Novo truque: esquerda reconhece a própria rejeição e anuncia showmício “sem partido” em SP

Demorou, mas parece que caiu a ficha do esquerdismo. Depois de tantos anos de teimosia, naquela mistura de arrogância e falta de noção do mundo, enfim perceberam que as pessoas normais simplesmente não querem saber de partido político. E isso inclui sobretudo a legenda amada pelos canhotos.

Como o showmicio “Diretas Já” foi um desastre no Rio, e lá não faltaram bandeiras e até mesmo caciques partidários de esquerda, a ideia é fazer algo “diferente” em São Paulo.

Sim, serão os mesmos de sempre, mas escondendo menções a partidos, talvez escondendo também bandeiras vermelhas, e além disso oferecendo shows gratuitos de músicos consagrados.

Claro que vai lotar. Ninguém perde show de graça. E aí, por óbvio, usarão isso para dizer que todos ali querem “Diretas” ou “Fora, Temer” ou algo assim.

Mas é preciso manter a disciplina. Nada de “Volta, Dilma”, “Lula lá” ou algo assim. Nada de xingar Sergio Moro. E é de bom tom evitar o vermelho.

Se não, o povo corre. O povo não quer saber de vocês, então o jeito é mesmo usarem disfarces de “não vocês”.

Só não deixem a peteca cair, se não compromete o disfarce.

Thiago Pacheco: “Liberdade de expressão, criptonazismo e a lata de lixo da história”

Quando a excitação causada pela popularização dos serviços de streaming baixou um pouco, e suas limitações começaram a ser sentidas pelo público – de problemas técnicos aos de conteúdo – queridinhos da opinião pública, como o Netflix, passaram a sofrer críticas parecidas com as habitualmente dirigidas à televisão. Se são ou não ouvidas, e em que medida, eu desconheço. E embora tenha críticas severas a fazer (como, por exemplo, por não haver mais nenhum filme com John Wayne no catálogo), é preciso também reconhecer os acertos. O mais recente é o magnífico documentário “Five Came Back”, uma produção própria do Netflix. Baseado no livro de mesmo nome escrito pelo jornalista Mark Harris (Objetiva, 2016), o filme narra a participação de cinco diretores de cinema americanos na Segunda Guerra Mundial: John Ford, George Stevens, John Houston, Frank Capra e William Wyler. Procurados pelas Forças Armadas, mas todos voluntários, abandonaram carreiras de enorme sucesso para produzir filmes de instrução para os soldados, documentários das batalhas que vinham sendo lutadas no pacífico e na europa, além de peças de propaganda e informação destinadas ao grande público. Tudo o que tinham de diferente foi brutalmente nivelado pela guerra. Todos os cinco se expuseram ao perigo, perderam colegas das equipes de filmagem e foram profundamente transformados pela experiência de documentar, como testemunhas oculares privilegiadas, o maior conflito da história humana. Junto com o documentário, o Netflix disponibilizou grande parte dos filmes produzidos pelos cinco diretores, documentos indispensáveis para entender a escala da guerra, sua violência, monstruosidade, e, sobretudo, a grande cruzada moral capitaneada pelos aliados.

Coube a George Stevens – responsável por clássicos como “Os Brutos Também Amam” – documentar o que foi encontrado pelas tropas aliadas em campos de concentração e extermínio nazistas. Intitulado simplesmente “Nazi Concentration Camps”, o filme corre quase todo em silêncio – é possível ouvir os estalos e chiados da película – e é precedido pela leitura de uma declaração juramentada prestada por Stevens. Tamanho era o horror dos campos que alguém julgou ser necessário que o diretor jurasse, solenemente, que aquilo que era mostrado em imagens de fato aconteceu. Isso, claro, muito antes que se compreendesse, em toda a sua dimensão, o holocausto. Consta que, uma vez editado o filme, Stevens armazenou os rolos de filme bruto e nunca mais tornou a vê-los. O filme é puro jornalismo de guerra: direto, brutal. É, também, a documentação quase forense de uma cena de crime; uma gigantesca e obscena matança de inocentes, as primeiras imagens de um recém descoberto genocídio. Como muitos soldados que pouco ou nada sabiam sobre a ideologia nacional-socialista e para quem os campos que libertavam eram uma visão totalmente inesperada, Stevens ficou marcado para sempre. Veio a dirigir, anos depois, “O Diário de Anne Frank”.

Um dos grandes méritos de “Five Came Back” é narrar como a indústria cinematográfica acabou alistada no esforço de guerra e deixou de se dedicar ao entretenimento para não apenas documentar batalhas e instruir soldados, mas mostrar por que a guerra era travada: conter e erradicar o mal. Essa era a missão dos aliados. Japoneses e alemães tinham em comum uma visão de “destino manifesto” e absoluta falta de pudor em como atingi-lo: não pelo comércio ou pela diplomacia, mas pela matança, destruição e escravidão de populações subjugadas. Está, felizmente, tudo muito bem documentado; fatos que não devem jamais ser esquecidos: milhares de horas de filmes, milhões de fotografias, incontáveis relatos escritos por historiadores, soldados e vítimas da guerra são testemunhos vivos dos crimes cometidos pelas tropas do Eixo. Hoje, com a internet a facilitar ainda mais a pesquisa sobre o assunto, parece uma brincadeira de mau gosto que ainda haja negacionistas do holocausto, mas eles existem.

O fenômeno do revisionismo histórico teve uma figura de destaque no historiador inglês David Irving. Autor de uma excelente biografia do general alemão Erwin Rommel e de um relato sobre a destruição de Dresden por bombardeios aliados, Irving foi desacreditado quando passou a sustentar que os campos de extermínio “não existiram” e que Hitler “não sabia” que judeus, ciganos, poloneses e outros indesejáveis eram sistematicamente exterminados. A questão foi parar nos tribunais, e Irving condenado por “deliberada e persistentemente, baseado em suas próprias convicções ideológicas, manipular e falsear evidências históricas dos fatos”. No Brasil, o negacionista mais famoso é Siegfried Ellwanger. Seu “Holocauso: judeu ou alemão?” é facilmente encontrado em sebos. Ellwanger fundou uma editora antissemita, a “Revisão”, por onde propagava suas repugnantes teses, segundo as quais o extermínio nazista seria a “mentira do século”.

