Enquanto o STF se acovardou diante de Aécio Neves e Renan Calheiros, Sérgio Moro e o TRF4 peitaram Lula

Com um punhado de inquéritos nas costas, Renan Calheiros vivia as últimas semanas como presidente do Senado. Nem assim o STF demonstrou força para tirá-lo do cargo e aplicar a mesma lógica que derrubara Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal no semestre anterior. Dez meses depois, foi a vez de Cármen Lúcia gaguejar e se mostrar fraca para derrubar Aécio Neves.

Três meses antes, Sérgio Moro já havia provado ser capaz de condenar personagem bem mais graúdo, alguém que comandara o país por oito anos e elegera a sucessora duas vezes. Seis meses depois, o TRF 4 referendaria por unanimidade a decisão do árbitro da Lava Jato.

A corte suprema não teve força contra Calheiros e Aécio. As instâncias inferiores, por mais de uma vez, levaram Lula a nocaute.

Como bem resumiu o jornalista Mário Sabino, “os tribunais superiores são moralmente inferiores“. E são.

Falas de Lula e Gleisi dão razão a quem temia que o petismo transformasse o Brasil numa Venezuela

Foi manchete em todo a imprensa, mas partiu do Poder 360. Em termos que soam pesados até mesmo para o partido que tem no currículo o estranho caso Celso Daniel, Gleisi Hoffman afirmou exatamente que:

Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”

Apenas depois da revolta nas redes sociais, a presidente do PT se reposicionou alertando que a fala não deveria ser entendida ao pé da letra. Ainda assim, na mesma noite, o próprio Lula pontuou no Twitter sobre a liberdade de imprensa.

“A Veja é uma central de mentiras. Eu quero que eles saibam. Trabalhem pra eu não voltar. Porque se eu voltar vai haver uma regulação dos meios de comunicação.

É bom destacar, não foi uma ameaça apenas à Veja, o que já seria grave em suficiência, mas a toda a imprensa. Sempre com o eufemismo de “regulação dos meios de comunicação” já explorado na Venezuela chavista.

Aquela Venezuela que, mesmo com uma ditadura reconhecida pela imprensa e diplomacias mais sérias do mundo, recebeu aplausos de partidos da esquerda nacional, como PSOL, PDT e PCdoB – além do próprio PT, claro.

As falas e os posicionamentos dão plena razão a quem temia que petismo conduzisse o país a uma ditadura semelhante. Mas, para sorte do país, brasileiros foram às ruas e exigiram o impeachment de Dilma Rousseff a tempo.

É preciso trabalhar para que em 2018 eles não recebam das urnas uma nova chance.

Lula, que teve R$ 9 milhões bloqueados pela Justiça, disse que não encontraram dinheiro na conta dele

Em julho, por decisão de Sérgio Moro, o Banco Central bloqueou R$ 606.727 que estavam em quatro contas bancárias utilizadas por Lula. Mas era só o começo. Dias depois, o bloqueio superou os R$ 9 milhões. Pois atingiu dois planos de previdência privada do ex-presidente, um deles no valor de R$ 7,2 milhões.

Pois bem… Aparentemente, essa pequena fortuna não significa nada para Lula. Pois, em outubro, o petista disse em Minas Gerais que não foi encontrado dinheiro na conta dele. E o perfil oficial do Twitter registrou a fala:

Segundo a própria defesa, o casal Lula da Silva declarou patrimônio de R$ 11,7 milhões. É uma quantia bem razoável para não ser considerada pelo condenado pela Lava Jato.

Entre a reeleição de Lula e a delação de Joesley, a receita líquida da JBS cresceu 2.800%

A JBS foi fundada em 1953. Mas só no século seguinte interferiria na política brasileira com destaque. Mais especificamente, após o Mensalão, quando o PT passou a fabricar “campeões nacionais”, ou empresas que quebravam a concorrência local mirando conquistas internacionais.

Em 2002, o grupo fez contribuições eleitorais de tímidos R$ 200 mil. Em 2006, o volume cresceria em quase cem vezes, atingindo R$ 19,7 milhões. Quatro anos depois, saltaria para R$ 83 milhões. Em 2014, antes mesmo do final do primeiro turno, já havia despejado R$ 113 milhões, mas a conta subiria a quase R$ 400 milhões no turno final.

Esses foram os números dados à Justiça Eleitoral pelo caixa um, ou aquela fábula contada para a opinião pública. Com a delação da JBS confessando o que acontecia no submundo do caixa dois, os R$ 427,4 milhões em doações oficiais saltaram para R$ 1,124 bilhão, uma cifra 163% superior. Para cada milhão doado, apenas R$ 380 mil eram declarados ao eleitor.

