Eduardo Cunha quer para si o mesmo benefício concedido a Dilma Rousseff no impeachment

No dia da votação final do impeachment de Dilma Rousseff, alguns senadores alertaram que a brecha que abriam para a petista seria explorada por todos os políticos, e nomeou Eduardo Cunha para registro das notas taquigráficas da casa. Ou seja… Rena Calheiros e Ricardo Lewandowski usaram o processo não só para facilitar a vida da presidente cassada, mas a de qualquer político cassado deste então.

O caso Cunha deve ser julgado na primeira quinzena de setembro. E já há certeza de que Cunha quer para si a mesma regalia. Ou a lei vale para todos, ou não vale para nenhum.

Absurdo ainda maior é haver uma escolha de beldades que estariam acima dela.

Collor: renunciou e perdeu os direitos políticos; Dilma: foi cassada e os manteve

Ao pé da letra, Fernando Collor de Mello não caiu por causa do processo de impeachment, já que renunciou nos minutos finais na intenção de preservar os direitos políticos. Ainda assim, o Senado reuniu-se para decidir se ele os perderia. Graças a isso ficou inelegível por oito anos, mesmo depois tendo sido inocentado no STF.

Dilma Rousseff não renunciou, foi cassada pelo processo. Perdeu o mandato. E a Constituição é bem clara: uma vez cassado o mandato, há a perda dos direitos políticos por oito anos. No entanto, para protegê-la da Lava Jato, os senadores acordaram entre si uma forma de simplesmente ignorar o texto constitucional e permitir que ela assuma cargos públicos.

Em resumo: Collor, que não foi cassado, perdeu os direitos, enquanto Dilma, que foi cassada, os manteve.

Já é possível dizer que a manobra golpista fez do ex-presidente um dos maiores injustiçados da Nova República.

Esquerdista que concorreu à presidência do Brasil defende fuzilamento dos adversários

Foto: Screenshot do YouTube

Muitos dirão que se trata de uma figura insignificante (o que não deixa de ser, já que ficou em penúltimo lugar na corrida presidencial brasileira no ano passado). Outros tentarão usar a desculpa de que ele citava um “poema”. Mas a verdade é que, se fosse qualquer mísero personagem do “outro lado” com discurso tão repugnante, a imprensa já teria levantado a ficha criminal do meliante ao ponto de ele não mais ter condições de frequentar espaços público.

Disse Mauro Iasi, candidato em 2014 à presidência pelo Partido Comunista Brasileiro:

“Nós estamos dispostos a oferecer a você o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma espingarda com uma boa bala, e vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo, nenhum diálogo.”

Ao final da fala, o público que o ouvia o aplaudiu. Para conferir com seus próprios olhos esse absurdo, clique no player abaixo:

Gilmar Mendes alfinetando Dilma: “Ninguém se mantém no cargo por liminar do Supremo”

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

A ironia veio depois de se negar a comentar as 3 liminares dadas pelo STF no dia em que a oposição prometia deflagrar o impeachment de Dilma. E completou: “Isso depende de legitimação democrática.” Mas comentou que considera normal a Suprema Corte conduzir todo o processo. Lembra também que foi a casa que já presidiu a obrigar os parlamentares, em 1992, a votar abertamente o impeachment de Collor. Por fim, ressaltou a importância do apoio político além da liminar: “Se o presidente não tiver 171 votos, não pode mais ficar no cargo.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Na última vez que um presidente teve contas negadas no TCU, deu um golpe e virou ditador

Foto: Claro Jansson (1877-1954)

A informação foi recuperada pelo blog de Fausto Macedo para o Estadão. Em 1937, um ministro do mesmo TCU que 78 anos depois rejeitaria as contas apresentadas por Dilma Rousseff, emitiu parecer semelhante a respeito dos gastos de Getúlio Vargas em 1936. O parecer cairia no legislativo mais adiante, mas expôs o presidente a um processo de impeachment precipitando o golpe de 37 transformando-o num ditador que comandaria o Brasil até 1945. No meio disso tudo, ainda perseguiu o relator e o aposentou compulsoriamente. Que Dilma não siga o exemplo. E que os brasileiros permaneçam atentos.

Foto: Claro Jansson (1877-1954)
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Tentativa de golpe no TCU fracassa e julgamento de pedaladas de Dilma ocorrerá dia 07/10

Foto: Senado Federal

A defesa pediu o afastamento por suspeição do relator das “pedaladas fiscais” de Dilma. Com a rejeição confirmada na imprensa, cabia à presidente catimbar. Para isso, uma negativa do próprio TCU seria suficiente, pois abriria espaço para o Planalto entrar com um recurso e empurrar com a barriga a definição. Mas os próprios ministros do tribunal encontraram um precedente em que se negara o pedido e já se emendara a votação. Desta forma, o golpe tramado por Cardozo, Adams, Nelson Barbosa e Dilma não vingou. Nesta quarta, 17h, as contas da presidente devem ser negadas e o impeachment de Dilma Roussef tem tudo para dar um enorme passo.

Foto: Senado Federal
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Para opositores, o ataque ao relator das pedaladas mostra autoritarimos do governo Dilma

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Aécio Neves chamou de “atentado à democracia“. Também do PSDB, o deputado Bruno Araújo chamou de “primeira ação institucional bolivariana do PT dentro do Brasil“. Mendonça Filho diz que “o Congresso tem que reagir“.  E o Antagonista já andou sondando nessa madrugada que tudo pode findar num enorme tiro no próprio pé de Dilma. A reação à espalhafatosa coletiva em que Cardozo, Adams e Nelson Barbosa diziam exigir a exclusão do relator das pedaladas fiscais do caso foi tão negativa que os próprios ministros do TCU, que ajudaram na articulação do golpe, já estudam novamente isolar a presidente. Quanto a Eduardo Cunha, passou o fim de semana prometendo lidar com o impeachment ao estilo Pilatos: lavando as mãos e fazendo sua parte independente de suas intenções. Faz de conta que acreditamos.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
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