Datafolha: o povo estaria apoiando mais as ideias “esquerdistas”? Não é bem assim…

Segundo se comenta sobre o levantamento do Datafolha divulgado hoje, a esquerda teria recuperado forças junto à opinião pública, mas é claro que as coisas não são bem assim. A própria manchete, aliás, é construída de maneira curiosa:

“Cresce apoio a ideias próximas à esquerda, aponta Datafolha”

Ideias próximas? Como assim? E quais seriam? É aí que tudo vai pro campo da pura e simples subjetividade. Vejamos.

Aponta-se como “de direita” a ideia de que a pobreza deriva da vagabundagem, cravando-se aí uma caricatura, no melhor estilo “espantalho”. Não, a “direita” não pensa assim; por mais que algumas pessoas, de diversas correntes, possam pensar dessa forma.

O mesmo vale para a homossexualidade. Assim, genericamente, não faz o menor sentido. Há setores da direita, é fato, contrários à distribuição de kits em escolas – e a pergunta, se fosse específica quanto a isso, traria mais luz sobre o tema. De mais a mais, basta apontar as regiões/países/grupos que de fato massacram os homossexuais e constatar se é a “direita” que os endossa e/ou relativiza.

Também há exagero ao falar da pena de morte. Um resultado menos genérico viria da escolha entre aumento de pena ou artesanato. E poderiam pormenorizar citando a diminuição da maioridade penal. Nesses dois pontos, esquerda e direita divergem de maneira bem objetiva.

E assim vão algumas outras questões, com ausência sentida para o aborto, embora se fale em religião – e tal item siga fortíssimo junto ao povo.

Enfim

Considerando os temas usados como base pela pesquisa, não é possível constatar que a esquerda tenha ganhado terreno. Por outro lado, a Fundação Perseu Abramo, do PT, fez levantamento bem específico e detalhado na periferia de São Paulo e chegou a resultados muito diferentes. Sim, o povo é conservador e, mesmo na economia, tem guinado à direita.

Lamentável realidade da nossa política: enquanto a esquerda se une, a direita se estapeia

Em primeiro lugar, mais uma vez reiteramos nosso compromisso em JAMAIS dar voz a qualquer campanha que vise atacar expoentes da nossa nova direita, ou aqueles genericamente nomeados-apontados como dela integrantes. Esse tipo de coisa, por óbvio, atende apenas ao interesse do esquerdismo e, desse modo, o oposto de tudo que acreditamos.

Mas adiante.

Por essência, e quanto a isso, esquerda e direita diferem totalmente na forma de agir e até existir. O esquerdismo é estrategista, “os fins justificam os meios”, buscam a ocupação de espaços e assim por diante. A direita, por sua vez, parece não preocupar-se com a ocupação de espaços nem com o pensamento estratégico e, o que é virtuoso, não tolera faz concessão à máxima maquiavélica de fins e meios. O inevitável resultado são as constantes e (talvez eternas) brigas “internas” (as aspas são porque uma parte beligerante nunca considera a adversária como integrante do que acredita ser o direitismo).

O problema nisso é que, por enquanto, o domínio é da esquerda. Por mais que estejam enfrentando difícil fase no processo político-eleitoral, a hegemonia na cultura é gritante. Não a “cultura” apenas no sentido de artistas/celebridades, mas também em TODOS os aspectos da vida cultural e de costumes: salas de aula, veículos de comunicação, telejornais, telenovelas etc.

No plano maior, de domínio cultural, um trotskista não considera o stalinista seu pior inimigo; ao contrário, nesse contexto ele é um aliado. E vice-versa, valendo para demais correntes.

De nosso lado, porém, a coisa é diferente. Acabamos deixando em segundo plano o inimigo mais poderoso, a ameaça real imediata, dando vez ao quebra-quebra interno.

Talvez seja a hora de começarmos também a pensar de forma estratégica. Não com base na justificativa dos meios pelo fim, mas pelo fato de que há um inimigo mais poderoso e muito mais organizado, que jamais poderá ser vencido sem que nos unamos de verdade e superemos as divergências menores em nome das convergências preponderantes.

Enquanto a esquerda combate a “islamofobia”, cristãos são massacrados no Oriente Médio

O esquerdismo, como qualquer doutrina baseada puramente em ideário e desprovida de compromisso prático com a realidade, depende demais de nomes, termos, “ressignificações” e coisas do tipo. Para tudo – podem reparar! – criam alguma palavra mágica que imediatamente transforma alguém em monstro, facínora e assim por diante.