O crime compensava. De uma receita líquida de R$ 4,3 bilhões em 2006, o grupo chegaria a R$ 120,5 bilhões na década seguinte. Grande parte deste resultado deve-se à relação questionável com o poder – como destacou a Época, só em 2014, integrantes de 27 partidos foram beneficiados em todos os estados brasileiros.

Não à toa, a opinião pública olha com maus olhos a anistia acordada com Rodrigo Janot. Resta a dúvida se a população já aprendeu a distinguir o trabalho realizado pela PGR, em Brasília, daquele praticado pela Lava Jato de verdade, a de Curitiba.

Lula teria reclamado de petistas que batem em Doria e esquecem Alckmin: seria a nova tática?

Nesta segunda-feira, a Folha de SP noticiou que Lula havia reclamado dos petistas que apenas atacam João Doria e não se empenham na oposição a Geraldo Alckmin. O fato passou sem grande destaque ou debate, mas pode haver algo aí fundamental.

Por partes.

Lula é inteligente e todos que o menosprezaram quanto à estratégia política, bem sabemos, não se deram bem. Todos os seus atos desse tipo, portanto, precisam ser analisados de forma meticulosa, calculando ou supondo movimentos muito mais interessantes do que aqueles mais imediatamente aparentes.

E este pode ser um caso do tipo.

Isso porque, estrategicamente falando, faz todo sentido. João Doria está na crista da onda, com baixa rejeição e vem fazendo um governo elogiado. Alckmin, por sua vez, guarda o desgaste de muitos anos de governo e pode ser um alvo mais fácil. Para além disso, o destaque dado ao governador do estado tiraria um pouco o prefeito das manchetes.

Lula sabe que, antes e acima de tudo, política envolve visibilidade. Também sabe que TODO ataque ou menção negativa a Doria recebe resposta imediata em suas redes, gerando mais e mais notícias. Por isso tudo, há chance do conselho não ser apenas um comentário sem maior importância.

Prisão de Geddel, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, deixa petistas em “cilada narrativa”

Geddel Vieira Lima (PMDB/BA) é aliado de Michel Temer, foi seu ministro e acabou pedindo demissão depois de ser acusado pelo também ex-ministro Marcelo Calero. Geddel Vieira Lima foi preso ontem pela PF. Então, presume-se, os petistas estão batendo bumbo, não é mesmo? Claro que não.

Isso porque o mesmo Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, foi preso sob acusação de fatos havidos entre 2011 e 2013. Na época, ele era Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e, como é sabido, a CEF pertence ao governo federal, que estava sob Dilma no referido período.

O grande problema das narrativas é esse: os fatos não costumam dar atenção a ela, e aí tudo fica complicado. E isso vale também para os “temeristas” (ou o que quer que seja isso), quando dizem que o grupo atual é muito diferente daquele que comandou o país outrora.

Será?

Reunindo Dilma, Lula, Temer e Aécio, a “Frente Anti-Lava Jato” implode todas as narrativas

Muita gente não entendeu uma declaração de Lula, no final da semana passada, tecnicamente em favor de Michel Temer. Apesar da sensatez estratégica, considerando que o argumento valeria para todos, alguns militantes ficaram sem ação.

Agora, segundo informa o Painel da Folha, a coisa tende a ficar um tanto tragicômica. Seguem trechos, voltamos depois:

“Advogados de Temer, Dilma, Lula e Aécio articulam manifesto para questionar o Judiciário e o MP

Nós contra eles 2.0 – Os advogados de Michel Temer (PMDB), Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Aécio Neves (PSDB) articulam o lançamento de um manifesto para questionar a atuação da Justiça e do Ministério Público. Os debates se desenrolam em um grupo de WhatsApp intitulado “Prerrogativas” — e a OAB é alvo frequente de críticas. Nas discussões, tratam da confecção de texto que prega o fim do que chamam de “Estado de exceção” e a “retomada do protagonismo da advocacia”.

Criador… – O “pai” do manifesto dos criminalistas é o ex-presidente Lula. A ideia, que antes se restringia a trocas de mensagens no grupo, ganhou força depois do ato de desagravo aos defensores do petista, em maio, em São Paulo. Os questionamentos à delação da JBS deram o impulso final na articulação.

