A dura crítica de Vera Magalhães a uma mentira descarada espalhada pela grande imprensa

Máquina de escrever

Aécio Neves não fez por merecer que ninguém o defenda. Mas isso não autoriza à imprensa espalhar mentiras impunemente. Vera Magalhães, que vem se convertendo num raro caso de jornalista que acerta muito mais do que erra, não poupou verbos para repudiar uma fotografia publicada pelo Correio Braziliense e replicada em vários outros jornais de porte igual ou superior.

Sem ressalvas para com a postura do tucano, Magalhães destacou as capas de jornais como O Globo e Folha de S.Paulo, que publicaram uma foto de um medroso senador escondido por trás de uma persiana. Mas a foto não era de Aécio, e sim de um dos assessores. Pior: os autores já tinham sido alertados do erro quando decidiram vendê-la para o resto do país.

O resto, a própria Vera explica no vídeo abaixo:

Eu acho que isso diz muito sobre a imprensa, isso cobre de vergonha a imprensa.

Como bem destacou a jornalista, a imprensa deve desculpas – e das sinceras – aos próprios leitores.

Video: com câmeras escondidas, projeto independente coloca rede CNN em péssimos lençóis

Mais uma vez, indicamos o belo trabalho da página Tradutores de Direita. Desta vez, a equipe legendou um vídeo interessantíssimo, do Projeto Veritas, que inclui gravações com câmera escondida com funcionários da rede CNN. Confiram, voltamos em seguida:

Pois é. Seria questão de tempo até que iniciativas como o Projeto Veritas passassem a DE FATO fiscalizar a imprensa. Recentemente, aliás, três executivos da CNN pediram demissão após artigo ligando EUA e Rússia – e o artigo foi apagado.

Vídeo legendado: Marine Le Pen dá uma lição à imprensa sobre “fake news”

Já há um tempo, a “máscara” da imprensa caiu, e a opinião pública vem percebendo que, salvo raras exceções, não há jornalistas no comando da notícia, mas militantes tentando emplacar pautas esquerdistas. Marine Le Pen é a principal candidata da direita francesa nas próximas eleições presidenciais. E, no vídeo mais abaixo, dá uma lição à repórter sobre “fake news”.

De uma maneira menos rude, mas mais incisiva, reprisou o sentimento de Donald Trump ao apontar para a CNN e dizer: “You are fake news”. A imprensa tradicional vive tomada por notícias infundadas, nada verificadas ou mesmo teorias conspiratórias. E só se deu a reclamar de notícias falsas após confirmar que a sua candidata a presidente dos Estados Unidos perdeu.

Não há democracia se não há imprensa livre. Mas a imprensa ocidental segue parasitada por militantes esquerdistas, o que força a opinião pública a buscar meios alternativas de informação. Eles não são perfeitos, mas são o que há para o momento. Com o tempo, quem sabe, atingem um nível maior de profissionalismo e conseguem salvar o mesmo jornalismo hoje morto pelo progressismo.

Onde estavam os “fact-checkers” quando trocentas “fake news” ajudaram a reeleger Dilma?

Ao anunciar que montou uma equipe para combater o que vem chamando de “fake news”, O Globo citou como exemplo de eventos afetados por elas: a eleição de Donald Trump, o resultado do Brexit.

Antes de mais nada, isso em si já seria “fake news”: até o momento, não há qualquer estudo sério que aponte a disseminação de notícias falsas como fator preponderante para os resultados atingidos. Os poucos que se debruçaram sobre o tema descartaram a hipótese.

Mas é curioso que a imprensa use como exemplo dois eventos que deram vitória ao eleitor conservador, e esqueça um tão mais próximo que foi tão ou mais afetado por mentiras espalhadas pela militância partidária. Ou o jornalismo brasileiro já esqueceu o que aconteceu em 2014?

Naquela eleição, as redes sociais espalharam todo tipo de absurdo sobre os principais adversários de Dilma Rousseff: Marina Silva e Aécio Neves. Eram episódios envolvendo violência física, consumo de droga, abuso de poder e até mesmo casos de corrupção que teriam chegado à casa do trilhão de reais.