Teorias da conspiração, como a de que a ida do homem à Lua foi produzida em um estúdio cinematográfico, ou de que a terra é plana e tal “segredo” estaria sendo escondido pela NASA, têm em comum a negação histérica da realidade, de fatos documentados e realidades observáveis. É justamente por isso que se denomina tais crentes de “negacionistas”: confrontados com provas e evidências abundantes e robustas, contrárias à posição que defendem, mesmo assim jamais a abandonam, em uma resistência quixotesca que é parte do, digamos, “show”. O negacionista é, antes de tudo, alguém com o ego superdimensionado, capaz de acreditar que o mundo inteiro produziu algumas das mentiras mais detalhadas, elaboradas e completas apenas para esconder aquilo que ELES sabem. No caso dos terraplanistas, a coisa chega a ser engraçada, e até meio ingênua. No caso do holocausto, o buraco é bem mais embaixo.

É notável que, entre os negacionistas do holocausto, não se encontre sequer um que, simultaneamente a negar a realidade provada e documentada, não revele um evidente viés antissemita e totalitário. Não há entre negacionistas do holocausto, por exemplo, pesquisadores conhecidos pelo rigor e minúcia em seu trabalho, que estejam preocupados apenas em corrigir inconsistências eventuais que possam existir em documentos históricos. De profissionais que já foram renomados, como David Irving, passando por aventureiros como Siegfried Ellwanger, até a tuiteiros imberbes que repetem esse lixo para parecerem “perigosos”, o que une os negacionistas é um tipo de sociopatia, um desejo de auto-representação pervertido segundo o qual eles seriam “corajosos” por “desafiar” aquilo que é amplamente aceito – e é amplamente aceito porque é verdade. Em realidade, o negacionista do holocausto não está dizendo que nada daquilo aconteceu: o que ele quer dizer é que pouco importa que tenha acontecido, aquelas pessoas, afinal, mereciam isso. Como é muito simples dizer isso, o ultraje não pode parar por aí: é preciso dizer que aquele sofrimento indizível não existiu, como que para amesquinhar, diminuir a magnitude dos acontecimentos. Fazer pouco deles, como se se estivesse falando de pisar em uma barata.

Certas idéias foram postas, com muita justiça, na lata de lixo da história. O nazismo e o comunismo são proibidos em lugares onde essas ideologias fizeram mais vítimas, como, por exemplo, na Polônia e Ucrânia. Leis existem na Alemanha que proíbem a impressão da suástica, pela indelével associação do símbolo com o nazismo e sua terrível memória. A própria “Lei de Godwin”, antes de ser um lembrete para que o nazismo não seja banalizado como referencial em discussões, marca a ideologia e os fatos que ela gerou como marco simbólico de um pináculo de crueldade com que a humanidade, até então, jamais havia imaginado. Tal qual urubus e hienas, no entanto, há aqueles que reviram o lixo da história, e se refestelam nele, gritando para que todos a sua volta olhem: o negacionista sente um prazer perverso em defender o assassinato e a eliminação de seus semelhantes; ele é como o tarado que se masturba no ônibus, se exibindo para os outros passageiros, imaginando que eles estão gostando da cena grotesca.

Negacionistas do holocausto, em sua imaginação atrofiada, já tentaram sequestrar a liberdade de expressão e utilizá-la como escudo de suas atrocidades. Irving e Ellwanger perderam. E eles devem, sempre, perder – porque a liberdade nunca servirá de muleta para quem esteja interessado em eliminar e escravizar seus semelhantes. Que seja sempre assim.

EM TEMPO: também no Netflix, há (ou havia) o documentário “Best of Enemies”, que retrata os embates televisivos entre William F. Buckley Jr. e Gore Vidal, travados na campanha presidencial dos EUA em 1968. Em um dos debates, Vidal chama Buckley de “criptonazista” – e recebe uma eloquente resposta, digna de quem sabe da gravidade da acusação. Não deixe de assistir.

Thiago Pacheco é advogado, pós graduado em Processo Civil e formado em jornalismo. Escreve no Implicante às quintas-feiras.

É errado comemorar uma morte assim como é errado explorá-la politicamente

Sim, são tempos difíceis. Sim, a guerra política está acirrada. E, também sim, vez por outra os lados cometem excessos. Tudo isso é verdade. Mas é preciso, antes e acima de tudo, sempre ter como base ao menos um grau mínimo de civilização e urbanidade.

Infelizmente, após informarem a morte cerebral de Marisa Letícia Lula da Silva, houve excessos de dois lados extremos. Foram minoritários, é fato, mas eles infelizmente ocorreram.

Houve quem comemorasse, tripudiando de uma tragédia dessa monta. E houve também quem aproveitasse o episódio para “acusar” a Lava Jato, culpar adversários e assim por diante. Os dois estão errados, cada qual por sua razão. Embora óbvias, essas razões precisam ser explicadas.

É errado comemorar uma morte porque a vida tem de ser o valor supremo de qualquer pessoa civilizada. Perdendo-se o respeito por ela, nada mais sobra. Independentemente de adversidades ou oposições político-ideológicas, todos somos pessoas, temos família, temos entes queridos entristecidos e assim por diante. É o mínimo, convenhamos.

De mais a mais, ao fazer troça de um episódio desse tipo, não resta também mais nada para apontar de errado num adversário; o autor dessa barbaridade já passou de todos os limites e perderá para sempre a razão em qualquer crítica. Eventual excesso seria compreensível na hipótese de tratar-se de um ditador genocida; tudo fora disso é inaceitável.

