Entre a reeleição de Lula e a delação de Joesley, a receita líquida da JBS cresceu 2.800%

Gado

A JBS foi fundada em 1953. Mas só no século seguinte interferiria na política brasileira com destaque. Mais especificamente, após o Mensalão, quando o PT passou a fabricar “campeões nacionais”, ou empresas que quebravam a concorrência local mirando conquistas internacionais.

Em 2002, o grupo fez contribuições eleitorais de tímidos R$ 200 mil. Em 2006, o volume cresceria em quase cem vezes, atingindo R$ 19,7 milhões. Quatro anos depois, saltaria para R$ 83 milhões. Em 2014, antes mesmo do final do primeiro turno, já havia despejado R$ 113 milhões, mas a conta subiria a quase R$ 400 milhões no turno final.

Esses foram os números dados à Justiça Eleitoral pelo caixa um, ou aquela fábula contada para a opinião pública. Com a delação da JBS confessando o que acontecia no submundo do caixa dois, os R$ 427,4 milhões em doações oficiais saltaram para R$ 1,124 bilhão, uma cifra 163% superior. Para cada milhão doado, apenas R$ 380 mil eram declarados ao eleitor.

O crime compensava. De uma receita líquida de R$ 4,3 bilhões em 2006, o grupo chegaria a R$ 120,5 bilhões na década seguinte. Grande parte deste resultado deve-se à relação questionável com o poder – como destacou a Época, só em 2014, integrantes de 27 partidos foram beneficiados em todos os estados brasileiros.

Não à toa, a opinião pública olha com maus olhos a anistia acordada com Rodrigo Janot. Resta a dúvida se a população já aprendeu a distinguir o trabalho realizado pela PGR, em Brasília, daquele praticado pela Lava Jato de verdade, a de Curitiba.

Afinal, o que foi o Petrolão?

Para entender o Petrolão, é preciso antes compreender o Mensalão, esquema utilizado pelo governo Lula para comprar votos do baixo clero do Congresso. Por três anos, esteve ativo,e o pagamento era feito em dinheiro vivo. Mas, em 2005, Roberto Jefferson jogaria toda a sujeira no ventilador, desmantelando a organização e deixando o PT sem uma base que sustentasse a reeleição no ano seguinte.

Depoimentos de Roberto Jefferson, no primeiro escândalo, e Delcídio do Amaral, no segundo, deixam bem clara a origem do Petrolão: ele nasce do medo de uma derrota em 2006. Seguindo conselhos de José Janene, Lula teria fatiado a Petrobras com dois grandes partidos (PMDB e PP, além do próprio PT) para garantir apoio naquela eleição.

Segundo Delcídio, o próprio ataque a uma eventual privatização da Petrobras, tema bastante martelado pela propaganda petista no segundo turno contra Alckmin em 2006, fazia parte da estratégia. Afinal, uma vitória tucana naquele ano desmantelaria o esquema.

Fato é que o plano deu certo e a população reelegeu Lula. Não só isso, elegeu e reelegeu a sucessora dele.

Deitando-se sobre o caso Braskem, a Justiça americana investiga o período que vai de 2006 a 2014. Críticos da Lava Jato exploram a informação como sendo fruto de uma atuação partidária da Lava Jato, pois evitaria tocar em desvios cometidos na gestão FHC. Mas está claro que não é este o caso. Que de fato mergulham no maior escândalo da história, aquele que teria servido para garantir ao PT um dúzia a mais de anos no comando do Brasil, plano que só não se concretizou por completo porque Dilma Rousseff sofreu um processo de impeachment.

Enfim… Não era povo, não interesse nacional, não era ideologia, não era nada que pudesse justificar tamanho descalabro. Era só o poder pelo poder. E quem pagou por isso foi a maior estatal do Brasil. E, principalmente, a própria democracia – o que é muito mais grave.

Se o Datafolha acertasse com tanta antecedência, Serra já teria presidido o Brasil 2 vezes

Em dezembro de 2012, quase dois anos antes da eleição, o Datafolha perguntou ao brasileiro em quem eles pretendiam votar em 2014 para presidente da República. Por aquele levantamento, com 57% das intenções de voto, Dilma Rousseff seria reeleita em primeiro turno. E Aécio Neves ficaria atrás de Marina Silva, com apenas 14% dos votos.

O que aconteceria na verdade: Dilma iria para o segundo turno com apenas 41,5% dos votos válidos contra Aécio Neves, que recebeu 33,5% dos votos.

Levantamento semelhante foi feito em 2008, dois anos antes da eleição de 2010. E mostrou José Serra também vitorioso em primeiro turno, com 41%, ou 4% a mais do que a soma de todos os seus adversários. Ciro Gomes era o segundo nome mais forte. Dilma Rousseff, que findaria eleita no segundo turno, na quarta posição, tinha menos votos do que Heloísa Helena.

Sobre a eleição de 2006, o Datafolha tem um levantamento feito ainda em dezembro de 2005, menos de um ano antes. Nele, José Serra, que nem saiu candidato a presidente, venceria em primeiro turno.

