O Mercosul confirmou: o socialismo pariu mais uma ditadura, a da Venezuela

21/07/2017- Mendoza – Argentina- Sessão Plenária dos senhores Presidentes dos Estados membros do Mercosul, estados associados, México e convidados especiais

E o recado veio pela voz de um brasileiro, no caso, Michel Temer, que assume a presidência do bloco econômico pelo próximo semestre. O encontro da cúpula ocorreu na Argentina. Ao substituir Mauricio Macri no comando do Mercosul, o presidente do Brasil deixou claro que a Venezuela já não é mais uma democracia. Ou seja: mesmo em sua versão “século XXI”, o socialismo pariu mais uma ditadura, para máximo azar dos venezuelanos.

“Essa é a postura do Mercosul em seu conjunto. Nossos chanceleres reconheceram formalmente a ruptura da ordem democrática na Venezuela. (…) Somos profundamente sensíveis à deterioração do quadro político-institucional, às carências sociais que, nesse país amigo, ganham contornos de crise humanitária. (…) Nossa mensagem é clara: conquistamos a democracia, em nossa região, com grande sacrifício, e não nos calaremos, não nos omitiremos frente a eventuais retrocessos.

Com isso, o processo para que a Venezuela deixe o bloco deve seguir o rumo. Atualmente, ela já se encontra suspensa. Tanto que Nicolás Maduro não participou deste encontro.

Não foi por falta de alerta. Desde antes da entrada dos bolivarianos mais ao norte, os críticos apontavam o processo de corrosão da democracia venezuelana em curso desde os mandatos de Hugo Chávez. Mas a lição, ao que tudo indica, não foi aprendida por aqueles que abriram caminho para os ditadores. Na semana em que o centésimo manifestante morreu protestando contra Maduro, o PT achou por bem reforçar o apoio ao regime.

Estado de Direito: líder da “Lava Jato italiana” faz leitura distinta da gritada no Brasil

Antonio Di Pietro a Savona giovedì 5 maggio 2011

Os “Direitos Humanos” estão para criminosos pobres como o “Estado Democrático de Direito” está para os criminosos ricos: por mais que tenham significados bem distintos, são sacados pelos defensores como um obstáculo ao trabalho dos investigadores. Com a Lava Jato a todo vapor, o segundo praticamente virou bordão na boca dos políticos mais corruptos, e dos jornalistas mais coniventes. Mas, em entrevista à BBC, Antonio Di Pietro apresentou um uso bem distinto do conceito.

Famoso por liderar a Mãos Limpas, equivalente italiana da barulhenta operação brasileira, entende que o Estado Democrático de Direito deve principalmente servir para encarcerar as autoridades mais graúdas:

Se você partir do princípio de que figuras poderosas não devem ser investigadas ou possivelmente condenadas porque mais tarde essas condenações podem ser derrubadas, isso significa que não estaremos mais em um Estado de Direito, em um país democrático e em uma sociedade civilizada.”

O ex-promotor ainda observou que a Lava Jato sofre o mesmo ataque que enfraqueceu a Mãos Limpas, uma ofensiva que colocou em dúvida a reputação dos investigadores. Para desenhar o que está em jogo, Di Pietro se permitiu uma analogia, e um recado à opinião pública brasileira:

Existe uma tentativa deliberada de fazer a opinião pública acreditar que a culpa pelo que aconteceu não é de quem usou sua função pública para conseguir benefícios pessoais ilegalmente, mas de quem descobriu as ilegalidades cometidas.

Seria como dizer que, se o médico descobre que o paciente tem câncer, ele é culpado, enquanto a culpa deveria recair sobre o tumor que afeta a saúde do paciente – neste caso, o paciente é o país e seus cidadãos. (…)

Tenho um recado para o povo brasileiro: continuem apoiando a Lava Jato e não se distraiam com as inúmeras tentativas de desacreditar a operação.”

Recado dado.

A Suíça encontrou mais de mil operações suspeitas de brasileiros investigados pela Lava Jato

09/08/2016 – Brasília – DF, Brasil Audiência Pública sobre o PL 4850/16, que estabelece medidas contra a corrupção. Procurador da República, Dr. Deltan Dallagnol.

Ao Estadão, Deltan Dallagnol deu uma entrevista ao mesmo tempo assustadora e tranquilizante. Se, por um lado, reconheceu que a Polícia Federal vem sendo sufoca por forças políticas, por outro, garantiu que a Lava Jato segue a pleno vapor, com mais trabalho do que nunca.