Onde estavam os “fact-checkers” em 2014? Por que a imprensa não se preocupou em desmentir aquela quantidade inaceitável de boatos? Por que a imprensa reverberava tudo o que o governo dizia sem se preocupar em desmentir a parte que não fazia sentido?

Mais: por que a imprensa esquece que aquela foi uma eleição tomada por mentiras?

Fato é que Dilma Rousseff se reelegeu. E o tempo se encarregaria de desmentir praticamente tudo o que foi cantado pelo governismo em 2014.

Jornalismo brasileiro promete lutar contra a disseminação de notícias falsas. Agora?!

Jornais empilhados.

Mais um jornal brasileiro anunciou em tom de festa que iniciará uma guerra contra o que a imprensa vem chamando de “fake news”. Ele promete “checar de discursos e anúncios de autoridades a boatos disseminados nas redes sociais“. E que agora a, digamos, “força-tarefa” vai “orientar todos os jornalistas da Redação a fazer checagens“.

Calma lá. Agora?!

Talvez a principal função do jornalista seja checar informações antes de ampliarem-na a um grande público. Ao tomar tal atitude, a imprensa não percebe a confissão feita à opinião pública: reverberava todo tipo de mentira vinda de autoridades, ou mesmo boatos, sem a devida checagem.

O leitor do Implicante conhece isso muito bem pois, há tempos, publica-se aqui desmentidos sobre notícias fajutas altamente reverberadas não por sites minúsculos e desconhecidos, mas por grandes veículos de comunicação em atividade há décadas.

As “fake news” nada mais são do que aquilo que a esquerda costumava chamar de “factóide”, uma desconfiança que não se justificava por nenhuma evidência real, mas apenas por um desejo de ter o que atacar.

Essa imprensa segue perdida. E, quanto mais fala, mais percebe-se o seu jogo.

Simplesmente não há estudo sério corroborando a tese das “fake news” explorada pela imprensa

Jornais empilhados.

No último domingo, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria gigantesca corroborando a tese de que as mudanças políticas observadas em 2016 nasceram de notícias falsas – as “fake news” – publicadas nas redes. Mas de onde tiraram essa ideia?

O texto apresenta vários estudos. O solicitado pelo próprio jornal à Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, simplesmente renega o fenômeno. Confiram o que a própria Folha publicou:

“O Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP (Universidade de São Paulo), mediu o engajamento de notícias no Facebook durante três momentos de 2016: a aprovação do impeachment de Dilma no Senado, a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a provação em primeiro turno da PEC 241, que fixou um teto para o crescimento dos gastos públicos federais. Os sites de notícias falsas são minoritários no ranking das com maior engajamento.”

Foi citada também uma pesquisa do Birô Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos. Mas eles também rejeitaram a ideia.

“Nos EUA, estudos recentes relativizam a influência das “fake news” na eleição de Trump. Um deles, do centro de pesquisa NBER (Birô Nacional de Pesquisa Econômica), concluiu que as mídias sociais tiveram papel “importante, mas não determinante”. Foram apontadas como fonte de informação mais importante por somente 14% dos americanos (contra 57% da TV, por exemplo).”

E no que a Folha baseou as longuíssimas quatro páginas publicadas no fim de semana? Em dois estudos, ambos do Buzzfeed (aquele site de entretenimento que recentemente abriu uma editoria política) que se debruçou sobre um total de 60 notícias. Para efeito de comparação, isso não dá um dia de atualização em sites como o Antagonista. É praticamente nada:

Segundo um estudo do site BuzzFeed, as 20 notícias falsas sobre a eleição americana com maior engajamento no Facebook nos três meses que antecederam a votação geraram mais engajamentos (8,7 milhões) que as 20 notícias reais com mais reações publicadas por grandes veículos (7,3 milhões).

O BuzzFeed brasileiro chegou a resultado semelhante em relação a notícias sobre a Lava Jato publicadas em 2016: as dez falsas com mais engajamento no Facebook (3,9 milhões) superaram as dez verdadeiras (2,7 milhões)”

Em quem confiar? No Buzzfeed? Ou na USP e no Birô Nacional de Pesquisa Econômica (que renegam a ideia)?