A população se assustou com o Datafolha recentemente apontando Lula e Marina Silva como as duas maiores forças na eleição de 2018. Mas muita água ainda vai rolar.

É sintomático que Lula recorra a campanha contra a Lava Jato: propaganda é só o que o PT fez

05.01.2007 - A nova foto oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito por mais quatro anos, é divulgada pelo Palácio do Planalto. Milhares de cópias serão distribuídas e colocadas em todas as repartições públicas federais. Foto: Ricardo Stuckert.

Dez em dez publicitários tiveram que, nos últimos anos, absorver o significado de “storytelling”. O termo não é novo, mas virou moda no mercado com o advento das redes sociais. Por ele, conclui-se que a melhor forma de vender um produto é contando uma história envolvente. A expressão é explorada em outra língua porque, no Brasil, o meio publicitário ainda valoriza a cafonice de preferir palavras em inglês mesmo havendo um equivalente em português. E qual seria a melhor tradução possível?

Narrativa. Que é tudo que o PT vem sem sucesso tentando criar desde que Dilma Rousseff foi reeleita. Ou seja: uma história envolvente que traga a opinião pública para o lado do partido. Para azar dele, os tempos são outros e mentiras não mais são reverberadas impunemente. Mas é sintomático que, até hoje, a sigla explore táticas publicitárias para sair do sufoco.

É o que Lula vem buscando contra a Lava Jato. Na campanha que deve trabalhar contra a operação, contará com o apoio do que restou ao seu lado: PCdoB, Instituto Lula, MST, UNE e uma tal Frente Povo Sem Medo – além do próprio PT, claro.

Por que lançar uma campanha nacional contra a força que mais tem enfraquecido a esquerda? Porque foi por meio de campanhas do tipo que a sigla chegou ao poder. Para se ter uma noção do quão dissimulada era a prática, o mote explorado por Lula antes de ser eleito presidente era o do combate à corrupção – é difícil imaginar hoje que o PT já foi vendido como exemplo de combate.

Mesmo a defesa dos programas sociais, tão cantada pela militância como conquistas de Lula, só entrou para o discurso quando Lula precisou se reeleger e viu que, com o Mensalão, havia perdido o argumento mais forte que tinha.

A propaganda partidária levou o petismo à Presidência e o manteve lá por 13 anos. Não é de se estranhar que o lulismo recorra a ela para evitar a cadeia.

Em vídeo de 2006, Diogo Mainardi antevê o desastre que seria mais uma década de PT

Diogo Mainardi. Screenshot: Facebook.

O vídeo abaixo é uma prova de que não faltaram alertas a respeito do que o PT estava prestes a fazer com o Brasil. Nele, há um embate entre o jornalista Diogo Mainardi e Daniel Aarão Reis Filho,

historiador e professor da UFRJ. Ambos contam suas impressões a respeito do resultado da eleição de 2006. E o primeiro não esconde a frustração.

Nas palavras de Mainardi, Lula seria “o laranja do PT. É o CPF limpo que esconde uma quadrilha de estelionatários”. E foi além no diagnóstico, ainda que com algum exagero:

Ele pode roubar, pode matar, pode fazer o que quiser, pode fechar o Congresso, que ele vai se dar bem. Eu espero que ele não tenha essa tentação. Pelo que a gente conhece dele, ele terá. E a gente vai ter que enfrentar essa coisa aí. É um mostro. A gente elegeu um monstro.

Lula não tentou fechar o Congresso, mas trabalhou para extinguir seu principal adversário, o PFL, que mudaria de nome para Democratas logo em seguida. E Dilma Rousseff só perdeu força quando partiu para cima do PMDB com a mesma intenção.

O historiador apenas se dava a reprisar os argumentos petistas, tratando o Mensalão como um mero “caixa dois” que estaria no “DNA da cultura brasileira”. Diogo fez questão de explicitar a diferença:

Nunca na história houve um flagrante tão grande. E todo o dinheiro sujo foi usado para manobras golpistas. Dinheiro sujo usado para subverter a democracia. Essa foi a gravidade que a população não entendeu. E azar dela.”

Nem o “discurso social” foi perdoado por Mainardi, tratado por ele como engodo: “O que se faz no Brasil é distribuir pobreza”.

Diogo Mainardi metralhando a reeleição de Lula em 2006, ainda em clima de escândalo do mensalão.

O "chato" do Manhattan Connection sempre esteve certo.

Publicado por Nordeste Livre em Domingo, 9 de outubro de 2016

Para rever a discussão, basta acionar o player acima.

Após reeleição de Lula, empréstimos do Ministério dos Transportes a empreiteiras saltou 900%

Quanto custa uma eleição? Muita grana. E uma reeleição? Mais ainda, pois envolve políticos com ao menos quatro anos de desgaste junto à população, e que manipularão justamente recursos públicos para continuarem no poder.

E a reeleição de um presidente envolvido no Mensalão? Uma notícia publicada na Veja dá uma ideia de quanto. E isso nem tem a ver com caixa dois.

