Após candidatura presidencial ser suscitada, rejeição a Joaquim Barbosa aumenta 40%

Falamos há pouco da altíssima rejeição a Lula identificada pelo Pulso Brasil, pesquisa sazonal do Ipsos. Mas outro dado merece destaque: a rejeição a Joaquim Barbosa. Isso porque a pesquisa foi a campo exatamente no período em que sua candidatura voltou a ser aventada, agora com mais ênfase.

Ele tinha 26% e agora passou a 37% de rejeição. Esses onze pontos representam um aumento de cerca de 40%.

O instituto revela que o aumento de rejeição foi geral, atingindo até Sergio Moro. Porém, o juiz da Lava Jato (que, frise-se, é aprovada por 96% da população) teve um aumento irrisório, passando de 22 para 28%, mesmo sendo atacado diariamente pela militância de esquerda.

Não há elementos científicos para assegurar de maneira infalível que a especulação sobre a candidatura tenha influído, mas de todo modo foi o ÚNICO acontecimento que trouxe Joaquim Barbosa ao grande público nos últimos dias – e, repita-se, ocorreu durante o período em que o levantamento foi realizado.

Eleições 2018: na esquerda, estas seriam as três prováveis caras do pós-PT e do pós-Lula

Sempre batemos nessa tecla de pós-PT/pós-Lula porque é um dado da realidade, não mais uma hipótese. Cedo ou tarde, diante de todos os fatos, o partido seria superado dentro da própria esquerda e, por óbvio, tal processo não seria automático nem com um único rumo.

Há três grupos de maior relevância que podem ocupar esse posto no esquerdismo brasileiro. E analisaremos caso a caso.

Rede, Marina Silva, Joaquim Barbosa

O nome de Marina está sempre posto e tem grande recall, mas foi a entrada de Joaquim Barbosa no cenário, pela primeira vez não negando peremptoriamente a chance de ser candidato e, mais que isso, participando de reunião com artistas e integrantes da legenda. Uma das apostas de bastidor seria a chapa Joaquim e Marina. Claro, Alessandro Molon também pode ser indicado, mas embora tenha boa exposição na mídia, vale lembrar que ficou na oitava colocação para prefeito do Rio.

Petistas, PSOL e MTST

Em novembro do ano ano passado, falamos da hipótese de integrantes do PT juntarem forças com o PSOL e o MTST, todos num novo partido. Pois a especulação ressurgiu nesta semana, e um dos “líderes” do movimento junto ao partido é Lindbergh Farias, preterido por Lula na disputa interna da legenda.

Ciro e partidos tradicionais

Ciro Gomes, assim como Marina Silva, é um nome sempre posto – embora tenha concorrido à Presidência apenas em 2002. Desta vez, porém, conta com um partido maior que o próprio PT – sim, o PDT hoje é ainda maior. Será difícil para ele competir num cenário em que a ‘política tradicional’ esteja complicada, mas uma boa aliança pode garantir espaço razoável na campanha, e não seria exatamente impossível reverter as resistências.

E no PT?

O nome sempre aventado para substituição de Lula em 2018, caso o ex-presidente não concorra, é Fernando Haddad. Resta saber, claro, se o partido concordaria em peso com tal indicação, especialmente levando em conta essas outras três frentes.

Façam suas apostas.

Encontro de Joaquim Barbosa com artistas e políticos pode ser o “Marco Zero” do pós-PT

Falamos há pouco da reunião entre Joaquim Barbosa, artistas e políticos do Rede. Também comentamos sobre o fato de tal possibilidade ser terrível para Lula e o PT. O próprio Rede, partido de Marina, já fala abertamente na chance do ex-ministro do STF concorrer.

Caso tudo isso aconteça, o que evidentemente não é fácil (mas também não é impossível), tal encontro seria um “Marco Zero” do pós-PT. Aliás, segundo informa O Antagonista, parte do PT e o PSOL já estariam pensando numa frente, digamos assim, talvez “pós-Lula.