Como exemplo de que há ainda muito o que caminhar, comentou um detalhe crucial para o sucesso da operação: a cooperação do Ministério Público da Suíça. A ajuda começou a chegar no início de 2015 quando as autoridades europeias levantaram mais de mil operação suspeitas por parte dos investigados no Brasil. E, mesmo com tudo já conquistado até o momento, menos da metade desse material chegou a ser utilizado:

A equipe suíça está em pleno vapor e investiga mais de mil contas e menos de metade desse material foi encaminhado ao Brasil. O crescimento dos pedidos de cooperação internacional da Lava Jato de 183, em março, para 279, hoje, mostra a intensificação do intercâmbio para a produção de provas.”

O Governo Federal não verbaliza a intenção, mas deixa a entender que basta sufocar a operação para encontrar um desejado fim dela. Pelo tom de Dallagnol, o sufoco apenas prolongará a agonia da classe política. O que seria péssimo para esta.

Fernando Gouveia: Os velhos esquerdistas agora são alvo do radicalismo que sempre apoiaram

No início de junho, o professor norte-americano Bret Weinstein (foto), que leciona biologia no Evergreen State College, foi alvo da fúria dos alunos esquerdistas, e por um motivo no mínimo inusitado: ele, que é também de esquerda, defendeu a MANUTENÇÃO de um boicote histórico, o “Dia da Ausência”, promovido há décadas por alunos e professores negros, que ‘faltam’ nessa data para simbolizar quão fundamentais são à referida instituição de ensino.

Mas os alunos esquerdistas propuseram uma mudança: em vez de os estudantes e professores negros faltarem, os brancos é que seriam proibidos de entrar no Evergreen. Em suma: em vez de um boicote (ação voluntária) pregaram a proibição (ação de repressão). O profesor Weinstein foi contra, mostrando que seria até mesmo uma deturpação da natureza desse dia histórico, e obviamente foi agredido. A ‘velha esquerda’ americana apoiou a posição do professor e chamou atenção para o autoritarismo dos estudantes, mas talvez já seja tarde demais..

O Evegreen State College, fundado em 1967 (auge da contracultura) e com notável esquerdismo por parte do corpo discente, poderia ser comparado (guardadas as óbvias proporções) à nossa FFLCH, da USP (notória pela forte presença de esquerdistas). Desse modo, o professor Weinstein não pensa em dar as caras por lá tão cedo. O tema, apesar de ter sido pouco comentado na nossa imprensa, foi objeto de bom artigo de Helio Gurovitz.

O Começo do Fim?

Por mais que se considere o radicalismo fascista desses alunos – e é isso mesmo que são -, é preciso observar que isso é decorrência natural de tudo que o esquerdismo pregou, seja pela forma ou conteúdo. Desde considerar estudantes como verdadeiras divindades, que tudo podem e em tudo tem razão, até em legitimar durante décadas todo tipo de protesto violento. Deu no que deu.

E não se trata de fato isolado. No mundo todo, a “nova geração” do esquerdismo leva ao limite tudo aquilo que sempre foi pregado como positivo/permitido/válido. Serve de exemplo cabal o havido em Hamburgo, sobretudo considerando a ironia reveladora daquela “selfie” durante a destruição total. Um retrato fiel dessa nova turma.

Por aqui, há legiões de ‘velhos’ esquerdistas legitimando os atos mais extremados, dando sustentação teórico-ideológica até para a tática blackbloc, mesmo depois da morte do cinegrafista Santiago Andrade – aliás, chega a ser assustador que tal tática siga sendo defendida também por boa parte dos esquerdistas que trabalham na imprensa e, portanto, seriam colegas do jornalista morto. Ao fim e ao cabo, isso ajuda a diagnosticar a coisa.

Agora, os que se dizem mais moderados, não conseguem mais conter o ‘monstro’ que eles próprios ajudaram a criar e, para além disso, essa ‘criatura’ só conseguirá uma única coisa: afastar mais e mais as pessoas normais do esquerdismo. Depois de tantos e tantos anos da estratégia de ocupar espaços de comunicação e refazer narrativas, o esquerdismo não consegue mais esconder a própria essência porque, ora!, os esquerdistas mais novos acham que aquilo não apenas é certo como seria também eficiente.

