Prisão de Geddel, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, deixa petistas em “cilada narrativa”

Geddel Vieira Lima (PMDB/BA) é aliado de Michel Temer, foi seu ministro e acabou pedindo demissão depois de ser acusado pelo também ex-ministro Marcelo Calero. Geddel Vieira Lima foi preso ontem pela PF. Então, presume-se, os petistas estão batendo bumbo, não é mesmo? Claro que não.

Isso porque o mesmo Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, foi preso sob acusação de fatos havidos entre 2011 e 2013. Na época, ele era Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e, como é sabido, a CEF pertence ao governo federal, que estava sob Dilma no referido período.

O grande problema das narrativas é esse: os fatos não costumam dar atenção a ela, e aí tudo fica complicado. E isso vale também para os “temeristas” (ou o que quer que seja isso), quando dizem que o grupo atual é muito diferente daquele que comandou o país outrora.

Será?

URGENTE: PF prende Geddel Vieira Lima, outro aliado próximo de Michel Temer

Segundo noticia a Folha de SP, Geddel Vieira Lima foi preso preventivamente na Bahia, pela Polícia Federal. Assim como Rocha Loures, que foi preso e depois libertado, trata-se também de um grande aliado de Michel Temer.

No início do novo governo, Geddel pediu demissão ao ser denunciado por Marcelo Calero, então Ministro da Cultura.

Apesar da ligação com Temer, ele foi preso por investigações da Operação Cui Bono, que diz respeito a fatos do período em que esteve na Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, durante o governo de Dilma Rousseff.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

Em mensagem resgatada pela PF, Geddel sugere que Cunha indicava ministros de Dilma Rousseff

Temos falado aqui sobre a providencial “confusão” feita no caso de Geddel Vieira Lima. A ideia é fazer de conta que ele apenas foi ministro de Michel Temer. Porém, o caso investigado ocorreu durante o governo de Dilma Rousseff. Até mesmo a deputada (e também ex-ministra) Maria do Rosário entrou de certa forma nessa “narrativa”.

E agora sai mais essa bomba.

Segundo a PF, em mensagem resgatada de um celular, Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha tiveram uma conversa em que o primeiro disse ao segundo, em tom de brincadeira. Eis o diálogo:

(GEDDEL) “Tá resolvido. Tá na pauta do CD de terça. Vc tá pensando que eu sou esses ministros q vc indicou? Abs.”

(CUNHA) “Ok rasrsrs.”

Muitos risos, não é mesmo? Pois o fundamental está aí, à vista de todos, sem metáforas ou subtextos.

Ao dizer que NÃO é “esses ministros” que Cunha indicou, Geddel deixou claro que havia sim indicações na conta do ex-Presidente da Câmara, agora preso. Como a conversa é de agosto de 2012, já na segunda metade do segundo ano do governo de Dilma, parece um tanto claro o ministério a que Geddel se refere.

Fica a dúvida: quem Cunha indicou? Pois, àquela altura, ele ainda não era um adversário, mas sim aliado. E isso agora acaba se comprovando com mensagens em celular numa conversa repleta de escárnio. Quem diria.

Cara deputada Maria do Rosário, a investigação contra Geddel é do governo Dilma Rousseff…

Publicamos aqui na semana passada que a grande mídia citava Geddel Vieira Lima APENAS como ex-ministro de Michel Temer nas manchetes, guardando a informação mais importante apenas para as letras miúdas. E qual é essa informação? O “simples” fato de que ele ocupava cargo no governo de Dilma Rousseff na época dos fatos agora investigados.

Uma pequena sutileza, não é mesmo? E é claro que isso no fim ajuda na “narrativa”, pois até mesmo parlamentares petistas ignoram a essência da história.

Foi o que houve com a deputada Maria do Rosário (PT/RS); segundo ela, o governo “foi entregue” a Geddel e Cunha. Um foi afastado, o outro está preso; ambos eram da base de Dilma Rousseff e apoiavam o PT até a ruptura na eleição para a presidência da Câmara no início de 2015. O resto é história.

Mas o fundamental é isso: Geddel é investigado por fatos havidos sob a gestão Dilma, e em cargo ocupado POR INDICAÇÃO DO GOVERNO.

Entendem por que é fundamental sempre, sempre, sempre, sempre rebater as “narrativas”? Porque, se deixamos que corram soltas, elas tentam mesmo virar verdade. Mas aqui, não.

Mídia cita Geddel apenas como ministro de Temer, mas escândalo foi no governo Dilma Rousseff

É uma situação bizarra, para dizer o mínimo. Vamos ao resumo: Geddel Vieira Lima, que de fato ocupou cargo de Ministro da Secretaria de Governo na gestão de Michel Temer, está sendo investigado pela PF em um escândalo envolvendo também Eduardo Cunha, sob a acusação de facilitar negócios para empresas junto à Caixa Econômica Federal.

Os fatos investigados, no entanto, dizem respeito à época em que a presidente era Dilma Rousseff. Desse modo, portanto, a informação de que ocupara cargo sob Michel Temer é um fato quase que de segundo plano. Mas não para a imprensa, que em quase todas as manchetes simplesmente OMITE que tudo ocorreu na gestão petista.

Aliás, vale lembrar que também já falam numa boa que a campanha eleitoral julgada pelo TSE é a de Temer, e não de Dilma; já pularam até aquela a menção à chapa toda, e passaram a denominar apenas “campanha de Temer”, o vice (!!!).

