A ditadura cubana lucrou ao menos R$ 3,27 bilhões com o Mais Médicos

04/10/2015- A menos de um ano do fim do prazo de participação dos primeiros profissionais do Mais Médicos, o governo já estuda como fazer a substituição de até 30% dos integrantes do programa, que é uma das principais bandeiras da gestão Dilma Rousseff.

Em primeira mão, O Antagonista teve acesso à planilha entregue pelo Ministério da Saúde ao TCU. Nela, os números do que o governo brasileiro gastou no Mais Médicos com a Organização Panamericana de Saúde – a OPAS é a entidade que repassa os valores para a ditadura cubana.

Só nestes primeiros quatro anos, o Brasil destinou R$ 5,74 bilhões à organização. Praticamente um quarto deste valor (R$ 1,38 bilhões) ficou com a organização, sobrando R$ 4,36 bilhões para o salário dos médicos. Contudo, estes também só embolsam um quarto da fatia, algo em torno de R$ 1,09 bilhão, restando R$ 3,27 bilhões para o governo de Cuba.

Para efeito de comparação, o Porto de Mariel saiu do chão com R$ 2,4 bilhões emprestados pelo BNDES. Como bem apontou o Antagonista, a cifra também supera os gastos brasileiros com o aeroporto de Havana – por volta de R$ 525 milhões.

Somados os “investimentos” do BNDES com o Mais Médicos, Cuba já recebeu aos menos R$ 6,25 bilhões dos cofres públicos nacionais. Ao acrescentar salários e comissão da OPAS, a cifra se aproxima dos R$ 9 bilhões. Tudo isso durante a maior recessão da história do Brasil.

Por relato da Odebrecht, conclui-se que você pagou a eleição de aliados do PT noutros países

08.10.2013 - Marcelo Odebrecht. Global mega trends looking forward to 2020 and beyond in key application markets. Foto: Worldsteel.

Nos depoimentos que tem dado ao TSE, a Odebrecht vem adiantando o que delatou à Lava Jato. Um dos pontos mais importantes foi confessado por Hilberto Silva. A empreiteira teria bancado as campanhas feitas por João Santanna em El Salvador, Angola, Venezuela, República Dominicana e Panamá.

Porque isso é importante: Marcelo Odebrecht já confessou ter se sentido o “otário do governo” por ser forçado a investir em projetos nos quais não acreditava. Em outras palavras, em troca de uma fatia maior do orçamento público, a empreiteira irrigava o caixa dois do partido nas principais eleições. E, ao que tudo indica, a coisa extrapolava as fronteiras do Brasil, atingindo até mesmo nações que findariam numa ditadura, como a Venezuela.

Ou seja… Seu dinheiro, caro leitor, teria servido indiretamente para eleger forças esquerdistas na América Latina e até mesmo na África. E há quem acredite que o Foro de São Paulo era apenas uma teoria conspiratória contada contra o PT.

Por 20 anos, a Odebrecht pagou milhões de dólares a grupo terrorista da esquerda colombiana

As FARC são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Com elas, não há meio termo: fazem uso do terrorismo para tentar implementar o socialismo em território colombiano. A inspiração é assumidamente marxista-leninista. Teriam por volta de 8 mil combatentes e, no intervalo de dez anos, sequestraram 6 mil alvos políticos, mantidos em cativeiro na selva amazônica.

Pois bem… Por duas décadas, a Odebrecht pagou uma mensalidade às FARC. Coisa gorda, entre 50 mil e 100 mil dólares. Tudo isso para poder atuar na região controlada pelos guerrilheiros. No melhor cenário, isso daria por volta dos 12 milhões de dólares. No pior, o dobro, algo perto dos R$ 70 milhões – na cotação atual.

Os fatos já são de conhecimento da operação Lava Jato, pois foram confessados pela empreiteira aos investigadores.

A Lava Jato chegou ao Foro de São Paulo

Ignorado por 13 de cada 10 analistas internacionais com espaço na grande imprensa do Brasil, o Foro de São Paulo é um dos fenômenos mais importantes na história recente da América Latina. Trata-se da aglomeração dos principais líderes e partidos de esquerda do continente, quase todos eles vitoriosos em seus países: Cuba, Venezuela, Brasil, Bolívia, Equador, El Salvador, etc. É verdade que nos últimos anos o Foro tem sofrido algumas derrotas, mas a solidariedade dos seus membros segue atuante. Durante o impeachment de Dilma, por exemplo, alguns presidentes estrangeiros se declararam contra o processo. Imaginem qual seria a reação da esquerda brasileira se um presidente estrangeiro se declarasse a favor…

Como nem a imprensa nem a academia investigam muito o Foro, pouco se sabe, por exemplo, sobre o financiamento da organização, que realiza (para citar uma atividade prática que custa dinheiro) encontros anuais em hotéis. Tínhamos acesso apenas a informações pontuais, como por exemplo que o programa Mais Médicos foi concebido para patrocinar a ditadura cubana. Também já era conhecida a atuação do ex-poderoso João Santana, o de facto 40º ministro de Dilma, em eleger presidentes no exterior. Mas agora muito mais informação sobre o Foro será revelada, graças à Lava Jato.

