Dirceu solta rojões. Hora de FINALMENTE entender o que foi o mensalão

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Encerrou-se hoje uma das últimas rodadas de votação no Supremo do maior escândalo de corrupção da história, o mensalão. O placar a favor dos mensaleiros é acachapante: 4 x 2, a essa altura uma goleada.

Ficaram a favor dos mensaleiros Barroso, Teori, Rosa Weber e Toffoli. Contra, Joaquim Barbosa e Luiz Fux.

Dado quem falta votar, as chances de nenhum mensaleiro ver o sol nascer quadrado chegam bem perto de 90%. Afinal, uma das maiores façanhas do PT, nunca antes na história desse país, foi conseguir transformar o STF, a maior corte do país, não em um tribunal, mas em um escritório de advocacia pro domo sua.

Alguém está surpreso, se 8 dos 11 ministros foram indicados pelo PT – e, claro, indicados APENAS POR SEREM BONS JUÍZES IMPARCIAIS, nada a ver com aparelhamento estatal? Basta pensar que em 3 anos, haverá provavelmente apenas um juiz na mais alta corte do país que não terá sido indicado pelo PT, que já indicou 12 juízes – definitivamente os piores juízes que o STF já teve. Já avisamos antes que a não-interferência de um poder no outro, com a hegemonia petista, estaria minada por definição, naturalmente, com tantas indicações de juízes.

Mas talvez agora, com o horror se aproximando, talvez seja a hora de FINALMENTE ambos os lados entenderem de uma vez por todas: o problema do mensalão NÃO FOI CORRUPÇÃO. Dane-se o dinheiro desviado. O maior escândalo de corrupção da história do país é troco de pinga perto do que cada petista já ganha até legalmente sem o merecer no Congresso. Aliás, a corrupção inteira de um país extremamente corrupto é troco de pinga perto do que se torra à toa num país estatólatra (os corruptos juntos não valem uma estrada hiperfaturada).

O problema do mensalão foi CONCENTRAÇÃO DE PODER através de compra de votos. Poderia ser com o dinheiro debaixo do colchão do Dirceu, poderia ser com doação de eleitores apaixonados, poderia ser com um cafézinho. Ainda assim seria pior do que lavar de dinheiro roubado dos Correios, Banco de Minas ou o raio que for.

O mensalão foi DITATORIAL, um projeto de poder (portanto, algo que vai além dos mensaleiros, afetando todo o partido, sobretudo seus chefes) em que o Poder Executivo, aquele lá, aquele cheio de charme e carisma que ganha eleição atrás de eleição (e todos sabemos que o risco de assim continuar é altissonante), governa sozinho, sem precisar de Legislativo para votar suas leis.

Se todo o Legislativo é comprado, não há oposição. É isso que a militância petista não entende, ao dizer que os indicados pelo mensalão, afinal, não são petistas. Óbvio: petistas já votam conforme os chefes do partido mandam, apenas fazem número no Senado para aprovar medidas, mas “pensam” em rebanho, roboticamente. Obedecem, ao invés de formar um grupo de indivíduos auto-pensantes. O que o PT quis foi comprar não exatamente a base aliada (já propensa a votar conforme o Executivo central), e sim o meião, aqueles políticos de identidade ideológica gelatinosa (ou nula), que só estão na política pelo prazer.

Se o Congresso é composto de “300 picaretas com anel de doutor”, o mensalão não é um desvio do jeito petista de agir, e sim sua conseqüência mais inescapável: para governar com picaretas, basta comprá-los.

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A militância fez vista grossa, considerou um mal menor, ou mesmo “intelectuais” como Marilena Chaui saíram em defesa do malufismo. Com o tempo, se acostumou. A oposição não valia nada, mesmo. Nada mais natural do que fosse comprada para votar como manda o partido.

Curiosamente, o Poder Judiciário não seria afetado a priori pelo mensalão. A compra foi só do Legislativo, fazendo com que as atribuições desse poder deixassem de existir. Tudo então seria dominado apenas pelo Executivo e suas intermináveis Medidas Provisórias de caráter cada vez mais eterno (até as, ASPAS, contribuições, FECHA ASPAS, ABRE ASPAS DE NOVO, provisórias, FECHA ASPAS, criariam impostos permanentes), tendo como contra-peso apenas o Poder Judiciário, no caso de lambança.

Por coincidência ou não, o mensalão veio à tona tão logo os juízes mais antigos do STF começaram a se aposentar, dando no colo do PT a chance de interferir também nesse poder. O resultado hoje se vê: 8 juízes (logo poderão ser 10) que, tal como no próprio mensalão, votam sempre igualzinho o PT. Pura coincidência, claro.

A despeito do que usualmente se pensa, Joaquim Barbosa foi indicado por Lula por ter conhecido Frei Betto em um aeroporto e causado uma boa impressão. Lula e Betto mal conheciam esse juiz, mas talvez por uma visão um tanto anacrônica, pensaram que um negro petista fosse obediente e dar a patinha quando necessário. A militância petista usou e vezou até do racismo para criticá-lo, posteriormente. Foi o único erro de Lula e dos petistas, sobretudo dos mensaleiros, nesses anos todos, em matéria de aparelhamento: Joaquim Barbosa continua um progressista afiado, um petista da velha guarda, mas não aceitou ser menino de recados no caso do mensalão (escândalo tão óbvio que nem Toffoli e Lewandowski, os dois de sempre, votaram por liberar geral, como a militância petista faz).

Vieram outras indicações bizarras, como de Ricardo Lewandowski, Eros Grau (já aposentado, autor do famoso livro erótico sobre “sonoras flatulências vaginais”, bem melhor do que sua atuação no STF) ou Rosa Weber.