Por outro lado, é também erradíssimo explorar politicamente uma morte. Ao fazer isso, e muitos fizeram e estão fazendo, o oportunismo descarado faz com que se perceba a falta de caráter do autor da “teoria”. Na verdade, ele também pouco se importa com a vida da pessoa sobre quem teoriza; tudo que quer é faturar em cima da tragédia.

Todos estamos sujeitos a cometer excessos, de modo que num primeiro momento a esperança é que esses dois extremos caiam na real e parem com isso.

Porque, repita-se, é requisito mínimo para o convívio em civilização.

A derrota do PT foi avassaladora e histórica, mas o “petismo” continua muito vivo

Mais cedo, comentamos sobre a altíssima rejeição que Lula enfrenta, com o detalhe de que nem mesmo seu filho conseguiu uma vaga como vereador em São Bernardo do Campo.

Enfim, é claro que o PT perdeu feio. Muito feio. E, também sim, devemos comemorar, fazer festa e assim por diante. É preciso, sem dúvida alguma, saber valorizar as batalhas vitoriosas, mesmo que a grande guerra continue. O erro é supor que o adversário esteja “morto”, pois neste caso está vivíssimo.

Como ideário, o petismo sofreu um grande abalo no plano prático do poder, mas não na esfera ideológica pura e simples. Alguns líderes estão desgastados, outros nomes se tornaram inviáveis, mas o SISTEMA – de governo e de pensamento – continua firme e forte.

Não duvidem, logo surge algum “renascimento” do partido, naquelas conversinhas de “refundação” ou outro nome que os políticos gostam de usar para fazer de conta que mudarão alguma coisa. De todo modo, como a rejeição de fato é extrema, talvez inédita na história, o caminho também pode ser outro: as legendas acessórias.

É o tal do “pós-PT”. Aqueles partidos que todos sabemos quem e o que são, enfim, passarão a adotar a mesma estratégia: promessa de mundos e fundos enquanto está longe do poder, uso de reservas e crédito num primeiro momento, e depois a bancarrota – com prejuízos que vão além da economia, avançando sobre vários campos da sociedade.

Resumindo: a guerra continua. Até porque ela nunca acaba.

Cinco momentos em que a esquerda ODIOU os Jogos Olímpicos

Para o esquerdismo, tudo é narrativa. EXATAMENTE TUDO. Claro que os Jogos Olímpicos seriam um prato cheio para o proselitismo canhoto, e começaram a fazê-lo logo na abertura. E assim foram, sobretudo diante das primeiras vitórias.

Mas aí, como sempre (sempre!), os fatos trataram de atropelar a historinha ideológica. E cinco deles merecem destaque, como vocês podem conferir agora:

1 – Atletas Militares

Começaram com um falso debate, que na prática apenas visava à proibição. Sim, os mesmos que exigiam o direito de portar cartazes “Fora, Temer!” eram contra um atleta prestar continência à bandeira do país que representa.

Deu no que deu: atletas ligados às Forças Armadas ganharam quase todas as medalhas brasileiras e essa militância não conseguiu esconder o desconforto. Eles são menos de 1/3 da delegação e ganharam mais de 80% das medalhas. Ou seja: a galera militante ficou com muita raiva.

2 – Atletas Anti-Esquerda

Além do fato de que os militares ganharam MUITO mais medalhas, ainda por cima alguns medalhistas sacaram discursos que combatiam frontalmente a narrativa esquerdista. Bom exemplo é a poderosa Rafaela Silva, que declarou ser contra os protestos na arquibancadas (bem quando a galera “do protesto” tentava atrair a atleta às suas causas ideológicas, por algo parecido com uma osmose-de-minoria). Deu tudo errado para eles.

Outro que os deixou em situação complicada foi o jogador de vôlei de praia que, numa entrevista, desmontou as armadilhas anti-direita.

3 – Atletas Muçulmanos x Cristãos

Em que pesem os casos de anti-semitismo flagrados nos Jogos, a verdade é que, na grandíssima maioria dos casos, NÃO HÁ uma oposição entre atletas. Muçulmanos e cristãos (e judeus, hindus, indígenas, africanos etc.) competem sem esse tipo de viés, que é no geral surge da própria militância de esquerda.

Isso mesmo. E explica-se: eles ENALTECEM uma mulher sendo obrigada a competir de hijab, por força dos homens que dominam seus países por inspiração religiosa, mas fazem discursos raivosos contra a faixa pró-Jesus de Neymar.

E assim, considerando a natureza religiosa de nosso povo, dá para imaginar o ódio dessa turma ideológica quando nossos medalhistas agradeciam a Deus, ou faziam o sinal da cruz, ou algo do tipo. Tiveram de passar por isso várias vezes (fora o “bônus” de quando eram cristãos e TAMBÉM militares).

4 – Guerra de Gêneros

Outra batalha que simplesmente NUNCA existiu. Durante toda a história, e assim obviamente continuará, todos torciam por todos. O povo brasileiro vibra com medalhas de atletas mulheres e homens.

Mas os militantes patéticos PRECISAM usar tudo para suas narrativas, de modo que o desempenho inicialmente melhor das equipes femininas serviu de base para que passassem a discursar ideologicamente. Chegavam ao ponto de supor uma “raiva” dos homens diante das vitórias de atletas mulheres.

Claro que isso não aconteceu. Todos comemoramos tudo. Mas aí, talvez por zica já abordada aqui, equipes femininas de esportes coletivos não lograram êxito (de novo: para tristeza de todos), mas aí esse pessoal esquerdista palerma passou a TORCER CONTRA os grupos masculinos (especialmente do futebol).

Deu no que deu.

5 – Os Jogos Deram Certo

Por fim, mas não menos importante, há esse fato geral: a Olimpíada do Rio foi um sucesso. Mas por que isso seria um problema? Bom, jamais seria para uma pessoa normal, porém o esquerdista raciocina (com o perdão de usar esse verbo) de uma outra forma.

