Jornal português afirma que Zé Dirceu estaria ajudando a BAND na compra da estatal RTP

Em sua última edição, o jornal português Expresso afirma que o ex-ministro e ex-deputado – cassado por corrupção – , José Dirceu, estaria ajudando a Band na compra da rede de televisão portuguesa RTP. De acordo com a publicação, Dirceu seria “amigo” de Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares de Portugal, o que facilitaria o processo.

Leia abaixo o trecho da reportagem do Expresso, transcrito pelo Implicante:

 A estação brasileira de televisão Bandeirantes esta a examinar a possibilidade de concorrer à privatização da RTP. Ao que apurou o Expresso, o assunto estará a ser equacionado “como mera hipótese”, num quadro que envolveria outros participantes.

Os contornos do processo que vier a ser decidido pelo Governo Português serão determinantes na decisão dos brasileiros que, a concorrerem, o deveriam fazer acompanhados. Em causa poderia estar uma eventual participação de angolanos, cuja abertura em relação à privatização da RTP é “total”, segundo uma fonte disse ao Expresso.

Funcionários da Bandeirantes estão a trabalhar no canal de televisão angolano Zimbo, empresa do grupo Media Nova (ligado ao general Kopelipa, entre outros), que tem sido dado precisamente como um dos candidatos à RTP.

(…)

A Bandeirantes, fundada em 1967 por uma família de ascendência libanesa, é o quarto canal de televisão mais visto no Brasil, mas sem experiência de internacionalização. Mas a movimentação da Portugal-Telecom no Brasil, que poderá associar-se à criação de uma rede de comunicação neste país, pode ser um motor de atração para a Rede Bandeirantes. Nestes temas, pontua José Dirceu, ex-chefe de Lula, e hoje um bem sucedido homem de negócios com influências na Bandeirantes e amigo de Miguel Relvas.

Contactada pelo Expresso, a Bandeirantes considerou a notícia sem fundamento e o ministro afirmou desconhecer qualquer candidato à RTP.

Curiosamente, o grupo brasileiro realizou esta semana em Lisboa a sua “Convenção de Rede” anual. Durante três dias, a reunião discutiu estratégias para o próximo ano “comandada pelo presidente do Grupo Bandeirantes, João Carlos Saad”, segundo escreve o comunicado oficial da empresa, antecipando que a Convenção seria “prestigiada pelo ministro de Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas”.

A RTP tem sido apontada como uma das empresas a privatizar em 2012, embora, como explicitou a fonte oficial do gabinete do ministro, seja correto falar em “alienação de uma das licenças da RTP”. Uma questão de semântica jurídica. L.M com A.C.

Da esquerda para a direita: Ricardo Saad, Paulo Feres, Johnny Saad e Miguel Relvas

 

Comentário:

Dirceu não deveria se queixar tanto da imprensa. Como alguém “perseguido” pela “mídia” pode ser tão bem relacionado na área a ponto de ser requisitado por empresários do setor? Conforme publicamos anteriormente, Dirceu é “bem relacionado” com TV Record, já foi festejado em novelas do SBT, e agora, de acordo com o semanário português, intercede em favor dos interesses da Band. Isso sem contar no português Ongoing que, ao que tudo indica, controla o jornal Brasil Econômico.

Ouça abaixo uma das gravações realizadas pela Polícia Federal. No trecho, o “bem relacionado” Dirceu se oferece para empregar um amigo na TV Record.

 

Dirceu lamenta não existir um jornal a favor do governo

Coitado do Zé Dirceu, né? Um cara que foi perseguido na ditadura e “perseguido” também na democracia. Parece que ter “boas relações com a (TV) Record”, espaço na novelinha do SBT, e mais de uma dezena de semanários chapa-branca não são suficientes para o ex-ministro. Ele quer mais, sempre mais.