Esta última merece uma pausa. Para se ver como é o modus operandi ditatorial petista, quando de sua sabatina no Congresso, (que em países sérios testa conhecimentos profundos de maneira rigorosa), ouviu como primeiro comentário dos congressistas um inacreditável pedido de palavra de Romero Jucá (PMDB-RR): já que Rosa Weber fora indicada por Dilma Rousseff, aquele bastião de sabedoria, não seria preciso sabatiná-la, poderiam todos os congressistas apenas acatar sem fazer nenhuma pergunta e dar nenhum pio sobre a sua indicação, “solicitando à Casa que dê seu voto por unanimidade”. Mesmo fora do mensalão, o esquema petista e de sua base aliada é apenas aceitar o Poder Executivo e ficar quieto.

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Rosa Weber era juíza do Trabalho, uma seara que pouco tem a ver com as discussões constitucionais do Supremo Tribunal Federal. O senador Pedro Taques fez questionamentos não muito difíceis a Rosa Weber (em verdade, alguns bem simples, que antes de se concluir uma faculdade de Direito alguém já tem a capacidade de responder).

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Rosa Weber, em resposta, fugiu completamente de praticamente todas as perguntas, gaguejou, não soube nem do que Pedro Taques falava em muitas vezes.

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Sua atuação mereceu até uma hilária paródia do programa Comédia MTV:

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Mesmo assim, foi aceita por 19 votos contra 3. Sempre o PT indica, sempre todos abaixam a cabeça, não importa quão bizarra, viciada, anti-ética, partidarizada, não-meritocrática e não-técnica seja essa indicação.

Os checks and balances da democracia, que não permitem que nenhum poder seja integral e direto, sem contrapartida de outro poder e de uma oposição (que o PT sempre soube fazer bem), foram então destruídos pelo PT quando conseguiu a chefia do Poder Executivo. Sua escola política e o movimento vermelho de que faz parte já tinha por meio demolir a oposição assim que deixasse de ser oposição. Seu “passado” socialista fala por si.

Assim continuaram indicações, que culminam com Teorio Zavascki e Luís Roberto Barroso, considerado o maior constitucionalista do país, mas um ativista judicial feroz (ou seja, conhece muito a Constituição, para saber como não precisar segui-la). Tal já se deu em sua primeira ação como juiz, durante outra tentativa petista de praticar sua ditadura vermelha. Dilma Rousseff, em resposta aos protestos de rua que varreram o país em junho de 2013, propôs uma “Assembléia Constituinte exclusiva” para uma reforma política (por que a conversa sempre soa tão familiar, quando se trata do movimento vermelho?). Barroso, que já havia declarado anteriormente que uma tal Constituinte era inconstitucional, assim que foi indicado pela presidente, já voltou atrás e disse que não é bem assim, se a presidente assim quiser. Importa muito mais o que Dilma diz do que o que está na Constituição, afinal.

Ou seja, o mensalão é uma parte de um projeto total de poder único, não dividido, não democrático, completamente ditatorial. Um AI-5 petista em que ou se vota com o Partido Vermelho, ou se é comprado, ou se é desmoralizado por uma imprensa igualmente comprada e financiada (mesmo por meios “legais”, como a infinita propaganda da Caixa e da Petrobras, como se essas empresas precisassem fazer propaganda).

É um erro dos não-petistas tratar os mensaleiros como ladrões, e não como proto-ditadores. E é por isso que a militância petista ignora essa concentração de poder (na verdade, a adora), e tenta chamar qualquer escândalo de corrupção, ou mesmo investigação, de “mensalão tucano” ou  bazófias do gênero. Assim como chama tudo de “fascista”, sobretudo o que vai radicalmente contra o poderio estatal concentrado do fascismo, com seu eterno culto ao líder.

Para piorar, agora o mensalão foi julgado por juízes indicados pelo PT, que só se manteve no poder… através do próprio mensalão. O movimento é circular. A autonomia de poderes do país não apenas foi ameaçada pelo mensalão, e sim foi vencida, tornando o poder circular, mas cujo centro sempre é o Poder Executivo central do PT.

E estes juízes não parecem estar muito dispostos a demonstrar alguma tentativa de imparcialidade, se até namorado de advogada do réu e ex-advogado de Dirceu que nunca conseguiu passar em um concurso para juiz foi parar no STF, sem se considerar impedido de julgar o caso (alguém, afinal, sabe explicar por que Dias Toffoli deve estar no STF?!).

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É isso, ou apenas acreditar que por mera coincidência juízes técnicos, imparciais e que não obedecem o PT a todo custo votaram todos em peso pela absolvição geral e revisão do caso, depois de fazer a população acreditar que o STF petista era um bastião de moralidade em meio à esbórnia que na qual o PT chafurdou o resto do país. Assim, uma confluência, pura coincidência mesmo. Como os dois de sempre também sempre votaram a favor dos mensaleiros por mera coincidência técnica durante os primeiros julgamentos.

Tratar o mensalão como corrupção é um erro. É ver a ponta do iceberg. É como culpar a capa de um livro sem o seu conteúdo. Quem pode responder se a concentração de poder total nas mãos do PT deu certo ou não e se alguma instituição brasileira ainda está a salvo da oclocracia tecnocrata petista é, afinal, um dos réus do próprio mensalão, julgado por juízes indicados por seu partido, que se manteve no poder para indicá-los graças ao próprio mensalão:

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PT e partidos de esquerda declaram apoio a ditador norte-coreano Kim Jong-un

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Enquanto o mundo teme a insanidade comunista (com o perdão da redundância) de Kim Jong-un, o ditador da Coréia do Norte que, em pouco mais de um ano de “governo”, ameaça a humanidade com nova guerra nuclear, organizações de esquerda capitaneadas pelo Partido-chefe, o PT, declaram apoio ao totalitário.

Kim Jong-un subiu ao poder substituindo monasticamente seu (provável) pai, Kim Jong-il, que, ao enfiar o pé na jaca em dezembro de 2011, também foi “homenageado” como “patriota” e promotor das “causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos” (sic) pelo PCdoB, com a típica subscrição bonitinha e puro amor do PT, apenas aquele partidinho que governa o Brasil.

kim-jong-un-peaceSe você acha inverossímil vilão de desenho animado que só pensa em sair por aí destruindo coisas, você não conhece Kim Jong-un, Kim Jong-il e Kim Il-sung (eu também tive de esperar esses dois irem pro bico do corvo para descobrir que Il é “IL“, e não “segundo”, não se preocupem). O PT, o PCdoB, o MST, a CUT, a UNE, a Unegro (?!), a Unipop (?!?!), a Telesur, a TV Comunitária de Brasília, o Jornal Revolução Socialista e mais alguns órgãos que vivem de tomar nosso dinheiro à força através de impostos para laurear os maiores genocidas da historia mundial logo lançarão uma moção de apoio ao Destruidor, a Sauron, ao Esqueleto, ao Zeca Urubu e à Equipe Rocket.