Para ele, o importante é a repercussão política e até mesmo o eventual uso eleitoral de uma conquista. Assim, já que estamos no governo Michel Temer, a torcida era para que não ganhássemos nada e tudo de ruim acontecesse. Foi praticamente o avesso (nem ganhamos TANTA coisa assim, mas foram vitórias maravilhosas; e os contratempos também foram dentro do previsto, nada que saísse da rotina da cidade).

E agora ninguém segura a raiva dessa turma. A parte boa: ninguém também segura a felicidade de todas as outras pessoas (99,99% da população).

O povo não é de esquerda

A bem da verdade, o povo passa longe de questões teóricas restritas a meios acadêmicos embolorados e colunas e painéis da grande imprensa (e também do que vieram a chamar “nova mídia”, espaço dominado por ideias políticas do século XIX). O povo, o povo real, quer poder trabalhar, ter segurança, saúde, moradia etc. E nunca pela via esquerdista.

Esquerda Isolada
Os teóricos de esquerda, seja nas redes sociais ou no mundo da academia, há anos e anos se isolam de opiniões contrárias. São incapazes de conviver com quem pensa de forma diferente. Aparece um conservador na mídia? Que perca o emprego! Esse cara falou isso? Unfollow nele! E assim por diante.

Ficam restritos a si próprios, interagindo – até nas esferas mais privadas, como bares e que tais – apenas com quem pensa igual (ou de maneira muito parecida). Com isso, cria-se uma redoma na qual o pensamento de esquerda é unanimidade. Sem contestações (afinal, foram expulsos os que se atreveram a fazê-lo), resta a aparência de que aquelas são as melhores ideias, pois… NINGUÉM DISCORDA.

Um sujeito pode escrever tranquilamente sobre a compreensão das razões que fazem um criminoso matar dez pessoas. A culpa é da sociedade, da exclusão, da desigualdade, mas nunca do indivíduo. A tese encontra entraves na realidade e na matemática simples, pois os criminosos representam ínfimo percentual dos excluídos (nem nada próximo de 0,0001%).

à direita, Rachel Sheherazade
à direita, Rachel Sheherazade

Não se pode, portanto e a sério, falar que tais fatores de fato influem na conduta. O que determina a ação é a vontade do agente e sua decisão. Ponto. Mas estão lá, ué, defendendo seu ponto de vista, reforçando as RAZÕES (sem qualquer respaldo científico) de crimes e COMPREENDENDO a ação do criminoso.

Mas se alguém ousa adotar o mesmo procedimento para a vítima, buscando COMPREENDER as razões que a levaram a uma reação violenta (e, sim, errada), aí é FASCISTA! ABSURDO! VAI EMBORA! TIRA DA TV! FORA! EXPULSA! CONCESSÃO PÚBLICA! CONTROLE SOCIAL!

Aquele chilique.

Não é bem assim que as coisas funcionam, amigos. O mundo real não é desse jeito. Na sua timeline você manda, você também controla quem são seus amigos no Facebook e até faz aquele lobby maneiro quanto a quem sua revista ou jornal podem ou não contratar. Tudo isso é do jogo.

Mas daí a querer expurgar quem pensa de forma contrária, ESPECIALMENTE QUANDO O MÉTODO QUESTIONADO É AQUELE QUE VOCÊS USAM PARA “COMPREENDER” AS RAZÕES DO CRIMINOSO… isso já é comportamento de criança chorona. Ou apenas burrice gerada pelo isolamento que vocês mesmos criaram, distanciando cada vez mais suas teses do mundo real – convivendo num meio em que inexistem opiniões contrárias.

Povo vs. Esquerda
Não são tão raros os choques entre os teóricos da sociologia e o mundo real. Alguns deles, aliás, ocorrem pelas urnas.

O referendo do desarmamento, com campanha sem fim realizada na maior emissora do país, bem como por partidos como PT e PSDB, foi não apenas um fiasco para essa esquerda que faz lobby da própria opinião como se fosse a do povo, mas sim uma mostra de como o povo de fato pensa de maneira CONTRÁRIA a essa pregação bocó.

64% da população brasileira votou CONTRA a proibição da venda de armas no país. Ou seja, votou em favor desse comércio. Alguns dirão que a extrema esquerda também defende isso (o que no fim não é mentira), mas bem sabemos que o voto não foi exatamente no sentido bolchevique da coisa. O povo contrariou os dois maiores partidos e a maior emissora do país.

Bem recentemente, depois de uma miríade de textos de sociólogos de classe média tentando explicar o “fenômeno rolezinho”, tratando a coisa como racismo, luta de classes e afins, vem uma pesquisa do Datafolha e desmorona o castelo de crendices da meninada limpinha do DCE.

Nada menos que OITENTA E DOIS POR CENTO dos paulistanos são contra – e isso inclui todas as etnias, classes sociais etc. Para ESPANTO do socialismo universitário (mas não de quem vive no mundo real), os pobres são os que MENOS toleram tal arruaça. Bastaria largar o papel de representante do povo sofrido, exercido no sofá de casa com o notebook no colo, e visitar algum shopping na periferia.

Sobra aos mais desesperados – e definitivamente apegados à ficção – dizer que eleição e reeleição do PT são demonstrações de esquerdismo do povo. Há quem diga isso tentando parecer sério e lúcido, mas na verdade é aquilo: ou são burros, ou há má-fé.

Lula só se elegeu porque renegou todas as bandeiras esquerdistas e se comprometeu a cumprir os contratos da gestão FHC, bem como manter o mesmo modelo econômico. Dilma só se elegeu porque se abraçou a religiosos aliados, indo para missas e tirando fotos oficiais em genuflexão, de mãos dadas a revolucionários como Sarney, Edir Macedo, Maluf etc.