Charge via Blog do Amarildo

Leiam a notícia do jornal O Globo. Comentários logo abaixo:

SÃO PAULO – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu a regulação da mídia, criticou os donos de veículos de comunicação e lamentou que não exista no Brasil um jornal de esquerda e favorável ao governo. No “Seminário Nacional por um Novo Marco Regulatório para as Comunicações”, promovido pelo Partido dos Trabalhadores em São Paulo nesta sexta-feira, Dirceu disse que a legenda sempre defendeu a regulação da mídia, mas também sempre atuou em favor da liberdade de imprensa.

Na opinião dele, há setores que não querem debater o assunto e sim convencer a sociedade de que a regulação é sinônimo de censura, o que, para Dirceu é algo “ridículo”. Ele afirmou que em vários países da Europa há jornais que são a favor do governo.

– Lamento que não tenha (no Brasil) um jornal também de esquerda, que seja a favor do governo, que em todos os países têm. (Não tem no Brasil) Porque os proprietários (de jornais) são contra nós. Foram a favor do golpe de 1964, a favor de governo de direita, elegeram o Collor e o Jânio Quadros. Fizeram campanha dia e noite contra nós, o PT. Fizeram campanha contra o o governo, o presidente Lula, a CUT e o MST. Isso é natural, eles têm o direito de fazer. O que precisa é de pluralismo – disse Dirceu.

(…)

Ex-ministro acredita que governo vai continuar debate

O ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social Franklin Martins disse estar confiante de que o governo da presidente Dilma Rousseff vai dar continuidade ao processo de discussão sobre um novo marco regulatório da mídia. Já faz quase um ano que Martins entregou ao governo Dilma o anteprojeto que elaborou sobre o assunto. Martins disse que seu anteprojeto é consistente, mas que entende que o governo tenha que analisá-lo com calma.- Cada governo tem seu ritmo, cada momento tem suas prioridades. Eu continuo confiando que o governo vai liderar o processo porque isso é algo importante para o país.

Leia mais aqui.

Comentário:

Zé, não seja injusto. Jornal a favor existe, só que ninguém os lê.

"Absolvido pela história": Fidel exibe um exemplar do que seria o jornal ideal para Dirceu

“The Economist” critica a faxina de Dilma

A revista inglesa “The Economist” publicará um artigo em sua próxima edição criticando a “faxina” promovida por Dilma devido aos escândalos de corrupção em série envolvendo ministros. Segue relato da Folha.com:

A revista britânica “The Economist” publica em sua próxima edição artigo em que trata da corrupção no Brasil e afirma que a presidente Dilma Rousseff poderia ser mais radical na “faxina” que iniciou no governo.

A revista traz uma ilustração da presidente, com um esfregão na mão e porcos em volta do prédio do Congresso Nacional.

Ainda compara o roteiro de demissões de ministros após denúncias de irregularidades –cinco, desde junho-a uma “infinita telenovela de sordidez”.

Segundo o artigo, a presidente tem sido mais resistente a nomeações políticas no governo, mas ainda não combateu o sistema de troca de favores que permeia a relação com o Congresso.

A revista cita a entrada do PMDB na base governista, durante o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e destaca que Dilma é mais moderada em relação ao antecessor ao aprovar verba do Orçamento para ser distribuída via emendas parlamentares.

A publicação ainda cita pesquisas de opinião para dizer que a “faxina” promovida por Dilma é popular e diz que todos os governos, desde a redemocratização do país, em 1985, tiveram algum tipo de coalizão para obter a maioria no Congresso.

“A maior parte da agenda política da presidente -melhorar educação e saúde, eliminar a pobreza extrema e investir em infraestrutura – não requer aprovação do Congresso. Ela poderia ser mais radical em sua política de limpeza”, afirma o texto.

(Grifos nossos. O artigo, no original em inglês, pode ser acessado aqui.)

Comentário

A revista até que foi generosa com a “gerenta”. Em vez de uma “infinita telenovela de sordidez”, a coisa está mais para filme de terror mesmo. Ou comédia pastelão. E, justiça seja feita, a própria Dilma de certa forma “profetizou” a ilustração que acompanha o texto: quando ainda era candidata, apelidou os homens-fortes de sua campanha (Dutra, Cardozo e Palocci) de “Três Porquinhos”. Um deles virou ministro e já foi varrido pela “faxineira”.