…e criatura – Alberto Toron, advogado de Aécio Neves e Dilma Rousseff, Cristiano Zanin, defensor de Lula, e Antonio Mariz de Oliveira, de Temer, estão na linha de frente da formulação do manifesto. Todos os políticos estão na Lava Jato e foram fortemente implicados na delação de Joesley e Wesley Batista.

Teoria e prática – Outros criminalistas fazem parte do grupo que prepara o texto. Eles discutem criar um curso para debater o que seria ‘Estado de exceção'” (grifamos)

Pois é

A primeira narrativa a sofrer com isso é a do “golpe”. Se já estava morta e enterrada, agora não sobrou nem o pó. Além dessa, também perde a sustentação a tese mais recente, e não menos estapafúrdia, de que defender a Lava Jato seria ajudar Lula para 2018 (chega a ser esquisito acreditar que alguém a sério defenda isso).

E o fato acaba complicando a situação dos que vêem (ou viam, porque agora não há como manter o ponto-de-vista) em Michel Temer uma figura antagônica a Lula. O mesmo valendo para Aécio.

No fim, o “nós contra eles” usado pelo Painel da Folha de SP é a impressão deixada pelo tal manifesto. Depois, não dá para reclamar do declínio da classe política e suas velhas figuras.

Lula é rejeitado por 68% dos brasileiros, diz nova pesquisa nacional do Ipsos

Embora apareça como “líder” em algumas pesquisas – mesmo com o piso histórico dos 30% -, ao que tudo indica Lula terá muito trabalho para convencer o outro percentual da população. Isso porque, segundo informa o novo “Pulso Brasil”, do Ipsos, a rejeição ao petista vai a 68%. Ele fica atrás de Michel Temer (93%) e Dilma Rousseff (82%), mas o problema é que estes dois não serão candidatos à Presidência em 2018.

Para piorar um pouco mais as coisas, 67% dos entrevistados responderam que o PT seria o partido mais associado à Lava Jato. E mais: 96% querem que a operação continue. O levantamento foi realizado entre os dias 1 e 13 de junho, por meio de 1,2 mil entrevistas pessoais e domiciliares, em 72 municípios do país.

Para 64% dos brasileiros, o PT continua sendo o partido mais associado à Lava Jato – alta de sete pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Lava Jato: processo contra Lula sobre o Triplex tem várias provas – e mostramos aqui algumas

Construiu-se a narrativa de que um dos processos contra Lula na Lava Jato, o do triplex do Guarujá a ele atribuído, não teria provas. Seriam apenas delações e “convicções” (sempre bom repetir que isso da ‘convicção sem provas’ é simplesmente uma mentira da esquerda). E a denúncia, por óbvio, foi instruída com farto conjunto de provas documentais – e até fotografias do ex-presidente visitando o imóvel acompanhado do dono da construtora.

Vejam a lista a seguir, depois voltamos:

A denúncia na íntegra pode ser vista aqui (em pdf)

Pois é…

Por que haveria contrato do tal imóvel? Por que teriam mesmo rasurado esse contrato? Por que Lula visitou o apartamento, e acompanhado do dono da construtora? São perguntas que devem ser respondidas no processo, e não cabe aqui qualquer análise precipitada, pois caberá à justiça avaliar isso tudo. Porém, não é verdade que inexistiriam provas.

Como se trata de um caso apurando ocultação de patrimônio, é natural que o conjunto probatório não tenha escritura ou algo assim. Desse modo, são reunidos documentos, para além de evidências e depoimentos, para que a tese seja corroborada. Algo que, repita-se, depende do judiciário.

Por fim, vale lembrar do bom levantamento da Revista Época, que reuniu provas apresentadas em casos diversos, incluindo outras pessoas e outros partidos.

Fachin tira de Moro outro inquérito contra Lula; agora, o que investiga Odebrecht e Lulinha

Na semana passada, mesmo com parecer contrário da PGR, o ministro do STF Edson Fachin retirou da jurisdição de Sergio Moro três investigações envolvendo Lula. Agora, fez o mesmo com o inquérito que investiga repasse da Odebrecht para uma liga de futebol americano a ser criada no país pelo filho de Lula, Luís Claudio Lula da Silva (foto).

Seguem trechos da fundamentação do ministro:

“no momento não se pode falar em conexão a outros fatos apurados em relação aos agravantes (…) como a narrativa é de que os fatos teriam se passado na cidade de São Paulo, na qual foram realizadas as tratativas sobre os apoios recíprocos e que envolviam, de certa forma, o prestígio de Lula junto à Presidência da República, essa circunstância atrai a competência da Justiça Federal (artigo 109, inciso IV, da Constituição Federal)”