O messias petista é tão bom político que foi inteligente o bastante – sob a ótica eleitoral – para abandonar o velho discurso, com o qual perdia e perderia no primeiro turno. E, para aquietar a militância, não faltaram cafunés (não exatamente ideológicos) ao pessoal de UNE, MST, CUT e afins.

A rua estava “garantida”, digamos, até que os eventos de junho de 2013 vieram a pegar o governo de surpresa. E os movimentos ligados ao PT foram ESCORRAÇADOS até mesmo dessa minoria que ocupou e agora ocupa as manifestações nas grandes cidades. Sim, são minoria (diante do resto da população); sim, são de esquerda (diante da demanda que fazem), mas antes e acima de tudo são contra o atual governo federal.

Isso embatuca a cabeça da sociologia pró-governo. Outro sinal claro do isolamento. Desde 2005, esquerda companheira do governo vem afinando o discurso de que reclamar da corrupção é uma pauta “da direita”. Daí vem uma multidão DE ESQUERDA e ela própria também diz isso.

Tentaram pro anos o migué do “protesto inócuo”, pois todos são contra e, nesse caso, é bobagem fazer passeata. É mesmo? Pois somos todos também contra a violência contra a mulher e, não por isso, ela deixa de existir e, mais ainda, seriam ilegítimas as passeatas e eventos.

Bandeira e Pragmatismo
Há vários casos em que a militância por uma causa vai pelo ralo, sempre mediante método similar: há vários supostos militantes que dizem defender certas bandeiras, mas quando o governo ou o partidão pisam no tomate, a bandeira que se lasque.

Exemplos: Gaiévski, que não mereceu a mesma raiva do feminismo-de-governo voltada aos humoristas com suas perigosíssimas piadas; violência policial de gestões petistas nunca combatidas – mesmo com gente sendo baleada e ficando cega; e até mesmo direitos humanos e trabalhistas, que deixam de ter valor quando o explorado é um escravo cubano cujo trabalho dê dinheiro para a ditadura (que pode gastar como e onde quiser, até mesmo em campanhas eleitorais de outros países).

Quando alguém procura buscar razões na raiva de uma turba vitimada pelo crime, apontam fascismo e daí para baixo. Mas quando alguém busca compreender o bandido, aí tudo bem, é do jogo, debate permitido (especialmente se for bandido preso na papuda, se é que me entendem).

E os pensadores da esquerda são perdoados até mesmo quando “entendem” e “contextualizam” o estupro de uma menina de treze anos por Roman Polanski. Dêem uma “googlada” e vejam só a quantidade de razões, explicações e justificativas a turma dá para esse crime inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Ninguém pede a cabeça dos autores dessas “pensatas”, ninguém pede controle social da mídia ou mesmo faz moções ou protestos. Muitos continuam frequentando círculos da esquerda online asseada e prosseguem com suas colunas e afins.

É a militância cara-de-pau. A máxima “primeiro partido/ideologia, depois a causa específica” mostra que essa tigrada é a primeira a mandar qualquer tópico às favas, caso complique a vida da legenda do coração ou dos companheiros de esquerda.

Alegam odiar o egoísmo, mas são sua pura esssência (a psicanálise deve explicar): pensam primeiro em si, depois no resto. Defendem em primeiro lugar o esquerdismo ou o partido, depois o tópico específico pelo qual em geral simulam lutar com unhas e dentes.

Talvez sejamos todos assim, em maior ou menor medida, mas ao menos alguns somos sinceros o bastante para assumir isso, sem fingir militar por uma causa que, num momento crítico, vai pro vinagre em nome do que nos importa mais.

Intimidação
O povo não é de esquerda. Ponto. Em que pese o lobby dos esquerdistas de classe média, que ocupam quase todo o colunismo dos veículos e também cargos de diretoria em ONGs cuja letra N não faz sentido. Enquanto eles debatem apenas entre si, criando um consenso fictício quanto ao que seria “errado” ou “ridículo” opinar, a vida real acontece sem dar trela às reprimendas e arrazoados canhotos.

E agora, como não poderia ser diferente, pedem a cabeça de quem pensa de modo contrário. Alguns falam em controle social da mídia, outros são aparentemente mais moderados e pedem somente demissão sumária… Enfim, aquele amor de sempre à liberdade de pensamento.

Tentam aplicar ao mundo concreto a prática mimada de apertar um botão e nunca mais ler ou ver opinião que desagrade. Como não adianta e, pior ainda, mais e mais gente enfim se vê convencida pelos argumentos que essa galera tanto detesta, aí partem para intimidação, desqualificação e outros métodos.

Já era, turminha. Agora, não dá mais.

Se esquerda se recusa a atualizar seus dogmas, problema dela. E isolamento só aumenta a distância entre tese e realidade. Não vale agora culpar liberais econômicos ou conservadores porque começam a ocupar cadeiras no clubinho outrora restrito à esquerda e tem, enfim, suas ideias discutidas por mais e mais gente, especialmente aqueles que nunca foram muito de falar de política.

Seria impensável, dez anos atrás, que os livros mais vendidos de política fossem contra a esquerda. Mas hoje é o que acontece. Assim como os blogs de política mais acessados também são contrários à esquerda e, nesse sentido, a grande imprensa se vê praticamente OBRIGADA a absorver mais e mais conservadores nos espaços de colunismo até então – e ainda hoje – de hegemonia esquerdista.

Por mais que vocês fiquem chateados, democracia é isso. Podem até não aceitar, mas é como as coisas são no mundo todo e, até que enfim, também aqui no Brasil. Não adianta tentar isolar ou ridicularizar, a galera perdeu o medo de opinar sobre política e contra a esquerda nas redes sociais – e essa nova turma só aumenta.

Mas, enfim, chorar pode, porque o choro é livre (ao contrário de Zé Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha e agora Pizzolato).

A esquerda e a criminalidade: dois pesos, duas medidas, um método

Se você quer ser um intelectual respeitado e admirado por muitos jovens que seguirão suas brilhantes análises da realidade como um Decálogo revelado, a receita não é nada complexa: basta analisar todos os problemas sociais pela ótica da “desigualdade social”.

