Já tem investidor estrangeiro querendo saber sobre João Doria, com olho em 2018

João Doria nega, e sempre negou, que será candidato em 2018. O problema é que desta vez a “onda” se tornou incontrolável: pessoas de várias cidades e estados sugerem seu nome, o que se deve a fatores diversos.

Primeiro de tudo, claro, a gestão realizada em São Paulo, empregando medidas eficientes e economicamente viáveis. Mas, além disso, há o descrédito generalizado na política, que assola sobretudo o PT, mas também os outros partidos – e candidatos considerados “fora” da política tradicional se destacam diante disso.

Assim, como é comum quando determinados nomes despontam, investidores já procuram saber mais a respeito, pedindo relatórios e afins – para auxiliar nas movimentações financeiras.

E isso já está acontecendo com João Doria, segundo informa o Estadão. Dado espantosamente positivo: ele ainda não tem nem três meses de governo.

Definitivamente, o povo está desacostumado a ver resultados na política. Quando isso enfim aconteceu, a “onda” se tornou incontrolável.

Ao contrário da “narrativa” da velha mídia, a esquerda perdeu e a direita ganhou na Holanda

Nesta última quarta-feira, dia 15/03, os holandeses foram às urnas e o tema central seria a chance de acontecer uma reviravolta como aquela havida nos EUA, que levou Donald Trump à vitória. Esse seria o “temor” (e não escondiam nem escondem ser mesmo um temor) de boa parte da velha mídia nacional.

Vamos por partes.

Em primeiro lugar, a vitória de Trump só foi uma surpresa para a mídia esquerdista, fechada na própria bolha. Analistas locais, que não se restringiam aos grandes guetos democratas (liberais), já sabiam das totais chances de vitória do republicano – até mesmo Michael Moore explicou, meses antes, por que isso seria factível (e foi).

Já na Holanda, houve o extremo oposto. Com medo de errar, a esquerda preferiu uma postura extremamente “cautelosa”, atribuindo ao candidato Geert Wilders uma chance que a rigor ele nunca teve. Pois é, nunca teve.

Para piorar, e isso quase nunca é dito por aqui, o grande vencedor foi Mark Rutte, atual Primeiro-Ministro da Holanda, do People’s Party for Freedom and Democracy (tradução livre: Partido Popular da Liberdade e da Democracia). Ele é de esquerda? Não. E nem seu partido.

O partido é da chamada “direita liberal”, mas tudo fica ainda mais profundo. Isso porque, DIAS ANTES DA ELEIÇÃO, o exato mesmo Mark Rutte tomou postura enérgica contra a Turquia, causando um verdadeiro incidente internacional, com direito a ações policiais de repressão a manifestantes muçulmanos.

Em suma: a pauta de Wilders, basicamente, cujo partido foi o segundo colocado geral nas cadeiras do parlamento.

Desse modo, a “direita liberal” ganhou, por meio de uma ação pra lá de enérgica e totalmente afinada com a direita que nossa mídia chama de “extrema”. E aqueles deste outro segmento foram o segundos colocados.

Como podem falar em “vitória da esquerda” ou “derrota da direita”? Pois é. Pura narrativa.

Os tucanos parecem realmente empenhados em perder de novo as eleições nacionais

Uma das troças que a ala mais à direita faz com os tucanos é chamá-los de “PT que usa guardanapo”, entre outras alusões nada louváveis (a nenhuma das partes, diga-se). Pois muitas vezes a vida imita a arte, ou melhor, os fatos imitam as piadas.

É inegável que o PSDB tem-se esforçado sobremodo para perder as eleições de 2018. É um emprenho sobre-humano.

A sigla é a maior entre aquelas que se opõem ao PT, de modo que um candidato do PSDB seria o natural adversário de Lula num primeiro momento. Isso, claro, se o líder petista reunir as condições bastantes para concorrer (não é preciso dizer quais; e aquelas que ele podem não estar válidas em 2018).

E o que fazem os tucanos? Dão início a uma verdadeira GUERRA interna, com uma agressividade que muitas vezes não se vê nem entre “inimigos”. Para dizer o mínimo, é patético.