Pro R7, “Wikileaks aponta Wiliam Waack como informante dos EUA”. Fonte: blog progressista

A informante conspiratória da Implicante™ Golpist Media International Inc. Núbia Tavares descobriu essa pra nós. Isso vai exigir 2 rounds de raciocínio lógico, mas cremos que nossos leitores não irão cair no choro por tal esforço envidado. Vamos lá, Tico e Teco dêem as mãos e força na peruca!

O portal de notícias R7, da Rede Record, noticiouWikileaks aponta Wiliam Waack como informante do governo dos EUA. Nada de mal em uma notícia contra um dos principais jornalistas da Globo partindo do portal de notícias da Record. Aí vem o subtítulo: Blog Brasil que Vai cita documentos sigilosos divulgado pelo site de Julian Assange. A fonte da notícia é um BLOG. Para piorar, um daquela espécie que mais se reproduz se bem alimentada com dinheiro público: o Blogis progressistae. Aspas:

De acordo com o texto, Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para “sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana”.

– Por essa razão é que se sentiu à vontade (sic) de protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

Há uma referência aqui a um vídeo que rodou a internet, com uma nítida falha no estúdio, em que William Waack solta um “manda calar a boca” enquanto uma imagem de Dilma, titubeante, tenta se justificar perante mais uma das quebras de sigilo fiscal que nortearam sua campanha eleitoral. Não há prova alguma de que o “manda calar a boca” tenha sido direcionado à Dilma, que, aliás, mal começara a aparecer no vídeo (se fosse algo a respeito do vídeo, e no tom de resposta que tem sua voz, soaria mais como uma resposta tardia a José Serra, que aparecera pouco antes).

Quem acredita nessa galhofice (como blogueiros do quilate de Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, que divulgaram vídeos criticando William Waack até a alma, e o mandando, justamente, calar a boca) não parece conhecer uma rotina de telejornal, em que pautas são dadas enquanto as reportagens aparecem no ar. Os âncoras e apresentadores dificilmente prestam atenção no vídeo que chega aos telespectadores, e via de regra só ficam com o som, e não com as imagens.

Por sinal, o que Dilma afirmava era: “É uma… acusação sistemática que ele [José Serra] tem feito. E que somente prova o desespero. Essa é novamente requentada.” Quem estava querendo calar quem? Há também um erro aí: diz o texto que “não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro”. Ainda que fosse o caso, Dilma não era uma autoridade do governo brasileiro (mas que título pomposo! não poderia ser só “ex-ministro petista que sobreviveu à dança da cadeira”?). E não há nenhum palavrão na expressão “manda calar a boca”. Confundiu-se o beócio com outro vídeo em que William Waack chama a repórter Zelda Mello de “Zelda Merda”.

Dirigir um palavrão a uma autoridade do governo brasileiro é crime de injúria qualificada, tipificada no art. 140, § 3º, do Código Penal. Não é grandes merda: dirigir um palavrão a qualquer funcionário público que não seja autoridade do governo brasileiro também é injúria qualificada, como xingar a progenitora, se ela tiver mais de 60 anos. E quero saber quem nunca fez isso. Por outro lado, atribuir um crime a alguém se este alguém não cometeu crime é calúnia, tipificada no art. 138 do mesmo CP, o que é crime com maior pena. Resultado: o R7 está cometendo um crime que só jornalistazinho de quinta categoria é capaz de cometer.

E o texto prossegue com mais clichês:

O post informa que a política externa brasileira tem “novas orientações” que “não mais se coadunam nem com os interesses americanos, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do Estado de Israel, influente no ‘stablishment’ norte- americano”. Por isso, o Departamento de Estado dos EUA “buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil” – no que seria um caso de “infiltração da CIA [a agência norte-americana de inteligência] nas instituições do país”.