Repetir esse bordão até furar faz com que sua platéia acredite estar diante de uma pessoa crítica e consciente, um típico “cabeça” lutando por um mundo melhor.

Pouco importa que a Etiópia ou a miserável Albânia tenham índices de desigualdade social “superiores” ao Canadá ou à Suíça, o que justificaria que um suíço pegue uma pena mais leve do que um etíope ao roubar e matar um trabalhador. Sobretudo porque, para acreditar em políticas sociais ligadas a essas ideologias, é imprescindível desconhecer completamente o que gera a desigualdade social, e que desigualdade está longe de ser um mal em si.

Como demonstra Robert Nozick, um país onde todos ganhem R$ 100/mês é extremamente igualitário, e um inferno na Terra. Um país onde os mais pobres ganhem R$ 1 milhão/mês e os mais ricos R$ 1 bilhão é um país extremamente desigual, e um país que parecerá o lugar para onde as pessoas boas vão depois que morrem (vide o ensaio Uma única lição de economia).

Mas pouco importa fazer contas e conhecer a realidade. Basta ver ricos e pobres por aí, e acreditar que todos os problemas têm como causa algumas pessoas terem mais renda do que outras. É isso que arrebanha universitários “politizados”.

Por isso, sempre que algum problema extremamente chocante acontece, é um exercício de sociologia escatológica dar uma olhada nos chamados “blogs progressistas”, a nova roupagem dos nossos velhos esquerdistas com suas ideologias ultrapassadas, para analisar até latrocínio por essa roupagem.

O caso mais recente e o da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, queimada viva num assalto em São Bernardo do Campo. Três assaltantes a mantiveram no consultório junto com uma paciente. Vasculhando tudo, não encontraram dinheiro. Cinthya, então, lhes entregou seu cartão bancário e sua senha, mas avisando que tinha pouco dinheiro. Um dos bandidos foi a um caixa, sacou apenas os R$ 30 que estavam em sua conta, voltou e foram embora. Depois que a paciente saiu, voltaram, trancaram Cinthya por pura birra e atearam fogo no seu consultório (onde também morava com sua família), a matando no local.

É o tipo de crime que choca qualquer ser humano com respeito pela vida alheia. Com um pingo de sensibilidade pela dor, pelo sofrimento, pela visão de outro ser humano como um semelhante, aquele laço de humanidade.que nos identifica e nos protege.

Não é o caso, todavia, de quem pensa tão somente por estatísticas incapazes de explicar como a pantomima da “desigualdade social”. Quando crimes chocantes ocorrem, basta correr a blogs de “formadores de opinião”, que esbravejam intracicladianamente contra o horror da desigualdade, e que ela faz com que os pobres, sem opção, caiam na criminalidade, para encontrar opiniões simplesmente insanas ou um silêncio estrepitoso e extremamente revelador do que essas pessoas pensam.

Um Sakamoto, por exemplo, quando um jovem universitário morre nas mãos de um “adolescente” 3 dias antes de completar 18 anos com um tiro, não deixa de usar da linguagem metonímica (não percam este vídeo por nada nessa vida) para dizer que “se um jovem aperta um gatilho, fomos nós que levamos a arma até ele e a carregamos”. Ora, é um joguinho de palavras para chamar atenção de quem adora culpar “a sociedade” e suas diferenças (sua “desigualdade”) por tudo. É o mesmo caso do pagodeiro alçado a vereador Netinho de Paula dizendo que “a sociedade paulistana é racista”.

dentista cynthiaNa prática, ambos desistem desse discurso com o sabor das conveniências. Ora, se Sakamoto estivesse comentando um caso de estupro (e sempre teve pompa e circunstância para falar, como nos estupros na van no Rio de Janeiro ou de uma menina de 14 anos na praia na mesma cidade, tudo nos últimos dias), será que ele também faria um joguinho de palavras simplesmente ridículo como “se uns jovens fazem uma roda de estupros seguidos enquanto o namorado da vítima assiste a tudo amarrado, fomos nós que algemamos a vítima e a estupramos”, para abusar de um eufemismo (por puro respeito ás vítimas) inexistente no texto do blogueiro Sakamoto? E no caso de Netinho, é de se crer que o racismo seja considerado uma imbecilidade completa. Será que o vereador diria a seus eleitores: “a sociedade paulistana é completamente imbecil”? Ou ele diz isso, ou acredita que o racismo não é uma imbecilidade completa. Tertium non datur.

O caso da dentista assassinada é outro que gera um estrepitoso silêncio. Ora, é fácil para Sakamoto fazer uma analogia perniciosa (para não dizer francamente mongolóide) com um revólver, com uma morte por um botão. Será que ele também gostaria agora de dizer que nós, “a sociedade”, tivemos o trabalho de assaltar, ver que a vítima não possuía dinheiro e voltar á cena do crime só para matá-la de uma maneira cruel e dolorosa? Será que não vai ter um textículo do Sakamoto dizendo que “se jovens ateiam fogo numa dentista sem dinheiro, fomos nós que levamos o álcool às suas mãos e riscamos os fósforos”? Ou será que, sem um botãozinho, a metáfora do Sakamoto aparece até a ele próprio em toda a sua crueldade, insensibilidade e estupidez?

Nessas horas, ao se correr para o blog dos nossos queridos defensores de bandidos, como não dá para fazer muita analogia e fugir do fato óbvio (gente má e que deveria estar, na melhor das hipóteses, presa, está solta e atentando contra a vida da população), tudo o que conseguimos é um silêncio. Como não dá para defender sua agenda de governo (muitas vezes francamente defensora, quando não financiada, por um partido político), não há nem uma palavra de amparo. Nem um suspiro, um “que coisa triste isso que aconteceu”. Não é nem preciso analisar a fundo a contradição da realidade com as idiotices que defendem: poderiam ao menos demonstrar sentimentos humanos.