Não se trata apenas de pequenos partidos parados no tempo que ninguém com QI acima de 68 leva a sério. O PT é o capitão da frota, apenas sendo uma carinha mais simpática para angariar votos de “progressistas” que nunca leram suas atas, e acreditam que o partido abandonou as raízes, é agora gente boa, honesto, não acredita mais em socialismo (mesmo que em seu Congresso recente defenda escancaradamente o “socialismo petista”, whatever does it mean), é pura alegria. Apenas um partido pró-trabalhador, nada lá muito gulag e muito “luta de classes” entre Pyongyang e Washington (como se a América tivesse algo a ver com a miséria norte-coreana).

Na verdade, o projeto de poder dessas entidades, obviamente, é comum. O PT não parou de apoiar o MST e suas invasões de propriedade. Nunca declarou uma vírgula de crítica às suas aliadas na criação do Foro de São Paulo (que já expulsou a reportagem da revista VEJA, para depois se orgulhar de sua “democracia plural”) e do Fórum Social Mundial, as FARC, maior fornecedora de drogas do mundo e campeã de assassinatos e seqüestros longevos na América Latina. Nunca deixou de ser apoiado pelos mais extremistas órgãos terroristas do país (você acha que o PCC e o Comando Vermelho não declaram voto no PT? O nome do segundo diz a que veio, o primeiro já deixou seus apaniguados sem visita na cadeia com um singelo “Fica todo mundo sem visita no dia da eleição pra todo mundo votar pro Genoíno”).

Entre seus membros estão ex-guerrilheiros (terroristas) que até hoje não fizeram humanamente um pedido de desculpas por suas ações serem responsáveis pela morte de mais de 200 pessoas (muitas até antes da ditadura militar). É apoiado por órgãos como o MR-8, grupo perigosíssimo que apoiou Quércia, considera Stálin o maior democrata de todos os tempos e já fez uma estranha ameaça a Diogo Mainardi em seu jornal Hora do Povo. Como confiar em pessoas ameaçadoras que apóiam Quércia? Tire o “ameaçadoras” e você encontrará um Mino Carta, da Carta Capital, petista até a medula.

North-Korea-Kim-Jong-Il-criesLula chamou o ditador Kadafi de “meu amigo, meu irmão e líder” (ninguém pediu explicações depois de o tirano ser chutado por seu próprio povo). Dilma aumenta o comércio com a China (parte do bolo que levou a América à bancarrota em 2008) e com a Rússia, países que, há poucas semanas, assinaram um pacto comercial selado em termos de se unirem contra o capitalismo americano. O ditador misógino Mahmoud Ahmadinejad já virou herói anti-esquerda “Morumbi-Leblon” da turminha petista, com nítidos laivos racistas e ódio anti-semita. Esse mesmo ditador que pode apedrejar mulheres enquanto as “feministas” petistas se calam para não atrapalhar a eleição de Dilma, Na mesma semana, Dilma em Roma e Lula no Fórum Novos Desafios da Sociedade pediram abertamente uma “governança global” (dominada, obviamente, por seus cupinchas) para diminuir os poderes nacionais e concentrarem o poder nas mãos de seus apaniguados. Ou seja, às favas as leis locais, se dois chefes de governo de países distintos concordam em acabar com seus inimigos – o poder até jurídico deve ir todo concentrado para as mãos deles.

Perto deste rol de contribuições do PT à paz, à liberdade diante de tiranos e da livre cooperativa mundial, até Lula gravar um vídeo em apoio ao proto-ditador Nicolás Maduro na Venezuela (aquele que esqueceu de colocar o corpo de Chavez na geladeira antes de oficializá-lo como múmia, e que disse que Chávez lhe apareceu na forma de passarinho e o abençou), ou Dilma visitar Cuba sem dar um piozinho sobre direitos humanos, ou ainda Evo Moralez roubar parte da Petrobras (o que é isso, com o tanto que somos roubados ano após ano em terra natal?), Chávez e o Paraguai também nos darem calotes, o próprio PT complicar que a polícia brasileira investigue desmanche de carros na Bolívia, ou mesmo o PT receber Ahmadinejad no Brasil como um grande amigão (inclusive da UNE, aquela entidade cheia de feministas adolescentes), ou ainda Dilma torrar em uma semana em Roma o que alguém que recebe salário mínimo demoraria 40 anos para amealhar (ela que sequer cristã é, só mirando nos votos) – perto de um Kim Jong-un, tudo isso vai pro Tribunal das Pequenas Causas.

Nada disso é comentado pela imprensa – ou, quando o é, apenas é feito como uma nota de rodapé em um discurso. Um fato isolado e curioso. Aparentemente, poucos (com o perdão do eufemismo) jornalistas neste país continental estão gabaritados para brincar de ligar os pontos e perceberem um projeto de poder que há incontáveis anos vem sendo esfregado com pouca delicadeza em seus narizes.

Na típica inversão da realidade mais óbvia e factual, uma notícia no site do PCdoB afirma que a “escalada da tensão na Península Coreana” causa “preocupação com um possível conflito internacional, apesar dos pedidos reiterados por diálogo enquanto a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA, toma medidas belicistas”. Ou seja, para o PCdoB (e o PT, e outros órgãos bonitinhos que a galera apoia apenas como tendo um passado um pouquinho mais revoltado, típica rebeldia sem causa adolescente), a tensão e os exercícios militares são feitos pela Coréia do Sul, enquanto a Coréia do Norte praticamente implora por diálogo (sic).

coreia do norte frotaNotícia bastante monga, visto que o regime totalitário da Coréia do Norte (que até hoje considera só ter um presidente eterno), desesperado para ser notado no cenário mundial com sua política fechadíssima, militarista e sua população na miséria, chega até mesmo a divulgar imagens de sua frota marítima aumentada com Photoshop (sem brincadeira).