Soma-se a isso todo o desenho das tendências, tudo fica ainda mais bizarro.

Qualquer estratégia com possibilidade de êxito vai no sentido de que o candidato anti-esquerda deverá ser PRÓ-DIREITA, defendendo bandeiras caras aos conservadores e liberais. Em vez de estimular esse tipo de debate internamente, aguardando que mais adiante os eventuais líderes despontados se resolvam de forma menos agressiva, o partido prefere a “luta franca” com “trocação” de bordoadas.

Se continuar assim, vai perder. De novo.

Roberto Justus declarou ser candidato à Presidência? Não é nada disso; entenda o que houve

Tudo começou com uma resposta bem-humorada, da qual – naturalmente – extraiu-se leitura mais chamativa para a manchete. E aí, como tem acontecido nos dias de hoje, a coisa começou a ser distorcida nos compartilhamentos de modo que se chegou à certeza: Roberto Justus será candidato à Presidência em 2018.

Não é nada disso, claro. Primeiro vale destacar o referido trecho de sua declaração, em seguida voltamos:

“Antigamente, eu nunca admitiria a possibilidade de pensar em alguma coisa nesse sentido, mas ultimamente eu tenho pensado sobre isso. Quem sabe, não sei, porque é uma mudança de vida. É você dedicar a sua vida ao país”

Ele não disse que vai concorrer. Nem mesmo admitiu a possibilidade de concorrer. O que falou, textualmente, foi que nunca admitiria a possibilidade e que ultimamente tem pensado sobre. Algo que (quase) qualquer um responderia, dizendo algo sem dizer nada – ou dizer nada como se dissesse algo.

Mas, claro, o destaque ganhou volume por conta da recente eleição de Donald Trump, também um milionário que fez sucesso na TV, bem como a vitória avassaladora de João Dória (PSDB) em São Paulo.

Como os três, coincidentemente foram apresentadores do programa “O Aprendiz”, tem-se aí o fator que faltava para que a resposta anódina virasse uma DECLARAÇÃO DE CANDIDATURA.

Mas não foi nada disso.

Não, a esquerda não morreu

Depois de contabilizados todos os votos nas eleições municipais de 2016, não faltou quem comemorasse a debacle da esquerda brasileira – e, de fato, precisamos admitir que motivos para tanto não faltam. O PT, especialmente, parece ter levado uma surra definitiva – saiu de 635 prefeitos eleitos em 2012 para 256 em 2016, uma queda de quase 60%. Pior ainda, a parcela do eleitorado que será governada por seu malvado favorito, o PSDB, será de 23,9% a partir de 1 de janeiro, puxada principalmente pela avassaladora e inédita vitória no primeiro turno em São Paulo, enquanto que o principal partido da esquerda brasileira vai se contentar com apenas 2,9% do eleitorado.

A esquerda perdeu o controle das periferias, o que é facilmente constatado pelos mapas de votação em São Paulo e no Rio de Janeiro, que, para imenso constrangimento de quem sempre gostou de se ver como porta voz do povo, mostram claramente que votar em esquerdista hoje em dia é coisa de rico – os pobres nessas cidades votaram mesmo em Dória e Crivella, com força. O PT não elegeu nenhum prefeito no chamado “cinturão vermelho”, aquele conjunto de municípios em volta de São Paulo de onde nasceu e despontou para o resto do país no começo dos anos 80, e ainda ficou sem uma narrativa popular, na medida em que ninguém, a não ser a elite intelectual uspiana, acha seriamente que exista uma perseguição judicial-midiática-parlamentar em curso hoje no país.

Em números absolutos, hoje é o PDT, que se considera o legítimo herdeiro do varguismo, e, originalmente, a casa de Dilma Rousseff (onde, justiça seja feita ao partido, ela provavelmente nunca teria chegado onde chegou pelas mãos de Lula), que dá as cartas na esquerda brasileira, e Ciro Gomes surge como o único candidato eleitoralmente viável nesse campo ideológico, já que a cada dia que passa parece mais improvável que Lula chegue a 2018 do lado de fora da carceragem da Polícia Federal de Curitiba.

Diante desse quadro, por que então não decretarmos logo a hora do óbito e fazermos os preparativos para o enterro?

