundo dando opinião”

De fato, Dilma era mesmo uma quase desconhecida, sem simpatia alguma e zero experiência em eleições. Ainda assim, Lula gozava de popularidade recorde, a política econômica ainda não tinha cobrado sua conta e, claro, não era exatamente uma campanha sem recursos.

Apesar de tudo isso, certamente foi importante que ninguém tenha dado pitaco. João Santana sabe o que faz.