Nova pedalada: filho de Mantega foi sócio da “Pedala”, que recebeu US$ 5 milhões da JBS

Guido Mantega foi Ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff, o mais longevo no cargo. A economia do país esteve sob seu comando durante muitos, o que no fim das contas não é propriamente um dado louvável. No ano passado, por exemplo, o TCU inabilitou o ex-ministro por conta das “pedaladas fiscais”.

Sim, o procedimento que depois derrubaria a própria Presidente da República.

Mas como no Brasil a política acontece muitas vezes como tragicomédia, quis o destino que tal palavra voltasse à baila para Mantega. Agora, por meio da delação da JBS, revelada com exclusividade pelo Antagonista, e confirmada pelo jornal O Globo.

Em síntese: Joesley Batista afirma que Guido Mantega teria pedido pessoalmente um aporte de US$ 5 milhões numa empresa chamada “Pedala”. O montante foi transferido em forma de empréstimo, depois perdoado pelo empresário. Corrigidos atualmente, os valores superam os R$ 16 milhões.

Ocorre que a tal empresa teve seu próprio filho, Leonardo Mantega, como sócio.

Por meio de seu advogado, a empresa nega ter recebido valores da JBS. Informou que a operação, devidamente registrada, foi realizada com um fundo, sem que soubessem pertencer a sócios do grupo frigorífico.

Sob ordem do governo Dilma, a Odebrecht anunciou numa “revista aí que é boa para o governo”

Jornais empilhados.

A estratégia da Lava Jato, copiada da Mãos Limpas, é muito boa, mas infelizmente não conseguirá atacar a corrupção em dois setores primordiais: na Justiça, e na imprensa.

No primeiro caso, pois só a cúpula da Justiça é capaz de combater a corrupção na Justiça. No segundo, porque a Lava Jato – ainda – precisa da imprensa para dialogar com a opinião pública.

Mas nada impede que vez em quando algo venha à tona, ainda que sem entrar em detalhes.

No depoimento que Marcelo Odebrecht prestou ao TSE, o depoente entregou que o interlocutor era Guido Mantega. E que, certa vez, ouviu do ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma que deveria anunciar numa “revista aí que é boa pro governo. De onde saiu a verba? De uma conta corrente clandestina mantida para controle da propina que a empreiteira utilizava com a Presidência da República.

O nome do boi nem foi dado. Mas, convenhamos, nem precisava.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

Odebretch acusa Guido Mantega de pedir propina para campanha de Dilma em 2014

Guido Mantega está prestes a se encalacrar novamente com a justiça.

Em 2014, durante a acirrada campanha presidencial Dilma X Aécio, era necessário não somente ganhar mais uns minutinhos na campanha televisiva como também garantir o apoio da base aliada. Foi designada então a Guido Mantega, homem de confiança dos governos de Lula e Dilma a tarefa de pedir ao presidente do Grupo Odebretch, Marcelo Odebretch, que fizesse pagamentos de propina aos partidos que ajudariam a presidente nessas demandas.

A base aliada formada pelos partidos: PROS, PCdoB, PR e PP que teriam recebido, cada um, sete milhões de reais da empreiteira, enquanto o PDT, quatro milhões de reais.

A informação é da coluna Radar, da Revista Veja.

Odebrecht usou o “departamento de propina” para aportar R$ 3,5 milhões na Carta Capital

O jornal O Globo revelou detalhes da delação premiada do executivo Paulo Cesena, que já foi diretor financeiro da Odebrecht e até o mês passado presidia a subsidiária Odebrecht Transport.

Segundo a delação, entre 2007 e 2009, o ministro Guido Mantega, então Ministro da Fazenda de Lula (ele ocuparia o mesmo cargo sob Dilma Rousseff), pediu que fosse realizado um financiamento à Editora Confiança, à qual é subordinada a revista Carta Capital. Valor: R$ 3,5 milhões.

E isso foi feito pelo “Setor de Operações Estruturadas”, eufemismo para o “departamento da propina” da construtora.

Não bastasse o pedido atípico, feito por um Ministro de Estado, e a estruturação ter rolado por tal departamento, mais curioso ainda foi o “pagamento”. Isso porque, ainda segundo a delação, o valor não foi devolvido em dinheiro, mas sim “descontando” em forma de patrocínio a eventos e páginas de publicidade. Ou seja: uma operação de crédito recebe outra contrapartida; na prática, torna-se verba publicitária, mesmo.

