Em vídeo da campanha, Haddad ironiza Corujão da Saúde, ideia bem sucedida de João Doria

20.03.2013 - Fernando Haddad (PT-SP), prefeito de São Paulo, concedendo entrevista após reunião sobre pacto federativo com prefeitos e líderes estaduais e municipais em 20 de março de 2013. Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados.

O vídeo abaixo confronta dois momentos. No primeiro, Fernando Haddad, ainda na condição de prefeito de São Paulo, buscava a reeleição. Para tanto, ironizava umas das propostas mais inusitadas de João Doria: aproveitar as madrugadas dos hospitais privados para retirar o atraso da fila de exames médicos, problema que o petista não chega nem a abordar, no trecho em questão.

No segundo momento, uma matéria do Jornal Nacional já mostrando o sucesso da iniciativa.

Fica bem claro que, se Haddad tivesse sido reeleito, haveria um risco enorme de a fila para exames médicos ainda ser gigantesca.

Xingado de “coxinha”, João Doria assumiu o termo como elogio e quebrou a cara da esquerda

No passado, a esquerda já xingou seus detratores de alienados, burgueses, reacionários, filhotes da ditadura… Mas, recentemente, passou a usar um termo que mais tinha a ver com intriga adolescente do que política. Trata-se do “coxinha”. O que era estranho. Pois se trata de um alimento campeão de vendas adorado por todo o país. Como xingar alguém disso? Aplicando-o a indivíduos que, mesmo detentores de uma boa condição financeira, não se esforçavam para fugir dos padrões de moda e comportamento.

De novo: como isso pode soar ofensivo a alguém? E o que isso tem a ver com política?

Xingado de coxinha pela esquerda de São Paulo, João Doria ignorou a ofensa e a assumiu como elogio, no que fez muito bem:

“Gosto de ser correto, não sou pessoa desarrumada, desarranjada, e não serei, e assim eu quero a cidade de São Paulo. Quero que as pessoas tenham orgulho de viver aqui.”

Não à toa, venceu em primeiro turno uma esquerda cada vez mais descolada da realidade.

Ironia das urnas: única grande conquista do PT é a capital mais evangélica do Brasil

Com a derrota para Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, o esquerdismo soltou nas redes sociais tudo aquilo que guardou durante o segundo turno. Basicamente, o repúdio contra os evangélicos, uma camada da população que já responde por dois em cada dez brasileiros e que resiste a baixar a cabeça para a agenda esquerdista.

Contudo, ao término desta eleição, o PT só havia conquistado uma prefeitura em cidade com mais de 200 mil eleitores (aquelas onde o segundo turno é possível). Essa cidade é Rio Branco, no Acre, mas também conhecida como a capital mais evangélica do Brasil.

De acordo com o senso de 2010, dois de cada cinco habitantes de Rio Branco são evangélico. Bem que o petismo poderia ter demonstrado um pouco mais de gratidão.

13 mil beneficiários do Bolsa Família terão que explicar como doaram milhões nesta campanha

Bolsa Família. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Sob os cuidados de Gilmar Mendes, e após todo o rebuliço provocado pela operação Lava Jato, a Justiça Eleitoral esteve bem mais atenta às finanças dos políticos que se candidataram nesta campanha. E descobriu que 16 mil beneficiários do Bolsa Família doaram um total de R$ 16 milhões aos candidatos.

Como isso foi possível? É o que o Governo Federal quer descobrir. Para tanto, já levantou que 3 mil deles tinham sido descadastrados do programa recentemente, o que não exige maiores esclarecimentos. Outros 13 mil, contudo, precisarão se explicar.

Porque há vários riscos possíveis: o de o doador ter sido usado como laranja, o de o CPF do doador ter sido usado sem o consentimento dele, ou ainda o de o beneficiário não mais merecer o benefício – se é que algum dia se enquadrou no perfil do programa.

De qualquer forma, é um problema a ser esclarecido. Para o bem do processo eleitoral. E, claro, do próprio Bolsa Família.