O Implicante confia na lógica.

Donald Trump disse que não mais chama a CNN de “fake news”, mas de “very fake news”

A imprensa americana inventou a falácia das “fake news”, aquela que, sem nenhum estudo que corroborasse a tese, decidiu que Donald Trump foi eleito graças a notícias falsas. Queria com isso censurar sites alternativos que apresentam uma visão de mundo destoante do esquerdismo jornalístico. Na primeira oportunidade, contudo, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. E Donald Trump chamou a CNN, uma das maiores redes a vender a tal narrativa, de “fake news”.

Na coletiva deste 16 de fevereiro, emissora e presidente americano novamente se encontraram. E a CNN novamente veio com a falácia sobre “fake news”. Mas Trump prometeu não mais chamar a CNN de assim. Quando o gesto parecia estar sendo aceito pelo jornalista, ele completou com o termo que passaria a usar: “very fake news”.

https://twitter.com/mafiasumers/status/832332605488058368

Claro, era uma piada. E das boas. Tanto que o repórter da CNN entregou-se aos risos, assim como os correspondentes dos demais veículos de comunicação.

Mas é bom a CNN se acostumar. Nada indica que o novo apelido não irá pegar.

A imprensa deu tiro no pé: a falácia das “fake news” foi usada para banir a CNN da Venezuela

Quando Donald Trump surgiu vencedor das eleições americanas, sem qualquer estudo que desse suporte à teoria, a imprensa do mundo todo se deu a repetir que o republicano só logrou êxito em decorrência de notícias falsas, ou as “fake news”. Tudo isso, contudo, era um enorme falácia para forçar as empresas de tecnologia a censurarem sites alternativos que, por não rezarem pela cartilha esquerdista do jornalismo, estavam atraindo mais atenção na internet.

Contudo, o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. E tem se tornado comum o uso do argumento “fake news” para rebater bombas plantadas no noticiário pela mídia mais velha. Ao ponto de a primeira grande vítima ser justamente uma das entusiastas do termo: a CNN, que foi banida pela ditadura venezuelana sob o argumento de estar popularizando notícias falsas no país.

O mais irônico? Agora a CNN em espanhol está precisando se valer de um meio alternativo para manter-se no ar. E vem explorando um canal de YouTube para isso.

Como se diz “karma is a bitch” em espanhol?

Por que de repente a guerra contra as “fake news” tornou-se tão urgente

Um grupo de 1500 pequenos acionistas do Facebook apresentou, em 3 de fevereiro, uma proposta para destituir Mark Zuckerberg da função de presidente do Conselho Diretor do Facebook. Caso a moção seja acolhida, Zuckerberg passará a ser apenas CEO da rede social, deixando de cumular as duas funções, e perderá poder na rede social que criou.

Mas esse não é qualquer grupo de acionistas, contudo. São pessoas ligadas a uma organização denominada “SumOfUs”, que, segundo descrição em seu próprio website, é “devotada a conter o poder crescente das empresas” que, “quando deixadas sem controle, não permitem que nada fique em seu caminho quando se trata de lucros cada vez maiores”.

No pedido apresentado ao Facebook, a organização afirma que, em sua opinião, a mudança representará maior valor aos acionistas individuais – uma contradição em termos, já que seu objetivo declarado é restringir o lucro, e não há maior valor para o acionista individual que uma empresa que paga dividendos. Nesse sentido, em 1 de fevereiro o Facebook anunciou um faturamento para o quarto trimestre de 2016 na casa dos US$ 8,81 bi, acima das previsões de US$ 8,51 bi dos analistas de Wall Street, pagando US$ 1,41 por ação, contra US$ 1,31 esperados. A empresa vai muito bem, e não parece que o atual modelo de governança tenha qualquer problema.

