Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

É mole? Relator da CPI do Petrolão não indicia ninguém

Da Folha de S.Paulo:

marco maia

O deputado Marco Maia apresentou nesta quarta-feira (10) o relatório final da CPI mista da Petrobras, que terceiriza para outras autoridades o pedido de punições aos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção da companhia. Dos 53 nomes que surgiram durante a Operação Lava Jato, nenhum foi explicitamente indiciado. Na lista, constam nomes de executivos de empreiteiras, do doleiro Alberto Youssef e de sua ex-contadora, Meire Poza. Também aparecem os nomes de Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Renato Duque, Pedro Barusco e Silas Oliva, todos da Petrobras.

“Absurdo”: Marco Maia diz que denúncias contra Lula deveriam ser arquivadas

Para presidente da Câmara, “não é nem prudente fazer uma análise mais aprofundada”

Marco Maia

Informação do jornal Folha de São Paulo:

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse nesta quarta-feira (9) que seria um “absurdo” uma nova investigação sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão. Segundo Maia, este é “um tema já exaustivamente investigado” e o “prudente seria mandar isso para o arquivo”.

O procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que provavelmente enviará à primeira instância o depoimento do operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, no qual ele diz que recursos do esquema foram utilizados para pagar despesas pessoais de Lula.

(…)

“É um absurdo que se produza uma nova investigação sobre esse tema envolvendo o presidente Lula”, disse Maia. “Não é nem prudente fazer uma análise mais aprofundada. O prudente é mandar isso para o arquivo”, completou.

Leia a íntegra aqui.

Projeto na Câmara quer creme hidratante para presos e instituir o “Dia do Encarcerado”

Projeto prevê pena de até seis anos de prisão para quem não fornecer o material de higiene

mutirao

Informação do site de Veja:

Sob o comando de Marco Maia (PT-RS), a Câmara dos Deputados decidiu acelerar a tramitação de um projeto que prevê a concessão de um pacote de benefícios para detentos, como creme hidratante, condicionador de cabelo, chuveiro quente e biblioteca. O texto do Estatuto Penitenciário Nacional ainda assegura os direitos políticos a presos sem condenação transitada em julgado e fixa até o Dia do Encarcerado: 25 de junho.

O estatuto contém um ponto ainda mais controverso: determina a prisão de diretores de presídios que permitirem a alocação de mais detentos do que a capacidade máxima da unidade. Segundo dados do Ministério da Justiça, o déficit carcerário do país, hoje, é de pelo menos 240.000 vagas. Como seria quase impossível erguer presídios em tempo recorde, o autor da matéria, deputado Domingo Dutra (PT-MA), sugere a ampliação das chamadas penas alternativas: “A construção de presídios obedece a um esquema que interessa às construtoras e despreza penas alternativas, a aplicação de multas, o monitoramento eletrônico”.

A proposta lista ainda outros dispositivos como a obrigatoriedade de presídios com 400 detentos contarem com ao menos cinco médicos – o que resulta em uma proporção de 1,25 médico por cem pessoas. No Brasil, essa média é próxima a 0,2 médico por cem habitantes.

O projeto foi apresentado em 2009, como fruto da CPI do Sistema Carcerário, e retomado em 2011, por iniciativa do deputado Domingos Dutra. Mas, só no fim do ano passado, já após a condenação dos réus no processo do mensalão, é que parece ter atraído o interesse da Câmara. O presidente da Casa, Marco Maia, criou uma comissão especial para agilizar a tramitação do texto sem que o plenário precise analisar o assunto. Se aprovado, seguirá para o crivo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, irá direto para o Senado. Adversário da proposta, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) reclama: “Dada a pressa disso tudo, com toda a certeza é para ajudar os mensaleiros”.

Domingos Dutra afirma que não há relação entre as condenações de petistas e a retomada do projeto de lei. “Essa meia dúzia que foi condenada pelo mensalão vai ter um padrão que a massa carcerária não tem, porque eles não são da mesma classe social que compõe a esmagadora maioria dos presos”, diz. O texto em análise entraria em vigor um ano após a sanção.