Porque a esquerda representa, mais do que uma ideologia política ou uma corrente ideológica, um estado de espírito. Melhor dizendo, a esquerda é o espectro com o qual Marx abriu seu “Manifesto”. Um espectro cuja existência antecede sua categorização como esquerda, e que Thomas Sowell corretamente chamou de “mentalidade irrestrita”, por considerar o homem intrinsecamente bom e perfectível, e por depositar uma fé exacerbada na capacidade do homem de alterar o seu meio pela simples vontade, o que, no limite, seria capaz de fornecer soluções definitivas para todos os problemas que afligem a humanidade. É a religião secular, é a fé na política como panaceia. É daí que decorre a famigerada expressão “falta de vontade política”, como se problemas de escassez pudessem ser resolvidos através de pensamento positivo e intenções puras.

Isso contrasta com a visão conservadora de mundo, que o mesmo Sowell categorizou como visão “restrita”, justamente porque reconhece as limitações morais do homem, e busca canalizar, através de incentivos socialmente fabricados e contrapartidas, o egoísmo inerente a qualquer pessoa, para criar benefícios econômicos não imediatamente desejados pelos indivíduos. É o ceticismo, a prudência, o realismo, em contraposição à fé, à utopia.

A visão irrestrita parte do pressuposto (altamente questionável e reiteradamente desmentido pela história) de que o ser humano é bom, e mesmo depende do acerto dessa premissa para funcionar, enquanto a visão restrita prescinde de qualquer consideração acerca da bondade ou maldade do homem – conquanto os incentivos e as contrapartidas sejam adequadas, o bem social será atingido ainda que – ou, mais precisamente, como consequência direta, do fato de os homens não serem bondosos.

Antes de Marx, representando essa visão, havia Godwin, e antes de Godwin havia Rousseau. E antes de ambos já havia uma tradição firme de utopias, assim entendidas como a expressão racional do planejamento social a partir de uma elite intelectual, desde A República, de Platão, até A Cidade do Sol, de Campanella. J.P. Coutinho, como usual, promoveu uma leitura precisa do fenômeno:

“A utopia política é uma chantagem sobre o tempo presente com a alegada superioridade de um tempo passado – ou futuro. Uma chantagem que se converte em programa e ação: se a perfeição é possível, por que não procura-la? Mais: por que não empreender todos os esforços humanos para realizar na Terra o que as religiões tradicionais apenas reservavam para o Céu?”

Daí decorre também a evidente incompatibilidade entre as formas modernas de esquerdismo – notadamente o marxismo – com o cristianismo. Para o cristianismo, estamos marcados indelevelmente pelo pecado original, e somos salvos pela fé em Jesus Cristo, filho de Deus. O cristianismo dispensa qualquer movimento no sentido de melhorar este mundo, uma vez que a esperança do cristão verdadeiro reside na vida eterna no paraíso. Já para o marxismo, se trata de implantar o céu na terra – o grupo de padres cariocas que declarou apoio à Marcelo Freixo no Rio de Janeiro confirma isso, já que abrem seu manifesto da seguinte forma:

“Nós, padres da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no horizonte do Evangelho da Libertação, da efetivação de uma ‘Igreja em saída’ (como compreende o Papa Francisco) e da antecipação do Reino de Justiça e paz inaugurado por Jesus Cristo (…)”

Raymond Aaron, em seu “O ópio dos intelectuais”, notou como o marxismo inclusive se vale da mesma soteriologia do cristianismo, substituindo a figura de Jesus Cristo pelo proletário como redentor da história.

A prova do prestígio das utopias em nossa sociedade está plasmada no documento aprovado na etapa paulista de preparação do V Congresso Nacional do PT, que veio assim redigido:

“É imprescindível compreender que nossa energia criadora e nossa capacidade de atrair a juventude se sustentam na utopia e no futuro e não deve se limitar, como o governo tem que fazer, aos limites do que o Orçamento impõe”.