Contra isso, tais “movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações” enviaram uma carta ao embaixador da Coréia do Norte (apelidada “Coreia Popular” apenas por essas sumidades do pensamento mundial) com um misto de alarmismo, obediência quadrúpede e tom de ameaça braba.

Segundo a missiva (calma, só missiva), a “campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real”. Estranhamente, como até Guga Chacra já denunciou, Kadafi e Saddam, que queriam a bomba, foram derrubados pela América. A Coréia do Norte, que até agora brada em alto e bom som que jogaria uma bomba atômica em Nova York se tivesse tal capacidade, não sofreu muito mais do que sanções econômicas que ela própria já se impõe dos americanos.

Sabe por que não veremos uma horda de vagabundos gritando que o “embargo mata”, como fizeram quando a blogueira Yoani Sánchez visitou o Brasil mês passado? Porque sequer blogueiro a Coréia do Norte permite existir. Claro que quem “passou dos limites” foram a América e a Coréia do Sul, que até agora fizeram sobrevôos de espionagem pelo território norte-coreano, enquanto a Coréia do Norte, só para comentar fatos ultra-recentes, atacou um navio militar sul-coreano matando cem pessoas sem praticamente haver retaliação.

A defesa que a Coréia do Sul monta com ajuda americana ocorre, segundo o PCdoB, “apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia”. APESAR DE AVISOS?! Quais seriam este “avisos”?! “Hey, se vocês continuarem existindo e chegarem perto de mim, vamos jogar bombas atômicas sobre suas cabeça”s? É isso que pensam “movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações”?

Coréia do Norte, melhor pais
Coréia do Norte, melhor pais

Para esse tipo de gente, exercícios militares “são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável”. Ou seja, não atacar (enquanto a Coréia do Norte já ataca) é um desafio, uma provocação. Inevitável que gente do porte de Kim Jong-un e seus defensores (PT, PCdoB, UNE, MST etc etc) só tenha como única opção uma “reação nunca antes vista”, admitindo que assim a situação se torna intolerável. Qual será o ineditismo da reação? Nem o Gulag, 100 milhões de mortes ou o totalitarismo mais fechado e brutal do planeta seriam coisas “nunca antes vistas” para o ideário político mais assassino e brutal que já existiu.

Mas, claro, são a Coréia do Sul e seus parceiros locais (bem, até o Brasil importa Hyundai) que “ameaçam a paz no mundo e da região”. Qualquer produto coreano (ou seja, sul-coreano) ameaça a paz no mundo. Contra isso, só resta à esquerda “anti-belicista” pregar o que sempre pregou: mais controle estatal e centralização de poder nas mãos dos burocratas comandantes, obrigando a população a andar de joelhos e trabalhar como escrava para satisfazer os desejos dos “representantes de classe” no poder. A mesma Coréia do Sul que colocou a primeira mulher presidente na península coreana, depois de, em 1978, o PIB da Coréia do Sul ser quase quatro vezes maior que o do Norte (ao invés de retórica para se manter no poder, melhoria da vida da população). Hoje, apenas duas décadas de democratização e liberalismo depois, o PIB da Coréia do Norte corresponde a apenas 3,1% do da Coréia do Sul. Alguém espera que alguma mulher se torne presidente da Coréia do Norte um dia? Nem a esquerda brasileira e o PT: estão se lixando pra isso, desde que se mantenham no poder.

Kim-Jong-Un-ready-for-warOu, na linguagem macaqueada e eufemística (ou nem tanto) do PCdoB, garantir “nosso [deles] total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país”. Humm. Que tal enviarmos todos (o apoio não é “total” e “absoluto”?) os militantes desses partidos para lutarem na Coréia do Norte agora? Até aceito que meus impostos paguem a passagem. Já pagam um monte de inutilidades, concentração de poder e corrupção, mesmo.

São eles que dizem coisas como “Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear”, afinal. Embora um lapsus linguae aí deixe escapar uma terceirização: “lutarão” para que o mundo se mobilize, não lutarão eles próprios. Pelo visto, o apoio “total, irrestrito e absoluto” não inclui ir pro front. Droga.

Os totalitários se gabam da condição de “conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial”, seja lá o que for estar consciente de promover um ato de fé (algo como saber que se está acreditando no absurdo, mas estar feliz por isso lhes garantir mais poder).

Lembremo-nos: além da assinatura do próprio PT (a face bonitinha engana-quem-consegue do totalitarismo brasileiro), o arrazoado está no site do partido de Aldo Rebelo, que já foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007, se tornando o primeiro comunista (ou o primeiro comunista linha-dura) a assumir os deveres de presidência da República brasileira em novembro de 2006. Também é atual deputado federal, alçado a ministro dos Esportes (imagina na Copa). Também é o partido de sumidades da inteligência mundial, como Netinho de Paula e Manoela d’Ávila, além de diversos outros ministérios – até Maria do Rosário começou no PCdoB, e está na Secretaria de Direitos Humanos, mesmo tendo sido de um partido defensor dessas atrocidades! E vocês aí mimimizando por causa do Feliciano…

Também subscrevem a missiva PSB, Cebrapaz, CUT, MST, MDD, UJS, UNE, Unegro, Unipop, CDRI, CDR/DF, MPS, CMP, CPB, Telesur, TV Comunitária de Brasília, Jornal Revolução Socialista. Tutti buona gente.

Essas pessoas, que “acreditam muito no socialismo” e estão “batalhando para atingir o socialismo”, não se furtam a chamar de “democrática” uma Coréia que tem como presidentes apenas o filho e o neto do primeiro ditador.