O VERDADEIRO motivo do pedido vem expresso no penúltimo parágrafo da moção:

“Nós acreditamos que uma liderança independente seria particularmente construtiva para o Facebook na medida em que nossa empresa enfrenta críticas cada vez maiores no que concerne ao seu papel na promoção de notícias enganosas; censura, discurso de ódio e alegadas inconsistências na aplicação dos padrões da comunidade do Facebook e políticas de conteúdo; mirando em anúncios baseados em raça; colaboração com forças policiais e agências governamentais; e exigências de prestações de contas públicas a respeito do impacto das práticas do Facebook nos direitos humanos”

Basicamente, os 1.500 acionistas que assinam a moção, todos vinculados à SumOfUs, estão incomodados com a “promoção de notícias enganosas”, “discurso de ódio” e “impacto das práticas do Facebook nos direitos humanos”.

Um mergulho mais atento no site da SumOfUs revela que a organização tem em sua mesa diretora Keith Goodman, que trabalhou na AFL-CIO (o maior sindicato do mundo), para o Partido Democrata e para a campanha de Barack Obama, além de ter aconselhado “dezenas de organizações progressistas”. Outro dos diretores da SumOfUs é Tate Hausman, que também é diretor do Analyst Institute, “um laboratório de inovação que desenvolve novas ferramentas e estratégias para progressistas”, tendo sido ainda diretor da MoveOn.org e de iniciativas de mobilização dos eleitores para que votassem em Barack Obama.

Pra quem não sabe, a MoveOn é a organização de George Soros que desde a década de 90 despeja dinheiro em quantidade em campanhas de políticos de esquerda, além de promover anúncios difamatórios contra qualquer político mais ou menos conservador.

Durante boa parte das últimas três décadas, nós todos ouvimos ad nauseam o discurso acerca da necessidade de se implantar alguma forma de “controle social da mídia”. Seus proponentes, que sempre confundiram “estado” e “sociedade”, conheciam o perigo de uma força como a da mídia ser deixada de fora do controle do poder central.

Todos se lembram da comoção gerada pela capa da “Veja” às vésperas da eleição de 2014 (a famosa “Eles sabiam de tudo”). Diante daquilo, a resposta do PT foi representar ao TSE, acusando a revista de cometer “abuso do direito de informar”, seja lá o que isso signifique aqui na Terra do Nunca, o lugar em que todos são favoráveis à liberdade de expressão, mas sem exageros, por favor.

Como esse negócio de devido processo legal é muito lento e formal, os soldadinhos da União da Juventude Socialista vandalizaram a sede da Editora Abril na sexta feira em que a revista foi às bancas, gritando palavras de ordem defendendo esse “controle social”. Possivelmente eles mesmos pensavam estar exercendo um controle “democrático” ao pichar a fachada do prédio, ao despejar lixo na calçada e ao ameaçar os funcionários da editora. Nada mais democrático do que a ação direta na propriedade e na vida dos inimigos do povo.

O diabo é que a Veja (assim como a Carta Capital e a Caros Amigos) não é uma concessão pública: é um veículo privado, que não depende de favor de nenhum governo pra circular. O dono da revista é o dono do editorial, fazendo o que bem entender dele, e a Veja, a Carta Capital e a Caros Amigos não têm que cumprir nenhuma “função social” pra existirem: o único dever delas é informar, da forma que bem quiserem. Elas farão isso você gostando ou não do que está escrito, porque você não é obrigado a comprar a revista, nem sequer lê-la. É claro que elas não fazem isso irresponsavelmente: estão em vigor os artigos 139, 140 e 141 do Código Penal, e se alguém cometer calúnia, injúria ou difamação, pode responder no âmbito do devido processo legal, que é exatamente o que os jovens socialistas acima referidos nunca vão entender, porque pra eles a ação direta é mais eficaz que a velha democracia liberal, com seus freios e contrapesos, com seus direitos e garantias individuais, e com seu conceito de sociedade civil separada do estado.

É possível defender “controle social da mídia” se a mídia é uma concessão pública que utiliza o espectro eletromagnético (um bem de natureza difusa, insuscetível de apropriação) para difusão, mas não há controle social da mídia sobre o editorial de um jornal ou de uma revista que qualquer um pode pagar pra imprimir e distribuir, e nem sobre o conteúdo que cada um aqui gera cada vez que comenta algo numa rede social, que posta algo num blog, ou que publica um vídeo no Youtube.