A verdade é que o PT está muito desgastado, e há pesquisa apontando rejeição altíssima. Uma saída para a esquerda seria a reorganização em torno de um nome “de fora”, que represente de forma pujante o pós-PT (Barbosa condenou o partido no Mensalão) e ainda consiga trazer de volta a pauta ética.

Se de fato topar a candidatura, Joaquim Barbosa será o maior desafio para toda a Direita – além de um balde de água fria nas pretensões petistas.

Por duas razões, candidatura de Joaquim Barbosa em 2018 é a pior notícia possível para Lula

Ele ainda não confirma, e talvez de fato não saia candidato à Presidência da República em 2018, mas é fato que a candidatura de Joaquim Barbosa, já está lançada, ainda que por apoiadores e simpatizantes. Mesmo em pesquisas ele aparece há anos.

Os novos movimentos, como a reunião com artistas e políticos do Rede, podem significar um problema bem sério para Lula e para o PT. E por dois motivos.

Narrativa

Praticamente TODO o enredo comunicativo do petismo será baseado na “perseguição” da Lava Jato, citando também o “golpe” do Impeachment, entre tantas outras coisas já presentes no folclore narrativo. A presença de Joaquim Barbosa na campanha, contudo, estragará a brincadeira.

Isso porque será praticamente impossível pintar Sergio Moro como perseguidor, considerando a candidatura de quem condenou petistas no Mensalão. Especialmente considerando que toda a força política de Barbosa venha justamente dessa condenação.

Espaço Político

Para piorar as coisas, é importante lembrar que o ex-ministro do STF é de esquerda. Daria para arriscar que suas posições estariam mais à esquerda da prática petista no poder (no discurso, haveria empate, digamos). Desse modo, parcela da militância esquerdista não-alinhada ao petismo poderia se aglutinar em torno de Joaquim Barbosa – e a presença de políticos do Rede na reunião com artistas não é mero acaso.

Não há vácuo na política e a decadência do PT certamente dará vez a novas forças no esquerdismo – e esta nova presença reforça as teses de que o partido de Marina Silva seria, afinal, o pós-PT (futuramente, trataremos disso de maneira mais específica). Um movimento forte de esquerda em torno desta nova candidatura acabaria enfraquecendo ainda mais o PT tanto na perda de apoiadores “civis” como também eventuais legendas que poderiam se reunir em torno do nome de Lula.

Completando, tal nome seria uma tentativa de “resgate ético” pelo esquerdismo, que ao longo dos anos não apenas abandonou, mas foi escorraçado desse campo. E adivinha qual candidato seria mais atingido pela retomada dessa pauta? Pois é…

Portanto

É provável que a militância passe a pegar pesado com Joaquim Barbosa, a exemplo do que já foi feito na época do Mensalão. Mas também é preciso considerar a eficácia quase nula desse tipo de coisa, valendo mais como catarse de clube fechado do que campanha com algum poder de convencimento popular – ao contrário, gerará mais repúdio a quem pratica. Mas pressões internas são um tanto mais eficientes, e é bem provável que virão.

Se nada der certo e a candidatura for confirmada, cenário ainda remoto atualmente, a aposta é óbvia: Barbosa passará a integrar a “narrativa oficial da perseguição”. Será a única saída, ou tentativa de saída, diante da catástrofe que sua candidatura provocará na estratégia de hoje.

“Será que o Brasil está preparado para ter um presidente negro?”, pergunta Joaquim Barbosa

Pesquisas apontam que candidatos não alinhados à “velha política” terão mais chances em 2018 – na verdade, mais que o dobro de chances. E é claro que os partidos começam a se mexer nesse sentido, bem como potenciais financiadores e também apoiadores.

Os dois nomes que despontam são Jair Bolsonaro e João Doria, mas parece que um novo candidato vem aí. Ele nega, mas não é exatamente uma negativa peremtória. Segue trecho da coluna de hoje da Monica Bergamo, na Folha de SP (voltamos depois):

“Estou mais para não ser, diz Joaquim Barbosa sobre sair candidato – Joaquim Barbosa ainda não foi convencido a sair candidato à Presidência da República. “A verdade é que eu resisto”, diz o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). “Estou mais para não ser.”