Por fim, aí vão as palavras do delator:

“Marcelo Odebrecht me chamou para uma reunião em sua sala, no escritório em São Paulo, e me informou que a companhia faria um aporte de recursos para apoiar financeiramente a revista ‘Carta Capital’, a qual passava por dificuldades financeiras. Marcelo me narrou que esse apoio era um pedido de Guido Mantega, então ministro da Fazenda (…) Entendi que esse aporte financeiro tinha por finalidade atender a uma solicitação do governo federal/Partido dos Trabalhadores, pois essa revista era editada por pessoas ligadas ao partido” (grifamos)

Complicado.

Com prisão de Palocci, dois dos quatro ministros da Fazenda petistas já foram detidos

Guido Mantega deixou o Ministério da Fazenda vendendo para a história que fora o auxiliar que mais tempo ocupou o cargo. Sim, era verdade. Mas para a história ficará também ao menos as poucas horas que estivera preso a pedido da operação Lava Jato.

Mantega entrou no governo Lula para substituir Antonio Palocci, o homem a quem Fernando Henrique Cardoso confiou o Plano Real. Explica-se: quando as pesquisas davam como certa a eleição de Lula em 2002, o mercado financeiro ferveu temendo um desastre econômico. E só acalmou-se depois que a gestão tucana convidou o futuro ministro da Fazenda petista para uma conversa a portas fechadas. Da reunião, nasceria a “Carta ao Povo Brasileiro”, documento que prometia ao mercado financeiro um compromisso do PT com a austeridade.

Neste 26 de setembro, Antonio Palocci também foi preso pela Lava Jato. As linhas de investigação são duas: a primeira apura as tentativas de aprovação de um projeto de lei que beneficiaria a Odebrecht; a segunda, o recebimento de propina por parte da mesma empreiteira.

Se a Lava Jato estiver certa, e ela costuma acertar, o PT usava para fraudes justamente o cargo que mais deveria fiscalizar a economia. Com o agravante de que Mantega e Palocci eram auxiliares diretos do presidente da República.

Porque, com o petismo, o buraco é mais em cima.

Guido Mantega e PT se complicam mais na Lava Jato: Eike entrega documentos provando repasse

Em meio à (já comprovadamente falsa) discussão sobre o ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff ter sido preso num hospital, em situação de urgência ou coisa do tipo (disseram até que foi num “centro cirúrgico!), deixou-se um pouco de lado o essencial da coisa: a acusação contra ele procede? Eike Batista tem documentos e pode provar o que fala?

Pois pelo visto, sim.

O empresário apresentou à Operação Lava Jato documentos comprovando o repasse de dois milhões e meio de dólares ao PT (na época, R$ 5 milhões); também comprovou que de fato reuniu-se com o então Ministro da Fazenda. Eles foram publicados originalmente aqui; abaixo, alguns:

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E agora? O que dirão os petistas? O que dirá o próprio Guido Mantega?

Se nem a filha de Mantega sabia que sua mulher estava no hospital, como a Lava Jato saberia?

Olhaí como são as coisas: numa única tacada, duas narrativas petistas vão para o ralo. Sim, duas. Disseram que o ex-ministro da fazenda de Lula e Dilma foi preso num centro cirúrgico, alegando que a Lava Jato fez isso de propósito, por pura maldade etc.

Tudo mentira. Já explicamos aqui.

Mas agora veio a comprovação definitiva, por meio de sua filha, Marina Mantega.

Em primeiro lugar, ele não estava em centro cirúrgico algum. Aliás, nem sua esposa: ela foi ao hospital fazer uma endoscopia. Segundo relatos, é verdade, ela padece de grave doença, mas naquela ocasião não havia cirurgia alguma.

Além disso, também cai por terra a história (já absurda por si, vale ressaltar) de que a Lava Jato teria feito “de propósito”. Por óbvio, ninguém sabia dessa ida ao hospital e, quando se fala “ninguém”, é porque REALMENTE ninguém mesmo sabia. Nem Marina Mantega, que disse o seguinte:

Não sabia que a Eli estava no hospital, fiquei sabendo porque liguei lá em casa. Não moro com meu pai desde meus 22 anos. O que sei é que ela foi fazer uma endoscopia, não estava operando. Ela tem câncer desde 2011 e estava fazendo um procedimento”

Se nem a filha do ex-ministro sabia, é mais do que óbvio que as autoridades da Operação Lava Jato também não soubessem.

De mais a mais, como consta de ótima tirada divulgada nas redes, é curioso que os mesmos petistas a exigir de Sergio Moro a TOTAL CIÊNCIA do estado de saúde da mulher de um investigado são aqueles que não consideram obrigatório Lula estar ciente do que ocorreu em seu governo nem acham importante que Dilma Rousseff ao menos leia o que assina.

E assim, numa só tacada, duas lorotas narrativas são desmentidas. Eles não vão parar com isso, é claro, mas nós também não pararemos de confrontá-los.