Seria curioso se perguntar no que diabos a política externa brasileira vai tão de encontro aos interesses americanos a ponto de eles se preocuparem com William Waack (quem?). O quanto o “cosmopolitismo nacional” (com o perdão do oxímoro) do sertão agrário e do Pantanal faz concorrência com Las Vegas. E no quanto o Estado de Israel dita os rumos da política americana. Só faltou um comentariozinho sobre o sionismo e a indústria armamentista.

Cadê a fonte?

Mas o tal post do tal blog citado nem aparece linkado, ou sequer com seu nome. O blog consegue se esquivar de ser encontrável no Google. Nossa espiã, que põe Jason Bourne no bolso, o encontrou. Segue um apanhado:

“O Wikileaks (…) compôs até agora o novo cenário de insurgência da cidadania mundial contra a manipulação secular de governos e da grande mídia internacional”

“Ao mesmo tempo em que espocaram rojões na Casa Branca tilintaram [falta vírgula] taças no gabinete dos irmãos Marinhos [sic], agastados com documentos sigilosos trazidos a público pelo site há pouco menos de 2 meses atrás [redundância]”

“O jornalista, que conduz um dos mais direitistas telejornais da TV brasileira, o Jornal da Globo” (HUEAhuAEhuAEuhAE!)

“ex-embaixadores octogenários que possuem em comum o mais evidente ranço contra a política externa que vem sendo implementada com sucesso pelo Itamaraty faz quase 10 anos.”

a fim de intentar um novo alinhamento político com vistas a relacionar-se com o governo federal para poder…” (dava pra ter só um “era pra…”?)

E pra coroar o bolo cerejosamente:

Agora é preciso que o governo brasileiro aja e defenda os interesses do país contra ações de espionagem e de manipulação de programas jornalísticos que em razão de abordagens unilaterais procuram desmoralizar políticas legitimamente validadas pelo voto do eleitor brasileiro.

Isso tudo em apenas 9 parágrafos, quase sem nenhum ponto final entre uma oração e outra. Dá pra entender ao menos por que o R7 ficou com vergonha de citar a fonte.

Enquanto isso, vamos lá ler o que o próprio Wikileaks tem a dizer sobre William Waack e suas perigosíssimas influências espiãs e conspiracionistas junto ao governo dos EUA – que estranhamente mudou de lado há uns 3 anos, mas a expressão “os EUA” causa calafrios sozinha (as informações também são via nossa espiã):

Journalist William Waack described to CG Sao Paulo a recent business forum in which Serra, Rousseff, Neves and Gomes all participated. According to Waack, Gomes was the strongest overall, Neves the most charismatic, Serra detached but clearly competent, and Rousseff the least coherent.

Journalist William Waack stated at a lunch with the CG on September 4 that Serra and Neves had already sealed the deal, agreeing to run together with Serra at the top of the ticket. A second participant at the event, Fernando Henrique Cardoso (FHC) Institute Director Sergio Fausto expressed surprise at Waack’s assertion, but added that FHC would not permit the Serra-Neves rivalry to split the party.

Para mais, digitem por “William Waack” no CableSearch e leiam os 3 documentos que citam William Waack e suas perigosíssimas… impressões sobre os candidatos à presidência em 2010.

Jornalismo diz que me diz

Algumas coisas ficam no ar, para manter o clima de mistério, espionagem e homens de preto, com poucos amigos e caras de mau. A primeira delas é: por que essa notícia é condenada à eternidade justamente enquanto o Wikileaks está fora do ar, pedindo dinheiro a seus leitores esquerdistas endinheirados? Não há nada de estranho nisso? Nunca houve nada de estranho no Wikileaks “revelar segredos” de países democráticos, sendo 95% fofoca da revista Contigo, e nunca dar um pio sobre nenhuma ditadura? Aliás, se qualquer “mídia direitista” ameaçasse fechar as portas pedindo mais dinheiro, seria ridicularizada a ponto de nunca mais ver a luz do dia.

A outra pergunta é: por que a R7 não foi direto ao Wikileaks passar a notícia? Por que um blogueiro obscuro vira “fonte”?

