JBS tira marca Friboi de alguns produtos, mas talvez a tática não dê muito certo

Segundo informa o AgoraSP, a JBS está tirando sua a marca Friboi de alguns produtos, como a linha Do Chef (a foto do post ainda mantém a logo antiga), e fará o mesmo com a Maturatta. Pelo visto, estão de olho na rejeição que a marca vem enfrentando diante do desgaste do acordo de delação de seus sócios.

O problema é que pode não dar certo.

Isso porque, nessa “nova era” das redes sociais, ainda que TODOS os veículos não falassem nada (e não é o caso, porque muitos estão entregando o ouro sem qualquer restrição), as pessoas avisam umas às outras – e posts assim acabam viralizando MAIS do que a propaganda oficial da marca.

Serve de exemplo o que publicou José Simão em seu perfil:

Pois é. E mesmo marca que nunca foi publicamente associada ao grupo agora já é citada como produto da JBS (porque, de fato, é):

A nova tática, portanto, pode não dar tão certo assim.

JBS/Friboi: os R$ 2 milhões ao instituto de Gilmar deixam Ministro em situação complicada

Em primeiro lugar, é necessário que se ateste: não há qualquer ilegalidade ou irregularidade no patrocínio da J&F (controladora da JBS/Friboi) ao IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), do qual o Ministro Gilmar Mendes, do STF, é sócio.

São empresas de natureza privada e, como tais, podem negociar da forma que quiserem, desde que dentro da lei. E foi o que houve. Mais ainda: o IDP informa que devolveu parte do patrocínio, por meio de rescisão contratual, quando do anúncio do acordo de delação premiada.

Feitas as ressalvas necessárias, cabe a análise.

Em suma: complica-se a situação de Gilmar Mendes quanto a julgar ações do grupo e/ou de seus sócios. Tratando de impedimento e suspeição do juiz, os artigos 134 e 135 do Código de Processo Civil são abrangentes (seguem transcrições, voltamos em seguida):

Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo:
I – em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha;
II – de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III – quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
IV – quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
V – quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo;
VI – quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes;
VII – em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;
VIII – em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório;
IX – quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
§ 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz.
§ 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento do juiz.
§ 3o O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no processo.

Art. 145. Há suspeição do juiz:
I – amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II – que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio;
III – quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV – interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões”

Porém, como visto, permite-se a autodeclaração que independe de maiores explicações. O caso em tela parece clássico quanto a isso.

Aguardemos, portanto, como se pronunciará o ministro do STF.

Curiosamente, JBS/Friboi pede ao STF para Edson Fachin continuar sendo o juiz de seu caso

Falamos há alguns dias que existe a chance de Edson Fachin deixar de ser o juiz responsável pelo caso das delações da JBS/Friboi. Motivo: ele é relator da Lava Jato e, desse modo, todos os casos sobre o tema vão diretamente a seu gabinete.

O problema é que as delações da JBS nada têm a ver com a Lava Jato e, assim, seria necessária a distribuição por sorteio do processo.

Nesse sentido, diante do pedido para trocar de juiz formulado pelo governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), o grupo frigorífico também se manifestou, mas para que ele PERMANEÇA no caso, segundo informa Lauro Jardim no jornal O Globo.

Curioso, para dizer o mínimo. Talvez tenham medo que um novo juiz reveja o acordo homologado.

Pecuaristas dos EUA mandam carta a Donald Trump pedindo investigação da JBS/Friboi

falamos por aqui que talvez a JBS/Friboi, apesar dos acordos realizados no Brasil, talvez enfrente problemas bem complicados nos EUA. E a coisa já começou, de uma maneira não exatamente surpreendente, mas com resultados que podem ser complicados.

Segundo informa a Folha de SP, o R-CALF United Stockgrowers of America (sindicato de pecuaristas norte-ameircanos) enviou carta ao presidente Donald Trump pedindo que o grupo brasileiro seja investigado. Até aí, nada de novo, certo? Nem tanto.

Isso porque o grande pilar da campanha e também do governo de Trump consiste no fortalecimento dos mercados nacionais. Evidentemente, esta é uma chance de ouro que ele terá para fazer valer tais princípios e, mais ainda, garantir pontos com os cidadãos de seu país.

JBS/Friboi: mesmo após delações, “sócio oculto” ligado à empresa desde 2009 segue misterioso

Em 2009, já em expansão, o grupo JBS/Friboi recebeu um sócio oculto. Trata-se da empresa Blessed Holdings LLC, com sede em Delaware, estado norte-americano com leis financeiras flexíveis. Os dados da empresa – por exemplo, sócios – seguem protegidos.

Havia expectativa de revelação diante do acordo firmado, mas ainda hoje há sigilo quanto a isso. Para completar, os próprios sócios da JBS, Joesley e Wesley, acabaram comprando a Blessed. O mistério persiste: de quem era a empresa antes dessa compra pelos próprios sócios da JBS?

Por fim, “Blessed” significa “abençoado”.

As voltas do mundo: em 2005, os sócios da JBS/Friboi é que foram pegos em gravação

O jornalista Mauro Zafalon, especialista em pecuária na Folha de SP, resgatou antiga reportagem envolvendo os donos da JBS/Friboi. A matéria é de 2005, antes da grande expansão do grupo, na época presidido por José Batista Jr, o “Júnior Friboi”.

Tanto o então presidente da empresa como seu irmão Joesley foram gravados clandestinamente. Pois é, o mundo dá algumas voltas curiosas.