Se Mao Zedong, responsável pela morte de 70 milhões de pessoas (pouco menos da metade da população do Brasil) declarava no artigo 2.º da Constituição da República Popular da China de 1978 que “a ideologia norteadora da República Popular da China é o marxismo-leninismo-pensamento de Mao Zedong”, na Coréia do Norte, Kim Il-sung era descrito mais modestamente como “superior a Cristo em amor, superior a Buda em benevolência, superior a Confúcio em virtude e superior a Maomé em justiça”.

kim jong un cartmanEnquanto os totalitários norte-coreanos e seus cupinchas do PT, PCdoB e derivados “lutam contra o imperialismo belicista”, a Coréia do Sul, abrindo sua economia e se livrando da corrupção na década de 80,  tem IDH, cada vez mais alto – já é maior dp que o da Dinamarca e se situa quase encostado no da Islândia e de Hong Kong, passando pesos pesados como Israel, Bélgica, Áustria, França, Eslovênia (que soube enriquecer rapidamente aplicando princípios liberais com o desmantelamento da Cortina de Ferro) e Finlândia. Seu sistema educacional é o melhor do mundo. É a diferença fundamental entre esquerda e direita: como disse @PabloR1_, alegria de um socialista é a luta de classes. A alegria de um capitalista é a prosperidade de uma sociedade. E ainda leva a fama de cruel.

Os norte-coreanos, absolutamente proibidos de deixar o país (você já ouviu falar de algum?), que têm a “soberania das nações” defendida pelo PT, vivem sem luz á noite e nem nos esportes, alegria de todos os totalitários, teve alguma felicidade (o próprio Kim Jong-il tratou de mandar ao espancamento o seu time de futebol).

O socialismo juche dos Kim, contrário ao socialismo baath de, por exemplo, Saddam Hussein. prega uma pureza racial nos moldes nazistas. Os mitos sobre sua pessoa que são passados à população são um show de criatividade: as cartilhas do governo dizem que Kim Jong-il não produz urina ou fezes. Seu nascimento teria sido “sobrenatural”, com uma nova estrela e um arco-íris duplo o “anunciando”, além de um iceberg falante. As estações do ano também teriam repentinamente mudado de inverno para primavera (também não entendi se o iceberg sobreviveu). Toma essa, Moisés.

Para quem acredita que é apenas um capricho um pouco antiquado do PT, mais ou menos como aquele seu tio-avô que só usa paletó com abotoadura, urge lembrar que a situação só não é crítica porque o Brasil ainda não significa nada além de um país exótico ascendendo economicamente no cenário internacional.

Ficam algumas perguntas: o PT apoia a democracia capitalista, ou só discursa bonito em Davos e é elogiado, para na mesma semana ir ao Fórum social Mundial e também sair ovacionado? O PT ficaria do lado da Coréia do Sul e do mundo civilizado num possível conflito com a Coréia do Norte, ou ajudaria de todas as formas possíveis o ditador mais bizarro do planeta? O PT, assim como esses neo-socialistas, nega o Holocausto? (o Gulag já sabemos que, na melhor das hipóteses, ignora)

O PT é esse totalitarismo, e o perigo só não é maior por falta de capacidade. A humanidade nunca esteve tão ameaçada desde a crise dos mísseis provocada por Fidel Castro. E o PT está do lado do hecatombe nuclear.

Lições de Hugo Chávez ao Brasil

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Morreu o menino caudilho Hugo Chávez. O apelido, que deveria ser sinônimo de ofensa mortal (ofensa que a esquerda pratica, quando chama tudo de que discorda de “fascismo”), foi adotado desabridamente pelo tiranete bolivariano sem que se notasse contradição por seus admiradores – como não notam contradição em criticar as ditaduras militares e chamar seu “presidente” de El Comandante.

Chavez também chamava todos os seus adversários e críticos de “fascista”. Como nos ensina Lew Rockwell num dos textos mais importantes para falar de política no século (aqui em podcast), “fascista” é a palavra mais pesada do vocabulário político graças à memória dos campos de concentração nazistas, embora ninguém perceba que muitas pessoas (talvez até a maioria delas) pregam justamente uma política fascista sem campos de concentração (quais são os italianos? os espanhóis? os portugueses?). Muitas vezes, até com campos de concentração – ou para que servem as palavras de ódio à oposição e aos “inimigos do povo”?

Chavez pregava um sistema político que pode ser chamado, sem sombra de dúvida, de fascista.

Querendo tudo dentro do Estado, nada fora do Estado e nada contra o Estado (e, claro, El Estado soy yo), de fato mostrou que é praticamente impossível ser chamado de fascista sem ser por alguém que queira impedir a vida não-estatal.

O socialismo do séc. XXI do ditador militar bolivariano era marcado por uma retórica fortemente anti-“imperialista”, ao mesmo tempo em que seu grande sonho (exposto por Zé Dirceu na tribuna do PT hoje) era criar um império que colocasse toda a América Latina sem fronteiras sob seu jugo. Na prática, apenas trocou-se a crítica à democracia “burguesa” da Inglaterra pela crítica ao poderio da América. 

O socialismo do séc. XXI e o socialismo do Gulag e do paredón

Este socialismo repaginado está longe de ser mortal como o socialismo do séc. XX, marcado por uma burocracia que, onde foi aplicada, criou uma fatal ditadura genocida concentrada nas mãos de um carniceiro – e seus nomes são todos evocados com arrepios: Stalin, Mao Zedong, Enver Hoxha, Nicolae Ceaușescu, János Kádár, Pol-Pot, Hồ Chí Minh, Walter Ulbricht, Kim il-Sung, Robert Mugabe – pessoas que juntas, ou mesmo sozinhas, fazem Adolf Hitler ir para o Tribunal de Pequenas Causas. Este socialismo entrou em colapso com a queda do Muro em 1989 e o desmantelamento da União Soviética em 1991 (notando, claro, que o regime caiu, mas não sua burocracia e ideologia).