É bom lembrar que o “governo” mencionado no texto não era o de Michel Temer, e sim o da própria Dilma Rousseff: a esquerda não está disposta a abrir de sua narrativa nem mesmo quando é ela própria quem domina o Estado e precisa, na condição de governo, fazer concessões à realidade. A utopia é tão importante, mas tão importante à sobrevivência da esquerda como força política, que eles estão dispostos a privilegiá-la em detrimento da própria matemática se preciso for.

Mario Vargas Llosa, em seu “Sabres e Utopias”, demonstrou como o utopismo está enraizado na psique humana:

“Rechaçar a realidade, empenhar-se em substituí-la pela ficção, negar a existência verdadeiramente vivida em nome de uma outra, inventada, afirmar a superioridade do sonho sobre a vida objetiva, e orientar a conduta com base nessa premissa, eia a mais velha e mais humana das atitudes, aquela que gerou as figuras políticas, militares, científicas e artísticas mais atrativas e admiradas, os santos e os heróis e, talvez o principal motor do progresso e da civilização. A literatura e as artes nasceram dela e constituem o seu principal alimento, sem melhor combustível. Mas, ao mesmo tempo, se a recusa da realidade transborda os limites do individual, do literário, do intelectual e do artístico, e contamina o coletivo e o político – o social -, tudo o que essa postura traz consigo de idealista e generoso desaparece, é substituído pela confusão, e o resultado, geralmente, é aquela catástrofe em que desembocam todas as tentativas utópicas na história do mundo.”

É precisamente por isso que a esquerda não está morta – o impulso de “tentar de novo” é simplesmente forte demais para ser ignorado, a ponto de nem mesmo uma montanha de cadáveres ser o suficiente para supera-lo. A fluidez é talvez o maior atributo do discurso da esquerda – quando as atrocidades do stalinismo vieram a lume na década de 50, plasmando que alguma coisa havia dado terrivelmente errado para além da cortina de ferro, Gramsci e a Escola de Frankfurt trataram de reinventar a esquerda pelo marxismo cultural. Quando a URSS implodiu no fim da década de 80, e gente como Francis Fukuyama cravava que a história terminava ali, movimentos como o globalismo, o feminismo e o ambientalismo tratavam de levar adiante o evangelho às avessas de Marx e, sem o constrangimento soviético, o anti-capitalismo floresceu como nunca debaixo da casca do politicamente correto.

Hoje, o PT e a esquerda brasileira perderam – mas a mentalidade que lhes serve de pano de fundo está mais acesa do que nunca.

Dia desses, num desses documentários da GNT, talvez sobre a ditadura militar no Brasil, ouvi uma declaração, talvez de uma militante de esquerda, mais ou menos assim: “querer mudar o mundo é justiça”. Essa declaração ousada se parece muito com uma outra, dita desta forma: “Mudar o mundo, amigo Sancho, não é loucura nem utopia, senão justiça’.” Quem a cunhou foi Dom Quixote, também conhecido como Cavaleiro da Triste Figura (mas que se imaginava um nobilíssimo paladino da justiça, defensor dos fracos e oprimidos), que montava um pangaré chamado Rocinante (que tinha na conta de um corcel puro sangue), que era apaixonado por uma lavradora pouco abençoada pela natureza chamada Aldonça Lourenço (que ele achava tratar-se de formosíssima e casta donzela chamada Dulcinéia del Toboso), cujo escudeiro era um lavrador “de pouco sal na moleira” chamado Sancho Pança (que largou mulher e filhos seduzido pelas promessas de glória evidentemente nunca cumpridas), e que lutava contra moinhos de vento (na certeza de que se tratavam de gigantes perigosíssimos que ameaçavam a existência do mundo).

Definitivamente Dom Quixote, se vivesse hoje, seria de esquerda. E, infelizmente, nunca faltarão Quixotes na política.

Rafael Rosset é advogado há 15 anos, especialista em Direito Ambiental, palestrante e articulista; perfil no Twitter; e no Facebook. Escreve no Implicante às quartas-feiras.

Comprovado: a imprensa fala mais em “festa da democracia” quando o PT se dá bem

O grosso do conteúdo inédito na web é ainda produzido pela imprensa. Ao ponto de tantas vezes caber a ela a definição das pautas discutidas em todas as redes sociais possíveis. Inclusive no Brasil. O Google Trends desenha bem o fenômeno. Medindo a recorrência de termos específicos na internet, descobriu que “festa da democracia” encontrou seu auge na primeira eleição realizada com o PT na Presidência da República. No caso, em outubro de 2004.