Hidratante – O projeto em discussão prevê que o agente penitenciário que não fornecer o material de higiene necessário – inclusive o creme hidratante – corre o risco de ser condenado a seis anos de prisão. O texto determina punições até mesmo para juízes e promotores que não cumprirem o dever de fiscalizar as condições nas unidades prisionais – o que pode resultar em até quatro anos de prisão para as autoridades. Mas Domingo Dutra não vê excessos na medida: “É preciso estabelecer punições, inclusive para os juízes e promotores que não fazem as inspeções que deveriam realizar mensalmente”.

(…)

Apesar dos pontos questionáveis, o texto de Domingos Dutra também trata de medidas relevantes para reduzir o caos nas unidades prisionais, como a colocação de integrantes de facção criminosa em celas individuais, a realização de trabalho compulsório pelos presos, e a normatização dos castigos aos detentos indisciplinados. A proposta torna definitivos alguns benefícios como a benefício da visita íntima, que hoje é aplicado de forma diferente em cada presídio.

(grifos nossos)

Leia mais aqui.

Câmara oficializa semana de 3 dias e Marco Maia (PT-RS) diz que quem é contra não tem “inteligência emocional”

Reportagem da Folha de S. Paulo:

A página no Twitter do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), foi invadida nesta quinta-feira (18) por manifestações indignadas de internautas contrários à decisão da Casa de só realizar votações às terças, quartas e quintas-feiras.

Embora essa seja uma prática dos deputados, a Câmara aprovou ontem mudança no regimento interno para que as sessões deliberativas, em que a presença dos parlamentares é obrigatória, ocorram apenas três vezes por semana.

Há mais de 120 comentários criticando a decisão só no início desta tarde, mas as críticas na página do petista começaram desde a aprovação da mudança. São frases do tipo “são pessoas como você que me fazem ter vergonha de ser brasileiro” ou “daqui a pouco os deputados vão querer fazer home office”.

Apesar da enxurrada de críticas, o deputado não respondeu aos ataques. Há internautas que sugerem ao deputado reduzir os salários dos parlamentares proporcionalmente à diminuição na jornada de trabalho.

Maia trocou farpas ontem com o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que negou ter apoiado a proposta. Líder do PPS, Bueno disse que o partido votou contra a aprovação da mudança e classificou a medida de “gazeta” na Câmara.

Em nota direcionada a Bueno, Maia disse que a reação do deputado é “mais um devaneio de quem desconhece o regimento da Câmara e a prática legislativa”.

Sem justificar os motivos para a mudança, Maia diz na nota que o parlamento brasileiro “é um dos que mais aprova no mundo” e afirma que, se o deputado tivesse “inteligência emocional” procuraria se informar sobre o funcionamento do Congresso em outros países.

“O Legislativo brasileiro é um dos poucos que funciona cinco dias por semana durante o ano todo. O desconhecimento do deputado talvez esteja baseado na sua própria prática de considerar apenas a atividade parlamentar a presença em plenário, o que não é a realidade da maioria dos parlamentares que hoje atua na Câmara dos Deputados”, afirma Maia na nota.

MUDANÇA

A alteração no regimento formaliza o esvaziamento das sessões realizadas nas segundas e sextas-feiras no plenário. A proposta foi assinada pelo presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), e pelos demais integrantes da mesa diretora da Câmara.

A votação no plenário foi feita de forma simbólica, ou seja, sem que os deputados precisassem colocar no painel um posicionamento contra ou a favor do projeto.

As regras anteriores definiam que as reuniões ordinárias deveriam ser realizadas, em todos os dias úteis, de segunda a sexta-feira. O texto aprovado pelos deputados reduz a realização dessas sessões para as terças e quintas-feiras, iniciando-se a partir das 14h.