Daí toda a logorréia da esquerda acadêmica que, ao invés de se atualizar e descobrir que defende a brutalidade, preferiu afirmar que aquele não era o “socialismo real” que pregava. Erro trágico: apenas essa ditadura brutal e centralizada é o socialismo real – o que inexiste é o socialismo ideal, purificado do teste de realidade e mantido hagiograficamente virginal no reino das idéias platônicas. Toda “ditadura do proletariado” é um conchavo de burocratas que não trabalham, jurando que representam uma “classe trabalhadora” que sequer sabem definir onde começa e onde termina. O morticínio é inevitável, como já bem demonstrou um dos 10 maiores pensadores do século, Leszek Kołakowski, em seu monumental Main Currents of Marxism.

O socialismo do séc. XXI aprendeu foi com o fascismo como se manter no poder, ao invés de gerar revoltas constantes, campos de concentração piores do que os nazistas (pelo amor de toda a humanidade, leiam Arquipélago Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn) e mortos de fome na escala dos milhões (Holodomor ainda deve ser pensado na mente adolescente de nossos universitários como uma marca de analgésicos belga ou um reino de O Senhor dos Anéis).

O modelo, como nos ensina Lew Rockwell (que aplica o caso á própria América de Bush, não ao projeto de poder dos neocomunistas da América Latina), além de aumentar gastos militares de maneira pornográfica, transformando todos os cidadãos de civis com direitos a soldados em potência, é baseado na cartelização completa da economia, mas colocada no poder de sindicatos (“representativos de classe”, ou seja, quem manda na tal classe sem discussão individual).

A estatização completa da economia é consabidamente impossível por qualquer comunista de alto escalão. Stalin sabia disso, tanto que pediu ao Partido Comunista Americano para não fazer Revolução, e sim cooptar ricaços e magnatas do cinema e da mídia. A conseqüência até hoje é palpável: absolutamente nada na América é mais anti-capitalista do que Hollywood, enquanto, ao mesmo tempo, se prega que a América domina as mentes do mundo para favorecer o imperialismo com o cinema, a própria entidade cultural que afirma isso. Apenas comunóides babaquinhas que acabaram de ler o Manifesto acreditam nessa besteira.

Apenas as trocas livres entre indivíduos tornam possível produzir alimentos (que não caem do céu nem brotam na terra em escala industrial sozinhos), sem o Estado roubar a produção (já que é incapaz de produzir qualquer coisa). Quem não conhece a famosa NEP – Nova Política Econômica – de Lênin, se não universitários esquerdistas?

Assim se faz o socialismo 2.0: mantendo empresas produzindo e lucrando, apesar de uma taxa de impostos mais destruidora do que se o seu cofre fosse assaltado à mão armada todo mês. Como se quer poder, alimenta-se uma retórica violenta sobre “povo”, “pobres”, “resistir” contra “inimigos” e “poderosos”, pegando-se todo o butim e dando umas migalhas à população de baixa renda. Por isso o povo trabalha absurdamente tanto em troca de um serviço de saúde porco, moquifos nojentos para se morar e escolas e universidades incapazes de descobrir como calcular o quanto o governo rouba da população por seu trabalho (infinitamente mais esfainante do que trabalhar para o Google).

O povo fica apaziguado contra revoltas, idealiza um líder e jura que está sendo “salvo”, sem perceber que tudo isso que lhes é dado “de graça”, como elogia Zé Dirceu da tribuna do PT, custa um trabalho semi-escravo que nenhum trabalhador em país liberal aceitaria – e os trabalhadores no socialismo não têm “concorrência” para onde fugira da miséria, dependendo ainda mais da benevolência do Líder.

Esse socialismo não gera morticínio – no máximo, prende e mata alguns opositores mais gabaritados. Nada em escala continental. Tampouco precisa se preocupar tanto com a incapacidade econômica de botar comida na mesa do povo enquanto se mantém no poder do socialismo “total”.

Para aliviar ainda mais, é um socialismo sem o “centralismo democrático”, termo criado por Lênin para afirmar que poderia haver discussão “livre” no socialismo dentro do Partido, o que fazia com que alguns teóricos tentassem diferenciá-lo do “centralismo burocrático” (ou seja, quando as ordens de todos do Partido não são ouvidas).

Essa postura gerava o efeito mais característico do socialismo oldschool (que ainda pode ser observado em Cuba), que é o monopólio do poder pelo Partido Comunista. Poder, como já demonstra Bertrand de Jouvenel, é poder mandar alguém fazer ou não fazer alguma coisa – e, num sistema socialista, apenas o Partido Comunista tem poder, politizando toda a esfera privada dos indivíduos. Essa é a “ditadura do proletariado”, que para aliviar o caráter absolutamente autoritário, foi eufemizado em princípios da década de 1960 para “papel de liderança do Partido”, como se o Partido soubesse o que é bom para todo o “proletariado”, um por um (cf. Ascensão e Queda do Comunismo, de Archie Brown, p. 134).

Pelo contrário, o caminho do neossocialismo, que Chávez pregou muito bem, é se preocupar em transformar de vez a democracia apenas em um palco – talvez o único ponto em que Marx e Tocqueville concordaram em suas vidas. O poder não se concentra mais no Partido (que sempre merecia letra maiúscula), e sim no Executivo, que controla tudo. Assim, os juízes e tribunais continuam sem liberdade alguma, não se submetendo à Constituição de um Estado de Direito (aquela que Rui Falcão quer abolir no Brasil), e sim à “vontade popular” – ou seja, do Executivo, que “representa” o povo, ao invés de o Estado todo. Mas as eleições continuam rolando, embora todos saibam o seu resultado.

É por isso que todo o movimento socialista atual (ou suas variações “sociais” – trabalhista, operário, proletário ou o nome fofinho que for) soube se preocupar tão somente com o Executivo, sobretudo o chefe do Executivo, que aparece, e critica o Judiciário (comprado e traidor, sempre – vide o que os petistas fizeram com Joaquim Barbosa), além de tenta controlar o Legislativo – ou o calando com golpes, como fez Hugo Chávez, ou comprando seus votos para que obedeçam ao Executivo supremo – o que é exatamente o movimento ditatorial que foi o mensalão (exatamente por isso não é uma palavra que pode ser prostituída para se referir agora a qualquer caso de corrupção, como se tenta fazer com o inescrupuloso Eduardo Azeredo no “mensalão tucano”).

