Segundo delatores, atual ministro de Temer negociou propina nas gestões de FHC, Lula e Dilma

As delações dos executivos da Odebrecht na Lava Jato evidenciaram a extensão das propinas não apenas quanto às esferas de poder, mas também quanto ao tempo. Evidentemente, a coisa “não vem de hoje”. Ainda assim, impressiona que uma mesma figura tenha participado do expediente em três governos federais – mesmo de partidos ‘opostos’.

É o caso de Eliseu Padilha, atual Ministro-Chefe da Casa Civil de Michel Temer, que, segundo alegam os delatores, teria negociado propina sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff.

Em sendo verdade, não seria pouca coisa, pois o período total abrange mais de 20 anos. O Brasil não é para principiantes.

A inacreditável desculpa de Dilma Rousseff para atacar o núcleo de Temer e não ser atingida

Falamos há pouco da entrevista da ex-presidente Dilma à Folha de SP, especificamente da explicação inusitada acerca da conversa com Marcelo Odebrecht. Em suma: disse que estava indo ao banheiro, acabou não entendendo nada do papo. Pois é.

Mas há outro trecho interessantíssimo, vale conferir (e voltamos depois):

A senhora afirmou recentemente que conhecia bem o grupo de Michel Temer no PMDB e disse que não deixou Moreira Franco roubar.
Diz-me com quem tu andas que eu te direi quem és.

A senhora soube de algo que comprometa o Temer?
Não, querida, isso eu não posso dizer. Porque se eu soubesse ele não demorava nem dois minutos para sair. Já do Moreira eu suspeitava. Suspeito. O Eliseu Padilha [ministro da Casa Civil] é do Rio Grande do Sul, como eu. Sai na rua e pergunta para as pessoas quem ele é.

Se a senhora sabia tanto, por que eles ficaram no seu governo?
Eu soube bem lá pelo fim do governo.

A senhora conviveu muitos anos com eles.
Eu não convivi não, querida. “Yo”, no. Agora, há uma coisa gravíssima no Brasil, que não é se rouba ou deixa roubar, porque isso você pune, prende.

Situação complicada, né? Ela precisa, a um só tempo, atacar o núcleo de Michel Temer, mas não deixar que a coisa espirre pra cima da própria imagem. Aí saem essas coisas até um tanto engraçadas, como dizer isso de Eliseu Padilha, sem mencionar que ele foi seu ministro.

Moreira Franco, então, esteve por quatro anos em seu ministério.

E dizer que soube “lá pelo fim do governo” é algo complicado, considerando que ela convidou Eliseu Padilha para ser seu articulador em 2015.

Eis um problema da esquerda, no geral, e de muitos petistas, em especial: as “narrativas” começam a exigir retoques e os fatos acabam atrapalhando esses enredos.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

Aliado de Temer diz que maioria do PMDB quer o partido fora do governo Dilma

Michel Temer pediu para Dilma não se meter no PMDB, mas em menos de 24 horas lá estava ela justamente se metendo no partido. E isso, claro, causou efeito contrário. A habilidade deste governo não se percebe só na economia ou na ética, mas também na política. E agora é o ex-ministro Eliseu Padilha quem trata do tema.

Segundo ele, a situação pode se agravar – com a chance de ser antecipada a convenção – caso o governo force a barra com as questões internas do PMDB. Como o governo JÁ ESTÁ FAZENDO ISSO, parece que as coisas tendem a ser mesmo ruins para Dilma (ou seja, boas para o Brasil).

Dilma Rousseff - PMDB

Padilha ainda afirma que, hoje, a maioria do partido quer pular fora do governo. Nossa sugestão é que façam isso logo.

Ministro aliado de Temer já pula fora do governo Dilma

Ontem mesmo falamos das articulações adiantadas de Michel Temer. Parado, definitivamente, ele não está. E muito menos estariam seus aliados mais próximos. Pois soma-se a isso um outro fato nada desprezível: Eliseu Padilha, por ora ainda Ministro da Aviação Civil, anunciou que sairá do governo.

Eliseu, vale lembrar, chegou a ser um interlocutor pró-governo junto ao congresso e, justamente no momento em que partidos escolherão seus membros para a “Comissão Especial” do impeachment de Dilma Rousseff, ele pede o boné do ministério – lembrando que se trata de um dos principais aliados de Temer, o que só adensa as teorias.

Pode ser o início de uma debandada.