Esse tipo de coisa pode ajudar a “bombar” a notícia, mas no fim acaba sendo contraproducente e pega mal, sobretudo nesse ambiente de “pós verdades” e que tais.

Dado curioso: a militância de esquerda acabou ficando numa sinuca de bico, pois de um lado queriam divulgar o fato, de outro não podiam fazer isso por espirrar também no partido que amam. Situação complicada. E divertida, de certa forma.

Não, Michel Temer não sofrerá impeachment pelo “Caso Geddel”; e por dois motivos simples

Depois de longos anos considerando impeachment algo “golpista”, a esquerda e os petistas resolveram mudar de ideia e agora o dispositivo voltou a ser legítimo. Um dado curioso, é claro, mas certamente ninguém ficou surpreso.

Ainda assim, cabe a pergunta: Michel Temer corre o risco de sofrer impeachment pelo “Caso Geddel”? Não, não corre. Não há o MENOR risco de qualquer coisa acontecer por conta disso; e não se trata de um palpite, mas de fato.

Primeiro, pelas razões jurídicas: a alegada conversa que entre o Presidente da República e Marcelo Caleiro, ainda que se supusessem verdadeiras mesmo as piores especulações, não configura motivo de impedimento. Mesmo no hipotético pior cenário, não há base.

O impeachment só pode ser requerido nas hipóteses previstas no Art. 4º da Lei 1079/50. É preciso que o Presidente da República tenha agido contra a Constituição Federal ou contra:

I – A existência da União;
II – O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados;
III – O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV – A segurança interna do país;
V – A probidade na administração;
VI – A lei orçamentária;
VII – A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
VIII – O cumprimento das decisões judiciárias (Constituição, artigo 89).

Não houve nada disso. Mesmo uma exegese bem elástica não chegaria perto de enquadrar qualquer coisa em um desses incisos; e, repita-se, mesmo considerando as hipotéticas versões mais escabrosas e nitidamente falsas.

Porém, o mais importante é o contexto político, porque o Direito é ciência humana, passível de interpretações, mas a política funciona de uma forma ainda mais complicada.

Um impeachment não acontece de uma hora para a outra. É preciso uma somatória de fatores, é preciso uma situação de desgaste extremo, e é preciso além disso o apoio da avassaladora maioria das duas casas legislativas. Se as razões jurídicas são fracas, as eventuais bases políticas de um processo de impeachment contra Temer, agora, são pra lá de anêmicas.

Acreditem, é mesmo MUITO difícil um presidente cair. É preciso que sua relação com o legislativo não esteja apenas fragilizada, mas sim em estado de HOSTILIDADE TOTAL. Não é o caso de Temer, que possui larga maioria – não aquela maioria de mentirinha da Dilma, mas sim o apoio expresso da grande maioria das duas Casas.

Portanto, não, ele não cairá com isso. Mas os petistas seguirão fazendo espuma, e isso é do jogo político. Mas cabe esclarecer que a espuma é só isso mesmo: espuma.

Geddel sobre o PT: “na Secretaria, mil cargos para aparelhar militância política… não trabalhavam”

Josias de Souza - Geddel Vieira Lima

Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo, deu entrevista ao blog do Josias de Souza, no UOL. O que chamou atenção e ganhou manchetes foi o cálculo do ROMBO deixado por Dilma Rousseff: 200 bilhões de reais. Um absurdo, sem dúvida.

Mas muitos outros escândalos surgiram, merecendo destaque a fala sobre o aparelhamento da militância. Segundo o novo ministro, seriam “mil cargos” apenas num único órgão. Imagine o que não aparecerá num levantamento mais amplo.

A seguir, trecho da entrevista:

“Segundo Geddel, o governo realiza um inventário do legado de Dilma. Afora o déficit vitaminado, ele mencionou algumas irregularidades já detectadas. Disse, por exemplo, que o PT explorava politicamente a distribuição de chaves do programa Minha Casa, Minha Vida, sob a responsabilidade do Ministério das Cidades. Mencionou também a existência de funcionários fantasmas na Secretaria de Governo, que era comandada pelo petista Ricardo Berzoini antes da sua chegada.

O PT estava aqui, na Secretaria, utilizando-se de cerca de mil cargos para aparelhar a sua militância política

Esses militantes não trabalhavam?

Não trabalhavam. Estamos trabalhando na identificação desses processos.’

O auxiliar de Temer não chama a herança de Dilma de maldita porque “não seria original”. Prefere dizer que “é uma herança de graves consequências para o país.” Após a conclusão do levantamento, Michel Temer pretende revelar os dados num pronunciamento em rede nacional ou em entrevistas. Geddel afirma que o trabalho é dificultado pela ausência de informações nos arquivos oficiais.

‘Todos estão absolutamente abismados com as notícias que estão recebendo desse inventário, que está sendo feito apesar de todas as dificuldades, de não terem deixado dados, de não terem feito transição, de não terem deixado nada registrado em computadores. Uma coisa que eu chamaria de impatriótica.’” (grifos nossos)

De fato, é FUNDAMENTAL revelar a todos o exato quadro encontrado. Porque, se não o fizerem, a versão falaciosa de que tudo foi entregue “corretamente” pode acabar prevalecendo.