Não se tem mais uma ditadura violenta nas ruas, e sim de controle (como já demonstrava Stalin, de “doutrinação”). As armas não precisam mais ser foices e martelos, como o pensamento de caserna leninista e do bolchevismo, e sim propaganda em massa e uma pseudo-democracia que serve ao Partido, mas não para cumprir sua função de pesos e contrapesos e de representação.

As eleições são compradas e fraudadas (como no fascismo), os gastos militares são elevados com fins imperialistas (como no fascismo), as empresas existem, mas são controladas pelo governo através de sindicatos (como no fascismo, e como Vladimir Safatle acha correto), o governo se sustenta com gastos “sociais” e empréstimos estrangeiros (como no fascismo, embora a Venezuela tenha a vantagem dos petrodólares para emergências), a planificação econômica não é feita na expropriação (ao menos, não sempre), e sim instituindo-se autarquias, com o governo controlando um sistema proto-capitalista perdido numa imensa burocracia, tornando-se uma ditadura de facto baseando-se no princípio da liderança – que desconhece seus limites. Como no fascismo.

Hugo Chávez, na prática

Chávez é adorado pelo PT não por mera coincidência. Seu sistema dá controle onipotente ao Partido sem precisar de revoluções ou lutas armadas de adolescentes mongolóides que mal sabiam assaltar um banco na época da ditadura (vide o livro O Cofre do Dr. Rui, de Tom Cardoso, com momentos quase cômicos sobre como o bando de Dilma Rousseff assaltou o cofre da amante de Adhemar de Barros), e sem precisar se tornar abertamente uma ditadura (ao menos em termos do século passado, já se tornando anacrônicos).

Esse modelo ditatorial é ultrapassado e para fracassados. A concentração do poder no Executivo agora é feita pelos moldes chavistas, muito mais próximos do antigo fascismo do que do antigo socialismo, embora nem sempre seja preciso tantos flertes ditatoriais quanto os do caudilho bolivariano – as eleições já são garantidas, embora sejam precisos momentos de laivos autoritaríssimos, como o controle da imprensa que não pode ser inteiramente comprada, os surtos mandatórios no Legislativo, o ativismo judicial nos tribunais.

Hugo Chávez é apenas o homem na América Latina que mais precisou ou quis fazer esse modelo de concentração ditatorial “legítima”, por isso se tornou seu símbolo máximo. Outros não precisaram ou quiseram tanto, como Evo Morales, Rafael Correa, Lucio Gutiérrez, Manuel Zelaya et caterva.

No livro Tiranos e Tiranetes, de Carlos Taquari, podemos compreender um pouco da história venezuelana. Influenciados pela Revolução Cubana, movimentos guerrilheiros se opuseram á democratização da Venezuela depois da queda do general Isaías Medina Angarita, em um golpe com apoio da esquerda, incluindo a Ação Democrática. Depois de novas ditaduras militares após apenas 10 meses de respiros democráticos liderados pelo primeiro presidente eleito da história da Venezuela, Rómulo Gallegos, o Movimiento de Isquierda Revolucionária (MIR) e o Partido Comunista Venezuelano exigiam reforma agrária radical, querendo acabar com toda a propriedade privada.

Tal como no Brasil, uma esquerda revolucionária lutando pela ditadura do proletariado enfrentou inexpressivos governos militares, autocratas e burocráticos. Enquanto 10% da população trabalhava para o governo em 1978, 40% da população ainda era de analfabetos vivendo na miséria do campo e das periferias. Os 750 mil funcionários públicos, por outro lado, importavam loucamente grandes carros americanos, verdadeiras carroças devoradas de gasolina, eletrônicos japoneses e whisky, no que o país se tornou um dos maiores consumidores do mundo em 1974.

E tal como Geisel, Andrés Pérez criou um delirante plano de criação de mais de cem empresas estatais. Logo veio Luis Herrera Campins, que pregou uma austeridad, pero no mucho: prometeu corte de subsídios, mas logo explodiu a guerra Irã-Iraque, que aumentou o preço do petróleo em quase 80%. Lá vieram novos gastos descontrolados (dos governantes e seus cupinchas com empregos nas estatais petrolíferas, não da população). A dívida externa quadruplicou, o governo acelerou a impressão de moeda (um dos erros fatais para ações de concentração de poder, já que é dinheiro crediário  para o governo que não passa pelo Legislativo, às custas do povo) enquanto aumentava salários do funcionalismo público e programas assistencialistas. O desemprego chegou aos 20% – taxa correspondente à metade da inflação.

Um coronel resolveu reviver os tempos de ditadura militar depois de mais uma eleição entre Copei e Ação Democrática que, vista em teoria, eram apenas duas vertentes de fascismo, centralismo burocrático e gastos públicos através de crédito artificial. Seu nome era Hugo Chávez. Seu golpe de 1992 fracassou, lhe rendendo dois anos de prisão. Pérez sofreu impeachment por corrupção, AD e Copei se revezaram novamente nas eleições de 1994 e, em 1998, Hugo Chavez vence as eleições liderado por uma coalização de partidos de esquerda.

Imediatamente reformou a Constituição – muy democraticamente, para se fazer o que se viu acima. Concentrou mais poderes na figura do presidente e convocou novas eleições presidenciais e parlamentares – um teatrinho em que se legitimou frente à opinião pública nacional e internacional, enquanto silenciava uma oposição fragmentada e desarticulada que boicotou as eleições (o filme é reprise). Começou seu famoso governo por decretos do Executivo, além de plebiscitos que determinam novos poderes de mando através de parcelamento dos eleitores passando ao largo do Congresso – mais uma vez ao modelo fascista.

Foram três vitórias “democráticas”, já tendo apagado a principal emissora da Venezuela, além de 34 emissoras de rádio. Em 2 de dezembro de 2007, perdeu um plebiscito que lhe garantia poderes absolutos e uma ditadura vitalícia. Fez sua revanche em 15 de fevereiro de 2009, acabando com o limite para a reeleição, já admitindo publicamente o desejo de permanecer no poder indefinidamente (por isso todos os socialistas não têm medo de se aferrar a figuras únicas, como Chavez, Fidel e Che, ao invés de pensar no que deseja o povo).