Na prática, a mudança do regimento impossibilita que ocorra votação às segundas e sextas.

A proposta aprovada ainda abre a possibilidade para que às segundas e sextas-feiras sejam feitos debates, porém sem “ordem do dia”, o que também impede a votação dos projetos que aguardam para serem apreciados no plenário.

As sessões de homenagem também poderão ser feitas após os debates por um prazo não superior a 30 minutos quando não o homenageado não for uma autoridade.

(grifos nossos)

Comentário

Procuramos indícios da “invasão” na página oficial de Marco Maia no Twitter, mas às 18:50 (a matéria da Folha foi publicada às 18:11), a atualização mais recente é de 4 dias atrás. Ou o deputado apagou os tweets postados pelos internautas indignados em sua página ou a repórter não faz a menor idéia do que é ter a “página no Twitter invadida” – coisa que até o próprio Maia parece conhecer: em 2011, o deputado postou uma foto sensual de uma garota no Twitter e posteriormente alegou invasão em sua conta.

Corrupto João Paulo avisa que só sai da Câmara de camburão

Mensaleiro condenado conta com ajuda do presidente Marco Maia (PT-RS) para não perder mandato assim que sentença do STF for publicada

O blog do jornalista Josias de Souza informa que João Paulo Cunha não pretende abrir mão do cargo – e, principalmente, do salário – de deputado federal de forma espontânea:

Primeiro político a amargar veredictos adversos no julgamento do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) disse a companheiros de partido que não entregará o mandato “de mão beijada”. Informou que brigará para não ser preso e para permanecer na Câmara até o término da atual legislatura, em 2014.

Condenado por três crimes –corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro— João Paulo prepara dois movimentos. Num, recorrerá contra as decisões do Supremo. Noutro, apelará à solidariedade dos colegas de Parlamento para salvar o que lhe resta de mandato.

Sabendo-se inelegível por oito anos, o ex-presidente da Câmara alega que a sobrevivência no Legislativo é essencial para que consiga reestruturar sua vida. Segundo diz, não dispõe de reservas financeiras que lhe permitam dispensar do dia para a noite o contracheque de deputado (R$ 26,7 mil mensais).

Em seus diálogos privados, João Paulo chega mesmo a inventariar seu patrimônio: R$ 80 mil no banco, três carros usados, a casa onde mora em Osasco e um flat que lhe rende aluguel de R$ 2 mil por mês.

Embora condenado, João Paulo não conhece o tamanho do seu castigo. A chamada dosimetria da pena só será aplicada ao término do julgamento. Porém, o suplício foi insinuado no voto de Cezar Peluso. Como votou às vésperas de aposentar-se, Peluso teve de se pronunciar sobre a pena.

Afora a perda do mandato, fixou a pena em seis anos de cadeia, algo que garantiria a João Paulo o regime semiaberto. O problema é que a conta de Peluso não inclui a lavagem de dinheiro, crime do qual absolveu o réu. A pena mínima prevista no Código Penal para esse delito é de três anos de reclusão.

Para livrar-se do regime fechado, o deputado precisa torcer para que os colegas de Peluso não sejam mais draconianos do que ele na fixação das penas por corrupção e peculato, aprovadas por 9 votos a 2. Mais: depende da revisão da condenação por lavagem de dinheiro, aprovada por maioria estreita: 6 a 5.

Para tentar atingir o segundo objetivo, a defesa de João Paulo protocolará no STF um “embargo infringente”. É um tipo de recurso que permite requerer a reversão da condenação. Pode ser usado sempre que a decisão não é unânime e que o condenado tenha obtido em plenário pelo menos quatro votos a seu favor. No caso de João Paulo, há cinco –o de Peluso e os dos ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello.

Quanto à perda do mandato, a posição de Peluso deve ser endossada pelos colegas. Em entrevista, Marco Aurélio Mello já declarou que, uma vez decretada pelo Supremo, a extinção do mandato é automática. Mas o presidente da Câmara, Marco Maia, companheiro de partido de João Paulo, pensa de outro modo.