Reportagem de “O Globo” dá conta de que a Lava Jato já interrompeu obras em seis países latino-americanos: Argentina, Cuba, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Venezuela. O país com o maior volume de recursos, adivinhem só, é a Venezuela. Segundo o jornal, “[o]s projetos [suspensos] somam US$ 5,7 bilhões e representam 58% do valor destinado pelo banco para financiar a exportação de serviços de engenharia brasileiros na região entre 2003 e 2015”. O ano de 2003, claro, não está lá à toa. Segue o jornal:

“Nas últimas décadas, o Brasil se mostrou um parceiro endinheirado e exerceu seu poder para atrair aliados políticos na América Latina, Caribe e África. Entre 2005 e 2010, os empréstimos do BNDES quase quadruplicaram em dólares. Em um único ano, 2010, o banco brasileiro chegou a emprestar quase US$ 100 bilhões, três vezes o valor investido pelo Banco Mundial (Bird).”

As delações dos executivos da Odebrecht e o inevitável avanço da Lava Jato sobre o BNDES vão revelar muito ainda sobre como se deu a ascensão da esquerda na América Latina durante os anos 2000. Um tópico que, por incrível que pareça, não parece interessar muito aos acadêmicos ou jornalistas de esquerda da América Latina…

Uma reação possível às novas revelações será dizer que como a esquerda está sofrendo derrotas agora, então o Foro nem foi tão relevante assim. Já tem acadêmico dizendo isso à BBC. É um raciocínio saboroso. Por essa lógica, o Império Romano, o feudalismo e a União Soviética não foram relevantes. Afinal, eles já acabaram…

Cedê Silva é jornalista. Escreve muito poucas vezes no medium.com/@CedeSilva e pouco muitas vezes no twitter.com/CedeSilva. Escreve no Implicante às sextas-feiras.

Documentos mostram como Lula ajudou os homens que destruíram a Venezuela

30.09.2005 - Hugo Chávez e Lula. Foto: Agência Brasil.

Ter acabado com a economia brasileira já seria péssimo para o currículo da esquerda neste século. Mas o estrago na Venezuela foi muito maior. O país vive uma tragédia humanitária com direito a refugiados em fuga para o Brasil.

Documentos obtidos pela Veja mostram como Lula teve participação ativa na reeleição de Hugo Chávez, o presidente que legou o ditador Nicolás Maduro aos venezuelanos. Meses após a eleição de Dilma, o petista atuou junto ao embaixador venezuelano para encaixar João Santana, marketeiro do PT, na campanha que conseguiria mais um mandato para o chavismo.

Já há notícias de que OAS e Odebrecht arcaram clandestinamente com as despesas de campanha dos chavistas. Se um ponto estiver ligado ao outro, e Lula já é réu por lobby feito em benefício da segunda em Angola, a coisa só vai se complicar ainda mais para o lado dele.

As cenas dos próximos capítulos prometem.

Como Serra pode ajudar a destruir o PT

Quatro palavrinhas estão faltando de todas as análises e reportagens sobre a atual briga entre o ministro José Serra e o governo da Venezuela: Foro de São Paulo. Parece incrível, mas em pleno 2016 ainda existem jornalistas e acadêmicos ignorando a variável mais relevante da política internacional da América Latina na última década. Apenas o Foro de São Paulo pode explicar por que o Brasil do PT, tão carinhoso com a maior parte dos vizinhos, tratou a tapas Paraguai e Honduras quando da deposição de Fernando Lugo e Manuel Zelaya. Apenas o Foro de São Paulo pode explicar um programa como o Mais Médicos. E apenas o Foro de São Paulo explica porque o Brasil de Dilma não apenas expulsou o Paraguai do Mercosul, como aproveitou essa ausência para malandramente incluir a Venezuela no clube.