A bola da vez, sem dúvida, é a “islamofobia”. Sempre que ocorre algum atentado terrorista de extremistas islâmicos, imediatamente surge algum “especialista” dizendo que é bom tomar cuidado com a aversão a determinados povos e culturas. Sempre. Não falha.

Mas quantos islâmicos são mortos no ocidente pelo fato de serem islâmicos? Pois é. A tal “islamofobia” não produz massacre, bem ao contrário do que ocorre com cristãos no Oriente Médio.

Atualmente, no Egito, a onda persecutória já atinge números de faxina étnica. Houve ataques no início do ano e, agora no final de maio, mais um. Dezenas de cristãos já foram mortos e, para além disso, sofrem todo tipo de perseguição.

A esquerda silencia diante disso, pois acaba com a narrativa de que haveria “islamofobia”. Porém, bastaria conferir o que acontece com quem tenta adotar hábitos ocidentais em países árabes como o Irã ou o Paquistão; a começar com coisas simples como ouvir música, dançar ou manter relação homossexual.

Pois é.

Quem acusa com gravidade a “islamofobia” ocidental e não diz nada sobre o MASSACRE de cristãos no Oriente Médio por óbvio não está preocupado com vidas humanas, liberdades ou coisa do tipo. A única preocupação é com a narrativa ideológica.

Por fim, acerca disso, recomendamos este artigo, do NYT, repercutido no Estadão.

O nazismo era de direita ou de esquerda? Confira a melhor resposta já dada à questão

O Implicante já teve a sorte de contar com Flavio Morgen como colunista. Trata-se de um dos mais completos estudiosos da política, justamente por não ficar apenas na rotina comezinha (como nós aqui sempre fazemos, aliás), analisando aspectos históricos, culturais e filosóficos de questões efetivamente complexas.

Este é um caso. Os debates sobre o “lado” do nazismo são quase sempre realizados na base da torcida. Ganha quem gritar mais alto, restando aos fatos – como é próprio em narrativas – um papel acessório.

Assim, recomendamos com MUITA ÊNFASE que todos ouçam o programa abaixo. Trata-se do “Guten Morgen“, o melhor podcast político do país.

Evidentemente, a bolha esquerdista soltará o famigerado “não ouvi e nem ouvirei” ou “não ouvi e discordo”, variante da frase clássica atribuída a Oswald de Andrade (e também a muitos outros). A parte boa é que essa bolha não representa nem 0,5% da população e, além disso, “nosso lado” não se acanha em buscar todo tipo de informação, de quem quer que seja.

Portanto, OUÇAM:

Revista Época publica ótima reportagem sobre a patrulha cultural esquerdista

Citando recentes casos de perseguição cultural, os jornalistas Sérgio Garcia e Nina Finco elaboraram um excelente artigo sobre a intolerância da esquerda com quem pensa de forma diferente. Dois dos episódios mencionados também foram abordados aqui: o boicote ao documentário “O Jardim das Aflições” e os ataques a Leandro Karnal por postar uma foto com Sergio Moro.

Para além desses, também relatam o autor esquerdista que foi enxovalhado por seus pares, quando descobriram que lançaria um livro tendo Carlos Andreazza como editor. E também um grupo de teatro que ousou satirizar o que seria um partido de esquerda.

Seguem alguns trechos:

“Patrulheiros da cultura – Investidas contra opiniões divergentes na produção cultural evidenciam um traço nocivo da época atual: a intolerância com quem pensa diferente (…) Não é novidade que os profissionais do ramo audiovisual sejam majoritariamente identificados com ideias de esquerda. Porém, surgem outras vozes, que criam um ambiente mais colorido e pluralista na cultura do país (…) O radicalismo que emburrece o país e inviabiliza o diálogo fertiliza o terreno para a livre atuação das patrulhas ideológicas”

O artigo pode ser lido na íntegra por aqui.

Fundações do PT e do PSDB debaterão pesquisa que revela o óbvio: pobres são conservadores

Dias atrás, falamos da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, do PT, que constatou um fato notório (porém sempre refutado pela esquerda): os pobres são conservadores. Ou seja, são de direita. E até mesmo nas questões econômicas e de trabalho.

Acreditam em meritocracia, enaltecem os valores da família, são religiosos etc. Nada de novo, mas agora está documentado.

Diante disso, a fundação petista convocou a Fundação Teotônio Vilela, do PSDB, e o Instituto FHC para um debate acerca disso. Vale ressaltar que tanto a fundação quanto o instituto tucanos concentram boa parte da esquerda do partido.