Em 2006, o Fundo da Marinha Mercante, controlado pelo Ministério dos Transportes, concedeu empréstimos que somaram R$ 893 milhões. O valor em si já era absurdo, pois representava um aumento de 92% em relação ao montante emprestado um ano a antes. Mas, em 2007, já com Lula reeleito, a quantia saltaria para R$ 9 bilhões, um estouro de 900%.

Qual o destino de tanta grana? As mesmas empreiteiras que não só apoiavam os candidatos do governo, como, uma década depois, tiveram executivos presos pela operação Lava Jato.

E se as empreiteiras, hoje quebradas, não conseguirem quitar o que devem? Quem arcará com o prejuízo é a União. Ou seja… Os cofres públicos. Ou seja… O dinheiro do contribuinte. Ou seja: você.

Oficialmente, Lula gastou R$ 75 milhões, ou 0,83% desse volume de empréstimos, na eleição de 2006.

Oficialmente.

Delator diz que propina ao marketeiro do PT teria sido 3 vezes maior

Por mais que o brasileiro vibre com cada delação premiada, é preciso ter em mente que os próprios delatores estejam entregando apenas a “ponta do iceberg” e escondendo fortunas retiradas dos cofres públicos. João Santana e a esposa, Monica Moura, vinham em negociação com a Lava Jato para reduzir as penas que teriam que pagar pelo que se sabe dos crimes cometidos durante as campanhas do PT. Mas um novo delator vem mostrando que o pecado pode ser muito maior do que a confissão obtida até o momento.

Os investigadores já tinham rastreado com as autoridades Suíças quantias que somavam US$ 6,4 milhões. Mas o executivo Vinícius Veiga Borin alega que essas somas atingiriam os US$ 16,6 milhões só da Odebrecht. Em reais, esse valor chegaria hoje a R$ 56,4 milhões. Com os R$ 23,5 milhões que o casal teria recebido no Brasil, as cifras do marketeiro do PT se aproximam dos R$ 80 milhões em três campanhas presidenciais (2006, 2010 e 2014).

Eleições presidenciais nunca mais serão a mesma após a Lava Jato.

Lava Jato já suspeita de R$ 128 milhões em propina na campanha petista que reelegeu Lula em 2006

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os Antagonista resumiram o que a Lava Jato já tem até o momento sobre esse período especificamente: um contrato da Petrobras perdoou R$ 60 milhões em dívidas do PT com o Grupo Schahin; A “conexão angolana” do Petrolão teria rendido mais R$ 50 milhões à campanha que reelegeu Lula em 2006; A Odebrecht teria contribuído com mais R$ 15,2 milhões na cotação atual do dólar; E Ricardo Pessoa afirma ter depositado R$ 2,5 milhões no caixa dois petista, totalizando R$ 127,7 milhões, ou basicamente um segundo Mensalão.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Oficialmente, Lula gastou R$ 75 milhões naquela campanha. Um ano antes, o PT se desculpa ao Brasil sobre o Mensalão dizendo que tudo não teria passado de um mero caixa dois. Hoje, com mais detalhes sobre como se forma uma “grana por fora” como essa, assim como o volume ao qual ela pode chegar, resta claro que “caixa dois” tem nada de “mero”.

Delator do Petrolão acusa tesoureiro de campanhas de Lula e Dilma de receber propina

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Walmir Pinheiro Santana disse que a assinatura do contrato de obras da Comperj entre a Petrobras e Consórcio TUC rendeu R$ 15,51 milhões em propinas ao PT. O executivo da UTC relatou que João Vaccari Neto o autorizou a abater R$ 400 mil desse valor para José de Filippi Júnior, tesoureiro das campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2010. O dinheiro teria alimentado ainda várias campanhas petistas, como a de São Bernardo do Campo, administrada por Luiz Marinho, mais um aliado direto de Lula. Até José Dirceu teria sozinho recebido R$ 1,69 milhão.

Confiram um trecho da delação:

“Vaccari autorizou abater destes valores de R$15,51 milhões, R$ 400 mil para entregar para José Filippi, R$ 1,69 milhão para José Dirceu e R$ 1,8 milhão foram para algumas campanhas eleitorais (provavelmente para campanhas ao cargo de prefeito): municípios de Contagem, Belo Horizonte, Recife, Montes Claros, Campinas, São Bernardo do Campo; que há um valor de R$ 150 mil que acha que foi para um evento em Belo Horizonte organizado pelo PT (houve procura pelo depoente de uma senhora do PT de Minas Gerais).”

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Reeleição de Lula foi quitada por propina da Petrobras, segundo delator

Foto: Ricardo Stuckert/PR

A dívida que o PT mantinha da campanha ainda de 2006 estava aberta em R$ 60 milhões junto ao banco Schahin. Para quitá-la, o governo Lula utilizaria-se do contato de operacionalização da sonda Vitoria 10.000 em 2007. A denúncia veio por colaboração premiada assinada por Eduardo Musa, ex-gerente-geral da Diretoria Internacional da Petrobras. A quantia equivale a 3,75% do valor do contrato de R$ 1,6 bilhão assinado pelo Grupo Schahin e a estatal. Desta forma, tem-se mais um caso de lavagem de propina via volumes utilizados em campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
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