A presença da Venezuela no Mercosul virou um tabu para os acadêmicos e analistas de plantão, como se ela tivesse direito divino a um assento. Como petistas magros não lutam sumô, eles não querem eslarecer se a presença do país no bloco faz sentido em termos comerciais – para citar um exemplo, as exportações brasileiras para a Venezuela despencaram 63% no primeiro semestre deste ano, porque os empresários daqui têm medo de não receber. Um quilo de frango lá pode custar mais de 300 reais. Esta reportagem do Daily Mail mostra parte da destruição causada pelo chavismo: prateleiras vazias, famílias procurando comida no lixo, filas de centenas de pessoas para comprar um litro de óleo, uma moça chamada Marlene que perdeu 20 quilos de tanto passar fome. Os “analistas” também evitam a questão básica de se a Venezuela cumpre ou não o Protocolo de Ushuaia (ou seja, se é um país democrático e portanto pode fazer parte do Mercosul).  A documentação sobre a situação política da Venezuela é vasta e não preciso citar exemplos aqui (mas podemos lembrar como foram tratados nossos senadores).

Como os “analistas” de sempre não querem nem saber do Foro de São Paulo, não conseguem enxergar o que está acontecendo. E o que está acontecendo hoje é resultado de um ponto cego no horizonte de consciência dos líderes do Foro: eles jamais previram o que poderia acontecer a seus planos no caso de alternância de poder (ou seja, José Serra no Itamaraty). Isto porque a cartilha do Foro consiste justamente em perpetuar os partidos-membros no poder:

– Chávez (Venezuela), Morales (Bolívia), Correa (Equador) e Ortega (Nicarágua) alteraram as constituições de seus países para obter mais mandatos;

– Zelaya (Honduras) tentou fazer o mesmo e foi deposto;

– Mujica (Uruguai) não teve necessidade porque passou a faixa para seu antecessor Tabaré;

– Lula flertou com a possibilidade de um terceiro mandato até meados de 2010 (e cogitou o Volta Lula em 2014), decidindo-se por eleger Dilma e viajar pela Odebrecht (primeiro mandato) ou virar ministro (segundo mandato).

Na narrativa “progressista”, a “integração latino-americana” é um fim em si próprio, pouco importando forma ou conteúdo. Ela avançaria sempre, com tropeços ou obstáculos, mas nunca dando um passo para trás. Eis porque a presença da Venezuela no Mercosul vira um tabu.

Mas porque este assunto é tão importante para os petistas? Porque o PT é um partido essencialmente internacional. Com a maior facilidade do mundo, o partido pareceu “angariar” em meses recentes simpatizantes na OEA, na ONU, na Argentina, etc. Fez um júri simulado para gringo ver, tendo na banca da acusação Marcia Tiburi, autora do livro Como Conversar Com Um Fascista (vi a bibliografia do livro. Não consta um só autor fascista). E lançou agora uma cartilha em quatro idiomas para defesa internacional do réu Lula.

Ocorre que todo esse esforço do PT de conquistar simpatias estrangeiras não é amador e nem recente. É parte essencial do partido desde no mínimo a fundação do Foro de São Paulo em 1990, quando o PT tinha apenas 10 anos e acabara de perder uma eleição para Collor. O PT passou muitos anos costurando essas alianças internacionais; não é à toa que tantos aliados vêm ao seu socorro agora.

Ao colocar em risco parte do “legado” do PT – neste caso, a presença da Venezuela no Mercosul e o total silêncio sobre as credenciais democráticas de Caracas – José Serra está atacando uma parte muito sensível do esquema peteba de poder. Ainda tontos com o impeachment, e obviamente com medo de uma prisão de Lula, eles se fecham na defesa de seus camaradas estrangeiros.

Cedê Silva é jornalista. Escreve muito poucas vezes no medium.com/@CedeSilva e pouco muitas vezes no twitter.com/CedeSilva. Escreve no Implicante às sextas-feiras.

Venezuela pode ficar sem cerveja

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Às vezes, mesmo as maiores tragédias só ganham o interesse popular quando surgem aspectos de maior comoção e desespero generalizado. No caso da Venezuela, onde falta desde comida até papel higiênico, talvez a falta da preciosa CERVEJA cause o alvoroço final necessário.

Ou ao menos dê um sinal claro para nossa militância mais festiva, que não vê problema na falta de itens considerados “essenciais”. Pois bem: faltará também cerveja (essencial à festa dos militantes).

