Eleições 2018: na esquerda, estas seriam as três prováveis caras do pós-PT e do pós-Lula

Sempre batemos nessa tecla de pós-PT/pós-Lula porque é um dado da realidade, não mais uma hipótese. Cedo ou tarde, diante de todos os fatos, o partido seria superado dentro da própria esquerda e, por óbvio, tal processo não seria automático nem com um único rumo.

Há três grupos de maior relevância que podem ocupar esse posto no esquerdismo brasileiro. E analisaremos caso a caso.

Rede, Marina Silva, Joaquim Barbosa

O nome de Marina está sempre posto e tem grande recall, mas foi a entrada de Joaquim Barbosa no cenário, pela primeira vez não negando peremptoriamente a chance de ser candidato e, mais que isso, participando de reunião com artistas e integrantes da legenda. Uma das apostas de bastidor seria a chapa Joaquim e Marina. Claro, Alessandro Molon também pode ser indicado, mas embora tenha boa exposição na mídia, vale lembrar que ficou na oitava colocação para prefeito do Rio.

Petistas, PSOL e MTST

Em novembro do ano ano passado, falamos da hipótese de integrantes do PT juntarem forças com o PSOL e o MTST, todos num novo partido. Pois a especulação ressurgiu nesta semana, e um dos “líderes” do movimento junto ao partido é Lindbergh Farias, preterido por Lula na disputa interna da legenda.

Ciro e partidos tradicionais

Ciro Gomes, assim como Marina Silva, é um nome sempre posto – embora tenha concorrido à Presidência apenas em 2002. Desta vez, porém, conta com um partido maior que o próprio PT – sim, o PDT hoje é ainda maior. Será difícil para ele competir num cenário em que a ‘política tradicional’ esteja complicada, mas uma boa aliança pode garantir espaço razoável na campanha, e não seria exatamente impossível reverter as resistências.

E no PT?

O nome sempre aventado para substituição de Lula em 2018, caso o ex-presidente não concorra, é Fernando Haddad. Resta saber, claro, se o partido concordaria em peso com tal indicação, especialmente levando em conta essas outras três frentes.

Façam suas apostas.

Lula se enfurece com reunião de petistas e membros do PSOL; Lindbergh rebate disparando

Falamos ontem sobre a candidatura de Joaquim Barbosa, que certamente abalará a situação do PT e de Lula. Também falamos da reunião com artistas e políticos do Rede, sinalizando talvez um “Marco Zero” do pós-PT.

E, agora, os próprios petistas ensaiam um racha. A reunião realizada no domingo passado, entre figuras do partido e membros do PSOL, teria enfurecido Lula e, para dirigentes das sigla, seria um ensaio da criação de nova sigla.

Hoje, no Painel da Folha, o senador Lindbergh Farias (PT/RJ) rebateu da seguinte forma:

“Impressionante! Setores do PT acham normal reuniões com Sarney e com o PMDB, mas se escandalizam quando vemos Boulos e PSOL”

Dias atrás, mencionamos a hipótese de Lindbergh passar a surgir como anti-Lula dentro do próprio PT. Ao que parece, considerando a dura e ácida resposta, isso já está acontecendo.

Além de Haddad, Lindbergh surge como opção do PT em 2018, se Lula não puder ser candidato

Há duas máximas do mundo político que precisam ser evocadas antes da presente análise: 1 – não existe vácuo na política; 2 – quase nada é por acaso na política. Ponto; sigamos.

Por ocasião da Convenção Nacional do PT, a imprensa divulgou o desentendimento de Lindbergh Farias e Lula, motivado pelo fato de que o Senador, contrariando o apoio da cúpula da legenda a Gleisi Hoffmann, manteve candidatura própria à presidência do partido.

Dado fundamental: Lindbergh tinha o apoio de boa parte da militância ideológica, com direito a “corinho” pelo seu nome, quando não foi designado para ocupar assento numa das mesas.

Ora, isso não foi obra do acaso. CERTAMENTE ele calculou muito bem essa tomada de postura, independentemente de ter acontecido para mostrar-se como opção às correntes majoritárias em futuro pleito presidencial.

Até agora, porém, o nome de Fernando Haddad era o mais mencionado como opção em caso de Lula não conseguir lançar-se candidato no ano que vem. Porém, a Operação Cifra Oculta, desmembramento da Lava Jato, pode ter tornado as coisas um pouco mais difíceis.