Humanos, criminosamente humanos

Mas nem sentimentos humanos existem em tais formadores de opinião. Tudo o que podem fazer é silenciar, esperar a poeira baixar. todos esquecerem do assunto e não estarem mais tão sensíveis, para depois dizer que diminuir a maioridade penal não serve pra nada, que é a sociedade e até a “ostentação” que são culpadas da violência.

Como já foi demonstrado aqui, tudo isso se deve a um erro de representação e linguagem. Usando apenas termos coletivos e abstratos, de contornos imprecisos e que sequer conseguem definir quem faz parte dessa idéia genérica e quem está do lado de fora, não conhecem agentes humanos na história ou na sociedade, e sim apenas idéias. Assim, quando mulheres correm o risco de estupro, não culpam estupradores, mas sim “o machismo” (como se estupro fosse uma “idéia”, uma “ideologia” defendida por algo além de alguns tarados por aí, agentes humanos que já deveriam estar na cadeia). Quando um assassinato ocorre, também não é culpa de assassinos, e sim da “sociedade”, da “elite”, da “burguesia” (termos que geralmente tomam por idênticos) e assim vai.

Foi o que fizeram Túlio Vianna e Marilene Felinto no assassinato que talvez mais tenha chocado a cidade de São Paulo, a brutalidade contra os jovens Liana Friedenbach e Felipe Caffé, seqüestrados e assassinados em 2003. A brutalidade feita contra Liana foi o extremo do que é um ato de covardia de “machos” contra uma mulher: estuprada seguidamente até destruírem sua vagina e morta lentamente a golpes de faca no meio de um estupro de forma inacreditavelmente dolorosa.

Hora de culpar “o machismo”? Não, para nossos pensadores de esquerda, quando uma mulher sofre absurdamente assim, aí é culpa da sociedade. Para Marilene Felinto, o problema é a “elite paulista – esta de nomes estrangeirados, pronta para impor-se, para humilhar e esmagar sob seus pés os espantados ‘silvas’, ‘sousas’, ‘costas’ e outros nomezinhos portugueses e afro-escravos” (sic³). Um discurso que flerta perigosamente com a xenofobia e o racismo anti-semita a ponto de poder ser encontrável facilmente em um discurso de Adolf Hitler.

protesto-estupro-coletivo-india-nova-delhiSe estupro, seqüestro e assassinato são crimes hediondos, Felinto não tem tanta certeza: “O que torna um crime mais ‘hediondo’ que outro? Só se for a classe social da vítima: quando é rica e loirinha, então, o crime é mais hediondo do que se a vítima for um ‘Pernambuco’ qualquer”. Ignorando a nojeira que são essas palavras, ainda mais vindas de uma mulher que infelizmente pode ser vítima da mesma violência, para a colunista da Caros Amigos, tudo o que importa´são “classes sociais” e quanto as pessoas ganham. No caso, se o crime é contra uma “loirinha rica” (sic), aí devemos nos preocupar é com Pernambuco, o monstro que a manteve sob cativeiro, a estuprando infindavelmente por 5 dias e a “compartilhando” com os amigos – porque, afinal, é um pobre coitado sem “sobrenome estrangeiro”.

Já para o doutor em Direito Penal Túlio Vianna, é uma boa hora para criticar as revistas que nunca lhe pagaram uns trocados para mostrar suas grandes contribuições intelectuais à humanidade, dizendo que “a mídia-urubu e seus consumidores de carniça impressa e gravada” está querendo dizer que a vida do estuprador Champinha, o organizador do seqüestro, não vale nada (ó, pobrecito!!), enquanto a de Liana e Felipe vale, “também de um ponto de vista exclusivamente econômico pelos investimentos que foram feitos”.

Qual o sentimento de humanidade profunda dessas pessoas agora que uma dentista foi presa por não ter mais do que R$ 30 na conta bancária? Não importa quem seja a vítima (mulher, pobre, trabalhador, criança etc), sempre arruma-se um motivo para… defender o assassino, e não o assassinado.

Uma gramática para a morte

Trata-se, mais uma vez, da linguagem dialética (ou pseudo-dialética) que domina a esquerda, que faz com que alguém dominado por alguns pequenos dados de ideologia (cabresto) esquerdista dificilmente consiga escapar da gaiola cerebral, não importa quantos argumentos retumbantemente óbvios e acachapantes sejam colocados diante de seu nariz.

Enquanto é comum que pessoas ligadas a áreas técnicas tenham um pensamento linear (exemplo óbvio dos economistas: a economia de mercado é que gera riqueza, inclusive para os pobres; ao se socializar a produção e alguém parar de receber conforme o que produz, a produção inteira cai e toda a população fica pobre), o esquerdista, a chamada “mentalidade revolucionária” (uma endemia de proporção global), pensa de forma dialética.

Para alguém contaminado por tal pensamento, as coisas vão e vem e se transformam em suas teses e antíteses transformando-se umas nas outras, importando tão somente que a conclusão se mantenha intacta: eles devem se manter no poder e a força do Estado deve ser controlada tão somente por eles.

A economia vai bem? Graças ao nosso Partido. A economia vai mal? Então precisamos dar mais força ao nosso Partido, para não piorar ainda mais.

Ora, criminalidade deveria ser a preocupação número 1 (talvez mesmo a única) de um Estado. Se um Estado é necessário, não é justamente para evitar a violência contra o próximo, e para o tal monopólio da violência nos proteger da violência desabrida e arbitrária? Portanto, deveria ser exatamente o que mede a qualidade do nosso governo.

Mas pelo contrário, nossos índices de homicídios alcançam praticamente 50 mil por ano. Somos o país que mais mata no mundo. Nenhuma guerra mata tanto (a guerra do Iraque gerou cerca de 20 mil mortes entre militares e civis em uma década, e todos criticam George W. Bush como um carniceiro psicopata fascista até hoje, mesmo tendo criado a guerra mais cara do mundo justamente para evitar um morticínio civil).