Já em 2008, com pesquisas eleitorais indicando a possibilidade de derrota do governo, a comissão eleitoral impediu a participação de 272 candidatos de oposição. Mesmo assim, a oposição venceu em cidades importantes, como Caracas e Maracaibo, as duas cidades mais importantes e informadas do país. Chavez classificou o resultado como “una victoria de mierda”.

Nenhum Gulag, nenhum campo de concentração, nenhum Partido Único. O socialismo do séc. XXI é isso: disfarce democrático para uma autarquia concentradora de poder e dinheiro. Se o povo precisar de “diminuição da pobreza”, como afirma o UOL que Chavez fez, basta dar umas “Misiones Bolivarianas” (como a “Misión Robinson”, que promove a alfabetização em regiões pobres, e a “Misión Barrio Adentro”, que leva assistência médica a estas zonas), e está todo mundo apascentado.

Nem por isso, um jornal chavista deixou de publicar em sua capa um nada sutil: Jodidos si los judíos llegan al poder”, como cai perfeitamente às teses fascistóides, ou mesmo nazistóides em que bebe o socialismo estatizante (basta pensar no que aconteceria com um jornal governista no Brasil que publicasse em sua capa: “Se os judeus chegarem ao poder estamos f…”). Também não causou comoção alguma que o PT apóie um ditador que proibiu uma companhia de dança de interpretar uma peça sobre a vida de Anne Frank, famosa judia holandesa morta nas mãos dos nazistas: o tema deveria ser trocado para o “sofrimento palestino”, disse o Crítico de Teatro em Chefe. Tampouco surpreende sua amizade com ditadores brutais, igualmente voltados ao socialismo e ao anti-semitismo, como Mahmoud “apedrejador de mulheres” Ahmadinejad (igualmente recepcionado de braços abertos pela UNE), Muammar Kadafi ou Bashir Assad, defendido por um partido nazista na Síria.

O totalitarismo mais explícito veio com a proposta de “desmontar progressivamente o conceito de propriedade particular e garantir a socialização dos meios de produção”. Na prática, estatização, cartelização e concentração de poder para o Partido, os autocratas e o Executivo. As estatizações, despiciendo dizer, foram um desastre: desde 2007, o país sofresse com apagões. Por essa época Alborghetti falou:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=AwsWaO4VCqE[/youtube]

Parece exagero? Não se sabe sobre as privadas, mas Chavez sugeriu aos venezuelanos que limitassem o tempo de banho a 3 minutos, abrissem mão do ar condicionado e, ao se levantarem à noite para ir ao banheiro, utilizassem uma lanterna para não acender a luz. Assim, se você precisasse matricular o menino na natação de madrugada, o faria no escuro. Qualquer tentativa de despachar um amigo do interior para o rio depois das 10 da noite se faria com pilhas, mais caras e que incidem no bolso de quem precisa dar um alô para o sr. Barros, apenas para o governo não sofrer com sua própria incompetência (duvida-se que Hugo Chávez precisou fazer clonagem no escuro, claro). Toda essa escassez de energia e água num país tropical que está assentado sobre a quinta maior reserva petrolífera do mundo.

Ao dilema energético venezuelano que ainda persiste se juntou o problema no sistema carcerário, explicitado após uma rebelião de mais de mil presos na cadeia de El Rodeo, a 40 km de Caracas, em junho de 2011, que deixou dezenas de mortos.

Chávez também atrasou a Venezuela claramente. Em meia hora. Assim, poderiam aproveitar mais claridade para compensar o desastre do fornecimento de energia.

Em janeiro de 2010, anunciou novo racionamento de energia e, lá como cá, acusou os governos anteriores de não terem investido no setor (depois de uma década no poder em que ele próprio não fez nada pela energia). O controle artificial de preços obrigou o país a importar de ovos a frutas e pés de alface, logo da vizinha inimiga Colômbia. Ainda assim, Chávez ordenou a expropriação de centenas de propriedades rurais.

É esse o legado que José Dirceu edulcora, afirmando que “Hugo Chávez deixa obra fantástica”. É esse o resultado que Dirceu comemora ao afirmar que a Venezuela ficou com 50% (na verdade, 51%) dos impostos do petróleo (quanto disso foi para “a classe trabalhadora”?). É isso que Dirceu acha bonito, ao afirmar, sem pejo, que Chavez tinha como sonho uma América Latina inteira controlada (“libertada”) por ele. Admitindo as semelhanças com o PT, Dirceu dispara:

“[Chávez] sempre foi um defensor do PT, do governo do presidente Lula, e foi um aliado fundamental para nós consolidar uma idéia de unidade política, que sustentou e apoiou as mudanças que aconteceram na América do Sul”.

É para esse ser humano que o governo brasileiro decretou 3 dias de luto oficial. Os venezuelanos talvez aproveitem o luto para passar as noites à luz de velas e chuveiro frio.

Cuidadoso, Chavez gastava o que angariava de seu controle total do dinheiro venezuelano com coisas importantíssimas, como exumar o corpo de Simon Bolívar, para “provar” que fora envenenado, ignorando o estado dos pulmões tuberculosos do seu caudilho-ídolo e do estado em que estava quando chegou a Santa Marta, onde morreu. Foi tratar seu próprio câncer em Cuba, apesar dos convites para tratamento no Brasil, para poder manipular os boletins médicos, o que seria difícil nos hospitais brasileiros.

Além de suas lições de como controlar e impor a lei da mordaça num país para os candidatos a socialistas do séc. XXI brasileiros, fica, é claro, sua grande lição teórica sobre ciência política:

“O capitalismo é o caminho do diabo e da exploração. Se você deseja realmente olhar as coisas pelos olhos de Jesus Cristo –que creio ter sido o primeiro socialista–, só o socialismo poderá gerar uma sociedade genuína” — Hugo Chávez (sent via my iPod)

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