O esquerdismo nunca fez sucesso na periferia, e agora encontra adversários fortes também onde exercia hegemonia, como na mídia, na classe artística e nas universidades. Natural que surjam movimentos como esse, pois já perceberam de forma nítida que o mundo fora da bolha é muito maior do que o suposto.

Falta à direita essa inteligência estratégica, não só para saber se unir, mas também para constituir fundações, institutos etc. A “guerra” é permanente.

França: pesquisa mostra maioria dos eleitores de 18 a 24 anos votando em Le Pen, da direita

Há alguns dias, falamos aqui sobre a migração dos gays franceses para a direita. A motivação parece bem clara: eles não aderiram ao discurso da esquerda de que seria preciso assimilar os hábitos culturais mais diversos – talvez porque alguns desses hábitos incluem tratar homossexuais como criminosos, em alguns casos com penas pesadas.

Parece que os mais jovens também seguem o mesmo rumo. As teorias vão da taxa de desemprego a também fatores culturais. Mas está de fato apurado em pesquisa: os eleitores de 18 a 24 anos, em sua maioria, indicam votar em Marine Le Pen.

A Wikipedia traz um histórico das principais e mais fiáveis pesquisas eleitorais francesas, e tais resultados constam da última delas, realizada pelo IFOP (aqui, em pdf).

Entre os eleitores mais jovens, considerando os principais candidatos, o quadro está assim: Marine Le Pen, com 34%; Emmanuel Macron (centro-esquerda), 21%; Benoit Hammon (esquerda) 20%, Jean-Luc Mélenchon (esquerda) 13%; e François Fillon (centro-direita) 10%.

A liderança é da direita, mas a juventude francesa ainda vota massivamente no esquerdismo, muito embora o candidato Emmanuel Macron seja um caso à parte, já que, embora egresso do partido socialista, é um investidor do mercado financeiro que se mostra uma espécie de “outsider” da política tradicional – o nome de seu partido (En Marche!) não traz por acaso suas próprias iniciais.

Independentemente das análises de causa-efeito, é impressionante como o desapego da política mais antiquada acontece nos mais variados países. EUA, Inglaterra, França…

De novo, o velho aviso: que ninguém se mostre surpreso no Brasil em 2018.

Já notaram que os especialistas consultados pela imprensa são sempre de esquerda?

Uma das maiores balelas sobre a grande imprensa nacional é a ideia de “pluralidade”. Lorota da braba. O que chamam de “plural” é ter alguém mais pro lado do PT e outro mais pro lado do PSDB. Isso não é pluralismo ideológico, mas sim tática de acomodação de forças partidárias.

Colunistas que se declaram anti-esquerda são minoritários. Há centro-esquerdistas, liberais esquerdistas, canhotos radicais e assim por diante.

Mas a coisa é ainda mais descarada na hora de chamarem algum “especialista”. Porque sempre – sempre! – é alguém do lado vermelho da força. Não falha. E isso independe do tema. Segurança pública? Em vez de um policial, chamam sociólogo. Aborto? Não importa o cargo ou função, o especialista convidado é sempre a favor da legalização. Drogas, idem.

Então, isso deve funcionar, de modo que o povo acaba adotando tais teses, certo? Errado, claro. Todo mundo percebe o truque (sim, a pergunta do título era retórica) e a grande imprensa acaba perdendo cada vez mais sua credibilidade.

Talvez ainda não seja muito tarde para repensarem isso. Mas todos sabemos que não vão repensar nada e continuarão nisso até afundarem de vez.

A margem da oscilação: esquerda contra direita, ou ditadura

Que a política em uma sociedade traz em si a marca da cultura em geral naquele contexto, parece uma verdade segura, clara e até simples. Contudo, pouca atenção é dada às consequências lógicas desta importância fundamental da cultura para a política. Desde esta perspectiva, não existe objetivamente o que se nomeia democracia, estado de direito, constituição ou modelo de governo, em um povo que não compreende o significado e a função prática de conceitos tão básicos, cuja definição é ignorada pela maioria. Ao invés de categorias técnicas, o vocabulário dos debates públicos é convertido em slogans de propaganda, com a finalidade de influenciar a “opinião pública” e seduzir eleitores, mas jamais para descrever e avaliar realidades efetivas. No caso de palavras como esquerda e direita, ocorre a redefinição mais determinante para os rumos da política brasileira. Inicialmente, como produto imediato do trabalho de militância, promoveu-se uma idealização da esquerda e esta absolutamente identificada aos partidos de discurso marxista. Posteriormente, com a noção de esquerda desprestigiada para a população após os anos de governo do PT, e uma direita que surge como reação se auto-definindo pelo combate a tudo que se rotule como “esquerdismo”.