Aumentar o preço das passagens de ônibus é um risco que João Doria não pode correr – ainda

João Doria Júnior

João Doria elegeu-se prefeito em São Paulo com um discurso bem liberal, sempre apontado na direção de uma participação menor do Estado na sociedade. No entanto, assim que foi confirmada a vitória, adiantou que não aumentaria o preços das passagens de ônibus da cidade, o que necessariamente ampliaria a participação da própria prefeitura no subsídio ao transporte público. Fez mais: buscou Michel Temer em pessoa para ajudar a bancar a iniciativa.

Incoerente? Em parte. Porque não adianta o bom gestor entregar-se de todo à austeridade e ignorar as batalhas políticas que enfrentará (como fez Haddad em 2012 ao empurrar para maio o reajuste). Hoje, quem mais atinge o governo Temer é o movimento estudantil. E foi do movimento estudantil que nasceram os protestos que, como um tiro pela culatra, resultaria na queda de Dilma Rousseff anos depois.

Antes mesmo de assumir o cargo, os militantes de esquerda já fizeram dois atos em frente à residência do prefeito eleito. E tudo o que mais querem é motivo para voltarem às ruas. Nem que seja um aumento de, por exemplo, 20 centavos. É quando voltará a provocação às forças policiais de São Paulo, a cobertura cínica da imprensa majoritariamente esquerdista, além do risco de contaminação em outras praças, assanhando o petismo por todo o país.

Adiar o aumento para 2018, ainda que custe uma fortuna aos cofres públicos, soa a alternativa menos arriscada para um grupo político que ainda precisa mostrar ao que veio. Desta forma, nenhuma bola será alçada para o esquerdismo cortar. Não é a alternativa ideal, mas é a que pode garantir força política para outros projetos até mais vitais.

Membro do MST eleito vereador pelo PT foi preso no interior do Paraná

Claudelei Torrente de Lima foi o vereador mais votado de Queda do Iguaçu, no interior do Paraná. Mas a Polícia Federal agiu a tempo e o prendeu antes que o mandato se iniciasse. Ele e outros sete integrantes do MST foram detidos por suspeita de roubo, invasão de propriedade, incêndio criminoso, cárcere privado e porte ilegal de arma. Há ainda seis alvos sendo procurados. Inclusive um dirigente nacional do Movimento Sem Terra.

Sim, o partido do vereador é o PT.

A notícia pode tirar o sono de Edinho Silva. O ex-ministro de Dilma Rousseff foi nomeado pela petista à SECOM assim que a Lava Jato se aproximou de Brasília. Desta forma, recebeu foro privilegiado e blindou-se de Sérgio Moro até o afastamento dela em 12 de maio de 2016.

Edinho foi o tesoureiro da campanha que reelegeu Dilma. E já foi personagem de algumas delações apresentadas à Lava Jato. Destaca-se a do presidente da Andrade Gutierrez, que disse ter sido pressioando a doar à campanha da então presidente. O ex-ministro até poderia explicar isso melhor à Lava Jato em Curitiba, mas o petista elegeu-se agora prefeito de Araraquara, São Paulo, reconquistando o foro privilegiado.

A prisão do membro do MST, contudo, mostra que os investigadores não estão muito preocupados com o resultado das eleições. E que podem agir até o dia da posse deles. A de Edinho é só em janeiro.

Mesmo com a crise política, capitais do Nordeste reelegeram 8 de seus 9 prefeitos

É natural concluir que, no decorrer de qualquer crise política, as democracias trabalhem para a renovação dos seus quadros. O fenômeno foi observado no Sul e Sudeste do Brasil, com as principais capitais evitando a reeleição de seus prefeitos, ou ainda a de sucessores indicados por eles. O Nordeste, contudo, não atingiu feito semelhante.

Coincidentemente, os nove prefeitos de capitais nordestinas buscavam a reeleição. E apenas um deles se deu mal. Os outros oito conseguiram mais uma mandato. A saber:

  1. Luciano Cartaxo (PSD), em João Pessoa (PB)
  2. Carlos Eduardo (PDT), em Natal (RN)
  3. ACM Neto (DEM), em Salvador (BA)
  4. Firmino Filho (PSDB), em Teresina (PI)
  5. Marcus Alexandre (PT), Rio Branco (AC)
  6. Roberto Claudio (PDT), Fortaleza (CE)
  7. Geraldo Julio (PSB), em Recife (PE)
  8. Rui Palmeira (PSDB), em Maceió (AL)

João Alves (DEM), em Aracaju (SE), foi o único a fugir da regra.