Liberado, em vez de visitar a esposa no hospital, Mantega foi conferir o que a PF levou dele

Não tem restado muito opção à esquerda a não ser apelar para a emoção. Quando a Lava Jato prendeu Guido Mantega, os petistas usaram seus soldados na imprensa para espalhar desinformação, e reclamaram um monte que o ministro dos governos Lula e Dilma fora tirado do centro cirúrgica onde sua esposa se encontrava. A Polícia Federal desmentiu tudo minutos depois. Agora, O Antagonista traz um detalhe que exemplifica bem como tudo não passou de um falácia…

O que fez Guido Mantega assim que foi liberado por Sérgio Moro? Foi visitar a esposa no hospital? Não. Isso ele só fez horas depois. Antes, foi ao próprio apartamento verificar o que a Lava Jato tinha descoberto.

E, assim, mais uma narrativa do PT foi para o espaço.

Sergio moro ACERTOU ao revogar a prisão temporária de Guido Mantega. Entenda os 2 motivos.

Sabemos que Sergio Moro não dá ponto sem nó. A esta altura dos acontecimentos, com tanta gente poderosa presa há tantos anos e tão poucas decisões revistas pelos tribunais superiores, é preciso dar um grande voto de confiança a Sergio Moro.

Houve quem criticasse a revogação da prisão temporária de Guido Mantega, dizendo que precisaria ser mantida. Outros, com nítida má-fé, disseram que o petista foi preso num centro cirúrgico. Não foi nada disso. E vale explicar.

RAZÕES JURÍDICAS

Ponto primeiro: A prisão temporária existe para que o investigado não possa comprometer a investigação. Ocorre com políticos poderosos, empresários repletos de dinheiro, pessoas influentes no geral. A premissa é que, uma vez soltas, elas prejudicariam todo o processo.

Segundo ponto: as autoridades NÃO SABIAM que a esposa de Guido Mantega estava no hospital. Não se trata de informação pública, de modo que a ordem já estava expedida. Mais ainda: os agentes da lei NÃO PODEM deixar de cumpri-la. O que fazem, uma vez a cumprindo (são obrigados), é proceder à comunicação do juiz, indicando as circunstâncias atuais.

Desse modo: Sergio Moro, sabendo do estado delicado da mulher do ex-ministro, e considerando o fundamento jurídico de que esse tipo de prisão visa evitar obstáculos às investigações, verificou que no caso concreto, diante da prestação de cuidados à esposa, Mantega não oferece, por ora, qualquer risco à Lava Jato.

Do ponto de vista estritamente jurídico, pois, a prisão temporária (não é uma condenação, vale sempre frisar) restou desnecessária.

TRECHOS

Vale destacar trecho do despacho:

“acolhi, em 16/08/2016 (evento 3), pedido do MPF para decretação da prisão temporária dele e de outros investigados. Sem embargo da gravidade dos fatos em apuração, noticiado que a prisão temporária foi efetivada na data de hoje quando o ex-­Ministro acompanhava o cônjuge acometido de doença grave em cirurgia. Tal fato era desconhecido da autoridade policial, MPF e deste Juízo.

Segundo informações colhidas pela autoridade policial, o ato foi praticado com toda a discrição, sem ingresso interno no Hospital. Não obstante, considerando os fatos de que as buscas nos endereços dos investigados já se iniciaram e que o ex-­Ministro acompanhava o cônjuge no hospital e, se liberado, deve assim continuar, reputo, no momento, esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento.

Procedo de ofício, pela urgência, mas ciente de essa provavelmente seria também a posição do MPF e da autoridade policial.

Assim, revogo a prisão temporária decretada contra Guido Mantega, sem prejuízo das demais medidas e a avaliação de medidas futuras.” (grifos nossos)

GUERRA DE VERSÕES E NARRATIVAS

Claro que há também um lado comunicativo nisso tudo. Provavelmente, não foi algo deliberado, já que o pessoal da Lava Jato não tem ligado muito para os apelos de qualquer militância, mas ainda assim o efeito da revogação é POSITIVO para esse pormenor. Mata-se, antes de nascer, a narrativa de que seria uma prisão abusiva.

Não, não seria. Em primeiro lugar, porque ele NÃO FOI PRESO em centro cirúrgico nenhum; além disso, porque há elementos, provas e evidências bastantes para a prisão. Apenas e tão-somente a condição excepcional, sabida DEPOIS do cumprimento do mandado, fez com que se firmasse como possível a revogação.

A Lava Jato continua. A investigação contra Guido Mantega também continua. E o cerco continua se fechando para vocês-sabem-muito-bem-quem.