Mas, sobretudo, por que um jornalista conversar com um embaixador e expor suas opiniões sobre o governo num jantar o torna “informante regular do governo americano” e “suspeita de um caso de infiltração da CIA nas instituições do país”? (e a Globo lá é instituição do país?) Só porque vai num jantar, dá suas impressões sobre o governo do país (tá meio merda) e já vira agente da CIA? Nem mandou um currículo nem nada? Por acaso algum embaixador que leia o Implicante™ (ou qualquer jornal investigativo digno desse nome) não vai chegar à mesma conclusão, e nem por isso iremos nos tornar “informantes regulares do governo americano”, sem ganhar essa pompa e provavelmente as bocas-livres que devem rolar com esse título?

A Record praticou o jornalismo “estou dizendo que um blog anônimo disse que um site disse que…”. Isso não é bem uma prova com certidão em cartório de vergonha na cara. Ou de, digamos, pauta minimamente interessante. Nota-se é que algum jornalista na Record queria causar polêmica, mas é um menino muito júnior pra essas coisas (se quiser, dou umas aulinhas a preços médios).

Curiosamente, a tal “blogosfera progressista”, quando critica a “mídia” (o correto é “imprensa”), não tem medo de ir contra a Record. Pra eles, todo mundo é neoliberal, estudou os Protocolos de Washington (se sabem o que é isso) e fazem parte de um partido único da mídia (o tal PiG) que quer passar os mesmos valores a todos, enquanto só eles pensam com a própria caçuleta. Mas quando se trata de falar mal “da Globo”, como se alguém lá dentro soubesse o que é liberalismo e torcesse pela Sarah Palin (e como se Obama fizesse parte de tudo isso), aí a esquerda se alia até à Igreja Universal.

Enquanto isso, também rola um burbúrio por aí (não é afirmação nossa e nem da nossa espiã, apenas existe o burbúrio e nós noticiamos) de que a Record andou pagando estagiários para falar bem do Pan nas redes sociais. Vale como cortina de fumaça? O tiro, no mínimo, saiu pela culatra: William Waack, agora, é, sozinho, o yankee que impediu a revolução comunista no Brasil.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Está com o contra-cheque da CIA atrasado. Alguém por favor avise o Assange. No Twitter, @flaviomorgen

Núbia Tavares é jornalista, analista mídia e espiã da CIA. É financiada pelo FBI, pelo Pentágono, pela Fox News, pelos sionistas e pelos Arquivos X. É treinada em 5 técnicas de combate armado e desarmado e sabe andar no teto sem fazer barulho. No Twitter, @meninanubia

 

 

Pra quem festeja notícias internacionais sobre o Brasil, aqui vai uma: Financial Times chama Dilma de ‘hipócrita’

Para Samantha Pearson, jornalista do britânico Financial Times, os últimos conselhos dados por Dilma e Guido Mantega a respeito da crise internacional – que atingiu em cheio as economias européias – soam “hipócritas”. Tudo porque a presidente afirmou que “é difícil sair crise sem aumentar o consumo e crescimento“, o que seria possível através de impostos menos “recessivos”. Em outras palavras, só com a redução na carga tributária é que a Europa conseguiria viabilizar uma solução.

No artigo que pode ser lido aqui (em inglês), a jornalista lembra que o Brasil ocupa a 152ª posição do ranking do Banco Mundial por ter uma elevada carga de impostos.

Em outro ponto, o jornal também mostra a contradição entre o discurso de Dilma contra o protecionismo na ONU e a elevação do IPI dos carros importados no Brasil, poucos dias antes.

Abaixo a síntese feita pelo Portal Terra e publicado no Jornal do Brasil de hoje (4):

O jornal Financial Times afirma nesta terça-feira que os conselhos do Brasil para a crise econômica soam hipócritas e irreais. Segundo um artigo publicado pelo jornal, os avisos da presidente Dilma Rousseff sobre o perigo de a União Europeia adotar impostos restritivos neste momento são contraditórios. O jornal cita o fato de o país estar na 152ª posição do ranking do Banco Mundial por ter carga  pesada de impostos.