Com a definição do pico, o sistema calcula a proporção das manifestações seguintes. Em 2006, quando Lula se reelegeu, atingiu 32%. Nas eleições de 2008, cairia para 18%. Em 2010, quando Dilma Rousseff chegou ao poder, o jornalismo voltou a martelar o chavão batendo em 29%. Em 2012, retornaria aos 18%. Com a reeleição de Dilma, um novo crescimento e a marca de 22%. E agora? Que o PT foi surrado nas urnas? Minguados 12%.

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Não deve ter encontrado motivo para festejar.

Datafolha comprova a “bolha”: redes sociais não influenciam a maioria dos eleitores

Isso era algo que muitos falavam, mas não havia ainda uma pesquisa em larga escala para comprovar. Agora, ela está aí. Se de um lado a MASSIVA CAMPANHA da mídia contra Marcelo Crivella não ajudou em nada Marcelo Freixo, também as redes sociais são quase inócuas para isso.

Segundo o Datafolha, 64% dos eleitores tem conta em alguma rede social, o que já mostra uma margem larga que simplesmente nunca nem poderia ler/ver nada. Mas a coisa é ainda pior: entre os que tem, apenas 11% alegam que elas têm muita influência. Outros 10% dizem que tem pouca e para 42% ela tem nenhuma (convenhamos, conceitos como “pouca” e “nenhuma”, para efeito de influência, dão no mesmo).

E por que isso é importante? Porque mostra as coisas como elas são. Tem muita gente vendendo milagres que, agora sabemos, são impossíveis.

Claro, pode ser que isso ocorra pela natureza particular de uma eleição municipal, muitas vezes voltada a um tipo de demanda dissociada dos debates ideológicos ou coisa do tipo. Ok, ok. Então cabe indagar: se no Rio de Janeiro, cidade entre as mais desenvolvidas do Brasil, já é assim… como seria no resto do país?

A resposta é um tanto óbvia.

Ainda assim, é preciso fazer algumas separações conceituais. O fato de não influenciar DIRETAMENTE em UMA eleição não faz com que as redes não influenciem em nada e nunca. Bobagem. A atuação, nesse campo, costuma ter êxito quando é contínua.

Os números do Datafolha demonstram que a atuação por “obra certa”, durante alguns poucos meses, não dizem nada ao eleitor. Mas as de longo prazo são outra história.

Com a perda de 50 mil cargos, PT terá imensas dificuldades financeiras

Não é por acaso que, no Partido dos Trabalhadores, já se cogita a mudança de marca, número ou mesmo o nome. A maré negativa é altíssima, com um recorde de rejeição percebido nas eleições deste ano – algo sem precedentes.

E há agora uma outra repercussão também drástica, a financeira.

Isso porque o partido perdeu cerca de 50 mil cargos, valendo lembrar que a doação dos filiados é parcela considerável da arrecadação partidária e, pior ainda, agora estão proibidas as doações empresariais

Um combo!

Logo após passar a nova legislação, permitindo apenas grana doada por pessoas físicas, o PT perde 50 mil cargos – tudo ocorrendo na maior má-fase de todos os tempos.

Como farão para atrair novos filiados? Como farão para reverter a imagem destruída? Difícil, talvez quase impossível. Mas, convenhamos, não é nada que fuja à regra do “colhe-se o que se planta”.

Eleições 2016: Em SP, Dória no primeiro turno! E ainda: Rio, Curitiba, BH…

Estas foram eleições um tanto atípicas. Houve muito pouco tempo de campanha e também a proibição de doações empresariais. Na política nacional, um impeachment recente, fazendo com que não apenas as questões locais fossem discutidas (o que é comum nos pleitos da esfera do município).

Deu no que deu.

São Paulo

João Dória (PSDB) disparou na reta final e levou no primeiro turno. Um feito e tanto; na verdade, algo inédito para a capital paulista. Desde que foi instituído o segundo turno, TODAS as eleições paulistanas contaram com a respectiva etapa.