Desse modo, somando esses dois fatos recentes, e reiterando a inexistência de vácuo e ínfima incidência de acaso na política, temos aí uma possível disputa à vista. E, nessa hipótese, não é impossível que Lindbergh acabe vencendo.

Cruz e caldeirinha: Lindbergh e Gleisi (preferida de Lula) disputam a presidência do PT

Não bastassem todos os percalços enfrentados recentemente, o PT agora se encontra sob uma batalha para a presidência da legenda. De um lado, Gleisi Hoffmann, preferida por Lula, e de outro Lindbergh Farias, o candidato da “esquerda”.

Como Gleisi é apoiada pela corrente majoritária no PT, CNB (Construindo um Novo Brasil), além do próprio Lula, ela certamente vencerá. Porém, Lindbergh não tem mais como recuar, pois ele próprio reconhece que seria desmoralizado diante de seus apoiadores.

Desse modo, a provável nova presidente do partido será uma senadora que é ré na Lava Jato, em detrimento do candidato internamente apoiado pelas alas mais à esquerda.

E, sim, a militância que se diz mais à esquerda continuará apoiando incondicionalmente o partido. Todos sabem disso.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

Lá fora, Lindbergh Farias virou modelo fotográfico de matéria sobre cansaço

O Quartz possui 250 mil seguidores no Twitter e se apresenta como uma “nova forma” de se fazer uma cobertura jornalística do mundo dos negócios. Em uma matéria sobre relógio biológico, perguntava: “vem se sentindo cansado sem qualquer motivo?” Na foto destacam um homem bocejava com a mão no peito.

Nada disso chamaria a atenção do Implicante não fosse pelo modelo fotográfico a surgir na imagem:

Sim, trata-se do senador petista Lindbergh Farias. Mas não é preciso muito mistério. A imagem foi feita por Ueslei Marcelino para a Reuters. É normal que material do tipo seja comprado por veículos internacionais. Inusitado, contudo, é uma figura pública surgir no destaque.

Lindbergh Farias teve os direitos políticos suspensos duas vezes em menos de uma semana

Lindbergh Farias teve os direitos políticos suspensos. De novo. E em menos de uma semana. Mais uma vez, em relação ao período em que foi prefeito de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, cargo que ocupou de 2005 a 2010. Desta vez, contudo, por nomear para a prefeitura 11 pessoas que prestavam serviço a um vereador aliado.

A punição, agora, é ainda mais severa: a suspensão veio acompanhada de uma multa de R$ 640 mil e os bloqueios dos bens do senador.

No caso anterior, quando o logotipo da prefeitura foi impresso em caixas de leite distribuídas em programa social, o petista saiu-se dizendo que a matéria já estava superada no STF. Nesta caso, contudo, segue sem resposta.

Juíza suspendeu os direitos políticos de Lindbergh Farias por mau uso de programa social

Lindbergh Farias se preparava para ser reeleito como prefeito de Nova Iguaçu quando, no primeiro semestre de 2008, distribuiu caixas de leite com logo e cores da prefeitura. Segundo o Ministério Público, ele foi além e imprimiu o próprio nome nas cadernetas que controlavam a distribuição do benefício a seis mil famílias atendidas.

Desta forma, uma ação civil de improbidade administrativa foi movida. E só agora o atual senador pelo PT foi condenado. Pena: suspensão de 4 anos de seus direitos políticos.

O petista alega que já foi absolvido pelo STF em 2011 e irá recorrer da decisão.

Magno Malta, em vídeo: “Quer dizer que prender ladrão agora é abuso de autoridade?”

Na semana passada, Lindbergh Farias tentou encurralar Sérgio Moro, mas findou dando um tiro no próprio pé. Ao focar uma fala de 10 minutos em ataques à Lava Jato, apenas reforçou o ponto defendido pelo juiz federal: a Lei do Abuso de Autoridade defendida por Renan Calheiros tem por objetivo enfraquecer a operação.

Percebendo o erro, o senador pelo PT usou o microfone para alegar que apenas defendia o cumprimento da lei. Mas no mesmo dia receberia um resposta contundente do senador Magno Malta, que questionaria: abuso de autoridade é prender bandido? Ou é bandido usar de sua influência para atacar os juízes que o prenderam?

O Movimento Brasil Livre, sempre com muito bom humor, captou os dois momentos. E os resumiu no vídeo mais acima.