O conselho de Dilma teria sido feito nesta última segunda-feira em sua primeira visita à Europa como presidente do Brasil. “No nosso caso, políticas fiscais restritivas extremas apenas aprofundaram o processo de estagnação e de perdas de oportunidades”, teria dito a presidente em referência à crise da América Latina nos anos 80. “É difícil sair da crise sem aumentar o consumo e o crescimento”.

O jornal afirma que os políticos brasileiros recentemente aceitaram o conselho para resolver a crise no país e agora o distribuem aos países desenvolvidos. Segundo o veículo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é um dos pioneiros nesta relação e sugeriu, no mês passado, um pacote “excêntrico” dos Brics para socorrer a zona do euro.

O FT ressalta que Mantega falhou ao consultar os países do Brics, como a China que possui a maior parte das reservas estrangeiras do bloco. Segundo o jornal, até mesmo os outros países ficaram surpresos pela sugestão de o Brasil socorrer países como a Itália, que possuí riquezas em serviços e produtos per capita três vezes mais do que o próprio país.

O jornal afirma ainda que Dilma, recentemente, falou sobre a necessidade de combater o protecionismo após aumentar, em 30 pontos percentuais, o imposto para carros produzidos no exterior . Além disso, o FT diz que o Banco Central vem intervindo comprando dólares – a razão pela qual o país tem reservas externas “impressionantes”.

A íntegra pode ser lida aqui.

Pesquisas de intenção e as intenções das pesquisas

As prévias partidárias sequer elencaram os seus candidatos e os pesquiseiros já começam a fazer as primeiras sondagens. Pra quê? Só há uma possibilidade. No parágrafo seguinte explicamos qual é.

No início deste mês o Datafolha saiu às ruas para fazer a primeira pesquisa pública de intenção de votos para a prefeitura de São Paulo. O problema é que, nem o eleitorado, e nem o instituto sabem exatamente qual panorama analisar. O resultado? Números que não devem ser considerados mas que ilustram pra que serve boa parte das pesquisas eleitorais: criar manchetes e influenciar as escolhas do eleitor.

Para Datafolha, Marta é prefeita de São Paulo desde 2009

Num cenário pouquíssimo provável, o instituto de pesquisa reuniu candidatos que já manifestaram a sua intenção de NÃO CONCORRER à prefeitura. Mesmo assim, o Datafolha fez questão de selecioná-los, sabe-se lá por quê. Por exemplo, entre os nomes do PSDB, os candidatos são José Serra e Aloysio Nunes Ferreira. Os dois já manifestaram publicamente a sua NÃO INTENÇÃO de disputar a prefeitura de São Paulo. A enquete prossegue testando mais dois cenários para os tucanos:  um com José Anibal, secretário estadual de Energia, e outro com o deputado estadual Bruno Covas. Bruno manifestou seu interesse em concorrer à prefeitura, Anibal, talvez. Andrea Matarazzo que disputará as prévias pelo PSDB não foi sequer mencionado.

Do lado petista o cenário é mais verossímil o que não torna o resultado menos inócuo. Marta, que já foi rifada por Lula, aparece com números que variam entre 29% e 31%. O preferido do ex-presidente, Fernando Haddad, aparece com 2%.

Constam ainda nos 8(!) cenários pesquisados pelo Datafolha os candidatos Celso Russomano do PP (13% a 20%), Netinho de Paula pelo PCdoB (8% a 15%) e Soninha Francine do PPS (6% a 11%), além de Paulinho da Força (PDT), Gabriel Chalita (PMDB), Luiz Flávio D´Urso (PTB) e Eduardo Jorge (PV).