BARBOSA LÁ – Barbosa já foi procurado por lideranças de partidos como Rede, PSB e até o PT. Nesta semana, se reuniu com artistas como Marisa Monte, Lázaro Ramos, Fernanda Torres, Fernanda Lima, Caetano Veloso e Thiago Lacerda, que o convidaram para um encontro e tentaram convencê-lo a mudar de ideia.

FORTUNA – Barbosa afirma que “o maior obstáculo à ideia sou eu mesmo”. Ele diz que preza “muito a liberdade”. E que, desde que saiu do STF, há três anos, “gozo dessa liberdade na sua plenitude, com independência total para fazer e falar o que bem entendo. Isso não tem preço”.

FASE ATUAL – Entre as ponderações que Barbosa fez aos artistas está o fato de que não tem “dinheiro nem ninguém atrás de mim com recursos” para fazer frente a uma campanha. Em um determinado momento, o ex-ministro questionou: “Será que o Brasil está preparado para ter um presidente negro?“.

FUTURO
Duas estrelas da Rede, partido de Marina Silva, foram à reunião em que se discutiu eventual candidatura de Barbosa: o senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, e o deputado Alessandro Molon, do Rio.” (grifamos)

Enfim

Não é preciso ser exatamente um gênio para constatar que a candidatura é uma possibilidade real. Há diferença gritante entre “não serei candidato” e “estou mais para não ser”, pois a segunda resposta envolve ponderação e a chance concreta de tal fato ocorrer.

O encontro com artistas e políticos da Rede também é um sinal e tanto – e mostra, aliás, que o pós-PT é outro dado da realidade, não mais uma simples conjectura.

Caso a candidatura ganhe fôlego, há dois movimentos naturais: parte da esquerda passará a atacar Joaquim Barbosa de forma pesada. Isso porque, bem sabem eles, o ex-ministro do STF tem posturas mais progressistas e, por óbvio, ocupará o espaço cuidadosamente reservado a algumas figuras intocáveis.

Sobre isso, porém, cabe outra análise – que será publicada ainda hoje.

Para porta-voz do partido de Marina, candidatura de Joaquim Barbosa seria “vitória do povo”

Uma das grandes apostas para 2018 é a de que candidatos “outsideres” (ou seja, não associados ao quadro político tradicional) tenham melhor desempenho considerando a altíssima rejeição por que passam os partidos e caciques atualmente. Os nomes já aventados são Jair Bolsonaro e João Doria.

A bem da verdade, Joaquim Barbosa é lembrado de quando em vez, mas quase nunca com algum respaldo partidário expresso.

Pois eis que José Gustavo Favaro, um dos porta-vozes do Rede Sustentabilidade (partido de Marina Silva), afirmou que uma candidatura do ex-relator do Mensalão para a Presidência da República em 2018 seria “uma vitória do povo brasileiro”, segundo informa a Época.

Resta saber se foi apenas uma declaração simpática, um gesto estratégico (ninguém responderia negativamente ao nome de alguém com tanta popularidade) ou se de fato o partido tenha tais planos. É difícil algo assim acontecer numa legenda de esquerda, já que os líderes máximos costumam ser vitalícios e as próprias agremiações são criadas e desenvolvidas em torno de tal figura.

Mas tudo é possível.

STF: Ministro Barroso chama Joaquim Barbosa de “negro de primeira linha”, causando polêmica

Um incidente desagradável acabou marcando a cerimônia de colocação das fotos de dois ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Isso porque Luís Roberto Barroso, ao discursar, disse o seguinte sobre Barbosa:

“A universidade (Uerj) teve o prazer e a honra de receber um professor negro, um negro de primeira linha vindo de um doutorado de Paris -disse Barroso, em trecho do discurso sobre a trajetória de Barbosa”

A frase pode soar elogiosa, mas parte da militância alega que há preconceito embutido, pois no fim dá a entender que seria excepcional um negro ser “de primeira linha” – equívoco evitado se usasse “homem de primeira linha”, “pessoa de primeira linha”, “ser humano de primeira linha” etc.