Em todo o Brasil, 15 dos 20 prefeitos a tentar reeleição e foram bem sucedidos nas capitais. Mesmo após um período tão conturbado da história do país.

Vídeo: questionado se é homossexual, prefeito eleito de Curitiba dá uma resposta daquelas

Um telespectador de nome Antonio trouxe uma pergunta bem polêmica. Por telefone, perguntou ao prefeito eleito de Curitiba: “Eu quero saber do Rafael Greca se ele é homossexual, bissexual ou assexual?

A resposta de Greca? Segue transcrita abaixo:

“Que bobagem, isso! É uma grosseria até com os nossos telespectadores. Eu sou casado com a. Margarita, sou uma pessoa que tem a sua vida estabelecida na cidade e tenho respeito por todas as pessoas. Essa pergunta só teria sentido se eu governasse com a bunda, mas como eu vou governar com a cabeça, é uma bobagem!

Para conferir o próprio Greca respondendo ao telespectador, basta acionar o player acima.

A eleição de 2016 fortaleceu Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Michel Temer para 2018

Finalizada a eleição 2012, o “pódio” com os partidos que mais fizeram prefeitos era composto, na ordem, por PMDB, PSDB e PT. Dois anos depois, eram justo estes três partidos que encabeçavam as chapas presidenciais no segundo turno, no caso, com Dilma Rousseff e Michel Temer representando petistas e peemdebistas, e Aécio Neves e Aloysio Nunes fazendo as vezes dos tucanos.

Não foi coincidência.

É comum a população da capital ser influenciada por formadores de opinião mais midiáticos. No interior, contudo, poucas vozes falam mais alto do que as dos gestores públicos. Entre 2013 e 2014, pelo menos 48 milhões de eleitores viveram sob a gestão de prefeitos do PT e do PMDB. E isso serviu de base para Dilma e Temer receberem 43,2 milhões de votos no primeiro turno, e 54,5 milhões no segundo.

Observando os resultados de 2016, o PT caiu para décima força. Por mais que o PMDB tenha mais prefeituras, o PSDB governará mais eleitores. E a medalha de bronze coube ao PSD, partido nascido no início do governo Dilma para desidratar adversários do petismo.

Se prevalecer a lógica, 2018 será um embate entre PMDB e PSDB, ambos partidos que hoje dividem a mesma base. Nestas siglas, os menos arranhados são Michel Temer e Geraldo Alckmin. Na oposição, só Ciro Gomes (PDT) e Flavio Dino (PCdoB) lograram algum sucesso, mas o segundo tem mais um ciclo como governador do Maranhão pela frente. Quanto a Marina Silva, ainda lidera pesquisas e nutre a simpatia de uma ala esquerdista, sem falar que, ao que tudo indica, não ser atingida pela Lava Jato fará uma enorme diferença.

Ainda não soam os heróis que o Brasil precisa. Mas talvez sejam o que o país merece. E isso não foi um elogio. A exatamente ninguém.

Nas grandes cidades, o voto “mais caro” foi dado a um comunista – que findou derrotado

“Custo de voto” é uma expressão mais utilizada nos bastidores do que no noticiário político. Soa feio, mas não representa (necessariamente) uma ilegalidade. É o resultado da divisão dos gastos de um candidato pela total de votos recebidos por ele. Pela lógica, os melhores resultados são justamente os mais baixos.

Fernando Rodrigues fez as contas a respeito do “custo de voto” dos candidatos nas cidades com mais de 200 mil eleitores. Dentre os vencedores, o melhor resultado foi obtido pelo democrata Gilson de Souza, prefeito de Franca, São Paulo. Ele gastou apenas R$ 0,44 por cada voto recebido.

O pior número pertence a Carlin Moura, candidato a prefeito de Contagem, Minas Gerais, pelo PCdoB. Ele queimou R$ 21,41 por cada voto que recebeu. Tudo isso para não se eleger.

Para completar, está devendo R$ 1,4 milhão. Buscava a reeleição.