Em nenhum dos cenários o instituto testou o nome de Guilherme Afif Domingos, provável candidato pelo recém criado PSD do Prefeito Gilberto Kassab. Ao invés disso, o Datafolha preferiu questionar se o eleitor votaria num candidato apoiado por Lula. É aquela típica questão que ajuda a consolidar o mito do “operário” e serve pra baratinar parte dos tucanos. Questões como essa transformaram Lula no ser inimputável que é hoje. O resultado é conhecido: por medo, poucos tucanos apontam as “controvérsias”, digamos assim, do ex-presidente e ele vai mantendo sua popularidade.

Como dissemos anteriormente, pesquisas como essa só servem para criar manchetes. Tivesse outra utilidade, Lula teria considerado a hipótese de apoiar a candidatura de Marta Suplicy ao invés de apoiar o controverso Haddad que ainda não saiu dos 2%. Não dá pra negar que o déspota sabe como ninguém o que fazer com pesquisas do gênero. O mesmo não ocorre com boa parte das oposições que se reúnem até pra discutir como devem reagir a cada escândalo de corrupção no governo Federal. Isso quando, em eventos públicos, não se contentam com simples saudações protocolares e rasgam elogios aos líderes do PT. Querem que o eleitorado pense diferente, como? Impossível.

Dilma e o Colunismo Político: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Dizem que depois de uma certa idade o indivíduo já não consegue mudar os traços de caráter que adquiriu ao longo dos anos. O máximo que se altera é o seu senso de humor e sua paciência. Quanto aos escrúpulos – ou a falta de -, esses não há muito o que fazer.

Dilma já passou dos 60, foi forjada às pressas para suceder Lula a medida que iam caindo, um a um, os possíveis candidatos à presidência, e, de acordo com informações vindas do próprio Planalto, já está de saco cheio do cargo. A ser verdade, um dos únicos traços comportamentais passíveis de transformação – a paciência-, sequer foi alterado.

Então, por que cargas d’agua o noticiário nos faz crer que a ‘1ª mulher na história a se eleger presidente da república’ é diferente da mulher que geriu a casa Civil durante 5 anos? Que transformações sofreu a ‘gerente do PAC’ envolvida em escândalos e mais escândalos de corrupção para, de uma hora para outra, ter um surto moralizante e resolver fazer uma faxina na base que a elegeu?

O argumento mais recorrente é que antes, Dilma não teria condições de promover tais mudanças pela limitação do cargo. Hoje, como presidente, disporia de mais recursos para tal. Bom, para validarmos esse argumento, deveríamos esquecer de alguns fatos que contaram com a sua participação ativa:

03/2008Dilma montou Dossiê contra FHC como estratégia para defender governo Lula de irregularidades no uso dos Cartões Corporativos;

Ela assumiu a coleta de informações mas dizia que era só “banco de dados”.

06/2008Dilma nomeou mulher de representante das Farc no Brasil para cargo no governo;

Durante a campanha eleitoral ela desmentiu a informação. Inútil porque o Jornal Gazeta do Povo (PR) possui cópia do documento em que Dilma assina a transferência da servidora para o ministério da Pesca em 2006.

08/2009Ex-Secretária da Receita acusou Dilma de pressionar o fim das investigações contra a Família Sarney;

Dilma negou o pedido e disse que nunca se encontrou com a servidora para tratar do assunto. As gravações das câmeras de segurança que comprovariam o encontro foram inexplicavelmente apagadas.

06/2010Campanha de Dilma montou um dossiê contra José Serra;

Dilma negou até existência de quebra de sigilo fiscal na Receita Federal. Meses depois teve que mudar a versão e admitir a violação, embora tenha negado envolvimento de dirigentes de dua campanha. A imprensa a época tratou o dossiê como “suposto”. No entanto servidores da Receita caíram após a descoberta de violações das informações fiscais de dirigentes da campanha tucana.

09/2010Indicada por Dilma, Erenice Guerra cai após confirmação das denúncias de corrupção;

Esse é um caso emblemático. Erenice entrou no governo pela cota particular de Dilma. Só no governo Lula, trabalhou com ela durante 7 anos! Todas as verbas que favoreceram os integrantes da família de Erenice foram APROVADAS por Dilma. Entretanto a imprensa insistiu em separar as duas. Esforço que dura até hoje.