Dando nome aos burros, controle social da mídia é um eufemismo para CENSURA pura e simples, porque seus defensores acreditam que o estado É o povo, e a mídia é uma força grande demais pra existir fora ou independentemente do estado. Eles sabem que, por mais poderosos que sejam, nunca estarão realmente seguros se não detiverem o controle da comunicação social. E como não dá pra ter uma imprensa oficial única no Brasil, como um Pravda ou um Granma em Cuba e na extinta URSS, o jeito é disfarçar o impulso totalitário atrás de um nome bonito e inofensivo como “democratização dos meios de comunicação”, exatamente como fizeram na Venezuela, pais em que toda a mídia é agora chapa-branca. É exatamente esse processo que fica claro no episódio da depredação da Editora Abril: na impossibilidade de calarem o editor por vias legais, os guerreiros da justiça social o calam pelas vias de fato.

Desde então, entretanto, dois processos se consolidaram: o primeiro, as redações foram quase todas aparelhadas. É quase impossível hoje em dia encontrar um jornalista que não esteja alinhado ao consenso politicamente correto. É possível prever com segurança a opinião de 9 entre 10 jornalistas em assuntos como aborto, drogas, casamento de pessoas do mesmo sexo, imigração e porte de armas. O cenário das redações hoje é de uma homogeneidade progressista pastosa e monótona.

Segundo, a mídia tradicional perdeu audiência, substituída pela internet. Cada vez mais gente consome informação de cada vez mais fontes, e cada vez mais gente produz e dissemina seu próprio conteúdo a partir de mídias sociais e plataformas independentes. Estima-se que mais de 2/3 dos 156 milhões de usuários norte-americanos do Facebook utilizem a rede social como principal ou única fonte de informação.

Não há mais, portanto, sentido em controlar seis ou sete grandes conglomerados, quando jovens de vinte e poucos anos sem nenhum respeito pelo status quo e morando numa cidadezinha do interior de Santa Catarina ou Pernambuco podem escrever o que quiserem, sem intermediários, contando com uma audiência nacional maior do que a da Veja ou da Carta Capital por várias ordens de grandeza.

O campo de batalha se deslocou, mas as armas já estavam à disposição dos contendores: rotular de “discurso de ódio” qualquer dissenso, ou de “notícia falsa” qualquer coisa cuja publicação não interesse ao avanço da causa progressista. Após o resultado do Brexit, e, principalmente, após a eleição de Donald Trump, conglomerados como Google e Facebook foram publicamente acusados de “não terem feito o bastante” para coibir a disseminação de notícias falsas, já dando como certo que os dois eventos ocorreram não porque o povo assim quis, mas porque foi enganado. Esqueceu-se, por exemplo, que as campanhas de Barack Obama em 2008 e 2012 foram pródigas na utilização não só das redes sociais, mas de robôs geradores de clicks, fazendo com que as notícias positivas sobre Obama enterrassem as negativas e parecessem onipresentes nos mecanismos de buscas.

O problema é a definição de “notícia falsa”. O timing do assunto causa desconfiança. Após a vitória de Trump, sob pressão, o Google anunciou no final do ano passado uma ferramenta de fact check, que vai utilizar algoritmos para determinar se um link traz uma notícia falsa, rebaixando-o nos resultados da busca nessa hipótese. Além disso, sites que recebam o rótulo de disseminadores de notícias falsas serão proibidos de utilizar o AdSense para ganhar dinheiro. Mas ninguém sabe como esse algoritmo será calibrado, nem o grau de interferência humana no processo.

