Eliane Cantanhêde rebate Kennedy Alencar, mas a discussão acabou ficando inócua

Quando ainda se debatia a garantia de liberdade de imprensa, diante da condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães, surgiu na web um debate caloroso sobre o tema, com algumas opiniões divergentes – o que é próprio de uma democracia saudável.

Kennedy Alencar, da CBN e do SBT, postou o seguinte:

Mas Eliane Cantanhêde, do Estadão e da Globonews, divergiu:

E prosseguiu:

Porém, a esta altura, e ao menos para o caso em tela, é uma discussão inócua.

Segundo a nota da Força-Tarefa da Operação Lava Jato, a condução coercitiva foi para apurar o vazamento de informações a investigados, informações sigilosas. E não a veiculação pública – o que, aí sim, seria prerrogativa jornalística.

Mas fica o debate: quem é e quem não é “jornalista”, para efeito das garantias constitucionais? O Implicante acredita que veículos fora da grande mídia também seriam sim abarcados por tal garantia da Constituição Federal. Eis uma discussão saudável que deve continuar.

Lembrando que o caso específico não se trata disso.

Os jornalistas brasileiros também confundem “maioria silenciosa” com “voto envergonhado”

A cobertura brasileira das eleições americanas não só anda confundindo “globalização” com “globalismo”. Ela também não parece compreender o que Donald Trump queria dizer com “maioria silenciosa“.

Sempre que aparecia atrás nas pesquisas, o candidato republicano reforçava que venceria as eleições com a ajuda da “maioria silenciosa”, e para ela fazia promessas. As urnas vieram e provaram: as pesquisas estavam erradas. Logo, Trump estava certo?

Os próprios institutos de pesquisa deixam a entender que sim. Os especialistas consultados alegam que os levantamentos apresentados não conseguiram capturar todas as camadas da população. As pesquisas feitas por telefone fixo não atingiam os mais jovens, que só usam aplicativos e se recusam a atender ligações de desconhecidos. As que foram feitas por email não capturam a opinião dos mais humildes. E de fato restou toda uma camada da população sem ser consultada, a tal “maioria silenciosa”.

Como os analistas brasileiros traduziram ideia? Como se fosse um “voto envergonhado”, ou seja, um voto que os pesquisados não declaravam aos pesquisadores por pura vergonha. O que, claro, só confirma o viés partidário da cobertura jornalística nacional, que considera uma vergonha alguém votar em Trump.

Sim, as metodologias de pesquisas já não mais funcionam para os dias de hoje. E nem era preciso aguardar o resultado das eleições americanas para se chegar a essa conclusão: os casos recentes no Brasil servem perfeitamente como estímulo a novas soluções.

Depois de 20 anos de prejuízo, jornal inglês abandona versão impressa e em 6 meses dá lucro

Tempos atrás, dizia-se que o futuro estava nos jornais virtuais, nos websites informativos, blogs políticos etc. Muitos ainda acham que isso é coisa do futuro, mas a realidade é outra. Trata-se de um fato presente.

O jornal britânico The Independent, que há seis meses abandonou a versão impressa e passou a existir apenas online, finalmente conseguiu ter lucro. Isso depois de VINTE ANOS de prejuízo.

Não se trata mais de uma tendência de futuro, mas um dado real.

Claro que essa notícia não será vista com muito destaque nos grandes veículos daqui, no máximo aparecerá em notinhas de menor alcance. Mas fica registrado o fato.

Para ler no original, via Financial Times, clique aqui (em inglês).

A imprensa americana joga tão sujo contra Trump que agora publicou fotos nuas da esposa dele

Não é só no Brasil que a imprensa é esquerdista. E a americana já começa a apelar, baixando o nível ao ponto de não ser aconselhável acompanhar o noticiário no trabalho, ou a chefia pode achar que o funcionário está consumindo pornografia.

Há mais de duas décadas, quando tinha apenas 25 anos, a esposa de Donald Trump, o polêmico candidato republicano, posou nua para uma revista masculina na França. O New York Post achou relevante trazer o fato para o debate. E publicou as fotos NSFW na capa da mais recente edição.

Lá como cá, a esquerda faz o diabo para vencer uma eleição. E quem perde é a nação.

Antibiótico veterinário pode evitar que fetos sejam infectados pelo vírus da zika

Foto: James Gathany

Pouco se falava sobre o tema quando, em 5 de fevereiro, O Globo disse em editorial que a microcefalia punha “o aborto na agenda de debates“. Já no início, informava que a OMS não tinha ainda reconhecido a relação entre a má-formação de alguns bebês o vírus da zika. Destacou até mesmo que a vigilância sanitária brasileira só tinha passado a monitorar os casos apenas quatro meses antes. Mas já via ali uma brecha para debater “os limites legais do aborto“.

Para isso, como se fossem banais numa discussão de tamanha importância, colocava “questões éticas e religiosas à parte“. E sugeria que o diagnóstico tardio da microcefalia fosse contornado dando “à gestante a opção de, tendo contraído a zika, decidir pelo aborto preventivo“.

Aborto preventivo. Como se já houvesse na ciência alguma consenso a respeito do exato momento em que o feto deixa de ser um amontoado de células para se tornar um indivíduo cuja vida precisa ser protegida.

Porque o aborto não é um embate entre homens e mulheres, mas entre pais e filhos. E encarar a questão como uma luta entre machistas e feministas é simplesmente ignorar que o bebê a ser abortado pode ser, assim como a mãe, do sexo feminino. Ou mesmo que, tantas vezes, o maior interessado na interrupção da gravidez é o pai.

Por se tratar de um ser humano que ainda não tem nem como se expressar, cabe sim ao Estado defender-lhes, ainda que seja da própria família.

O vírus é conhecido desde 1947, mas surtos de zika são recentes. O mais antigo data de 2007. Só aos poucos o mundo vem estudando o funcionamento da doença no intuito de encontrar uma cura. Do pouco que se sabia, havia a certeza de que a maioria das mães que a contraíam nada transmitiam aos filhos, ou mesmo que a maioria dos fetos com microcefalia sobrevivia ao parto, mesmo que para uma vida complicada. De resto, incertezas.

Se cientistas do mundo todo tinham tantas dúvidas sobre o tema, por que jornalistas tinham tanta certeza de que o aborto seria a solução?

Porque jornalistas são profissionais irresponsáveis. Simples assim.

Apenas cinco meses se passaram desde aquele editorial. Agora, cientistas americanos descobrem que um antigo antibiótico veterinário pode bloquear a passagem de zika para o feto. É ainda um estudo, mas os pesquisadores de São Francisco e Berkeley soam animados com os resultados.

Que a animação se converta em vidas salvas. O quanto antes.

Marlos Ápyus é formado em comunicação, trabalhou por 15 anos como desenvolvedor web e músico. Além de colaborar com o Implicante, atualiza o apyus.com, seu site pessoal. Escreve no Implicante às quartas-feiras.