Para Maia, a palavra final é do plenário da Câmara, não do Supremo. Assim, é preciso que um partido político formalize o pedido, que a Mesa Diretora defira e que o requerimento siga os trâmites usuais. Com pressa, é coisa para seis meses. Com vagar, mais de um ano.

Nesse contexto, as manobras judiciais ganham especial relevo. João Paulo não pode ser considerado culpado antes que todos os recursos ajuizados por ele sejam apreciados pelo plenário do STF. Só então o processo atingirá a fase que os advogados chamam de ‘trânsito em julgado’.

Além do “embargo infringente” que usará para questionar a condenação por ‘lavagem’, João Paulo planeja protocolar no STF dois “embargos de declaração” –um para a corrupção passiva e outro para o peculato. É um tipo de recurso que não permite senão pedir que sejam esclarecidos eventuais pontos obscuros do acórdão condenatório.

Ainda que malsucedidos, os três recursos podem empurrar a execução das penas para meados de 2013. O jogo de João Paulo estará jogado se ele for preso. Atrás das grades, não terá como dar expediente na Câmara.

Do contrário, beneficiado pelo espírito de corpo da corporação e pelo rito prescrito por Marco Maia, não são negligenciáveis as chances de o condenado se manter na folha da Câmara pelo prazo que deseja. Um golpe de barriga aqui, um recesso ali e chega-se facilmente a dezembro de 2014.

(grifos nossos)

Petista usa gráfica da Câmara para fazer propaganda do Instituto Lula

Mais uma da coluna de Lauro Jardim em Veja Online:

Jornal do Lula

Lula: no jornal que só deveria falar de atividades parlamentares

Marco Maia assinou no final de junho um ato no qual regulamentou o uso da gráfica da Câmara para a impressão de boletins informativos das lideranças partidárias na Casa. A medida foi adotada por Maia depois que a oposição descobriu que a liderança do PT estava usando a gráfica indevidamente para imprimir o boletim batizado de PT na Câmara.

Pelo ato de Maia, ficou assegurada aos líderes uma cota de impressão de 100 a 400 exemplares diários de informativos “destinados à divulgação das atividades parlamentares das lideranças”. A julgar pelo boletim do líder Jilmar Tatto, o termo “atividade parlamentar” merece ser reestudado entre os petistas. No dia 30 de agosto, por exemplo, o destaque da contracapa foi o “Instituto Lula”.

Depois de chamar de desocupado quem vê o mensalão pela TV, Marco Maia viajará até a Suécia só para ver jogo da Seleção


No início deste mês, o Implicante publicou a opinião do deputado Marco Maia (PT-RS), atual presidente da Câmara, a respeito dos interessados em acompanhar o julgamento do mensalão pela TV. Para o deputado, quem assiste às sessões transmitidas pela TV Justiça “não tem o que fazer”.

Pois, hoje recebemos o e-mail do leitor Airton com a informação de que o nobre deputado viajará até a Suécia só para assistir ao vivo o próximo amistoso da seleção. A informação está no portal da CBF e pode ser lida abaixo:

O deputado federal Marco Maia, presidente da Câmara, é o chefe da delegação da Seleção Brasileira que disputará o amistoso contra a Suécia, na quarta-feira, em Estocolmo.

Marco Maia é um apaixonado torcedor de futebol, adepto do Grêmio, e almoçou com os integrantes da comissão técnica e os jogadores neste domingo no Sopwell House Hotel.

A viagem da delegação para Estocolmo será às 16 horas (12h de Brasília), em voo fretado, com chegada prevista para as 19h45 (14h45 de Brasília).

Deve ser difícil para o presidente da Câmara conciliar a sua “paixão por futebol” com a rotina extenuante da Casa. Ao menos é o que podemos concluir depois desta declaração:

Como eu tenho muita coisa para fazer, preocupado com o país, articulando as votações da Câmara da próxima semana, tratando sobre temas de interesse do país, não tive nem tempo de acompanhar e saber o que está acontecendo no mensalão”.