Enfim, confiram trecho da reportagem de João Pedro Caleiro, na Exame:

“A crise da escassez na Venezuela está atingindo um dos produtos mais queridos da população: a cerveja. De acordo com a Federação Venezuelana de Licores (FVL), 7 das 24 regiões do país já estão com falta da bebida e a oferta pode cair dramaticamente em breve se nada mudar. “No dia 3 de agosto desaparecerá 80% do fornecimento de cerveja e malte e isso significa a quebra do setor”, de acordo com Fray Roa, porta-voz da instituição. Ele diz que isso colocaria em risco 400 mil empregos diretos e 1 milhão de empregos indiretos.”

Se alguém ainda não tinha motivos suficientes para repudiar o bolivarianismo chavista, taí a última gota (literalmente).

Crise na Venezuela: Embaixador recebeu ordens para abandonar comitiva brasileira

venezuela2A relação de submissão do governo brasileiro aos “parceiros” do Mercosul chegou ao ápice na crise do ataque à comitiva de autoridades do país que foi à Venezuela verificar as condições dos presos políticos. Descobre-se agora que o governo Dilma deu ordens diretas para que o grupo de senadores fosse abandonado antes dos ataques. Vejam a reportagem do jornal O Globo:

Para evitar ruídos na relação com o governo de Nicolás Maduro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, determinou que o embaixador Ruy Carlos Pereira prestasse toda a assistência logística à comissão oficial de senadores brasileiros durante sua viagem a Caracas, na semana passada, mas não os acompanhasse na agenda política com líderes da oposição e familiares de presos. A informação foi revelada neste domingo por organizadores da viagem de senadores brasileiros a Caracas, que pediram anonimato.

Ao final de uma quinta-feira tumultuada, o governo brasileiro foi alvo de críticas dos senadores, que, acuados por manifestantes, não conseguiram cumprir a agenda prevista no país e se disseram abandonados por Ruy Pereira. Neste domingo, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) confirmou que, na véspera da viagem, fora informado de que o embaixador não acompanharia a comitiva, mas afirmou que havia a promessa da presença de um conselheiro. Para ele, o principal problema foi a “ambiguidade do governo brasileiro em relação à viagem”.

Segundo os organizadores da viagem revelaram, a determinação de Vieira fora comunicada ao diplomata Eduardo Saboia, assessor da CRE, na véspera da chegada da missão liderada pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves e por Nunes.

Como pôde ser lido, gente do próprio governo denunciou o ocorrido.

Brasil no topo da lista de calote da ONU

dilma onuNotícia dada em primeira mão por Jamil Chade em seu blog, no Estadão:

A dívida do Brasil na ONU aumenta em 52% e o governo deve à entidade R$ 781 milhões, cerca de US$ 258 milhões. A dívida é a segunda maior do mundo, superada apenas pela conta dos EUA que ajuda com uma contribuição 20 vezes maior que a do Itamaraty..Hoje,o País foi citado em um comitê financeiro da ONU numa “lista negra” dos maiores devedores, distribuída a todos os governos e funcionários.A publicação tem como meta constranger o País devedor.

Ao final de 2014, o Estado revelou com exclusividade que o Brasil devia US$ 76,8 milhões ao orçamento regular da secretaria da ONU, além de outros US$ 87,3 milhões para as operações de paz dos capacetes azuis e US$ 6 milhões que são destinados para os tribunais internacionais criados pelas Nações Unidas. No total, US$ 169 milhões.(…)

Em um ano, a dívida geral dos governos com a ONU aumentou em US$ 175 milhões. O Brasil foi responsável por mais da metade desse aumento.

Desde a chegada do PT ao poder, a diplomacia brasileira privilegia as relações diplomáticas com ditaduras árabes, ditaduras africanas e países do eixo bolivariano da América do Sul. O país foi entusiasta da criação da Unasul, associação de países que girava na órbita do chavismo. Após criada, a Unasul começou a ser deixada de lado por outros países e vive agora uma crise.

No ano passado, o Brasil também deu calote na Organização dos Estados Americanos (OEA). Leiam o post de Reinaldo Azevedo sobre isso.

Entidade latino-americana, que reúne FARCs e Partido Comunista Cubano, declara apoio a Dilma

Da Exame:

dilma fidel

O 20º encontro do Foro de São Paulo em Laz Paz começou com um pedido de apoio à reeleição de Dilma Rousseff, para o presidente da Bolívia, Evo Morales, e para o ex-presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez. Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo para a reunião, pedindo aos bolivianos que votem em Evo, que aspira a um terceiro mandato, até 2020. Lula também falou sobre uma “eleição muito importante” que esperam ganhar, em referência à campanha de Dilma, que governa desde janeiro de 2011. Mônica Valente, secretária executiva do Foro, declarou em seu discurso: “Nosso desafio em outubro é eleger Dilma, Tabaré e Evo Morales”.