Isso até este ano.

A principal estratégia do tucano, e que deu muito certo, foi mostrar-se como o principal nome anti-PT. O grande trabalho foi tornar-se conhecido, contando com a baixa rejeição e a estrutura de um partido grande. Russomanno, já no fim, murchou como já apostavam.

Marta, na quarta posição, talvez precise despedir-se das campanhas majoritárias.

E o PT não tem o que comemorar. A “subida” de Fernando Haddad tem mais a ver com voto útil desesperado que qualquer coisa. Menos de 20% numa cidade como São Paulo é algo péssimo. Tendo a prefeitura nas mãos, convenhamos, é MIL VEZES mais terrível.

Rio de Janeiro

No Rio, deu Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL). A tendência é que o voto esquerdista, por óbvio, migre para o psolista, assim como o mais provável é o eleitorado conservador cair em peso sobre o candidato peerrebista, que teria então mais chances. Mas claro que está tudo aberto.

Quanto à política nacional, o Rio de Janeiro mostra circunstância ainda mais atípica. O candidato de esquerda poderá atacar seu adversário ligando-o a Lula e ao PT, pois Crivella já foi ministro de Dilma Rousseff. O problema será o seguinte: para isso, precisará endossar o impeachment. E, se o fizer, Freixo perde os votos canhotos. Uma bela sinuca.

Impossível, sobretudo porque o trabalho aqui é feito de forma artesanal e “na unha”, falar de todas as cidades. Mas podemos comentar algumas:

Curitiba

Fruet (PDT), o atual prefeito, não foi nem para o segundo turno. Ele era ligado ao governo Dilma, e pelo jeito isso pesou de forma negativa. Vão Rafael Greca (PMN) e Ney Leprevost (PSD). Greca tem tudo para levar.

Belo Horizonte

João Leite (PSDB) e Kalil (PHS). O tucano venceu por boa margem e tem tudo para agregar mais votos. Mas sempre tem aquela coisa de “segundo turno é uma nova eleição”, não é mesmo? Bobagem. João Leite leva fácil.

Salvador

ACM Neto ganhou de lavada, como previsto. Desponta, inevitavelmente, como grande liderança a ser observada no cenário nacional de longo prazo – para curto/médio prazos, ele próprio apoia outro nome de seu partido (DEM), Ronaldo Caiado.

No mais, e por enquanto, é isso.

Falaremos ainda MUITO sobre as eleições.

Entenda por que beneficiários do Bolsa Família “doaram” R$ 16 milhões nestas eleições

Bolsa Família. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Dias atrás, noticiamos que beneficiários do Bolsa Família já haviam doado cerca de R$ 9 milhões a candidatos nas eleições deste ano. Pois o número acaba de ser atualizado: agora, são mais de R$ 16 milhões!

Tudo por conta da desastrada nova regra aprovada pelo STF.

Não que o Supremo tenha “culpa”, mas o quadro atual é efeito DIRETO desse tipo de regra proibitiva. Em suma: quando baixam uma norma VETANDO conduta geral, para combater os caso excepcionais ilícitos, as pessoas de bem obviamente pararão, mas os criminosos não estão ligando para o fato de ser ou não proibido (afinal, são criminosos, está na natureza deles não dar muita trela para o que a lei permite).

A ideia foi a seguinte: NENHUMA empresa pode doar, já que ALGUMAS empresas fazem isso por meio de esquemas. O correto, claro, seria investigar os casos errados, sem proibir TODA uma conduta que, a rigor, não é criminosa nem errada. Mas, não. Optaram pela proibição geral. NINGUÉM MAIS PODE.

Resultado? Continua havendo fraude eleitoral e as empresas corretas, que pretendiam fazer suas doações, agora estão proibidas.

É por isso que miseráveis (e, para receber o Bolsa Família, é preciso ser mesmo miserável) aparecem como “doadores” de campanhas eleitorais, entregando a candidatos um total de R$ 16 milhões.

Já passou da hora de mudarem isso. As empresas não podem ser proibidas de doar e, mais do que isso, é preciso fiscalizar esses casos, que OBVIAMENTE não pararam coma tal proibição (ao contrário, só fizeram aumentar).