Seguem trechos da reportagem do próprio Mauro Zafalon e Fernando Canzian:

“O Friboi, maior abatedouro de bovinos da América Latina e quarto maior do mundo, confessa operar em regime de cartel unido a pelo menos três outros frigoríficos brasileiros.’Nós, o Bertin, o Independência… os três põe o preço do boi em tudo quanto é Estado. Mato Grosso nós peita… Nós sozinho regulou o preço. Estamos fazendo o preço do Mato Grosso, e os outro acompanha [sic]’, diz José Batista Junior, proprietário do Friboi. ‘Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas, agora nós estamos em cinco Estado, e nos cinco Estado nós combina com três’, diz, nomeando os frigoríficos Independência, Bertin e Mataboi – que negam participação no esquema (…)

Em uma dessas conversas, também gravada, o irmão de Batista Junior, Joesley Mendonça Batista, afirma ter um ‘contrato de gaveta’ com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pelo qual assumiu uma dívida de R$ 11,2 milhões do grupo concorrente Araputanga”

Há outra coincidência. Ricardo Molina, perito que agora não reconhece como legítima a gravação dos sócios da JBS, na época constatou a autenticidade da fita contra os irmãos:

“O vídeo e o áudio dos registros foram periciados e atestados como autênticos por Ricardo Molina, perito do Laboratório de Perícias da Unicamp e conhecido por sua atuação no caso da morte de PC Farias, em junho de 1996. Wesley Mendonça Batista, sócio de Batista Junior e Joesley, dá duas explicações para a formação do cartel que seu irmão mais velho confessa nas gravações: acha que a fita ou é ‘montada’ ou não faz sentido, já que os cinco maiores frigoríficos do país teriam um poder de abate de bovinos equivalente a 15% do total nacional”

De lá para cá, a então Friboi se transformou no maior grupo do mundo do setor de carnes.

A reportagem original pode ser lida aqui.

JBS comprou o apoio de cinco senadores a Dilma Rousseff por R$ 35 milhões, diz delator

Ricardo Saud, diretor da JBS, disse à PGR que foram pagos R$ 35 milhões para comprar o apoio de cinco senadores a Dilma Rousseff em 2014. E todos eles seriam do PMDB: Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE, hoje Presidente do Senado), Renan Calheiros (AL) e Vital do Rego, hoje ministro do TCU.

Ele informa ainda que R$ 1 milhão seria destinado à senadora Katia Abreu (TO), mas ela não recebeu. Registre-se, pois.

Resta agora perguntar: foi golpe, mesmo? E a delação da JBS continua valendo? Pois é…

Delação da JBS pega Lula e Dilma Rousseff em cheio: petistas ainda a consideram verdadeira?

Vamos por partes. Na manhã de ontem, avisamos que não seria de bom-tom aos petistas que comemorassem a delação dos sócios da JBS/Friboi, e demos dois motivos para isso. Claro que a catarse atropela qualquer senso mais básico de noção, que dirá de estratégia, então seguiram fazendo festa.

Lula, experiente, reclamou com sua equipe, que postou foto tripudiando de Sergio Moro. E também ainda ontem surgiram as primeiras citações de Dilma Rousseff.

Por incrível que pareça, ainda hoje pareciam extasiados com tal delação. Até que…

Aparece o delator acusando pedido de compra de votos de deputados, para evitar o Impeachment, e também foi publicada a parte em que relata uma “conta corrente” de Dilma e Lula, num total de US$ 150 milhões, em 2014 – no câmbio de hoje, cerca de R$ 492 milhões.

E então cabe perguntar a todos que, já há alguns dias, aplaudiam e admitiam como legítima e verdadeiríssima a delação dos dono da JBS: ela ainda vale?

Porque, em caso positivo, então vamos juntos exigir punição a todos eles. De todos os partidos.

Dono da JBS diz que saldo de Lula e Dilma em contas na empresa era de R$ 330 milhões em 2014

Brasília – Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de posse dos novos ministros da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Justiça, Eugênio Aragão; da Secretaria de Aviação Civil, Mauro Lopes e do Chefe de Gabinete Pessoal da Presidenta da República, Jaques Wagner

Aos poucos, mais detalhes da delação dos donos da JBS vêm à tona.

Segundo informa O Antagonista, Joesley Batista afirmou que os salos das contas ligadas a Lula e Dilma chegou a US$ 150 milhões em 2014; no câmbio da época, cerca de R$ 2,20, daria R$ 330 milhões. Hoje, o total seria de R$ 492 milhões. Pois é, quase meio bilhão…

Segundo o delator, tais saldos:

“eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef”

A pedido do PT, JBS teria comprado o voto de deputados para evitar o impeachment de Dilma

Como já estava óbvio, a delação dos donos da JBS/Friboi não se resume ao áudio de ontem nem às acusações contra Aécio Neves. O grupo, que tornou-se gigante mundial nos últimos anos, teria sido beneficiada por facilidades de órgãos públicos, como o BNDES, que por sua vez é subordinado ao governo federal.

E agora começam a vazar outras partes da delação. Segundo publica O Antagonista, Guido Mantega teria mandado o deputado João Bacelar procurar a JBS para comprar o voto de deputados a fim de evitarem o impeachment de Dilma. Segue trecho:

“Que Bacelar apresentou então uma lista de não menos do que 30 deputados dispostos a votar em favor de Dilma, em troca do pagamento de propina solicitada de até 5 milhões de reais para cada qual”

Ainda como noticiado no site, Joesley Batista concordou em comprar 5 deputados a R$ 3 milhões cada um, tendo pago parte desse dinheiro.