Mas a polêmica maior se deu com o Facebook, já que o próprio Zuckerberg veio a público inicialmente afirmando que sua rede não poderia censurar previamente conteúdo dos usuários. Em maio de 2016, o Facebook já havia encerrado a equipe de editores do site, sob acusações de que estariam trabalhando ativamente para remover notícias pró-Trump dos trending topics. No final do ano, Zuckerberg afirmou que 99% das notícias veiculadas no site eram verdadeiras, e o 1% restante não estariam “limitados a um partido o mesmo à política”. Ou seja, ele reconhecia que havia notícias falsas que igualmente prejudicavam candidatos progressistas e conservadores, sem um viés específico. Ambos os grupos seriam simultaneamente vítimas e perpetradores.

Isso é comprovado pela história de Paul Horner, empresário de 38 anos que ganha dinheiro espalhando notícias falsas pela Internet. Numa entrevista em 18 de novembro de 2016, logo após a eleição de Trump, ele admitiu que inventava notícias falsas absurdas numa tentativa de ridicularizar o candidato republicano (que ele declara odiar), mas reconhece que essas notícias acabaram ajudando na eleição do magnata (“Pensava que iam verificar a notícia e que isso faria com que a imagem deles fosse denegrida. É assim que funciona: alguém publica algo que eu escrevo e depois descobrem que é falso e ficam a sentir-se mal.”).

Ou seja, a intenção do autor das notícias falsas era beneficiar Hillary Clinton, mas o resultado acabou sendo o oposto. Um dos apontados “culpados” pela eleição de Trump era eleitor de Hillary.

Há uma guerra, portanto, para limitar o que eu e você vemos na tela dos nossos computadores. A esquerda já desistiu há muito do tal “controle social da mídia”, que há anos saiu da pauta. A luta agora é pelos algoritmos que filtram o conteúdo que chega até nós através da Internet. Está claro que da mesma forma que a mídia foi aparelhada (num momento em que isso é cada dia mais irrelevante), grandes corporações como Google e Facebook também tem seus soldadinhos internos dissidentes, seja na forma de acionistas vinculados a ONGs de inegável pedigree esquerdista, que movem ações para desacreditar quem não se curve ao consenso progressista, seja na forma de funcionários insubordinados que insistem em retirar conteúdo do qual discordam, numa censura prévia que é vedada em qualquer lugar do mundo civilizado.

Mais do que nunca precisamos estar atentos.

Rafael Rosset é advogado há 15 anos, especialista em Direito Ambiental, palestrante e articulista; perfil no Twitter; e no Facebook. Escreve no Implicante às quartas-feiras.

Discurso de ódio, fake news, direitos humanos… Desculpas esquerdistas para te censurarem

Com o objetivo de combater o que a imprensa chama de “discurso de ódio”, o Twitter promete aprimorar as ferramentas para banir usuários que estariam usando a rede social para “prevalentes e danosas formas de comportamento”. Uma das ideias é o sistema marcar como de “baixa qualidade” alguns conteúdos e evitar que se propaguem com a mesma velocidade dos demais.

Mas quem define o que teria alta e baixa qualidade? No Facebook, ex-funcionários já vieram a público confessar que um experimento semelhante calou deliberadamente conteúdo conservador. E é esta a sensação que se tem também no Twitter.

Porque, desde sempre, ofensas correm soltas naqueles poucos 140 caracteres. Contudo, o interesse em conter o avanço de opiniões incômodas só despontou quando estas opiniões pendiam para o lado direito.

Fato é que certas expressões estão sendo usadas como desculpa para censurar quem fala o que não agrada a esquerda. Ou tacham de “discurso de ódio”, ou de “fake news”. Quando é para a coisa ficar mais oficial, como no caso do ENEM, obrigam milhões de estudantes a escreverem em acordo com os “direitos humanos”, como se aquelas ideias não fossem desde sempre questionadas em qualquer meio científico minimamente sério.

Não, o Brasil não mais enfrenta uma censura oficial. Mas o brasileiro vem sendo cada vez mais censurado. Por um discurso contrário à mera discordância. E que disfarça sua sede por calar os adversário sob um véu de bondade, que alega defender a verdade, a humanidade ou ainda combater o ódio. Tudo isso, claro, fazendo pouco caso da liberdade de expressão, a primeira liberdade da qual todo indivíduo usufrui. Isso é um erro. Que precisa ser corrigido.