Curiosamente, Barroso é talvez o ministro do STF com posturas progressistas/esquerdistas mais abertamente expostas e no geral o mais aplaudido por todas as militâncias.

Alvo de polêmica com Mendes, Marco Aurélio Mello já desafiou Barbosa a resolver “lá fora”

Não é a primeira vez que Marco Aurélio Mello causa polêmica ao monocraticamente conceder liminar que afetaria todo o país. Ele já havia agido assim ao permitir o aborto de anencéfalos, decisão que só depois seria referendada pelo plenário do STF.

Na ocasião, Joaquim Barbosa protestaria, diria que se tratava decisão por demais séria para ser tomada por um único membro da Suprema Corte. Mas a resposta de Mello não foi nada polida:

“Ministro, vamos parar com as agressões, porque o local não é este. Mas, se Vossa Excelência quiser, lá fora, eu estou à sua disposição.”

Quando a polêmica tomou conta do noticiário, Mello desconversaria, diria que queria diplomaticamente resolver as diferenças com Barbosa fora da sessão.

Será que fará o mesmo com Gilmar Mendes, que defendeu o impeachment dele por monocraticamente afastar Renan Calheiros da Presidência do Senado?

Em vídeo de 2013, Joaquim Barbosa diz que Ricardo Lewandowski desrespeita o STF com chicanas

Quem acompanha o perfil de Joaquim Barbosa no Twitter pode estar decepcionado com toda a conivência do ex-presidente do STF com o que fazia o PT para evitar sofrer um processo de impeachment. Mas, não faz muito tempo, o ex-ministro lavou a alma dos brasileiro ao peitar uma solicitação de Ricardo Lewandowski no plenário.

Na ocasião, se o julgamento do mensalão seguisse se arrastando, crimes prescreveriam e os meliantes sairiam impune. Foi quando Lewandowski pediu para discutir novamente uma questão que já havia sido superada por unanimidade. E Barbosa não se conteve. Além de literalmente dizer que o companheiro de toga estava ali fazendo um “chicana”, disse com todas as letras que o juiz que viria a arbitrar a manutenção dos direitos políticos de Dilma não respeitava a história “multicentenária” do STF.

https://www.youtube.com/watch?v=G-Qk2QkZQvw

Para relembrar o embate, basta acionar o player acima.

Joaquim Barbosa dá chilique contra Temer, mas cala sobre decisão do Senado que salvou Dilma

Joaquim Barbosa já alegou várias vezes ser agora um cidadão comum, portanto, sem qualquer amarras com formalidades na hora de emitir opiniões. É uma pena. Pois um pouco mais de zelo com o bom trabalho feito à frente do STF cairia bem diante de uma instituição tão desacreditada. Em sua conta no Twitter, não escondeu qualquer insatisfação com o resultado do impeachment de Dilma Rousseff. Mas o faria de uma forma bastante incoerente.

Ele começou dizendo que não acompanhou nada do que chamou de “patético espetáculo”, mas logo emendou uma porção de comentários a respeito (do que não acompanhou? Não faz sentido). Chamou de “mais patética ainda” a primeira entrevista de Michel Temer como presidente.

Dali em diante, como que querendo chamar a atenção do mundo, passou a chilique em outras línguas. Disse sentir vergonha do fato de os conservadores terem tomado conta do Congresso, disse que a imprensa é dominado por eles, mas que eles não teriam voto – como conseguiram dominar o Congresso, então?

Concluiria o desabafo em francês sem nada dizer sobre a manobra que beneficiou diretamente Dilma Rousseff e, por tabela, Eduardo Cunha.

Parece claro demais que Joaquim Barbosa tem lado. Como teria sido o julgamento do Mensalão se não tivesse?