Não por acaso, os mais jovens hoje se inclinam mais à direita. E muito por conta dessa minoria a um só tempo violenta e intelectualmente estúpida (porquanto dogmática). Contribui para isso, também, o excesso de regras tolhedoras que fazem parte da nova doutrina do esquerdismo, e isso abarca anedotas, propagandas, relacionamentos amorosos, livros/filmes etc. Quarenta anos atrás, a esquerda pregava o “pode tudo” e a assim chamada direita defendia proibições. O jogo virou e a grande maioria dos jovens, por óbvio, preferem o lado mais permissivo.

Por fim, para dar aquela força, a minoria que não atrai mais ninguém resolve ainda por cima quebrar tudo, deixando seus “mentores” não apenas em situação constrangedora, mas também os atacando por não endossarem o radicalismo. Pois é. No interior, chamam isso de “criar jacaré debaixo da cama” e no geral emendam com o “durma com um barulho desse”.

Pois é. Boa sorte.

Despedida

Queridos leitores, por conta de uma nova etapa da minha vida acadêmica e compromissos profissionais que passaram a tomar todo o meu tempo, esta é minha última coluna no Implicante, site que ajudei a criar há mais de seis anos. Agradeço a todos pela audiência, pelo carinho e até pelas críticas, pois sem elas ninguém aprende nada nem nunca melhora. O site prosseguirá com o restante da equipe, cujo talento e “implicância” vocês já conhecem há tempos. Um abraço a todos vocês.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante. Advogado e pós-graduado em Direito Empresarial, atua em comunicação online há 17 anos. Além de músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Tiro pela culatra: CNN persegue e ameaça piadista anônimo, causando revolta na Internet

Breve recapitulação: três executivos da CNN pediram demissão após artigo ligando os EUA à Rússia, com foco em Donald Trump e o projeto “Veritas”, com câmeras escondidas, mostrou como funciona a cobertura da emissora quando se tratava desse mesmo tema. Basicamente, perseguem o tema porque dá audiência, mesmo não havendo qualquer evidência conclusiva.
Em meio a tudo isso, Donald Trump não perdeu a chance e postou um vídeo em seu perfil oficial:

Trata-se de uma montagem com um vídeo real, de quando participou do evento “Wrestlemania”.

Diante disso, o que faz a CNN? Pois é: PERSEGUIU O AUTOR DO VÍDEO. E a coisa foi tão surreal que a própria emissora divulgou tudo, dizendo que firmou um trato para que ele “não faça mais isso” e, assim, não revelaria o nome do camarada. Sim, isso mesmo, a emissora se VANGLORIOU de ir atrás de um piadista anônimo.

Reações

O Wikileaks foi direto e reto, tratando o episódio como extorsão, opinião compartilhada pelo senador Ted Cruz. Mesmo o NYT, francamente anti-Trump, não conseguiu defender plenamente a posição da CNN, ainda que trouxesse opiniões em defesa do jornalista. E Paul Joseph Watson resumiu da seguinte e acertada maneira (não sem impropérios): a CNN cometeu um erro ao se opor à internet.

E foi de fato o que a emissora vez, talvez sem perceber, de dentro da bolha, como funciona o mundo real – nem a própria internet, ao que parece.

Essas coisas, sejam em vídeo, gif animado ou montagens estáticas, fazem parte da essencia da web e a PIOR REAÇÃO POSSÍVEL é sempre a de tentar proibir ou perseguir autores. Primeiro, por ser algo até antidemocrático e, para além disso, porque é no geral inócuo. A emissora, no entanto, decidiu percorrer justamente esse caminho: o mais idiota do ponto de vista estratégico e também o mais autoritário.

Claro que nunca dará certo. No fim, a coisa se volta contra a própria emissora, que fica em péssima situação diante da opinião pública. Ao mesmo tempo, é visível o desespero dos grandes veículos diante da queda de audiência e alcance, enquanto iniciativas online – todas elas bem ‘menores’ – ganham mais e mais público.

Agora, além disso tudo, que aguentem também a “guerra de memes”.

Direção da PF acaba com grupo de trabalho da Operação Lava Jato em Curitiba

Os últimos quatro delegados do grupo de trabalho da Lava Jato em Curitiba foram comunicados informalmente de que voltarão para a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, a Delecor, deixando de dedicar-se exclusivamente à referida Operação.

A informação é do Expresso, da Época.