Esses são apenas alguns dos casos de improbidade ligando a agora presidente e que foram esquecidos pela maior parte do colunismo político. Alguns deles não são passíveis de punição, outros, sem dúvida que sim. Seja como for, não é porque foram deixados de lado e a Dilma se elegeu que devemos nos esquecer. Ou devemos?

Hoje, o jornalista Jorge Moreno publicou uma reportagem com a mais nova faxineira da República, realizada durante um jantar no Palácio do Planalto. Presentes no repasto, além do próprio jornalista, a ministra da Comunicação Helena Chagas (a que contou fofocas sobre o caseiro Francenildo que lhe renderam o atual cargo) e a musa do colunista, Gleisi Hoffman.

Na entrevista ficamos conhecendo a Dilma ‘humana’, que gosta de novelas, cordial com quem diverge de sua ‘visão de mundo’, e disposta a fazer uma ‘faxina’ no ministério. Entendo que seria indelicado com a presidente tratar de assuntos indigestos na hora do jantar. O que não entendo muito bem é o que uma reunião como essas acrescenta. Funcionaria como matéria do Ego ou da Caras, mas como jornalismo político, pra começo de conversa, um convite desses só serve para empanturrar o convidado e alimentar o marketing em torno da figura da presidente. Adiante.

Dilma já viveu o suficiente para entrar na fila preferencial do supermercado. Até o ano passado estava respondendo por delitos cometidos durante a sua gestão na Casa Civil. Hoje, não precisa nem esbugalhar os olhos e dilatar a pupila como o personagem de Shrek para inebriar os corações dos jornalistas. Basta dizer que vai fazer, rifar algumas cabeças pra dar satisfação a sociedade e seguir em frente.

Muitos dirão que não deveríamos dar atenção para casos requentados, denúncias que não foram investigadas, e que sempre há espaço para o jornalismo humanista que muito se assemelha ao jornalismo de celebridades. Dirão também que a indignação de Dilma é verdadeira e tal… Bom, nesse caso não se assuste se você presenciar novamente isto:

Lendo Kennedy com a tecla SAP acionada

Temos acompanhado as colunas de Kennedy Alencar na Folha de S. Paulo com atenção especial desde que uma reportagem da própria Folha sobre o espetacular enriquecimento do ministro Palocci deflagrou a crise no governo. Como foi dito em nosso primeiro artigo sobre ele, Kennedy tem laços antigos com o PT, e costuma vocalizar os anseios e devaneios dos cardeais do partido com ares de “informação de bastidores”.

A denúncia contra o ministro foi veiculada na edição de domingo, dia 15/05. De lá para cá, foram publicados três textos no espaço que ele mantém no site do jornal: um, em 20/05, intitulado “A Comissão da Verdade vem aí”. Estávamos na fase em que a postura oficial dos governistas era “Palocci não tem nada para explicar, está tudo explicado e não há crise”. Nem a Comissão da Verdade nem a verdade sobre o faturamento da consultoria do ministro vieram.

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Povo, povão, classe-média e partidos políticos: excelente artigo de José de Souza Martins

Neste último domingo, o Estadão publicou ótimo artigo de José de Souza Martins, no qual analisa as recentes propostas de PSDB e PT acerca da classe-média, não apenas diferenciando as movimentações mas também tratando do atual processo por que passam os tucanos. Vai na íntegra, grifos nossos:

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Kennedy, o Robin do Franklin, diz o que o PT quer que você ouça

Alguém conseguiria imaginar um clássico entre Corinthians e Palmeiras, final de campeonato, tendo como árbitro um ex-jogador que já foi sócio e ídolo de um dos clubes – e ainda deve guardar com amor no fundo de alguma gaveta aquela foto da final de 85? Com o perdão da analogia futebolística à Lula, foi o que aconteceu em um dos debates presidenciais do 2° turno de 2010 – guardadas as devidas proporções -, sem maiores alardes ou protestos da oposição.

 

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