O que a mentalidade de nossos formadores de opinião (e pedidores de voto) faz? Culpa da desigualdade. Não importa que ao mesmo tempo defendam um governo que, supostamente, está fazendo diminuir a mesmíssima desigualdade (e propagandeiem isso como papagaios). Claro, só falta descobrir uma metonímia adequada para “explicar” o fato de assaltarem uma dentista e assassiná-la porque ela só tinha R$ 30. Com um detalhe: um dos suspeitos, que a própria mãe ajudou a identificar, fugiu no carro da mãe. Num Audi.

luto dentistaDa mesma forma, não adianta argumentar calmamente que a desigualdade não gera violência (afinal, o próprio discurso deles os desmente pelas estatísticas). O que importa é a conclusão. Como se vê, não há vergonha alguma para um “progressista” defender uma coisa e logo depois defender o exato oposto – ou mesmo defender as duas coisas ao mesmo tempo, talvez em lugares distintos ou, no caso da relação da criminalidade com a desigualdade, no mesmo lugar. O que importa é dizer que o progressismo está correto, e que a propriedade dos outros é que gera o nosso atual estado caótico. Quem não viu o petista Eduardo Guimarães dizer, na última Sexta-Feira Santa, que há 2 mil anos, o primeiro comunista foi morto pela direita (sic²)?

O fundador da esquerda moderna, por exemplo, queria abolir a propriedade privada, e portanto a família deixaria de existir (já nasceríamos sem pai e mãe conhecidos, sendo todos tutelados pelo Estado, tornando-nos funcionários públicos de nascença). Seu alvo era a propriedade, mas sua crença na destruição da família como conseqüência inescapável advinha de acreditar ser ela a “superestrutura” da economia, que seria a “infraestrutura” da sociedade.

Ora, sabemos que a família não serve apenas para um fator econômico, e abolir a propriedade privada gerou o Holodomor, os 4 milhões de mortos de fome na Ucrânia em 2 anos (sem falar em pelo menos uns 12 milhões dos mais de 61 milhões de mortos de Mao Zedong). O que fizeram os intelectuais da Escola de Frankfurt e Gramsci, com um programa maravilhosamente bem aplicado que continua sendo expandido até os dias de hoje? Inverteram infraestrutura com superestrutura, afirmando defender o mesmo autor do Manifesto Comunista, e atacaram a família, assim conseguindo uma tutela cada vez maior de pessoas dependentes do Estado – e fazendo com que a propriedade das famílias cada vez mais virasse terra de ninguém para ser compartilhada pelos burocratas que dominam o Estado.

É o mesmo que nossos pensadores e intelectuais fazem com a violência, ao teorizar sobre a “desigualdade” ou  culpar “o machismo da sociedade” por estupro e assassinato, mas nunca culpar o agente humano: o assassino ou o estuprador. E tome-se ideologia anti-liberal.

Com esse tipo de pensamento perigosíssimo, que deve ser compreendido com cuidado e ser tratado com precisão cirúrgica ao se conversar com defensores da esquerda, só nos resta fazer algumas perguntas aos nossos amigos de esquerda:

1) Como já disse o Francisco Razzo, se ela tivesse não R$ 30, mas 3 mil, estaria viva. É mesmo a desigualdade social que gera violência? Os ricos é que têm medo de assassinato e são vítimas da violência, então?

2) Vocês além das armas, vão proibir álcool e fósforos? Novo sentido pra arma de fogo.

3) Se a desigualdade social gera violência, seria justificado alguém cometer violências contra a presidente Dilma Rousseff. Refutem, por favor, mantendo o mesmo tipo de discurso, em no máximo 500 caracteres.

4) Vocês tratam dinheiro como se fosse ânimo (é o marxismo aplicado, uma hora as pessoas encherem o saco e fazerem revolução). A sociedade que vocês defendem deve ser dominada pelos hipersensíveis ou pelos histéricos cheios de ódio? Só essas duas alternativas são viáveis.

5) Vocês pretendem “ressocializar” quem volta a uma cena de crime já consumado apenas para matar com fogo? Pretendem fazer isso como? Com serviço social e leitura do Gabriel Chalita?

6) Quando se trata de estupro, vocês nunca, nunca nessa vida toda discutiram a “desigualdade social” e a “ostentação” que existir mulher bonita enquanto o pobre da favela é um coitado feio e lascado que nunca vai ir pra cama com a mulher que ele acha atraente. Vocês pretendem algum dia terem o mesmo discurso para o estupro que têm para a violência, o assalto, o assassinato?

7) Vocês já estão cogitando o lema “mata, mas não estupra”?

8) Não acreditamos que cadeia resolve nada, acreditamos só que não estar na cadeia gera mais mortes. Se esses assassinos ou o cara que matou o universitário no Belénzinho ou o Champinha ou os caras que mataram o João Hélio etc etc etc estivessem na cadeia, essas pessoas estariam vivas. Somos assim, tão nazi-fascistas?

9) Até agora não rolou um pio de Sakamoto, Marilene Felinto, Túlio Vianna, Juarez Cirino dos Santos et caterva explicando o crime pela desigualdade social ou, ao menos, tratando-o algo triste para a vítima, e não apenas uma peça que teve de ser imolada no altar da futura sociedade livre, planificada e igualizada. Nessas horas, resta só silenciar, esperar passar, e depois voltar a defender bandido?

10) Os latrocínios aumentaram 250% no ABC em uma década. Enquanto isso, vocês adoram a presidente e blá blá blá. Já está na hora de organizarmos outra marcha contra o Marco Feliciano, ou a grande preocupação de vocês agora é outra?

Como disse Rafael Dias no Twitter (@rwdias), seres humanos para a esquerda são só estatística. Ficam nossas condolências por este triste episódio, e nosso desejo que as leis mudem para que novas vítimas não nos causem mais tanto temor.

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