Há certo consenso quanto ao sentido ainda vigente da divisão entre esquerda e direita, de acordo com princípios gerais que guiam a defesa de mais ou de menos funções assumidas pelo estado em uma sociedade. Fatores tradicionais como o abuso que representam impostos pesados para a população já habituada à precariedade dos ineficientes serviços públicos, além dos frequentes escândalos de corrupção, levariam naturalmente a política brasileira a tender ao que se convenciona chamar direita. Porém, deu-se o contrário, graças a uma incansável militância que conseguiu obscurecer a simplicidade do problema, ao mistificar o discurso estatizante e monopolizar a luta que conduz a esta direção.

O êxito marxista foi tamanho que passou despercebido para a grande maioria de cidadãos conservadores que não havia um só partido que atuasse para representá-los. Não se tratava apenas de trapaça para facilitar disputas eleitorais, com o enfraquecimento e até eliminação de seus mais radicais antagonistas. A estratégia tem como ponto de partida a constatação de que ocorre necessariamente uma oscilação entre rumos opostos do estado em função da mudança de partidos que ocupam o governo a cada novo mandato, cada qual com seu viés doutrinário. Sendo assim, tal processo nunca conduz unilateralmente para o destino que um único grupo ideológico ambiciona, mas segue o caminho que resulta dialeticamente da polarização em torno do poder. Só nesse contexto, se compreende a conversão da “social-democracia” em direita, já que uma esquerda moderada está “à direita” dos extremistas revolucionários, ao menos segundo a perspectiva dos próprios marxistas. Nesta direção, os “progressistas” se viram livres para avançar a agenda do Foro de SP, sem qualquer margem para “retrocessos”.

Devastados pela perturbadora estratégia descrita, a maioria dos brasileiros assume, sem qualquer crítica, o monopólio marxista do conceito de esquerda, passando à crença de que a defesa das ideias liberais e conservadoras seriam o antídoto para reverter uma formação cultural e política que nos conduziu a uma utopia socialista tão nociva e perigosa. Não se deram conta que o marxismo não representa um programa de governo alternativo, muito menos um modelo estatizante para administrar a sociedade e tentar oferecer soluções para seus problemas. Isto seria o caso de partidos de uma esquerda verdadeiramente democrática, cujas teses são legítimas num debate político, ainda quando julgadas deficientes e obsoletas, pois não são uma ameaça ao estado de direito.

Ora, se há partidos cuja meta é destruir as instituições do país, para substituí-las por um regime ditatorial, participar de discussões públicas e eleições para combatê-los não é propriamente um exercício democrático. Pelo contrário, consiste em legitimar com o status de adversários políticos àqueles que, sabida e declaradamente, atuam como inimigos da pátria.

Bruno Bertolossi de Carvalho, 34 anos, antropólogo pela Unicamp, atualmente fazendo mestrado em filosofia na Colômbia, Universidade Caldas, pesquisa em cultura política brasileira, influenciada pelas idéias de Antonio Gramsci, além de manter um blog com textos sobre o Brasil, Formação, Filosofia e Teologia. Escreveu para o Implicante na condição de autor convidado. Se você gostaria de publicar algum texto seu aqui nesta seção, clique aqui e siga as instruções.

Esquerda “boicota” New Balance e Miller; então o Implicante apoia New Balance e Miller

A cada empresa que a esquerda “boicotar” por questões meramente político-partidárias, o Implicante fará um post em homenagem a ela, recomendando-a aos leitores. Como a ideia dessa turma é aterrorizar uma marca para que nunca apoie nada anti-esquerda, então mostraremos que há MUITA gente concordando com tais apoios.

Isso porque, já falamos aqui, a direita não é tão boa assim em boicote – a nossa, por exemplo, não tem qualquer experiência nisso. E também apostamos que, quando começar algum boicote a empresa que fizer “esquerdice”, serão os canhotos os primeiros a dizer que se trata de “censura” ou algo “autoritário”.

Por ora, porém, manifestamos nosso apoio expresso à New Balance e à cervejaria Miller (aliás, a Inbev comprou a SAB-Miller, de modo que o esquerdista terá mesmo muito trabalho para conciliar esse boicote com a vontade de tomar uma cervejinha).

Mas como a esquerda sabe muito bem ser contraditória, não iriam começar agora a ter preocupação com isso, não é mesmo?

Enfim, todo nosso apoio à New Balance e à cervejaria Miller.

ps – sempre bom lembrar que bebidas alcoólicas são destinadas apenas a pessoas adultas e, por óbvio, este não é um post publicitário, mas sim um apoio ideológico às empresas que estão sob ataque da esquerda