A receita para censurar usando o “discurso de ódio” como desculpa

Garota exigindo silêncio.

Melissa Chen é uma cientista de Singapura que faz pesquisas com genoma humano. Não é famosa. Está sendo citada aqui apenas por que, no Twitter, conseguiu sintetizar a lógica que vem tolhendo a liberdade de expressão no mundo – sempre com a desculpa de que é encampada uma luta contra um suposto “discurso de ódio”.

A receita, de acordo com Chen, possui apenas três etapas:

  1. Diga que apoia a liberdade de expressão desde que não haja “discurso de ódio”;
  2. Defina tudo o que se opõe ao que você diz como “discurso de ódio”;
  3. Previna-se da dissonância cognitiva;

Dissonância cognitiva é o que ocorre quando há incoerência entre o que se defende ser certo e o que de se faz.

Não à toa, o Escola Sem Partido lutou e conseguiu evitar que os “diretos humanos” fossem usados como filtro para zerar provas do ENEM. Em jogo está uma luta para que certos temas não sejam nem sequer discutidos.

E “carimbar” de “discurso de ódio” é apenas uma forma mais fácil de rotular a campanha. Afinal, quem seria a favor de “discurso de ódio”?

Discurso de ódio, fake news, direitos humanos… Desculpas esquerdistas para te censurarem

Com o objetivo de combater o que a imprensa chama de “discurso de ódio”, o Twitter promete aprimorar as ferramentas para banir usuários que estariam usando a rede social para “prevalentes e danosas formas de comportamento”. Uma das ideias é o sistema marcar como de “baixa qualidade” alguns conteúdos e evitar que se propaguem com a mesma velocidade dos demais.

Mas quem define o que teria alta e baixa qualidade? No Facebook, ex-funcionários já vieram a público confessar que um experimento semelhante calou deliberadamente conteúdo conservador. E é esta a sensação que se tem também no Twitter.

Porque, desde sempre, ofensas correm soltas naqueles poucos 140 caracteres. Contudo, o interesse em conter o avanço de opiniões incômodas só despontou quando estas opiniões pendiam para o lado direito.

Fato é que certas expressões estão sendo usadas como desculpa para censurar quem fala o que não agrada a esquerda. Ou tacham de “discurso de ódio”, ou de “fake news”. Quando é para a coisa ficar mais oficial, como no caso do ENEM, obrigam milhões de estudantes a escreverem em acordo com os “direitos humanos”, como se aquelas ideias não fossem desde sempre questionadas em qualquer meio científico minimamente sério.

Não, o Brasil não mais enfrenta uma censura oficial. Mas o brasileiro vem sendo cada vez mais censurado. Por um discurso contrário à mera discordância. E que disfarça sua sede por calar os adversário sob um véu de bondade, que alega defender a verdade, a humanidade ou ainda combater o ódio. Tudo isso, claro, fazendo pouco caso da liberdade de expressão, a primeira liberdade da qual todo indivíduo usufrui. Isso é um erro. Que precisa ser corrigido.