O que ainda não conseguimos detectar é em qual categoria a “paixão por futebol” de Maia se enquadra. “Articulação de votações da Câmara” certamente não é. Supomos que seja algum “tema de interesse do país”. Seja como for, pelo menos uma certeza temos: “tempo pra acompanhar o que está acontecendo no mensalão” ele não tem.

Pra saber sobre outras escapulidas de Marco Maia, clique aqui. Pra assistir ao vivo as sessões do mensalão, o link é este.

Quem assiste ao julgamento do mensalão ‘não tem o que fazer’, diz Marco Maia

Marco Maia (PT-RS), em destaque na foto abaixo discutindo “temas de interesse do país”, criticou ontem (2) os interessados em acompanhar o julgamento do mensalão pela TV. A informação é da repórter Iara Lemos, do portal G1:

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), afirmou nesta quinta-feira (2) que quem assiste ao julgamento do mensalão “não tem nada para fazer”. O processo do mensalão começou a ser julgado na tarde desta quinta (2) pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente afirmou que não assistiu a nenhum dos trechos do julgamento.

“Eu diria que o julgamento do mensalão, nesta fase que ele está, é para jornalista assistir e para aqueles que não têm absolutamente nada para fazer das suas vidas. Como eu tenho muita coisa para fazer, preocupado com o país, articulando as votações da Câmara da próxima semana, tratando sobre temas de interesse do país, não tive nem tempo de acompanhar e saber o que está acontecendo no mensalão”, disse o presidente.

(…)

Censura

O presidente da Câmara criticou os líderes dos partidos de oposição que o acusaram de ter censurado no jornal da Câmara a publicação de discursos de parlamentares que falaram sobre o julgamento do mensalão.

Na quarta-feira (1), um dia antes do julgamento, alguns parlamentares usaram a tribuna da Casa para falar sobre o assunto. Nenhum dos discursos, de acordo com a oposição, constou na edição desta quinta do jornal da Câmara dos Deputados, que tem distribuição gratuita na Casa. (Grifos nossos)

Comentário:

Lembramos que, em janeiro deste ano, Marco Maia abandonou a Câmara dos Deputados para ”ter muito o que fazer” na Alemanha. A viagem de férias não foi comunicada à mesa diretora, e a Câmara ficou sem comando.

A partir da próxima segunda, o Implicante transmitirá ao vivo as sessões do julgamento do mensalão pra aqueles que “não tiverem nada para fazer”. Se você estiver de bobeira, clique aqui e acesse o canal que criamos para cobrir o julgamento.

Caso Dieckmann e populismo: Câmara aprova lei de “crimes cibernéticos”

 A depender do entendimento do juiz, fazer “jailbreak” em seu smartphone pode ser considerado crime. O mesmo vale para quem usa um programa de computador que SIRVA para hackear (ainda que não seja hacker); dica: programas de auditoria de segurança são exatamente os mesmos.

 

Marco Maia: presidente da Câmara dos Deputados e não exatamente um mestre de direito penal

Primeiro, notícia da FSP (só para assinantes):

Câmara define penas para crime cibernético – Projeto aprovado na Casa tipifica no Código Penal as ações criminosas na internet; proposta vai para o Senado – Para casos como da atriz Carolina Dieckman, punição prevista é de 6 meses a 2 anos de prisão, mais multa – O plenário da Câmara aprovou ontem projeto de lei que acrescenta ao Código Penal a tipificação de crimes cibernéticos. A proposta, de autoria dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Luiza Erundina (PSB-SP), segue para votação no Senado (…) Caso os crimes sejam praticados contra representantes do governo federal, governadores, prefeitos, entre outras autoridades, a pena aumenta de um terço à metade (…) Durante a votação, alguns deputados lembraram do recente episódio em que a atriz Carolina Dieckmann teve fotos íntimas divulgadas na internet após ter o e-mail invadido por hackers. “É um projeto avançado e que vai permitir a penalização dos indivíduos que invadiram os e-mails da Carolina Dieckmann nas últimas semanas. Vai produzir transformação importante no uso da internet“, afirmou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).”

Agora, a boa análise de Eduardo Graeff, do Eagorabr:

Problemas na “Lei Dieckmann” (…) Um especialista em TI e estudioso da legislação pertinente me alerta para problemas no projeto de lei que criminaliza a invasão de computadores: Parece ser mais um projeto excessivamente amplo e que vai colocar na mão dos juízes, pessoas sem nenhum conhecimento específico da área, o poder de potencialmente limitar direitos e liberdades individuais. Exemplos (da matéria do Estadão) (…) Pelo texto, usar um código de desbloqueio em um DVD região 4 para assistir um DVD região 1 se enquadra. E fazer “jailbreak” de um iPhone para poder rodar aplicações não aprovadas pela Apple também. Péssimo. “A mesma pena é aplicada para quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde programa de computador com o intuito de permitir a invasão de computador alheio.” Com frequência, o mesmo programa que é usado em auditorias de segurança também é usado em invasões. Um juiz dificilmente conseguirá entender a diferença. Os autores de ferramentas de segurança que sejam usadas em invasão estão correndo risco. E se o desenvolvimento de software de segurança for arriscado legalmente, a evolução das medidas de proteção vai ficar mais cara e lenta e haverá menos inovação na área.”

Comentário
Em primeiro lugar, é triste saber que o Presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS), é uma verdadeira TOUPEIRA JURÍDICA. Na sanha de fazer populismo, solta uma batatada que nem primeiranista de direito conseguiria. Explico: A LEI PENAL JAMAIS RETROAGE PARA PUNIR – e sim para absolver/soltar/atenuar. Desse modo, é IMPOSSÍVEL que uma lei aprovada hoje sirva para PUNIR uma conduta realizada ontem. Mas ele joga para a torcida, aposta na ignorância alheia e, sem dúvida, não deve ter idéia da própria.

Mas o alarmante aí é nosso Poder Legislativo se prestar à correria de aprovar uma lei – visivelmente mal escrita – simplesmente para “ficar bem na foto”. Nossas instituições precisam se colocar acima das manchetes do dia e, além disso, os deputados deveriam ter uma preocupação maior quanto à qualidade das leis redigidas. É mais do que ÓBVIO que devem ser punidos os responsáveis pelo que sofreu Carolina Dieckman, a crítica aqui (para quem eventualmente não entende ou não quiser entender) é aos deputados que aproveitam um “tema do momento” para fazer firula populista por meio de leis ruins.

Agora, como em MUITOS casos, sobra para o juiz decidir o que é e o que não é crime. E NÃO DUVIDEM que os mesmos que aprovaram esse texto dirão que o judiciário “legisla”, quando, na verdade e às vezes até de forma sutil, resolve o analfabetismo e atecnia jurídicos de uns e outros.

Também chama atenção o fato de que divulgar dados de “autoridades” tenha pena MAIOR que divulgar os de quaisquer cidadãos. Até que o governo não aplaude tanto assim a “uiquiliqui”, né? E não esperem protestos daquela turma que enche o saco de todos com “AI5digital” e campanhas congêneres. Nesse caso, é “AI5dobem” e, de mais a mais, muitos precisam ficar quietos porque as contas não se pagam sozinhas. Se bobear, até defendem essa lei escrota. Primeiro o contracheque, depois a causa.

Enfim, caso você não esteja sabendo, talvez algumas de suas atividades corriqueiras, até então legítimas, passem a ser ilegais. Agradeça à Câmara Federal e, se quiser, faça por si próprio alguma coisa. Nosso “ativismo oficial” não fará nada por você.